CREM3 TARP11- Fundo admite oficialmente a possibilidade de mudar a estrutura de controle da Cremer

Pela primeira vez, um fundo de participações admitiu oficialmente a possibilidade de alterar a estrutura de controle da Cremer, empresa de distribuição e fabricação de produtos médicos e hospitalares. A possível mudança foi assumida pela Tarpon Investimentos, ao anunciar que ampliou sua fatia na empresa de 13% para 24,3%. Ou seja, sozinha, a gestora tem praticamente um quarto da companhia, cujo capital é pulverizado. É, com folga, sua maior acionista.

Conforme o Valor apurou, o salto ocorreu num único dia, terça-feira da semana passada, quando o volume negociado em bolsa alcançou R$ 27 milhões – mais de dez vezes a média do giro do papel.

Com esse passo, a soma da participação de diversos fundos que investem na companhia desde o ano passado ultrapassa 51%. São investidores de peso – com mais de 5% – a Credit Suisse Hedging-Griffo, a Poland, a Guepardo, além da própria Tarpon. Claritas e Rio Bravo também são acionistas importantes, embora com fatias menores.

Há tempos que o interesse dos fundos na Cremer despertou atenção no mercado. Há quem diga que a empresa é forte candidata a ser o primeiro caso no mercado brasileiro de uma formação de controle por minoritários organizados nas últimas duas décadas – o último exemplo mais relevante foi a tomada de poder da cervejaria Brahma pelo trio Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira.

Apesar da aposta, os fundos investidores da Cremer não se declaram organizados – ao contrário, ressaltam a inexistência de acordo de voto conjunto. O movimento, ainda raro por aqui, é relativamente comum no mercado internacional, especialmente, nos Estados Unidos.

Tarpon, Poland e Hedging-Griffo são velhos conhecidos. O Poland é o fundo que reúne os investimentos de Luiz Alves Paes de Barros, que está entre os maiores investidores do mercado local, um dos fundadores da corretora Griffo e tio de José Carlos Magalhães, um dos principais sócios da Tarpon. Essa última, por sua vez, praticamente nasceu dentro da Hedging-Griffo, no início desta década.

Embora não exista um contrato que os faça votar juntos, a proximidade entre eles leva outros gestores de investimentos e até administradores da própria Cremer, que preferem não ser identificados, a acreditar que atuam de forma organizada e que assumirão os rumos da empresa. Procuradas, as gestoras não comentaram o caso.

O movimento da Tarpon só foi possível após uma iniciativa do Poland, que motivou a modificação do estatuto da Cremer. A companhia possuía uma cláusula de proteção da dispersão acionária, a chamada pílula de veneno, até o fim de outubro, quando uma assembleia de acionistas aprovou a retirada do mecanismo, conforme sugestão do Poland. A Tarpon foi a única que se absteve de votar. Com isso, a obrigação daquele que atingisse uma participação de 20% no capital da empresa realizasse oferta aos demais acionistas, com prêmio sobre o mercado, deixou de existir. Desde então, se alguém comprar o controle da companhia no mercado não tem que oferecer nada aos demais acionistas.

A aquisição de fatias relevantes pelos fundos na Cremer começou em meados de 2008. Hoje, metade do conselho é composta por membros eleitos pelos gestores, e essa proporção pode aumentar após o movimento da Tarpon. O colegiado pode ter até oito participantes, mas possui seis eleitos, sendo três representantes dos fundos – José Alexandre Borges (Tarpon), Mario Fleck (Rio Bravo) e Sergio Lisa Figueiredo (Guepardo).

O presidente do conselho de administração, Luiz Spinola, não vê atuação orquestrada dos fundos. “Não os encaro como bloco. Eles não têm visão exatamente igual.” Para ele, a concentração da base acionária da Cremer é natural num momento de baixa no mercado, na qual gestores de longo prazo buscam oportunidades.

