MMXM3 – MMX mostra aperto financeiro

A venda de participações acionárias da MMX e da MMX Sudeste para o grupo chinês Wuhan Iron & Steel (Wisco) é fundamental para manter a mineradora controlada pelo grupo EBX de Eike Batista em condições de honrar seus compromissos no longo prazo, segundo a avaliação dos analistas que acompanharam ontem a teleconferência de resultados da companhia.

O fechamento do negócio de US$ 400 milhões com a Wuhan, que inclui o compromisso de aquisição da totalidade da produção das minas do sistema Sudeste, possibilitará a execução do plano de investimentos da MMX, que prevê produção de 33,7 milhões de toneladas de minério de ferro em 2013 a um custo estimado de US$ 1 bilhão.

O resultado do terceiro trimestre da MMX, que abriu capital em 2006, mostra uma situação de aperto financeiro. O patrimônio líquido, que estava perto de R$ 2 bilhões no começo de 2008, fechou setembro “descoberto” em R$ 218 milhões, ou seja, os passivos eram maiores que os ativos.

A mineradora registrou um prejuízo líquido de R$ 27,1 milhões no trimestre, apesar de ter ampliado significativamente suas vendas de minério de ferro para 1,8 milhão de toneladas.

Logo depois de abrir o capital, a empresa tinha em caixa cerca de R$ 1 bilhão. No fim do terceiro trimestre eram R$ 62,8 milhões, valor que não cobre nem 10% da dívida financeira de curto prazo de R$ 677 milhões, como avaliam analistas da Brascan Corretora. Rodrigo Ferraz e Pedro Montenegro salientam ainda que, além de redução do caixa, em conjunto com um endividamento bruto de R$ 1,4 bilhão, a dívida líquida da MMX cresceu de R$ 1,2 bilhão para R$ 1,3 bilhão, agravando mais a já frágil situação financeira.

Apesar de uma margem bruta (receita menos custos de produção) de 63,5%, o desempenho das operações (medido pelo lajida) foi negativo no trimestre, um prejuízo de R$ 77 milhões. Desde que começou a operar, a empresa só conseguiu fechar um trimestre com lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização.

Para a KPMG, que auditou o balanço trimestral da empresa, a venda de ativos ou a injeção de capital por acionistas pode ser uma saída para sua recuperação financeira. Segundo o auditor, “para que a companhia e suas controladas honrem seus compromissos de curto prazo, depende do sucesso das operações futuras da companhia e suas controladas e do suporte financeiro dos acionistas e/ou recursos de terceiros até que as suas operações se tornem rentáveis”. E advertem: “A falta dos referidos recursos financeiros levantará sérias dúvidas quanto à continuidade dos negócios da companhia e suas controladas”.

A política da EBX, desde a criação da MMX, tem se caracterizado pela venda de ativos . Em janeiro de 2008, a EBX vendeu por US$ 5,5 bilhões as minas de minério de ferro dos sistemas Minas-Rio e Amapá para a sul-africana Anglo American.

Desse total, couberam US$ 3 bilhões a Batista e US$ 2,5 bilhões aos minoritários da MMX. Agora, o movimento se repete: negociações para vender participações acionárias da MMX e da MMX Sudeste para os chineses da Wuhan por US$ 400 milhões. A expectativa é que o negócio feche neste mês. A MMX ainda dispõe de ativos minerais e um porto no Chile que têm tudo para atrair compradores asiáticos, já que fica nas costas do Pacífico. (Valor)

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