Firgorifico Independencia ajusta operações e encerra atividades em GO e MS

A companhia Independência, do setor de frigoríficos de carne bovina, informou que encerrou hoje atividades em suas unidades em Senador Canedo (GO) e Anastácio (MS), como parte de seu programa de ajustes das operações, prejudicada pela menor demanda internacional. As unidades empregavam aproximadamente 2 mil funcionários, com capacidade de abate de 2.400 cabeças diárias. “A companhia conhece suas responsabilidades e reconhece que esta atitude irá impactar seus colaboradores e a sociedade em que ela se encontra, mas a difícil decisão teve que ser tomada a fim de parar a significante saída de dinheiro que estas operações estavam causando por causa da situação atual do mercado”, afirmou, em comunicado, o CEO da Independência, Roberto Russo.

AGEN11 – Marubeni fora da Agrenco

A japonesa Marubeni Corporation, que detinha 15% de participação na Agrenco Bioenergia, formalizou em 27 de fevereiro a venda, transferência e entrega da integralidade de suas cotas à Agrenco Netherlands N.V.. As empresas anunciaram a sociedade em 2007 em um projeto de construção de usinas de biodiesel e esmagadoras de soja que totalizava US$ 190 milhões, dos quais US$ 40 milhões seriam investidos pela Marubeni. O valor da negociação da saída da japonesa não foi informado ontem no comunicado da Agrenco

BNDES irá desembolsar $13 bi para o setor elétrico

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai desembolsar R$ 13 bilhões para o setor elétrico em 2009, 50% a mais do que o volume liberado no ano passado. Segundo o chefe do departamento de infra-estrutura do banco, Nelson Siffert, 70% desse valor irá para a área de geração hidrelétrica. Os principais projetos beneficiados serão o complexo do rio Madeira, em Rondônia; usina hidrelétrica de Estreito, em São Paulo; e usina hidrelétrica Foz do Chapecó, entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A área de transmissão também deverá ter demanda este ano, com destaque para os projetos Tucuruí-Manaus-Macapá e rio Madeira. Siffert destacou ainda que em meio à crise de crédito as empresas de transmissão buscaram o BNDES para obter empréstimos-ponte a fim de dar continuidade aos projetos.

WSON11 – Lobby deve manter concessão da Wilson & Sons

Um poderoso lobby, com apoio de partidos da base de Lula, deve garantir o aditamento, sem licitação, do contrato de arrendamento do terminal de contêineres do porto de Salvador. A Wilson & Sons deve manter a concessão por mais 25 anos e dobrar a área do terminal.

Titulos do Tesouro Nacional mais fáceis e baratos para pessoa física a partir de abril

A venda de títulos do Tesouro Nacional a pessoas físicas vai ficar mais barata e fácil, num momento em que os pequenos investidores buscam novas alternativas de aplicação financeira. Em parceria com a BM&F Bovespa, o governo vai lançar em abril um pacote de medidas para tornar mais atrativo e popular o programa Tesouro Direto, que permite a compra de títulos públicos pela internet. Criado em 2002 para assegurar que pequenos poupadores tivessem acesso direto aos papéis federais (antes a compra só era feita via fundos de investimento), o programa ainda tem operação que exige várias etapas e é pouco estimulado pelos grandes bancos.

Além da redução do valor da custódia dos títulos que os investidores são obrigados a pagar para a BM&FBovespa, as medidas vão desburocratizar o acesso dos investidores à compra dos papéis, permitindo-lhes operar o programa diretamente da página de seu banco ou corretora na internet (os chamados home brokers, que permitem a negociação eletrônica de ações e títulos). Os clientes poderão usar o mesmo login e senha de acesso da sua instituição financeira ou corretora.

Hoje, os investidores fazem as compras na página do Tesouro na internet. Porém, eles têm de obter a senha de acesso na corretora ou no banco. Essa burocracia foi identificada como desestímulo aos investidores. A bolsa vai difundir tecnologia às corretoras, a partir de maio, para permitir a integração de sistemas.

