WEGE3 – Weg fecha fábrica em SP

A Weg, empresa especializada na fabricação e comercialização de motores elétricos, anunciou hoje o fechamento de sua fábrica de motores para eletrodomésticos na cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo, com a demissão de 370 funcionários. Segundo a empresa, o sindicato da categoria já foi informado, em reunião, sobre a decisão e a maioria dos empregados atingidos pela medida já está em licença remunerada.


Segundo a Weg, o encerramento da produção na unidade faz parte de um plano de reestruturação para a área de motores elétricos para eletrodomésticos. “Com o objetivo de conseguir maior produtividade e competitividade neste segmento e tendo em vista a atual situação econômica e consequente retração de consumo, a Weg decidiu, após análise detalhada, aumentar a centralização da produção e encerrar as atividades produtivas na unidade fabril em Guarulhos, uma das três fábricas de motores para eletrodomésticos operadas pela Weg no Brasil”, informou a companhia.

“Embora o crescimento das receitas neste primeiro trimestre esteja ainda próximo de nossa expectativa inicial, principalmente pelo desempenho dos projetos já em andamento de grandes máquinas elétricas para o setor de energia, a visibilidade das condições de mercado para os próximos trimestres não melhorou em relação ao fim de 2008. Desta forma, estamos adotando medidas para enfrentar em melhores condições este cenário econômico”, disse em comunicado o diretor-presidente da Weg, Harry Schmelzer Junior.

Entre os produtos fabricados em Guarulhos, segundo a companhia, os motores para ar-condicionado sofreram retração mais acentuada da demanda, em razão da alteração ocorrida na política industrial de referência da Zona Franca de Manaus. De acordo com a Weg, até o primeiro semestre de 2007 a política industrial era orientada para o adensamento das cadeias produtivas nacionais, incentivando a utilização de componentes produzidos no mercado doméstico.

 

 Com a alteração introduzida por portaria interministerial, passou-se a admitir a atividade industrial baseada em CKD (kits desmontados), que permite a importação com incentivos fiscais de componentes estrangeiros, dispensando a utilização dos mesmos produtos fabricados no Brasil. “Apesar do caráter inicialmente temporário das alterações, estas têm sido renovadas”, explicou a Weg.

A Weg informou ainda que o plano de reestruturação para a área de motores para eletrodomésticos inclui, entre outras ações, a reavaliação de atividades nas áreas produtivas e administrativas, a suspensão temporária de novas contratações e possíveis negociações para adoção de medidas alternativas para enfrentar redução de produção em áreas que forem mais afetadas pela queda de mercado.

BVMF3 – Lucro liquido da BMF Bovespa sobe 20.3% em 2008

A BM&F Bovespa  divulgou os seus resultados do último trimestre de 2008 e do acumulado do ano, reportando um lucro líquido anual de R$ 909,6 milhões, 20,3% a mais do que aquele registrado no ano anterior.

O lucro líquido do último trimestre somou R$ 202,4 milhões, aproximadamente 9% abaixo dos R$ 222 milhões contabilizados no mesmo período de 2007, informou a companhia.

Já a receita operacional líquida do trimestre ficou em R$ 355,5 milhões, 10,6% a menos do que aquela do ano anterior. No acumulado do ano, a receita totalizou R$ 1,6 bilhão, subindo 16,4% em uma comparação anual.

De acordo com os dados da BM&F Bovespa, o ano de 2008 foi encerrado com um caixa de R$ 2,4 bilhões, sendo R$ 586 milhões em depósito de garantias em suas clearings e R$ 36 milhões em proventos e direitos sobre títulos em custódia.

Proventos

Em meados de dezembro o conselho deliberou sobre a distribuição de R$ 139,4 milhões em juros sobre capital próprio, equivalente a cerca de R$ 0,0693 por ação, sendo que o valor líquido, já com a dedução do imposto de renda na fonte, ficou em R$ 0,0589.

Os juros deverão ser pagos até o dia 15 de abril, tendo como base a posição acionária do dia 30 de dezembro de 2008. Vale ressaltar também que, no último dia 17, o conselho propôs o pagamento de R$ 60,6 milhões em dividendos aos seus acionistas, que serão equivalente a R$ 0,03 por ação.

