GRND3 – BB revisa preço alvo dos papéis Grendene

O BB Investimentos revisou o preço-alvo para os papéis ordinários da empresa de calçados Grendene (GRND3), com base no método do fluxo de caixa descontado em valores nominais. O novo preço-alvo sugerido é de R$ 19,03, para dezembro de 2009, um potencial de ganho de 46,49%, com relação ao fechamento de ontem (R$ 12,99). A recomendação é de compra. Segundo o BB-BI, em relatório a clientes, o período de análise da empresa foi para os próximos 18 anos com um crescimento nominal na perpetuidade de 5% ao ano, um custo médio ponderado de capital (WACC) de 13,7% e foi utilizado um beta setorial desalavancado de 1,44 para o setor. Dessa maneira, o BB-BI prevê um lucro líquido de R$ 188,638 milhões para 2008 e um lucro líquido ajustado de R$ 255,813 milhões. A receita líquida operacional do período deve ser de R$ 1,232 bilhão, o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações) de R$ 176,182 milhões e Ebitda ajustado de R$ 282,930 milhões. Já para 2008, o BB-BI projeta um lucro líquido de R$ 203,442 milhões, lucro líquido ajustado de R$ 305,530 milhões, Ebitda de R$ 168,179 milhões e Ebitda ajustado de R$ 270,266 milhões. O BB-BI diminuiu as perspectivas para o mercado interno em 2009 e 2010, refletindo a demanda pela crise. Na quantidade vendida, o banco prevê uma queda de 4,9% em 2009 e recuo de 1,8% em 2010. Já na receita bruta, queda de 4% em 2009, e alta de 1,1%, em 2010. Já para o mercado externo, o BB-BBI estima uma expansão apenas residual no volume vendido em relação a 2008, mas impacto favorável na receita em função da valorização do dólar. A quantidade exportada deverá crescer 3%, com uma receita de R$ 322,9 milhões, 17% superior ao esperado em 2008. “Apesar de não estar imune à crise, acreditamos que a Grendene terá condições de superar os seus efeitos, considerando que é uma grande geradora de caixa, o que blinda a empresa contra a atual falta de liquidez e também a permite flexibilizar suas linhas de descontos a clientes. Além disso, as perspectivas são de uma menor queda no consumo interno pela demanda por bens de menor valor e também ocorrerá aumento da receita de vendas externas nos mercados norte-americano e europeu, em virtude da desvalorização cambial, principalmente a partir do segundo trimestre, com a entrada da temporada de primavera e verão”, disse o BB-BI, em relatório.

TRPL4 – Plano de investimentos da CTEEP reduz preço alvo dos papéis , segundo SLW

A SLW Corretora considerou “levemente negativo” para o preço-alvo das ações da CTEEP o anúncio feito ontem do plano de investimentos para os próximos três anos, no valor de R$ 2,178 bilhões. Por outro lado, o anúncio é positivo para a estratégia da empresa. Com isso, a corretora reforçou a recomendação de manutenção dos papéis da CTEEP (TRPL4), com o novo preço-alvo de R$ 60,51, o que daria um upside de 52,6%. Antes, era R$ 59,77%. De acordo com a SLW, a decisão da nova administração da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista em intensificar os investimentos com foco no próprio negócio só confirma a expectativa de crescimento para a empresa. A corretora considera a possibilidade de redução de pay out a partir de 2009 diante do total a ser investido. “No entanto, a leitura deve ser positiva já que os recursos que eventualmente deixarem de ser distribuídos serão canalizados para investimentos que gerarão lucros maiores e, conseqüentemente, dividendos maiores”, diz o relatório. “É importante lembrar que o segmento de transmissão de energia ainda é, no setor elétrico, o que apresenta menos riscos, além de uma receita operacional não vulnerável à oscilação de demanda no mercado. Assim, podemos continuar considerando o investimento como um ativo defensivo para períodos de intensificação de crises econômicas”, considera a corretora.