A Cremer reestreou na bolsa em abril de 2007, pelas mãos da Merrill Lynch Global Private Equity, em meio a febre das aberturas de capital. Na ocasião, captou R$ 210 milhões para crescer via aquisições. Quase dois anos depois, não fez compras significativas e sustenta um caixa de R$ 144 milhões – cifra que atrai a atenção dos fundos. A dúvida do mercado é se o fortalecimento dos fundos na gestão levará a Cremer ao crescimento ou à distribuição dos recursos aos sócios.

GOLL4 – Resultados positivos para Gol após integração de operações com a Varig

O nascimento de qualquer empreendimento, nos mais diversos segmentos da economia, nunca é fácil. O renascimento então é um desafio duríssimo. Num cenário restritivo de crise financeira pode ser impossível. Não para a Gol Linhas Aéreas Inteligentes, que apresentou no último trimestre de 2008 o segundo período do ano com resultado operacional positivo. Aqueles que olham apenas para o resultado líquido, um prejuízo de mais de R$ 1,3 bilhão, podem acabar não enxergando a tendência positiva de dois trimestres consecutivos de lucro operacional. Quase R$ 54 milhões no quarto trimestre de 2008 e R$ 61,2 milhões no terceiro trimestre de 2008. Outro indicador importante, que pode apontar para uma perspectiva positiva da nova empresa, é o fato de receitas e despesas terem evoluído em linha desde a aquisição da Varig pela Gol em abril de 2007. Esses indicadores registraram evolução de 30% durante o ano passado se comparados aos números dos últimos trimestres de 2007 e 2008. Reflexos positivos do processo de integração das malhas aéreas da Gol e da Varig são o aumento do yield (média que um passageiro paga por quilômetro voado) de 23,7% que atingiu quase R$ 0,26 e o RASK (Receita operacional por assentos-quilômetro oferecidos) que registrou incremento de 7,9%, isto é, R$ 0,16. A mensuração é importante duplamente, pois a Gol é conhecida por ter um modelo operacional de baixo custo e baixo preço e que soube preservar a gestão bem-sucedida na complexa operação de unificação com a administração convalescente da Varig. Outro cenário de pressão que poderia deteriorar fortemente a relação entre receitas e despesas, mas que não aconteceu, foi obviamente a crise financeira mundial com seus múltiplos males para as empresas, sobretudo as companhias de aviação. Desde meados do ano passado, com o óbvio acirramento pós-quebra do banco americano Lehman Brothers, o crédito secou e o câmbio desfavorável se consolidou em patamar alto e nocivo. Além disso, o preço do combustível usado nos aviões bateu recordes com a alta do petróleo que atingiu até US$ 200 por barril. O combustível representa cerca de um terço dos custos de uma companhia aérea e esse pesadelo só se dissipou no final de 2008.

Nesse sentido a firmeza na condução dos planos de investimentos, em especial na renovação e padronização da frota se mostraram acertados, já que tiveram impacto em economia de combustível e custos de manutenção. Hoje a nova companhia opera com 106 jatos, predominantemente aeronaves Boeing 737 com idade média de 6,8 anos. Esse plano continua a todo vapor nos primeiros meses de 2009 com a chegada de 5 novos aviões do fabricante americano. Outro destaque importante que reforçou a fidelização de clientes foi a adoção, também para os passageiros da Gol, do programa de milhagem Smiles que conta hoje com mais de 6 milhões de clientes cadastrados. Nessa direção a empresa anunciou ainda acordos de complementação de rotas com a norte-americana American Airlines e europeia Air France/KLM. Essas parcerias podem no futuro resultar em programas de compartilhamento de milhagem para os passageiros.