Atualmente, só o Banco do Brasil e o Itaú-Unibanco têm essa facilidade para seus correntistas. As corretoras, que têm taxas mais baratas de administração do programa (algumas com taxa zero) ainda não oferecem essa facilidade por causa do alto custo. Com a distribuição da tecnologia, mais corretoras vão poder facilitar a venda.

Além disso, a BM&FBovespa vai estender os programas de popularização de ações, como o “Bovespa vai à praia”, para vender títulos. A bolsa também vai oferecer um simulador para ajudar os investidores a escolher o melhor papel, conforme a necessidade. Se o objetivo, por exemplo, é comprar uma casa, o simulador vai apontar as melhores opções de compra.

Segundo o secretário-adjunto do Tesouro, Paulo Valle, o Tesouro entra numa segunda fase de expansão depois da sua criação. “O produto é bom, mas ainda é pouco conhecido dos brasileiros”, disse Valle.

PRGA3 – Lucro liquido da Perdigão cai 83% em 2008

A Perdigão fechou o quarto trimestre de 2008 com receita bruta de R$ 3,576 bilhões, 57% mais que em igual período de 2007. O resultado líquido foi negativo em R$ 20 milhões, ante lucro de R$ 98 milhões no último trimestre do ano anterior. Segundo o diretor de finanças e relações com investidores, Leopoldo Saboya, o prejuízo refletiu a absorção de parcela do ágio referente à compra da Eleva, o impacto cambial nas despesas financeiras (R$ 318 milhões, sem efeito no caixa) e ajustes no processo produtivo para reduzir estoques destinados ao exterior.

Desconsiderando o efeito do ágio, a empresa teve lucro líquido ajustado de R$ 8 milhões no quarto trimestre de 2008. No segundo trimestre de 2008, a Perdigão tinha absorvido o ágio integral de R$ 1,5 bilhão pela compra da Eleva, mas após decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) teve de reverter a amortização integral.

Apesar da perda, José Antônio do Prado Fay, presidente da Perdigão, disse que o quarto trimestre foi o melhor da história da empresa. “Fomos beneficiados por preços de exportação elevados e resultados positivos das vendas de produtos natalinos no mercado interno.”

Além do faturamento no trimestre, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) de R$ 465 milhões, 93% maior que o do quarto trimestre de 2007, também foi recorde. Segundo Saboya, no segmento de carnes as vendas cresceram 17% em volumes no mercado interno e 11% no exterior. As vendas de lácteos tiveram aumento de 322% por conta da aquisição da Eleva, em setembro de 2007.

Considerando todo o ano de 2008, o faturamento bruto foi recorde e cresceu 69%, para R$ 13,1 bilhões. Além da consolidação das aquisições, o aumento das vendas nos mercados doméstico e externo contribuiu para a cifra. “2008 começou difícil (…), mas tivemos um mercado interno consistente e estamos contentes com os resultados”, disse Fay. As vendas do segmento carnes no país cresceram 36% em receita e 26,3% em volume, enquanto para o exterior a receita aumentou 54% e os volumes, 33%.

Em 2008, o mercado doméstico respondeu por 56% da receita líquida de R$ 11,3 bilhões da Perdigão. Antes da consolidação da Eleva no balanço, a relação era inversa.

O resultado líquido da Perdigão no ano foi positivo em R$ 54,4 milhões, 83% menos que em 2007 ( R$ 321 milhões). O lucro foi bem menor do que 2007 por conta do impacto do câmbio (R$ 416 milhões) nas despesas financeiras e à parcela do ágio pela compra da Eleva. Ajustado, sem considerar a amortização do ágio, o lucro subiria para R$ 155 milhões, segundo a Perdigão. Ajustes para reduzir estoques também afetaram o lucro.