PETR4 Petrobras – Indicios de gás e petroleo na área SE e AL

A Petrobras e a Petrogal encontraram indícios de gás e petróleo na bacia de Sergipe-Alagoas. A descoberta, no poço SEAL-T-412, foi registrada na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Análise Setor Petroquímico – Ano difícil e possibilidade de prejuízos em 2009

O setor petroquímico terá um ano difícil pela frente. A queda de preços do petróleo e a desvalorização do real – que poderiam ajudar a conter a importação de resinas – vieram acompanhadas da redução da demanda mundial, em função da crise e do início da operação de plantas no Oriente Médio. Tudo isso reforça a atenção para o setor, que deverá experimentar alívio apenas em 2012, segundo especialistas ouvidos pela Agência Leia. O diretor da consultoria Maxiquim, Otávio Carvalho, lembra que o setor usufruiu até setembro de 2008 de um crescimento da demanda na ordem de 9,5%, trabalhando com margens apertadas, dado o alto preço do petróleo, que tem correlação direta com o nafta. A partir do quarto trimestre, a queda da commodity, que poderia beneficiar o setor, veio acompanhada da contração da demanda. “A demanda por resina caiu de forma tão acentuada que a média de 9,5% de expansão até setembro veio para 3% se considerarmos os 12 meses de 2008″, afirma Carvalho. Para ele, menos instabilidade para o setor dependerá de uma estabilização do preço do petróleo. Ele calcula um teto de US$ 50 para o produto. “Será um ano com o preço das matérias-primas mais baixo. A dúvida é qual o nível de aquecimento da economia brasileira necessário para absorver a produção e competir com as importações”, diz. Carvalho acredita que com um crescimento do PIB brasileiro entre 2% e 3%, o setor petroquímico não amargará encolhimento nas vendas. O petróleo e a nafta em níveis bem abaixo da média de 2008 e um crescimento da demanda garantirão, segundo Carvalho, a recuperação das margens operacionais do segmento. O que pode atrapalhar esse cenário é a produção das novas plantas que entraram em operação no Oriente Médio, no ano passado. Fato positivo é a manutenção dos investimentos programados para 2009 e 2010. Carvalho cita a entrada em operação, ainda no primeiro trimestre deste ano, de uma nova fábrica da Quattor, que terá sua produção de eteno ampliada de 470 mil para 700 mil toneladas por ano, além da inauguração de uma nova planta de polipropileno, com capacidade de 200 mil toneladas. Há ainda a inauguração de uma planta de propeno da Refinaria do Planalto Paulista (Replan), que abastecerá a fábrica de polipropileno da Braskem. Além disso, há investimentos da Oxiteno na ampliação de suas plantas de Camaçari (BA) e Mauá (SP). “Acredito que a partir de 2012 e 2013 já deve ter sido revertida a queda da demanda mundial, além dos preços deprimidos. Há uma perspectiva positiva que colabora para que novas plantas entrem em operação”, diz o diretor da consultoria Maxiquim, Otávio Carvalho. Essa perspectiva positiva, apesar da crise, é o que estaria levando a Braskem, segundo ele, a retomar as discussões com o governo boliviano para a instalação de um pólo gás-químico, com investimento de US$ 1,5 bilhão. “A crise acaba se tornando um bom momento para a compra de equipamentos a preços mais baixos. Até agora, nenhum projeto programado foi cancelado, o que já é um bom sinal nesta conjuntura”, diz. O analista de petróleo da Corretora Ágora, Luís Otávio Broad, tem dados menos otimistas. Especificamente para a Braskem, a projeção é que a empresa tenha concluído 2008 com investimentos de R$ 1,3 bilhão. Para 2009, Broad lembra que já houve redução do montante, que deverá ficar em torno de R$ 1 bilhão. A Ágora projeta para a ação PNB da Braskem (BRKM5) um preço-alvo de R$ 11,60, o que daria um upside de 94,63%, ajustado com base no fechamento de ontem, quando o preço do papel cedeu 3,40%, cotado a R$ 5,96. A corretora recomenda manutenção do papel. “No curto prazo, o que estamos vendo é uma desaceleração da demanda e a entrada em operação de novas plantas no Exterior. Isso trará um ciclo de baixa para o setor em termos de rentabilidade. As margens estão baixas e tendem a ficar pressionadas”, afirma Luís Otávio Broad. Por outro lado, pondera o analista, o dólar valorizado evita o aumento das importações de resinas. Um analista do setor de petróleo que pediu para não ser identificado também faz uma análise pessimista. “A demanda será fraca pelo menos neste primeiro semestre. Será importante observar o Plano de Investimentos 2009-2013 da Petrobras, que deve ser divulgado na segunda-feira”, diz. Isso porque, além de refinarias próprias, a estatal possui participação na Braskem e na Quattor e pode indicar os rumos do setor. No relatório “Perspectivas e Estratégias 2009″, a corretora Banco Fator estima um crescimento da demanda interna de polietileno e de polipropileno de 2%. A entrada em operação das novas plantas da Quattor poderiam enfraquecer as negociações de preços das indústrias petroquímicas. A corretora aposta ainda em margens operacionais sob forte pressão ao longo deste ano. Por outro lado, a alta do dólar favorece a produção nacional. A Fator estima, para dezembro deste ano, um preço-alvo de R$ 6,87 para Braskem (valorização de até 15,27%, ajustado pelo fechamento de ontem), com recomendação de manutenção. Para a Unipar, a classificação do papel da empresa (UNIP6) é de “não atraente”, com preço-alvo em R$ 0,70 em dezembro (upside de 4,48%, ajustado pelo fechamento de ontem, quando as ações fecharam o dia em queda de 4,28%, cotadas a R$ 0,67). Lucas Brendler, analista da Geração Futuro Banco de Investimentos, acredita que as resinas termoplásticas sofrerão, ainda em 2009, baixas de preço, adequando-se ao mercado internacional. Lá fora, as quedas estão, segundo ele, entre 40% e 60%. Entretanto, Brendler não aposta em decréscimo das vendas. “A indústria petroquímica passa por um cenário bastante desafiador aliado a um ambiente de crise. Esse cenário deverá permanecer até 2011, com a tendência de as empresas perderem margens operacionais”, diz Brendler. Apesar de as ações do setor estarem baratas, ele não recomenda compra. “Somente a recuperação dos preços das resinas e da demanda podem tornar o setor atrativo. Isso talvez só ocorra em 2012″, prevê. Relatório do Banco Espírito Santo de Investimentos aponta que o preço da nafta não acompanhou o recuo do petróleo. Pelo contrário, no mercado europeu houve uma alta inesperada de 27,2%, para 364 euros a tonelada. Já as resinas tiveram comportamentos díspares nos vários mercados. Apesar da alta da nafta, o analista de petróleo da corretora Planner, Rodney Melhados, não se anima. Para ele, 2009 será um ano difícil para as petroquímicas, com perspectivas de melhoras apenas a partir de 2010. Ao contrário dos outros analistas, Rodney Melhados acredita numa retração das vendas de resina entre 5% e 7% neste ano. “Não será surpresa verificarmos prejuízos nos balanços trimestrais dessas empresas”, diz. A Planner está revendo o preço-alvo de Braskem e Unipar. Para a primeira, a recomendação é de venda. Para a segunda, é de manutenção. “Os papéis vão custar a reagir e os investimentos serão enxugados. O pólo gás-químico na Bolívia, por exemplo, terá de ser postergado. Será um ano de sérios problemas para o setor”, alerta.