SDIA4 – Sadia coloca investimento na Russia à venda

Pouco mais de um ano depois de investir R$ 92 milhões em uma fábrica na Rússia, a Sadia está saindo do negócio. A venda do ativo operacional é uma das alternativas de capitalização em estudo pela companhia. A empresa já havia anunciado que pretende vender uma participação no banco e corretora Concórdia, além de outros ativos não operacionais, como um terreno na Vila Anastácio, em São Paulo, onde fica sua sede administrativa. A empresa tenta levantar R$ 1 bilhão com a venda desses ativos.Procurada, a Sadia confirmou que a venda da fábrica da Rússia está “em estudos, como parte do plano de capitalização”. Este é o primeiro ativo operacional que a empresa coloca à venda. Quando foi revelado que a empresa havia contratado um banco para vender alguns ativos e também uma participação acionária na própria companhia, a Sadia declarou que colocaria à venda apenas ativos não operacionais.O investimento na fábrica localizada em Kaliningrado – um enclave russo entre a Polônia e a Lituânia, à beira do Mar Báltico – foi o primeiro grande passo na estratégia de internacionalização da Sadia. O negócio foi anunciado em 2006, em meio à crise provocada pela gripe aviária e depois do fracasso da oferta hostil feita à rival Perdigão. A inauguração da fábrica ocorreu em dezembro de 2007. À época, a empresa tinha planos para construir pelo menos mais duas fábricas no exterior, sendo uma, provavelmente, nos Emirados Árabes.Com financiamento do International Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial, a fábrica processa carnes com matérias-primas do Brasil e abastece o McDonald’s da Rússia. A unidade também ajudou a fazer da Sadia, que já era forte no país, a marca estrangeira mais conhecida no mercado russo. A Sadia estaria, no entanto, insatisfeita com o relacionamento com seu sócio russo, a distribuidora de alimentos Miratorg, que detém 40% do negócio.

EBTP4 – Embratel obtem emprestimo de US$200mi

O Nordic Investment Bank (NIB) informou ter fechado um acordo com a Embratel para financiar a expansão da infraestrutura móvel de banda larga, projeto que inclui a compra de equipamentos Nokia, entre outros fornecedores. O empréstimo, datado de 13 de março, é do tipo A/B e soma US$ 200 milhões, dos quais a parcela A no valor de US$ 50 milhões, com vencimento em cinco anos, e a parcela B, de US$ 150 milhões no mesmo prazo, é subscrita pelos bancos Société Générale, Santander, Nordea, Natixis, Calyon e BBVA.A Embratel confirmou a operação, informando que a taxa de juros do empréstimo é a Libor de 6 meses mais 2,8% ao ano. Em comunicado à imprensa, porém, a operadora de telecomunicações não deu detalhes do projeto de expansão, limitando-se a dizer que “os recursos serão utilizados na expansão da infraestrutura de telecomunicações da Embratel, que é uma das maiores do Brasil”.O NIB é uma instituição financeira multilateral, formada por países nórdicos (Dinamarca, Estônia, Finlândia, Islândia, Letônia, Lituânia, Noruega e Suécia).

LOGN3 -Lucro liquido da Login cresce 64.5% em 2008

A Log-In Logística Intermodal S/A registrou lucro líquido de R$ 26,2 milhões no quarto trimestre do ano passado, queda de 21,6% em relação ao mesmo período de 2007 (R$ 33,4 milhões). No acumulado do ano, o lucro cresceu 64,5%, de R$ 50,7 milhões para R$ 83,4 milhões. A receita operacional bruta cresceu 52,6% no último trimestre de 2008, para R$ 154,6 milhões, e 27,5% no ano, para R$ 505,7 milhões. Já a receita líquida subiu 50,7% no trimestre, para R$ 135,4 milhões, e 27,3% no ano, para R$ 443,9 milhões. O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da companhia somou R$ 37 milhões no trimestre, alta de 1,7%, com margem de 27,3%, ante 40,5% em 2007. No ano, o Ebitda ajustado cresceu 14,1% e totalizou R$ 96,1 milhões – a margem passou de 24,2% para 21,6%. “Acreditamos que no setor de logística há muitas oportunidades para criação de valor mesmo em momentos com condições macroeconômicas não tão favoráveis”, diz, em comunicado, o presidente e diretor de Relações com Investidores da Log-In, Mauro Dias. “É importante ressaltar que nossa posição de caixa líquido em dezembro era de R$ 145,6 milhões, nossa dívida tem perfil de longo prazo, o que nos coloca em uma boa posição para capturar as oportunidades que deverão surgir.” A empresa informou que pretende investir R$ 236,8 milhões em 2009, ante R$ 251,8 milhões no ano passado. “Cabe lembrar que os projetos da construção dos navios graneleiros para transporte dedicado de bauxita e o terminal portuário privativo de uso misto em Manaus ainda não estão contemplados nesse valor”, observa Dias. A Log-In pagará R$ 19,8 milhões aos acionistas. A remuneração equivale a R$ 0,2313 por ação.