O lajida no ano foi R$ 1,159 bilhão, 44% mais do que os R$ 803 milhões de 2007, mas a margem lajida recuou. Foi de 10,2% ano passado, ante 12,1% em 2007. A queda reflete o maior peso dos lácteos na receita da Perdigão. Segundo a empresa, em 2008 os produtos lácteos responderam por 34,6% das vendas do mercado interno.

A companhia, que fechou 2008 com caixa de R$ 1,976 bilhão e dívida bruta de R$ 5,366 bilhões, se vê às voltas, agora, com a recuperação de seu complexo de Rio Verde (GO), atingido por um incêndio, que não deixou feridos, no sábado. O presidente da Perdigão, que chegou de Rio Verde ontem, disse que ainda não tem estimativa do prejuízo causado pelo incêndio iniciado na linha de produção de empanados.

O fogo também atingiu o centro de distribuição da complexo – que estava em pré-operação -, e afetou “pouco” a linha de abate de suínos e duas das três linhas de abate de frango. Segundo Fay, o plano é retomar o abate nessas três linhas ainda esta semana. O seguro já foi acionado, e Fay acredita que é possível retomar a produção de parte da unidade em abril. Se necessário, equipamentos que seriam destinados para modernização ou ampliação de outras unidades serão redirecionados para Rio Verde, que representa 10% a 12% da capacidade produtiva da Perdigão.

Delfim Netto analisa a politica econômica brasileira

O Brasil está grogue. Está nas cordas, como consequência do poderoso direto no queixo que recebeu no quarto trimestre de 2008, quando demorou a fechar sua guarda usando uma política monetária mais agressiva. Por falta de pragmatismo e de senso de urgência, perdemo-nos no labirinto de um perigo inexistente: o substancial aumento da taxa de inflação! Os sintomas da desintegração financeira mundial já eram visíveis no primeiro trimestre de 2007. Em abril de 2008, quando iniciamos o movimento de aumento do nosso juro real, praticamente todos os países estavam reduzindo os seus, o que levou a valorização da nossa taxa cambial ao paroxismo em julho de 2008, aproveitando os dramáticos ganhos das relações de troca a partir de julho de 2007.

No primeiro trimestre de 2008, a economia mundial registrava uma queda ainda mais substancial. Tudo apontava para o agravamento da situação e havia a ameaça de deflação. Uma explicação plausível para o comportamento do nosso Banco Central é que ele, sem dizer, levava mais a sério do que o governo a hipótese de “blindagem” da economia brasileira com relação à mundial: a economia mundial estava se desfazendo a olhos vistos, mas a economia brasileira iria continuar a registrar um duvidoso “excesso de demanda”!

A outra é que, ao perder o controle sobre a taxa de câmbio e temendo seus efeitos sobre a inflação, radicalizou. Entre abril e setembro, elevou a taxa Selic em 250 pontos, enquanto o mundo reduzia dramaticamente a “taxa básica”. Esse movimento simplesmente ignorava a enorme probabilidade que a demanda interna cairia naturalmente em resposta à queda da economia mundial. Confirma-se, assim, a hipótese (nunca explicitada) de que os membros do Copom sempre acreditaram, ainda mais do que o governo, na ilusão de que estávamos “blindados”…

A “blindagem”, que poderíamos ter feito e não fizemos, era a do nosso sistema bancário hígido para que ele não tivesse de, por precaução, assassinar o crédito interbancário e interromper abruptamente o “circuito econômico”. Tudo isso é passado. O que foi feito foi feito, não pode ser não-feito, mas pode ser refeito. O “uppercut” foi selvagem. Mais forte do que o mais pessimista imaginava: o crescimento econômico anual, que durante nove trimestres consecutivos andou às voltas de 5% a 6%, caiu para 1,3%. A não ser que mobilizemos nossas forças para os próximos três trimestres, corremos o risco de ter em 2009 uma redução do PIB. Hoje, as estimativas de crescimento (sempre sujeitas a chuvas e trovoadas e sobre as quais não há consenso), se fixam em torno dos seguintes números para 2009:

O Brasil, graças à sua performance e à política econômica que se seguiu ao Plano Real, está numa situação melhor do que sempre esteve. A prova disso é a sua incorporação às decisões do G-20: hoje somos parte da solução, ontem éramos do problema. É natural que nos preocupemos com as questões da nova estrutura financeira internacional, mas devemos humildemente conservar a consciência de nossas limitações. Não podemos perder o foco e o senso de urgência e “filosofar” sobre a nova arquitetura mundial. Nosso problema está aqui. É aqui, no chão do Brasil real, que se definirá, afinal, a verdadeira qualidade da nossa governança.

Lembremos três fatos insuperáveis:

1) Nosso ponto de partida é de -1,5%;

2) Perdemos o primeiro trimestre de 2009; e

3) Dissipamos os últimos seis meses enrolados numa política monetária que, em lugar de usar a musculatura do Banco Central para reduzir os efeitos da queda do crédito interbancário, tergiversou e construiu a perversa teoria que qualquer banco “grande” é melhor do que qualquer banco “pequeno” e que qualquer banco “público” é melhor do que o melhor banco “privado”, da qual ainda vamos nos arrepender…

Temos os próximos três trimestres para: 1) corrigir a política monetária reduzindo os juros, dando maior “conforto” ao sistema bancário e abrindo janelas no Banco Central para o acesso direto das empresas ao crédito, como o FED já está fazendo; e 2) acelerar os investimentos públicos, manter a responsabilidade fiscal (cortando gastos) e cooptar o setor privado.

Não adianta ficar brigando com as “estimativas”. O crescimento real não está no passado: depende de nossa ação. Por exemplo, se o crescimento do primeiro trimestre de 2009 com relação ao último de 2008 foi nulo ou ligeiramente positivo (o que parece plausível), e se os crescimentos dos trimestres sucessivos sobre os seus antecedentes forem de 1% no segundo, 2% no terceiro e 1,5% no quarto, o PIB médio crescerá em torno de 0,6%. Com um pequeno esforço adicional bem dirigido, com crescimentos trimestrais de 1%, 3% e 2,5% respectivamente, o PIB poderá crescer 1,4%, em lugar do -1,4% projetado pelo JP Morgan.

Diante de tanta “previsão” é preciso insistir: todas valem o mesmo! Nenhuma está escrita em 2008 ou nas estrelas. A realidade será a que soubermos fazer. Para não sair de 2009 menor do que entramos, precisamos de uma verdadeira mobilização bélica, focada e urgente, do Banco Central, do governo e do setor privado para aproveitar os três trimestres que nos restam.

É preciso respeitar as regras do bom convívio internacional, mas não parece razoável iludir-se tentando primeiro salvar os EUA para depois salvar o Brasil, mesmo porque é provável que eles saiam da crise antes de nós…

HGTX3 – Hering investirá $32mi em 2009

A Hering ainda não sentiu os efeitos da crise em seus negócios. Nem mesmo em 2009. A afirmação é do vice-presidente e diretor de relações com investidores da empresa, Fábio Hering. Segundo ele, mesmo nos dois primeiros meses deste ano, as vendas estão acima das expectativas. “Mas isso não quer dizer que não estamos atentos para os momentos difíceis que poderão ocorrer. Pode ser que a empresa não mantenha um crescimento tão significativo.”

O executivo não revela o tamanho do crescimento nos primeiros meses nem as metas para 2009, mas diz que está ganhando mercado com o novo posicionamento estratégico, que em 2007 colocou coleções de menor preço nas lojas.

“O número de tíquetes mês a mês tem crescido 50% em relação ao ano anterior”, disse, acrescentando que o reposionamento permite atender novos consumidores: tanto pessoas de classe mais alta, que com a crise estão economizando, quanto pessoas de renda mais baixa que ao longo de 2008 tiveram melhora salarial.