Em evento subsequente à divulgação dos resultados consolidados de 2008, o conselho de administração da Gol aprovou o aumento do capital social da companhia por meio da emissão de 26,1 milhões de ações, sendo 6,6 milhões de ON e 19,5 milhões PN, ambas ao preço de R$ 7,80 por ação. O valor total da capitalização será de R$ 203,5 milhões e tem como objetivo o fortalecimento da estrutura de capital para fazer frente às necessidades de seu plano de investimentos em modernização. A operação que busca no mercado de capitais alianças fundamentais foi bem recebida em relatório emitido pelo banco Itaú Securities Equity Research, após a divulgação dos resultados da Gol. O analista Victor Misuzaki analisa como positiva a capitalização em primeiro lugar por ter se baseado em preços de mercado das ações, o que oferece a todos os acionistas opções justas de subscrição e, depois, pelos impactos positivos a curto e longo prazos nos planos de crescimento.

Visanet aguarda momento certo de retomar processo de abertura de capital

O vice-presidente de Novos Negócios e de Cartões do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, afirmou que a Visanet está acompanhando o mercado para ver qual o momento adequado para retomar o processo de oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês). “Nesse ano, se houver melhora, iremos realizar a abertura de capital conforme planejado”, disse Bendine, em reunião com analistas e investidores.

O Banco do Brasil, o Bradesco e o Santander são os controladores da Visanet. O executivo lembrou que a Visanet desejava fazer o seu IPO desde 2007, mas atendeu a um pedido da Visa Internacional e adiou o projeto.

O pedido de registro da operação na CVM foi feito em setembro do ano passado, mas foi suspenso após piora das condições de mercado.

LCA projeta alta no PIB de 1% para 2009 com influência dos setores público e previdenciário

Boa parte da renda brasileira sofre influência quase nula da onda de desemprego. O emprego público e os benefícios de aposentadorias e pensões fomentam cerca de 35% do rendimento total do país, de acordo com um levantamento da LCA Consultores a partir de dados da Pnad/2007.
A soma dessas fontes de renda chegou a R$ 34 bilhões em 2007 -último dado disponível. De acordo com Francisco Pessoa, coordenador técnico da consultoria, a grande influência dos setores público e previdenciário na renda do país justifica a projeção da LCA de aumento de 1% do PIB brasileiro neste ano.
A expectativa é considerada otimista se comparada com a de outras instituições. O banco Morgan Stanley, por exemplo, prevê uma retração de 4,5% na economia brasileira para este ano.
Para Pessoa, as análises mais pessimistas ignoram a composição da massa de rendimentos do país, considerando apenas a massa de trabalho. O saldo do emprego divulgado pelo Caged no final do ano, com fechamento de cerca de 500 mil postos em dezembro, assustou muitos economistas e aumentou o tom pessimista das avaliações de conjuntura, afirma.
“Existem amortecedores dos efeitos da crise na economia brasileira que não estão sendo considerados nessas projeções mais pessimistas”, diz Pessoa.
Mesmo diante da conjuntura de crise, a LCA projeta expansão de 3,9% na massa total de rendimentos neste ano. O resultado será um pouco menor que a expansão registrada em 2008, de 5,4%.
A turbulência financeira, no entanto, vai impulsionar para cima a expansão real de rendimentos oriundos da previdência, segundo Pessoa. A projeção da consultoria é de expansão de 5,7% nesses rendimentos, mais que a alta de 3,1% registrada em 2008. O motivo apontado por ele é que o incremento será puxado pelo aumento do salário mínimo e pela expansão da inflação.
Já para a massa de rendimentos oriundos do trabalho, a expectativa é de desaceleração.

