Fundos de ações resgatam

Todos os quatro principais grupos de fundos de ações dos países em desenvolvimento registraram retiradas simultâneas pela primeira vez desde junho. Os resgates se devem ao receio de que o ritmo da recuperação econômica mundial possa não justificar os preços, avaliou a EPFR Global.

As retiradas de recursos dos fundos globais de ações dos emergentes e dos de Ásia, América Latina, Europa, Oriente Médio e África contribuíram para saídas líquidas de US$ 5,42 bilhões de todos os veículos de aplicações em ações na semana encerrada em 4 de novembro. Já os fundos de bônus captaram US$ 3,63 bilhões.

Preocupações relativas às condições mais difíceis de crédito tiveram grande peso, com os bancos centrais mencionando estratégias de reversão das políticas de estímulo de liquidez.





Risco de bolha de ativos

O IIF, espécie de Febraban (Federação Brasileira de Bancos) mundial, afirma que há uma conjunção de fatores preocupantes no Brasil que podem indicar a formação de uma bolha.

A expansão de crédito ficou em 30% no ano passado. Neste ano caiu para 12% e, apesar da queda, ainda está em dois dígitos.

O país está recebendo grandes volumes de fluxos de capital. Em outubro, foi o segundo maior da história. O mercado acionário está em alta e o real foi a moeda que mais se valorizou, cerca de 34% neste ano.

– Todos esses fatores combinados representam um risco de bolha de ativos. Essa excessiva valorização de ativos e moeda terá de ser corrigida mais cedo ou mais tarde, o que não vai ser fácil – diz Hung Tran, diretor da área de mercado de capitais e mercados emergentes do Institute for International Finance (IIF).

A economia brasileira é vítima do próprio sucesso, dizem os economistas. Com um crescimento expressivo e sistema financeiro saudável, o Brasil vem recebendo muitos investimentos. Mas se torna refém do ambiente externo: as economias avançadas ainda estão se recuperando e devem manter as taxas de juros baixas por muito tempo.

Valor


GPCP3 GPC – Produtores de biodiesel querem elevar porcentual de biodiesel


Os produtores de biodiesel querem ampliar o porcentual de mistura obrigatória do combustível vegetal ao diesel tradicional. O governo já decidiu que a partir de janeiro de 2010 será obrigatória a adição de 5% de biodiesel ao diesel vendido no País. Mas os empresários querem mais. O diretor executivo da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio), Sérgio Beltrão, disse ontem que é possível, até 2015, atingir 10%.

“A adoção poderia ser feita gradualmente, mas, para isso, é preciso mudar a legislação”, disse Beltrão, lembrando que o atual marco regulatório do biodiesel prevê apenas mistura de até 5%.

Outra reivindicação da entidade é estabelecer, também até 2015, uma mistura obrigatória de 20% de biodiesel no diesel, mas apenas em grandes centros urbanos. Segundo um dos sócios da Ubrabio, o diretor da empresa Binatural, João Batista Cardoso, a ideia seria tornar os 20% obrigatórios apenas para postos em um raio de até 100 quilômetros de grandes centros, como São Paulo. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o pedido das empresas ainda está sendo estudado.

Caso consigam ser atendidos, os fabricantes terão de aumentar a produção. Hoje, o parque instalado de biodiesel tem capacidade para 4 bilhões de litros por ano e a previsão é de que chegue a 5 bilhões no fim de 2010, com oito novas fábricas.

Com a mistura de 5% obrigatória a partir de 2010, serão necessários 2,5 bilhões de litros por ano para atender à demanda. Isso significa que a capacidade ociosa é de 2,5 bilhões, suficientes, segundo os empresários, para atender à elevação da mistura para 10%. Para atender os 20% de biodiesel nos grandes centros, seriam necessários mais 2,5 bilhões por ano.

Os empresários também rebateram críticas de que o uso da soja para o biodiesel acaba provocando competição com o uso da soja para alimentos. Segundo Beltrão, no esmagamento da soja, 20% da produção se transforma em óleo e 80% no farelo usado como ração.

Estado