GPIV11 CSAN3 – Dreyfus e GP são as favoritas para levar a Santelisa

A Santelisa Vale, segundo maior grupo sucroalcooleiro do País, com processamento de 25 milhões de toneladas de cana por ano, iniciou um memorando de entendimento com um novo investidor para a compra de parte dos seus ativos e deve finalizá-lo até a próxima semana, segundo fontes da companhia. Com uma dívida superior a US$ 3 bilhões, a Santelisa atraiu sete potenciais compradores que realizaram uma avaliação preliminar das finanças da usina, mas duas aparecem como favoritas: a francesa Louis Dreyfus e a GP Investimentos.

A Agência Estado apurou que a multinacional de origem francesa Louis Dreyfus Commodities (LDC), que tem oito usinas no Brasil administradas pelo seu braço sucroalcooleiro, a LDC Bioenergia, propôs injetar R$ 1,5 bilhão na Santelisa Vale. No entanto, propôs assumir 60% do capital acionário do grupo, enquanto os atuais acionistas pretendiam ceder 40% pelo valor recebido e ficar com outros 40%.

Os 20% restantes viriam da ampliação da participação do BNDESPar, braço de participações do BNDES, hoje com cerca de 7% da empresa. O BNDESPar deve injetar R$ 500 milhões no grupo. Mesmo com o impasse, a LDC Bioenergia seria a favorita entre parte dos acionistas da Santelisa Vale. A dívida restante, estimada em R$ 1,8 bilhão, deve ser renegociada por oito anos, com três anos de carência e cinco de pagamento.

A GP Investimentos, que firmou uma parceria operacional com o Grupo São Martinho nos últimos dias, também seria forte candidata para fechar negócio. Segundo fonte próxima às negociações, a GP está sendo vista com bons olhos pelos bancos responsáveis pela negociação porque a empresa teria os recursos pedidos pela Santelisa e também porque possui um perfil agressivo e expertise comprovada na área de gestão e reestruturação financeira, requisitos necessários para a Santelisa neste momento, já que a parte operacional encontra-se equilibrada. A administração operacional da Santelisa seria feita pela São Martinho.

DISPUTA

Já entre os outros candidatos, a gigante Bunge teria sido preterida, ao menos por enquanto, por só ter interesse em comprar 100% das operações, o que diverge da intenção dos atuais sócios de manter uma gestão compartilhada. A ETH, braço sucroalcooleiro do Grupo Odebrecht teria feito uma oferta insatisfatória.

A Cosan, maior produtor de açúcar e álcool de cana do mundo, teria dois problemas para fechar o negócio: só faria aquisições por meio de troca de ações e ainda enfrentaria posição contrária do BNDES, em virtude da concentração do mercado de açúcar e álcool que passaria a ter. Com a recém-concluída incorporação da NovAmérica, a Cosan tem agora cerca de 10% da produção brasileira