Para Fitch, PIB brasileiro na melhor das hipóteses ficará estável

A estagnação do Produto Interno Bruto (PIB) real brasileiro representa a melhor hipótese para a economia do País neste ano, segundo a avaliação da diretora sênior da agência de classificação de risco Fitch Ratings, Shelly Shetty. Para ela, a economia brasileira ainda enfrenta riscos de desaquecimento maior que o previsto, mas o País está relativamente bem preparado para enfrentar os três choques simultâneos que devem gerar uma contração de 0,9% no PIB da América Latina, em 2009: a recessão global, os preços mais baixos das commodities e a redução “severa” do fluxo de capitas. Além da queda do preço de commodities e da restrição de liquidez externa, a queda em indicadores domésticos de confiança devem ter impacto negativo na dinâmica de crescimento do País. Entre os fatores positivos para o Brasil, a analista afirma cita a flexibilidade na política econômica e um sistema bancário sólido e pouco exposto a ativos tóxicos. O País deve experimentar algum impacto positivo de algumas medidas de incentivo fiscal, especialmente o uso do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para fomentar investimentos. A redução e manutenção da Selic em patamares mais baixos pode ainda ajudar a demanda interna. Por outro lado, a queda no preço das commodities e o desaquecimento econômico global devem abrandar as pressões inflacionárias. Segundo a Fitch, fatores como os níveis de abertura comercial, de dependência do mercado de commodities e de integração financeira com o resto do mundo irão determinar a extensão das turbulências econômicas e financeiras nos países latino-americanos, que já apresentam sinais claros de contágio e vem sofrendo “fortes choques” internacionais desde setembro do ano passado. A agência estima que, ao todo, nove economias apresentarão retração na região. A economia mexicana, especialmente exposta à crise nos Estados Unidos, deve contrair 2,5% neste ano. De acordo com Shetty, os agentes políticos da região enfrentarão sérios desafios para minimizar os impactos da recessão global, que deve gerar um aumento no custo do crédito, volatilidade no preço de ativos, a necessidade de um novo ponto de equilíbrio cambial e a queda do investimento estrangeiro. Com isso, ações negativas em relação aos ratings soberanos são esperadas. Na avaliação da diretora, os países tem mais espaço para responder aos desafios via política monetária, com a redução dos juros, do que na frente fiscal. Para a agência, Argentina, Ecuador, Venezuela e Bolívia serão os países com mais dificuldades para resistir neste cenário. De uma maneira geral, a diretora acredita que a região está “melhor preparada hoje do que já esteve em décadas” para enfrentar os desafios. O período de recuperação da economia, porém, é incerto e depende, segundo Shetty, da estabuilização dos mercados financeiros globais. Ainda assim, a analista aposta na recuperação em 2010, quando o PIB da América Latina deve crescer 1,8%.

Carteira Schwabb chega a Portugal

Através da WASA , o blog Carteira de Investimento em Ações Schwabb chega a Portugal, já contando com uma média de 150 visitas diárias originadas a partir daquele país.

Sejam bem vindos !1493

Crédito de longo prazo volta, mas com juros mais altos

A venda parcelada, que turbinou o faturamento do comércio no período pré-crise, está de volta com prazos quase tão longos quanto antes, mas com juros mais elevados. Em agosto do ano passado, antes da quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, bens duráveis eram comprados em prazos “a perder de vista”, com juros que chegavam a 18,7% ao ano, no caso de veículos, e 45,1% ao ano para bens como eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Em janeiro, as taxas já estavam em 23,2% e 54,2%, respectivamente.O financiamento de automóveis, que chegou a ser feito em 84 meses durante o boom do consumo, encolheu para 36 meses em outubro de 2008, no agravamento da crise. Agora, segundo a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), voltou a esticar para 48 meses. Já a compra de bens de varejo podia ser paga, até agosto do ano passado, em 36 meses. Encolheu para 12 meses em outubro de 2008 e, no fim de fevereiro deste ano, subiu para 24 meses.”Está longe de ser o que era antes, mas já aponta uma maior confiança na economia no longo prazo”, afirma o presidente da Acrefi, Adalberto Savioli. Ele considera, no entanto, que o aquecimento da demanda antes da crise criou distorções, com prazos inflados de financiamento, sobretudo no caso dos automóveis. “Dificilmente retornaremos a um parcelamento de 84 meses, o que já era um prazo muito longo até para tempos de grande liquidez.”Mas se os prazos tendem a voltar à normalidade, os juros, ainda estão altos. Um levantamento feito pelo consultor Roberto Luis Troster, com base em dados do BC, indica que as taxas subiram depois de setembro do ano passado. Chegaram ao ápice em dezembro de 2008, quando bens de varejo eram financiados com juros anuais de 60,7%. Naquele mês, os juros do cheque especial atingiram 162,4% ao ano e os do crédito pessoal, 47,5%. Em janeiro deste ano (dado mais atualizado), houve um ligeiro recuo nas taxas ao consumidor, com a exceção dos automóveis, que mantiveram o nível de dezembro do ano passado.

