Regras do Pré-Sal adiam proposta de reajuste de aposentadorias e pensões

O governo decidiu priorizar a tramitação dos quatro projetos com as regras do pré-sal na Câmara dos Deputados e, só depois de vê-los aprovados, vai se empenhar para votar a proposta de reajuste das aposentadorias e pensões pagas pela Previdência Social. Com isso, a tendência é que o aumento real para os benefícios dos aposentados seja concedido por medida provisória, conforme a Folha noticiou no último sábado.
Em reunião ontem entre o presidente Lula, ministros e líderes da base governista, ficou decidido que o acordo fechado com as centrais sindicais sobre o aumento dos aposentados será mantido. Isso garantirá aos segurados com aposentadorias acima do salário mínimo o reajuste de cerca de 6% a partir de janeiro de 2010.
O governo, no entanto, discutirá internamente o melhor momento e a melhor forma de tornar o acordo viável. “Não há discussão sobre o acordo. Essa é a posição do governo no diálogo que teve com as centrais [sindicais]. O governo chegou ao seu limite. O limite responsável e sustentável”, afirmou ontem, depois da reunião, o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais).
Pelo acordo, os benefícios acima do mínimo serão corrigidos, em 2010 e em 2011, pela variação da inflação e 50% da variação do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes. Além disso, o governo se comprometeu a criar uma alternativa ao fator previdenciário (atual forma de cálculo que funciona como um redutor no valor das aposentadorias), que é o fator 85/95.
Pela nova regra, a soma da idade da pessoa e do tempo de contribuição precisa alcançar 85/95 (mulheres/homens) para o segurado se aposentar sem redução do benefício.
Na avaliação do líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), em três semanas os projetos do pré-sal deverão ser votados pelos deputados. Seguirão depois para o Senado.
Se a projeção não se concretizar -a oposição ameaça obstruir as votações-, o calendário do governo ficará cada vez mais apertado. Com isso, ficarão reduzidas as chances de votar ainda neste ano o reajuste dos aposentados conforme previsto no acordo.
O governo precisa definir a situação do aumento ainda neste ano porque o novo valor dos benefícios, assim como a correção do mínimo, entra em vigor em 1º de janeiro. A principal opção é a edição de uma medida provisória para assegurar o cumprimento do acordo.
O acordo negociado em agosto conta com o apoio da CUT e da Força Sindical. A UGT, a Nova Central e a CTB questionam a negociação. Elas querem a aprovação do projeto do senador Paulo Paim (PT-RS), já votado no Senado, que concede aos benefícios acima do salário mínimo o mesmo percentual de aumento do piso salarial. Ou seja, o reajuste seria igual à variação da inflação mais 100% do PIB de dois anos antes.
O governo é contra o projeto de Paim e defende o texto substitutivo elaborado pelo deputado Pepe Vargas (PT-RS), que reúne todos os pontos do acordo com as centrais. (Folha)

PCAR5 Pão de Açucar – Resultado impactado pelo Ponto Frio

A consolidação dos números do Ponto Frio nos resultados derrubou a margem medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) do Grupo Pão de Açúcar , que viu suas ações caírem mais de 4% ontem na Bovespa. Isso ocorreu mesmo após a empresa apresentar aumento de 37% na receita bruta, que atingiu de R$ 6,9 bilhões, e um salto de 157% no lucro do terceiro trimestre, que somou R$ 171,1 milhões.

A margem lajida, que representa quanto da receita líquida a companhia consegue transformar em geração de caixa, caiu de 8,1% no terceiro trimestre do ano passado para 5,7% em igual período deste ano.

Em teleconferência com jornalistas, os executivos da companhia explicaram a queda na margem lajida primeiro por conta dos números do Ponto Frio, que teve lajida negativo, e que ainda vive uma fase de reestruturação. Sem isso, a margem teria ficado em 7%, nível considerado adequado pela companhia, e acima do registrado no primeiro semestre deste ano. Além disso, o vice-presidente executivo do Pão de Açúcar, Enéas Pestana, disse que o índice de 8,1% atingido um ano antes foi um “ponto fora da curva”. “No ano passado tivemos o lançamento da campanha de aniversário de 60 anos do Pão de Açúcar, que teve um sucesso estrondoso. E nós não tínhamos a expectativa de repetir esse resultado e nem era a expectativa do próprio mercado”, afirmou.