ELET6 – Eletrobras investirá $30 bi até 2012

Os investimentos totais da Eletrobrás até 2012 são de R$ 30,232 bilhões. A estatal disponibilizou nesta terça-feira, 17 de março, o Programa de Ações Estratégicas 2009-2012 em que aparece o montante, que é superior aos R$ 22 bilhões incialmente divulgados pela companhia para o mesmo período, na última segunda-feira, 16.De acordo com o PAE 2009-2012, a maior parcela do montante, no valor de R$ 14,745 bilhões, será destinada ao segmento de geração. Para transmissão, estão previstos R$ 6,338 bilhões, enquanto que o setor de distribuição terá R$ 5,862 bilhões. Outros investimentos totalizam R$ 3,288 bilhões. Para este ano, o plano prevê um total de R$ 8,7 bilhões em investimentos, sendo que R$ 4,516 bilhões vão para geração. Transmissão e Distribuição terão, respectivamente, R$ 2,545 bilhões e R$ 1,046 bilhão no período. O restante dos investimentos somam R$ 592 milhões.

OHLB3 – OHL estuda concessões fora do setor rodoviário

Seguindo os passos de sua maior concorrente no País, a OHL Brasil, subsidiária da espanhola OHL, estuda as concessões fora do setor rodoviário. A empresa informou que está em estudo a participação na licitação para a privatização dos aeroportos de Viracopos, em Campinas (SP) e Galeão, no Rio de Janeiro. A OHL quer também concorrer à operação do Expresso Aeroporto, que ligará os aeroportos de Congonhas e Guarulhos pelo sistema VLT (Veiculo Leve sobre Trilhos. Todos estes projetos já foram anunciados pelos governos federal e do estado de São Paulo e têm licitação prevista para este ano.Além da expansão do portfólio de serviços no Brasil, a OHL também está de olho nas novas concessões de rodovias federais que devem ser licitadas em meados deste ano. “As BRs 040, 381 e a 116, todos os trechos em Minas Gerais, estão em nossos planos. Além disso, o governo de Minas já anunciou que vai licitar 7 mil quilômetros de estradas, mas ainda não foi definida a forma que será concedida, PPP (Parceria Público-Privada) ou concessão”, disse o diretor de relações com investidores, Francisco Leonardo Moura da Costa.Nas operações da empresa no Brasil estão previstos de 2010 a 2013 investimentos de R$ 4,3 bilhões nas cinco rodovias federais e outros R$ 300 milhões nas quatro estradas estaduais que administra em São Paulo. “Para suportar estes investimentos nas rodovias federais vamos lançar uma segunda emissão de notas promissórias e a expectativa é de arrecadarmos R$ 200 milhões com esta operação”, afirmou Costa.A primeira emissão de notas promissórias da OHL Brasil foi realizada em janeiro deste ano e atingiu um valor total de R$ 200 milhões, com vencimento para 180 dias. “O pagamento dessa operação está incluído no empréstimo-ponte junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que pedimos para os inventimentos nos primeiros seis anos de concessão. Este financiamento deverá ser liberado já em abril, isso porque o banco já está analisando as últimas providências e será levado a reunião de conselho na próxima semana”, ressaltou o executivo. O total do financiamento pedido ao BNDES é de R$ 3,2 bilhões, o que corresponde a 70% do valor a ser investido nas rodovias federais nos próximos seis anos.Costa ressaltou que a revisão de classificação de risco da OHL/SA, na Espanha não deverá interferir nas operações da subsidiária brasileira. “Nas recentes revisões que as agências fizeram, a Moody’s manteve a classificação de risco da OHL/SA em “investment grade”, enquanto que a Fitch alterou o rating anterior de BBB- para o atual BB+. “Não acreditamos em consequências negativas deste rebaixamento, nos negócios da OHL Brasil uma vez que não temos dependência econômica de nossa matriz na Espanha”.

Bertin fecha 2008 com prejuizo de $681.8mi

Pressionada pela desvalorização do real, a Bertin S.A. fechou 2008 com um prejuízo de R$ 681,8 milhões. No ano anterior, a companhia, que controla a Vigor, havia registrado um lucro de R$ 242,3 milhões. De acordo com o diretor-executivo da divisão de lácteos da Bertin, Fernando Falco, o prejuízo foi provocado pela desvalorização do real ante o dólar, que afetou o endividamento de longo prazo e as despesas financeiras da companhia. Bertin e Vigor têm bônus da dívida de US$ 350 milhões e US$ 100 milhões, respectivamente, com vencimentos em 2016 e 2017.