TMCP4 VIVO4 – Vivo aprova incorporação da Telemig

A Vivo anunciou o passo que faltava para unificar as companhias do grupo. Na sexta-feira, o conselho de administração aprovou a incorporação da Telemig Celular Participações, de forma a manter apenas uma empresa com ações listadas na Bovespa. A operação contém duas fases praticamente simultâneas. Primeiramente, a holding Telemig Celular Participações incorpora a operadora de mesmo nome e, em seguida, é incorporada pela Vivo.Os acionistas de ambas as companhias serão investidores da Vivo, após troca de ações. Igual medida foi feita com as cinco empresas que formavam o grupo, antes da aquisição da operadora mineira.As relações para as trocas de ações ainda não foram divulgadas. Serão definidas após negociações entre comitês constituídos em cada uma das sociedades envolvidas para negociar as melhores condições, conforme recomendação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para esse tipo transação.O valor de mercado da Vivo é de R$ 12,5 bilhões e o da Telemig Celular Participações, de R$ 1,5 bilhão. Consultada, a companhia informou que as condições da operação serão definidas pelos comitês e por laudos de avaliação.

Citibank vê oportunidade no setor de papel e celulose

Motivo de preocupação no ano passado, o setor de Papel & Celulose voltou a ser visto com bons olhos pelos analistas financeiros do Citigroup, que divulgou um relatório nesta sexta-feira (20) com visão positiva sobre o mercado. Em análise, a equipe do banco norte-americano afirmou que vê horizontes bastante favoráveis para as companhias latino-americanas, que estão com valuations muito atrativos para a compra de ações. A recuperação no preço da polpa e do papel deverá ocorrer no segundo semestre, atingindo o máximo em 2012. “Nós submetemos o modelo a diversos cenários e, à exceção do mais pessimista, onde os preços se mantêm constantes, nós encontramos bons números para o setor”.

UGPA4 – Citibank recomenda papeis Ultrapar

Os analistas do Citigroup reiteraram a recomendação de compra para os papéis da Ultrapar (UGPA4), que também tiveram o preço-alvo elevado de R$ 80 para R$ 94, o que configura um potencial de valorização de aproximadamente 67% sobre cotação desta sexta-feira (20). Os analistas destacaram que a perspectiva positiva sobre os papéis é influenciada mais por fatores ligados diretamente à empresa do que ao ambiente macroeconômico. Desta forma, a expectativa é de que apresente bons resultados trimestrais, influenciando positivamente o desempenho dos papéis.

POSI3 – Lucro liquido Positivo cai 42.3% em 2008

A brasileira Positivo Informática registrou prejuízo líquido de R$ 25,059 milhões no quarto trimestre do ano passado, revertendo o lucro de R$ 72,311 milhões apurado em igual intervalo de 2007.No período entre outubro e dezembro de 2008, a receita líquida ajustada da companhia totalizou R$ 514,440 milhões, o que representa uma queda de 4,6% ante a registrada em igual período do ano anterior. Nos três últimos meses de 2008, o Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ficou em R$ 24,580 milhões, equivalente a uma queda de 67,8%, na mesma base de comparação.No acumulado de todo o ano passado, a empresa registrou lucro líquido de R$ 147,1 milhões, o equivalente a um recuo de 42,3% ante o lucro de R$ 254,766 milhões registrado em 2007. A receita líquida anual cresceu 12,7%, para R$ 1,938 bilhão, e o Ebitda caiu 25,6% na mesma comparação, para R$ 196,61 milhões.Desde o fim do ano passado, a Positivo Informática vêm sendo alvo de rumores de venda para a chinesa Lenovo e a norte-americana Dell.