ARCZ6 VCPA4 – S&P revisa negativamente ratings da VCP e positivamente da Aracruz

A Standard & Poors Ratings Services colocou os ratings de crédito corporativo BBB da Votorantim Celulose e Papel S/A (VCP) em creditwatch com implicações negativas, enquanto os ratings BB e brAA da Aracruz Celulose S/A ficaram com implicações positivas. A decisão foi tomada após o anúncio da conclusão de negociação entre as empresas, por meio da qual a VCP adquire 28,03% das ações ordinárias da Aracruz detidas pela Arapar S/A, no valor de R$ 2,71 bilhões. “A Arainvest Participações S.A. (Arainvest, sem ratings da S&P), terceira acionista controladora da Aracruz, possui o direito de tag along (direito de venda conjunta), e dessa forma, a oferta se estende à Arainvest sob as mesmas condições. Se a oferta for aceita, a VCP controlará 84% das ações com direito a voto da Aracruz”, lembra a agência, acrescentando que o plano de aquisição prevê capitalização de R$ 4,25 bilhões na VCP, via entrada de recurso da Votorantim Industrial S/A, BNDES Participações S/A e de acionistas minoritários. “Após concluído o processo de aquisição e assumindo-se que a Arainvest não exercerá seu direito de preferência sobre as ações da Aracruz, a VCP e a Aracruz formariam uma única empresa. A nova entidade resultante migraria para o Novo Mercado da Bovespa e seria controlada pela VID e BNDESPar por meio de um acordo de acionistas”, diz a S&P. “A consolidação da VCP e Aracruz fortaleceria a liderança dessas empresas no mercado de celulose de mercado, com uma capacidade total de 5,8 milhões de toneladas anuais. Esperamos que a maior escala da nova empresa produza sinergias e reduções de custos em suas despesas administrativas, de produção, de investimento de capital e de logística, melhorando a posição de custo e o perfil de negócios da nova empresa. Porém, um aumento significativo na alavancagem financeira originado da aquisição das ações (cerca de US$ 2,5 bilhões se a Arainvest aceitar a oferta e também vender suas ações) e das perdas da Aracruz com derivativos (US$ 2,13 bilhões) elevariam o risco financeiro da nova empresa”, observa a agência. Segundo a S&P, diferentes cenários poderiam resultar em menor endividamento na nova empresa – se, por exemplo a Arainvest decidisse permanecer como acionista minoritário – ou mesmo em cancelamento da oferta, caso a Arainvest decidisse adquirir as ações da VCP e Arapar, “o que poderia reduzir o alcance do rebaixamento dos ratings da VCP”. Caso a transação seja concluída, acrescenta a agência, “esperamos igualar os ratings da VCP e da Aracruz e, portanto, há algum potencial de elevação nos ratings da Aracruz”. A resolução do creditwatch, diz a S&P, “dependerá da conclusão da oferta e de nossa análise sobre o risco de crédito” da nova empresa. “Vamos monitorar a estrutura societária e corporativa resultante, a alavancagem financeira e cronograma de amortização, bem como o programa de investimento revisto, o montante do aporte de novos recursos na VCP no seu plano de capitalização e os ganhos de sinergia que essa fusão poderá capturar.”