De fato, analistas das corretoras Link e Ativa, por exemplo, fizeram uma leitura de neutra sobre os números, que teriam ficado dentro de suas previsões. Já a ação PNA da companhia caiu 4,4% ontem, para R$ 54,69, enquanto o Ibovespa recuou 2,99%.

Ainda sobre a margem lajida, Pestana sinalizou que a expansão do grupo para áreas como o atacarejo, representada pela bandeira Assai, a compra do Ponto Frio, bem como as incursões nos segmentos de drogarias e postos de combustíveis tendem a reduzir este indicador no longo prazo. O ganho viria, então, de um aumento no lajida em termos absolutos. Neste último trimestre, o lajida do grupo subiu 0,4%, para R$ 356,3 milhões, sem contar o Ponto Frio, mas caiu 1,38%, para R$ 350 milhões, incluindo a nova controlada.

Em relação a este assunto, o presidente do Ponto Frio, Jorge Herzog, disse que as sinergias a serem capturadas com a fusão das empresas serão muito maiores que os R$ 500 milhões projetados inicialmente. Isso garante, segundo ele, que a margem lajida fique no futuro em linha com a referência de mercado para o segmento de eletroeletrônicos, que gira em torno de 5% a 6%.

Ao comentar o que encontrou na empresa adquirida nos primeiros três meses de nova administração, Herzog relatou um cenário de abandono, pelo fato de a empresa estar à venda há muito tempo. Os principais problemas encontrados foram o baixo investimento nas lojas e na capacitação do pessoal de vendas, a falta de concessão de crédito por conta da inadimplência passada, o foco no resultado apenas de curto prazo e a baixa motivação da equipe.

Para tornar a nova controlada rentável, as áreas de compra do Grupo Pão de Açúcar e Ponto Frio foram integradas, assim como a concessão de crédito e suporte. Para o ano que vem, embora não tenha anunciado números, a companhia deve fechar lojas com rentabilidade abaixo da média e abrir outras que deem melhor retorno.

Em relação ao salto do lucro no trimestre, uma das explicações está em um resultado não recorrente positivo de R$ 52,2 milhões. Ele se deve ao aporte de R$ 600 milhões recebido do Itaú Unibanco por conta da reformulação da parceria envolvendo a financeira FIC, mas foi parcialmente contrabalançado pela baixa de créditos tributários e constituição de provisões. Também contribuiu para o lucro o fato de o resultado financeiro ter saído de uma despesa de R$ 103,4 milhões para um gasto líquido de R$ 64,7 milhões no terceiro trimestre deste ano. (Valor)

MMXM3 – MMX mostra aperto financeiro

A venda de participações acionárias da MMX e da MMX Sudeste para o grupo chinês Wuhan Iron & Steel (Wisco) é fundamental para manter a mineradora controlada pelo grupo EBX de Eike Batista em condições de honrar seus compromissos no longo prazo, segundo a avaliação dos analistas que acompanharam ontem a teleconferência de resultados da companhia.

O fechamento do negócio de US$ 400 milhões com a Wuhan, que inclui o compromisso de aquisição da totalidade da produção das minas do sistema Sudeste, possibilitará a execução do plano de investimentos da MMX, que prevê produção de 33,7 milhões de toneladas de minério de ferro em 2013 a um custo estimado de US$ 1 bilhão.

O resultado do terceiro trimestre da MMX, que abriu capital em 2006, mostra uma situação de aperto financeiro. O patrimônio líquido, que estava perto de R$ 2 bilhões no começo de 2008, fechou setembro “descoberto” em R$ 218 milhões, ou seja, os passivos eram maiores que os ativos.

A mineradora registrou um prejuízo líquido de R$ 27,1 milhões no trimestre, apesar de ter ampliado significativamente suas vendas de minério de ferro para 1,8 milhão de toneladas.

Logo depois de abrir o capital, a empresa tinha em caixa cerca de R$ 1 bilhão. No fim do terceiro trimestre eram R$ 62,8 milhões, valor que não cobre nem 10% da dívida financeira de curto prazo de R$ 677 milhões, como avaliam analistas da Brascan Corretora. Rodrigo Ferraz e Pedro Montenegro salientam ainda que, além de redução do caixa, em conjunto com um endividamento bruto de R$ 1,4 bilhão, a dívida líquida da MMX cresceu de R$ 1,2 bilhão para R$ 1,3 bilhão, agravando mais a já frágil situação financeira.