PETR4 – Petrobras inicia plano para redução de custos

A Petrobras decidiu usar toda sua artilharia para cortar em pelo menos 30% os custos dos produtos e serviços que lhe são fornecidos. Ela chamou fornecedores para renegociar os contratos mais recentes e cancelou licitações ainda em curso na expectativa de reduzir o custo final dos projetos. Poder de fogo para abalar o mercado não lhe falta. A estatal é responsável por grande parte das obras incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e seu programa de investimentos (US$ 174 bilhões até 2013) tornou-se um dos principais instrumentos do governo para evitar que o país caia em recessão. “A frase mais importante é que não vamos fazer os projetos a qualquer preço”, disse ao Valor o diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa. Ele disse que a empresa tem o aval do conselho de administração, ou seja, do governo, para sua decisão. Nela, de acordo com Costa, já está implícito que “vai ser necessário” atrasar alguns projetos importantes. A refinaria Abreu Lima, com obras já iniciadas em Pernambuco, tinha entrada em operação prevista para setembro de 2010, mês anterior à próxima eleição presidencial. Agora, já está definido que ela não dá partida antes do primeiro trimestre de 2011. “É óbvio que não queremos atrasar nenhum projeto, mas não iremos fazer a qualquer custo para não atrasar”, disse o diretor da Petrobras. No mercado, essa estratégia de renegociar cada contrato está sendo interpretada como uma espécie de “adiamento branco” de vários projetos, à espera de que as condições de demanda, de preços e de crédito voltem a ficar mais favoráveis a que eles sejam executados. Na área comandada por Costa, que inclui o refino e comercialização de petróleo e derivados e a petroquímica, a Petrobras já cancelou duas grandes seções da refinaria Abreu Lima que estavam licitadas. Uma foi a das interligações e a outra, a do coqueamento retardado, além de vários pacotes de menor porte, todos por estarem com preços considerados inaceitáveis. Outros cinco pacotes, no valor de US$ 2,9 bilhões, foram contratados na semana passada. A refinaria, para processar 230 mil barris de óleo pesado por dia, estava inicialmente orçada em US$ 4,1 bilhões. Esta semana, se não houver acordo nas negociações em andamento com os vencedores das concorrências (os nomes não foram divulgados), Costa promete cancelar também dois outros grandes pacotes, o da destilação (equipamento que transforma o petróleo em produtos) e o do hidrotratamento (HDT, que estabiliza os derivados e inibe as emissões tóxicas, entre outras coisas), já licitados. Na área de exploração e produção, além dos já anunciados cancelamentos das licitações das plataformas P-61 e P-63, ambas destinadas ao campo de Cara-bobo (bacia de Campos, no Rio), a Petrobras está revendo outros processos de encomendas. No fim de janeiro foi adiada pela quinta vez consecutiva a definição de cinco pacotes envolvendo a compra de 306 árvores de natal molhadas (conjunto de válvulas postas remotamente nas bocas dos poços submarinos para controlar os fluxos de óleo e gás), equipamento que pode custar mais de US$ 3 milhões por unidade; e 12 manifolds (equipamento que centraliza a produção de vários poços submarinos). Sem falar especificamente sobre outras áreas que não a sua, Costa disse que a Petrobras está pedindo redução de preços “de 30% para cima”. A pressão da estatal é justificada pela queda abrupta do preço do petróleo de setembro do ano passado para cá, saindo da casa dos US$ 120 por barril para a dos US$ 50 por barril. As receitas das petrolíferas desabaram e vários projetos pelo mundo afora entraram em reavaliação, refletindo-se na demanda por equipamentos. A Petrobras quer manter a sua demanda, mas adequando-a aos novos tempos de oferta mais abundante de produtos e serviços. Costa disse que já