Mesmo com o cenário econômico de crise global, a Hering por enquanto manterá os planos de abertura de lojas para 2009, assim como projetos de ampliação e modernização do parque fabril. No total, serão investidos R$ 32 milhões em 2009, um volume um pouco menor do que os R$ 35,8 milhões de 2008.

Os investimentos se concentrarão no aumento de até 20% na capacidade produtiva total, além de abertura de 46 novas lojas, totalizando 357. As lojas franqueadas são prioridade. A empresa recentemente ampliou a produção no Rio Grande do Norte e planeja agora uma nova fábrica em Goiás.

Nos resultados do quatro trimestre de 2008, a Hering registrou queda no lucro líquido para R$ 9,3 milhões ante R$ 21,7 milhões registrados no quarto trimestre de 2007. A receita líquida cresceu 41,2% para R$ 163 milhões.

As vendas no mercado interno cresceram 53% para R$ 195,5 milhões e as do mercado externo recuaram 55%, totalizando R$ 5,2 milhões. A diminuição das exportações esteve relacionada com o fim das operações private label (produção com a marca de terceiros). Segundo Fábio, a empresa está priorizando apenas a exportação de marcas próprias pela maior lucratividade.

Mas o vilão do balanço foi o resultado financeiro: a empresa teve despesa de R$ 35,9 milhões, correspondendo a 22% da receita líquida, ante 7,1% no mesmo período em 2007. A marcação de contratos financeiros pelo valor justo, conforme determinam as novas regras contábeis, trouxe impacto negativo de R$ 46,7 milhões a essa conta.

Segundo o executivo, a operação ainda não foi desmontada. “Estamos monitorando. Desde 31 de dezembro já tivemos uma redução expressiva deste valor. Creio que em breve surgirá uma oportunidade de saída”. O lucro operacional no quatro trimestre foi de R$ 51 milhões, 155% superior aos R$ 20 milhões de igual período de 2007.

POSI3 – Ano difícil para a Positivo após sequência de números crescentes

A Positivo Informática teve no último trimestre de 2008 o pior resultado de sua história recente, com prejuízo de R$ 25 milhões, ajustado pela nova lei contábil. Em igual período do ano anterior, a maior fabricante de computadores do país havia apresentado lucro de R$ 72,3 milhões. Acostumada a ver números crescentes nos últimos exercícios, a empresa terá um 2009 difícil, com margens apertadas e mercado em queda.

As vendas abaixo do esperado na virada do ano fizeram a empresa encerrar dezembro com estoque de 90 dias, mais que o dobro do volume usual. Como os concorrentes também estavam estocados, houve guerra de preços, o que impossibilitou o repasse do aumento no custo de produção, gerados principalmente pelo câmbio.

De outubro a dezembro, a Positivo vendeu 410 mil computadores, 8,4% menos do que no último trimestre de 2007. A receita líquida caiu 4,6%, para R$ 514,4 milhões. As perdas com câmbio somaram R$ 24,6 milhões, e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) fechou em R$ 27 milhões, queda de 66%. “Com certeza, não foram os resultados que esperávamos”, disse o presidente, Hélio Rotenberg.

Segundo ele, havia expectativa de crescimento de 25% nas vendas, mas o mercado encolheu em 17%. “Houve um freio enorme, por causa da crise real e da crise psicológica”, comentou. Mesmo assim, a empresa aumentou sua participação e fechou o trimestre com 15,6% do mercado. No ano, a fabricante comercializou 1,6 milhão de equipamentos, registrou receita líquida de R$ 1,9 bilhão (12,7% maior) e teve lucro de R$ 147 milhões (42% menor que em 2007).

Nos últimos anos, as vendas de computadores foram impulsionadas pela queda no preço, aumento na oferta de crédito e consumo maior das classes de menor renda. Contando com um bom Natal, a Positivo fez encomendas aos fornecedores estrangeiros no meio do ano e, depois, teve de suspender parte das compras, porque, além do agravamento da crise, a televisão ganhou a atenção dos consumidores. “Tivemos de nos preocupar em fazer dinheiro. Foi nossa maior preocupação de outubro até agora, fazer reserva de caixa.”