Apesar de uma margem bruta (receita menos custos de produção) de 63,5%, o desempenho das operações (medido pelo lajida) foi negativo no trimestre, um prejuízo de R$ 77 milhões. Desde que começou a operar, a empresa só conseguiu fechar um trimestre com lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização.

Para a KPMG, que auditou o balanço trimestral da empresa, a venda de ativos ou a injeção de capital por acionistas pode ser uma saída para sua recuperação financeira. Segundo o auditor, “para que a companhia e suas controladas honrem seus compromissos de curto prazo, depende do sucesso das operações futuras da companhia e suas controladas e do suporte financeiro dos acionistas e/ou recursos de terceiros até que as suas operações se tornem rentáveis”. E advertem: “A falta dos referidos recursos financeiros levantará sérias dúvidas quanto à continuidade dos negócios da companhia e suas controladas”.

A política da EBX, desde a criação da MMX, tem se caracterizado pela venda de ativos . Em janeiro de 2008, a EBX vendeu por US$ 5,5 bilhões as minas de minério de ferro dos sistemas Minas-Rio e Amapá para a sul-africana Anglo American.

Desse total, couberam US$ 3 bilhões a Batista e US$ 2,5 bilhões aos minoritários da MMX. Agora, o movimento se repete: negociações para vender participações acionárias da MMX e da MMX Sudeste para os chineses da Wuhan por US$ 400 milhões. A expectativa é que o negócio feche neste mês. A MMX ainda dispõe de ativos minerais e um porto no Chile que têm tudo para atrair compradores asiáticos, já que fica nas costas do Pacífico. (Valor)

Varejo continua crescendo

As vendas no varejo brasileiro cresceram pelo quinto mês consecutivo em setembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

As vendas subiram 0,3 por cento em setembro sobre agosto e avançaram 5 por cento sobre igual mês de 2008. Economistas consultados pela Reuters previam um crescimento mês a mês de 0,2 por cento e uma alta de 4,95 por cento ante 2008.

O dado de agosto foi revisto para alta de 0,6 por cento sobre julho, ante divulgação preliminar de 0,7 por cento. (Reuters)

Importações sobem 60%

Com um real forte, o Brasil sofreu uma das maiores altas das importações entre as principais economias nos últimos oito meses. Os cálculos foram compilados pela Organização Mundial do Comércio (OMC), mas são baseados nos dados de cada governo. Em termos porcentuais, a expansão das importações no Brasil superou a da França, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Japão.Entre o ponto mais baixo da recessão, que foi o mês de março, e outubro, as importações no Brasil aumentaram de US$ 8,2 bilhões para US$ 13,3 bilhões por mês. Em valores, outros países tiveram aumentos maiores. Mas, em porcentuais, a expansão foi de mais de 60%, uma das mais altas no período.Em porcentuais, apenas China e Índia tiveram aumentos mais expressivos entre as 15 maiores economias que tiveram seus dados compilados pela OMC. Entre março e outubro, as importações da Índia aumentaram 69%. Na China, elas chegaram a 70% de alta.A desvalorização do dólar em relação ao real vem provocando um impacto na decisão de empresas na compra de insumos. O superávit na balança comercial também sofreu encolhimento importante. Entre março e outubro, as exportações do País passaram de US$ 9,6 bilhões para US$ 13,9 bilhões.A alta de importações, principalmente nos países emergentes, demonstra também a recuperação dessas economias e de seus mercados domésticos. Mas os volumes importados ainda estão bem abaixo dos meses pré-crise, em 2008. O Brasil, em agosto do ano passado, importou US$ 18 bilhões.Entre os países ricos, a recuperação das importações já começou. Mas de forma bem mais tímida. No auge de 2008, a UE importou US$ 229 bilhões em agosto. O total caiu para US$ 124 bilhões em março deste ano e agora está em apenas US$ 130 bilhões diante de uma economia que parou de cair, mas está estagnada.Para 2009, a OMC alerta que a queda nos fluxos comerciais será ainda mais profunda do que as previsões iniciais haviam indicado. Cálculos preliminares da entidade apontam que o tombo possa chegar a 11%, em comparação com 2008.No segundo semestre, a queda do comércio está sendo menos intensa que nos primeiros seis meses do ano. Mas o fim da recessão em algumas economias não foi o suficiente para reverter a situação. No início da crise, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, falava em queda de 7% no comércio em 2009. Alguns meses depois, já falava de 9%. Em meados do ano, a OMC chegou a conclusão de que seria de 10%. Agora, os técnicos já falam em 11%. (Estado)