houve casos de sucesso concreto nas negociações. Os afretamentos (aluguéis) de novos navios, que estavam suspensos desde setembro, foram retomados este mês com a renovação de um navio tipo Aframax, cujo preço foi reduzido em exatos 30%. Segundo Costa, só não estão sendo chamados para renegociar aqueles fornecedores ou prestadores de serviços cujos contratos já estão em fase madura, da metade para o fim. A Sulzer do Brasil, por exemplo, fornecedora de bombas centrífugas cuja carteira de encomendas está 60% ocupada por contratos da Petrobras, com obras até 2010, informou que não tem nenhum contrato sendo renegociado. “Os nossos subfornecedores não estão sinalizando com redução de preços”, disse por e-mail o diretor de vendas da empresa, Jonas Lessa. No caso dos serviços, segundo ele, obedecendo a uma mecânica natural do funcionamento do setor, os preços caem e sobem mais lentamente, sempre respondendo a movimentos originários da área e produtos. O executivo explicou que a estatal está tomando decisões internas que por si só já devem gerar quedas nos preços dos produtos comprados. É um esforço na área de padronização de equipamentos, com a adoção de normas de caráter mais universal na hora de especificar produtos. No jargão setorial, isso permite o uso pelos fornecedores de itens de prateleira na hora de fazer as obras e os equipamentos. “Levei para a reunião de diretoria na semana passada um trabalho mostrando um grau de simplificação muito grande”, disse Costa. Segundo ele, foram criados, junto com o Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), grupos específicos para trabalhar na simplificação de equipamentos como compressores, vasos de pressão, formas e outros. “Quanto menos incerteza a Petrobras colocar na licitação, mais preços coerentes teremos”, justificou. Mas a estatal exige a contrapartida desses esforços do lado das empresas. “Sem querer generalizar, se você olhar algumas empresas, mudou muito pouco a maneira de fazer construção e montagem de 15 a 20 anos para cá. Por uma série de circunstâncias: o mercado pouco aquecido, tecnologia defasada…”, avaliou o executivo. O resultado, segundo Costa, é pouca produtividade e preços e prazos maiores. “É necessário um esforço do lado de lá para que tenhamos um ganho geral”, disse, em um discurso dirigido especialmente aos chamados epecistas (empresas de engenharia que gerenciam as obras). “Se a empresa tem mais e maiores equipamentos de movimentação de cargas, por exemplo, ela pode agilizar as montagens, reduzindo tempo e mão-de-obra.” As indústrias de equipamentos avaliam que os epecistas, que negociam um mix de produtos e serviços, têm mais margem para reduzir preços. Embora os pedidos da Petrobras sejam o principal item das carteiras de encomendas de muitas indústrias, elas estão preocupadas com as pressões da estatal sobre os preços e as entidades de classe já começam a se movimentar para fazer pressão sobre o governo. Raul Sanson, presidente da PWR Mission, tradicional fornecedora de produtos como válvulas e bombas centrífugas, avalia que o mercado está sendo pressionado por empresas europeias que, com poucas encomendas, estão oferecendo descontos de até 30%, apoiadas por seus governos que oferecem créditos em troca de compras dos produtos de suas indústrias. “Vários países estão praticando a proteção de setores estratégicos. Não temos que ter vergonha de fazer o mesmo”, disse. Sanson ressalta que o governo já se movimentou para ajudar a indústria automobilística, reduzindo a incidência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros novos. “Se o governo reduz 10% no imposto, a redução (do preço do produto) é direta”, disse. Segundo o empresário, nas condições atuais, “é muito difícil” chegar aos 30% pretendidos pela Petrobras. No caso da PWR, ele avalia que a possibilidade de redução de margem não passa de 2%.