Com a estratégia, o empresário adiantou que a empresa vai encerrar o primeiro trimestre de 2009 sem dívidas, porque pagou bancos e também os controladores, que tinham feito empréstimo à companhia no ano passado em condições mais vantajosas que as encontradas no mercado.

Como reflexo do que aconteceu no quarto trimestre, a Positivo decidiu desacelerar o ritmo de investimentos e, em 2009, em vez dos R$ 70 milhões previstos (mesma quantia de 2008), planeja usar R$ 41 milhões, também para proteção do caixa. “Vínhamos ampliando a fábrica todo ano. Pela primeira vez em quatro anos, em 2009 isso não será feito”, disse.

Apesar das dificuldades, a empresa mantém o discurso otimista. Rotenberg afirmou que os estoques estão sendo regularizados e, hoje, estão uma a duas semanas acima do esperado. De janeiro a março, houve aumento nas vendas para o governo e o movimento no varejo está melhor que o esperado, segundo ele. “Começamos a recuperar margens”, adiantou, embora só espere que essas voltem aos níveis normais no terceiro trimestre.

O executivo garantiu que não há arrependimento por ter recusado oferta da Lenovo para a compra da Positivo, em dezembro. “Não são três meses ruins que vão nos fazer desistir da empresa”, disse ele, que prevê lucro para 2009.

Segundo o empresário, a intenção da indústria é trabalhar na ampliação do programa “Computador para todos”, do governo federal, para ampliar o financiamento de R$ 1,4 mil para R$ 2 mil. Ele também conta com aumento nas vendas para o governo federal e para professores, em programas lançados por governos estaduais.

GOLL4 – Analistas em estado de alerta com dados da Gol

Redução do caixa, revisão para baixo das projeções para 2009 e o anúncio de um aumento de capital de R$ 203 milhões, no sábado, geraram um estado de alerta entre alguns analistas de mercado em relação às finanças da Gol.

“O caixa caiu bastante no quarto trimestre de 2008 e a impressão é que esse aumento de capital vem para tentar evitar uma crise de liquidez”, diz Eduardo Puzziello, analista do banco Raymond James. Para um analista que preferiu não ser identificado, a injeção de capital pareceu “emergencial”.

Entre outubro e dezembro de 2008, a Gol tinha R$ 1,9 bilhão entre disponibilidades, contas a receber e adiantamentos para compra de aviões, valor 20% menor do que no terceiro trimestre e 37% mais baixo ante igual período de 2007. Relatório do Raymond James destaca que, do total apresentado, apenas R$ 415 milhões são ativos de liquidez imediata. O valor, diz o banco, equivale a 6% da receita da Gol nos últimos 12 meses, contra proporção de 18% registrada por outras aéreas latino-americanas.

A divulgação de um lucro operacional de R$ 54 milhões e de prejuízo líquido de R$ 687 milhões no quarto trimestre, abaixo das estimativas de analistas, junto com a revisão das projeções para 2009 elevaram a preocupação. A Gol reviu o aumento de tráfego aéreo doméstico neste ano de 6% para entre 2% e 4% e a estimativa de taxa de ocupação média de 64% para 59%.

Resultados aquém do esperado mais redução do caixa “significam que o balanço da Gol será colocado novamente em dúvida”, disse Rodrigo Goes, analista do UBS.

Ontem, porém, durante teleconferência sobre os resultados de 2008, o vice-presidente de finanças da Gol, Leonardo Pereira, afastou repetidas vezes o risco de falta de liquidez. Segundo a conta da empresa, no curto prazo ela tem cerca de R$ 940 milhões para fazer frente a uma dívida em torno de R$ 270 milhões. Além disso, afirma o executivo, a Gol voltou a ter lucro operacional no quarto trimestre do ano e está com geração positiva de caixa, suficiente para honrar os pagamentos de leasing de aeronaves. “Temos uma situação adequada e confortável em termos de liquidez, no curto, médio e longo prazo”, disse.