Frigoríficos precisam de injeção de $1,6bi para garantir operações

Com dificuldades para recuperar a capacidade de pagamento e para receber de importadores russos por embarques já realizados, os frigoríficos de carne bovina precisam de uma injeção de ao menos R$ 1,6 bilhão em créditos para garantir capital de giro adequado e manutenção dos financiamentos às exportações.

Em audiência pública no Senado para debater os problemas do setor, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Giannetti da Fonseca, afirmou que o pacote de socorro, em estudo pelo governo, deveria acelerar empréstimos de R$ 1 bilhão para pré-embarques e Adiantamentos sobre Contratos de Câmbio (ACCs), além de liberar R$ 600 milhões em créditos tributários acumulados pela isenção de 60% do PIS-Cofins sobre as exportações dos 21 frigoríficos associados à entidade.

“O exportador não é um aproveitador. A Abiec não precisa de favores, mas de crédito financeiro e liquidez no crédito tributário”. O executivo negou ter pedido um “pacote” ao governo, mas afirmou que, sem capital de giro, será difícil comprar bois, manter estoques e bancar custos de comercialização e transporte.

“É um pesadelo. As empresas são obrigadas a jogar carne no mercado interno e a reduzir as exportações”, disse Giannetti. Nos leilões de ACCs com recursos das reservas cambiais sob gestão do Banco Central, a Abiec pede prazo de 360 dias e juros de 4% ou 5% para manter exportações. Hoje, os prazos seriam de 30 dias e os juros, de 12% ou 13%.

Oito senadores da Comissão de Agricultura manifestaram-se favoráveis a um pacote de socorro ao setor. “Não pode demorar esse socorro do BNDES. Peço ao ministro que fale com o diretor do banco”, disse o futuro líder da Maioria no Senado, Valdir Raupp (PMDB-RO). “Se o BNDES não der recursos para quem pediu recuperação judicial, a situação vai piorar”, emendou o vice-presidente da comissão, senador Gilberto Gellner (DEM-MT). Os pecuaristas estimam ter R$ 700 milhões para receber dos frigoríficos em recuperação. “Concordamos com a ajuda, mas queremos receber”, disse Antenor Nogueira, da CNA.

Em uma sugestão para auxiliar também frigoríficos exportadores de carne suína e de frango, Giannetti defendeu a realização de umas “missão financeira” à Rússia para convencer bancos e importadores a honrar compromissos. “Não é só a Abiec que tem problema. Sadia e Perdigão também têm problema de pagamento lá”. Se houver inadimplência dos importadores, disse, a situação ficará muito mais difícil. Para ele, as medidas são “lentas e tímidas” e falta “mais coragem” ao governo.

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, negou o rótulo de “pacote” às medidas em estudo no governo, mas admitiu que o BNDES avalia o caso de alguns frigoríficos. “Não há nada de concreto ou específico. O BNDES está fazendo análise de alguns frigoríficos, mas não há discussão de pacote. Pedi para avaliar a situação, até porque [o BNDES] é sócio de alguns deles”, disse. “O governo está aberto a encontrar o melhor caminho, mas não podemos adotar medidas gerais”, defendeu o ministro, que participou de recente reunião com o presidente Lula, no Planalto, em que ficou decidido o apoio oficial ao setor. “Precisa uma discussão mais profunda para ter clareza. Sabemos os reflexos da crise, mas há dúvidas. O setor deve quanto e para quem?”, indagou. “Há divergências dentro da própria Abiec. Cada caso é um caso. Me preocupam os pecuaristas. Este é o meu foco”.

O interesse do governo em auxiliar frigoríficos exportadores para evitar um “efeito cascata” negativo na cadeia, como informou o Valor, desagradou aos frigoríficos de mercado interno. “Vimos com total espanto. Por quê elitizar o crédito e socorrer empresas que cometeram erros estratégicos?”, questionou o presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar. “Se socorrer grandes, têm que socorrer médios e pequenos”. Ele negocia, com a Abiec, a suspensão da cobrança de 4,5% de PIS-Cofins sobre o faturamento dos frigoríficos nas vendas internas, o que geraria um alívio de R$ 140 milhões aos cofres dessas empresas.