Pereira afirmou que o aumento do capital vem reforçar a manutenção de investimentos e o plano de negócios da companhia. “Não podemos colocar isso em risco devido à instabilidade do mercado. Fomos ativos”, afirmou.

A Gol fará uma emissão de 26,1 milhões de ações a R$ 7,80 cada – preço de fechamento na sexta-feira – para levantar R$ 203 milhões. Os acionistas têm até o fim de abril para exercer o direito de preferência sobre as novas ações. Caso contrário, terão uma diluição de 13% na participação. O fundo Asas, da família Constantino, detém cerca de 74% do capital e deverá subscrever em proporção correspondente ainda que os minoritários não acompanhem. Para Victor Mizusaki, do Itaú, o aumento de capital é positivo e dá segurança ao mercado. “O que mais preocupa é 2009.”

TCSL4 – CVM nega recurso da Tim e mantem oferta

A área técnica da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) negou recurso apresentado pela TIM Participações e manteve a decisão que obriga a empresa a fazer uma oferta aos acionistas minoritários que têm papéis com direito a voto. O caso segue agora para análise do colegiado da autarquia.

A ordem para que a operadora de telefonia faça a oferta foi anunciada em janeiro. A Superintendência de Registro de Valores Mobiliários da CVM analisou reclamação feita por minoritários e concluiu que as mudanças ocorridas em 2007 na Telecom Italia provocaram alteração indireta no controle da TIM Brasil – o que deflagraria o mecanismo legal chamado de “tag along”.

Em abril daquele ano, a Pirelli vendeu sua fatia na Telecom Italia para um grupo de investidores que inclui bancos italianos e a operadora espanhola Telefónica, reunidos na holding Telco.

A empresa recorreu da decisão da área técnica, alegando que o controle da TIM no Brasil não foi alterado. Agora, o caso segue para análise do colegiado da CVM.

A decisão da superintendência despertou polêmica no mercado por ter sido anunciada quase dois anos após as mudanças no grupo italiano. Segundo analistas, a demora cria dificuldades para estipular o preço da oferta e para definir quais são os minoritários que podem participar dela: os de hoje ou os da época.

RDCD3 – Desconto de até 19% na oferta publica de ações Redecard

O Citigroup poderá vender sua participação na empresa de processamento de cartões Redecard com um desconto de até 19%, na tentativa de seduzir compradores na primeira oferta pública de ações no país em oito meses, de acordo com o BNP Paribas.

O preço de venda de até 114 milhões de ações, ou 17% do controle, poderá ser fixado entre R$ 20 e R$ 22, diz Frederico Tralli, administrador de fundos do BNP em São Paulo. Este valor contrasta com o preço médio de R$ 24,66 dos últimos seis meses. Cesar Mezomo, da Victoire Finance Capital, prevê a venda a R$ 23, ao passo que Marcos Duarte, da Polo Capital, diz que a oferta ficará em menos de R$ 20. O preço final da oferta será definido hoje pela Redecard.

“Se fosse uma oferta menor, até poderia ter ficado acima da cotação do mercado, porém, em função do tamanho, deverá ocorrer um desconto”, diz Tralli. A venda é a primeira oferta pública do país desde que a Vale captou R$ 19,4 bilhões em julho.

O Itaú Unibanco, que já detém uma participação de 46,4% na Redecard, anunciou ontem que exerceu a opção de compra de 24 milhões de ações adicionais, ou 3,6% do capital, garantindo o controle da empresa, com 50%. Descontadas as ações já arrematadas pelo Itaú Unibanco, o Citigroup ofertará ao mercado 57.917.240 em ações ordinárias, que representam 8,6% do capital social da Redecard.