TCSL4 TIM – Superintendencia de Registro de Valores Mobiarios determina que Telco deve realizar OPA para os minoritários

A TIM Participações publicou comunicado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) afirmando que a Superintendência de Registro de Valores Mobiliários determinou que a Telco, que hoje possui o controle indireto da operadora de telefonia móvel brasileira, “tem o dever legal de cumprir a obrigatoriedade de realização de OPA [Oferta Pública de Aquisição] para os acionistas minoritários da companhia aberta brasileira”. O documento diz que o controle da Telecom Itália era efetivamente exercido pela Olímpia e que o referido controle continua sendo exercido pela Telco. Em abril de 2007 a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou a compra de 23,6% que a Olimpia tinha da Telecom Italia por um consórcio liderado pela Telefônica S/A – que também teve a participação de Assicurazioni Generali S.p.a., Sintonia S/A., Intesa SanPaolo S.p.a. e Mediobanca S.p.a, utilizando-se de sociedade italiana por elas detida, denominada Telco S.p.a.. “Aproveitamos o ensejo para esclarecer que, como não cabe à companhia tomar qualquer ação face ao teor do referido ofício que não a sua divulgação ao mercado em geral no prazo indicado, a companhia encaminhou o ofício à sua controladora indireta, a Telecom Italia S.p.A., para que a mesma possa tomar as medidas que julgar cabíveis ou mesmo aplicáveis à espécie”, diz a TIM Participações.

STBR11 Santos Brasil – Docas revisa contratos de áreas arrendadas nos portos

O governo, por meio de suas companhias docas, resolveu fazer uma megarrevisão dos contratos de áreas arrendadas nos portos. A Codesp, que administra o porto de Santos, detonará esse processo ainda no primeiro semestre. Empresas como a Santos Brasil, do grupo Opportunity, e a Libra Terminais serão diretamente afetadas. Todas as áreas com arrendamento anterior a 1993, ano de promulgação da Lei 8.630 (Lei dos Portos), serão licitadas novamente à medida que os contratos expirarem – é o caso de um dos terminais da Cargill.
Nos demais contratos, a partir do quinto ano de aniversário, o governo, como poder concedente, deverá pleitear seu reequilíbrio econômico-financeiro à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), responsável pela mediação entre as partes envolvidas. A alegação da Secretaria Especial de Portos (SEP) é de que os contratos em vigência não previam a proliferação de “serviços acessórios e correlatos” principalmente à movimentação de contêineres nos terminais, que se transformaram em um dos negócios mais rentáveis dos portos.
“O perfil dos negócios foi mudando e os contratos nunca passaram por uma adaptação”, afirma o ministro-chefe da SEP, Pedro Brito. Para ele, não é “justo” que a autoridade portuária fique sem dinheiro ou dependa de recursos orçamentários de Brasília para investir na infra-estrutura dos portos enquanto há arrendatários que faturam, com um terminal de contêineres, mais do que toda a companhia docas.
O pano de fundo é justamente a retomada do investimento público. “Não se trata de um pacote simplista em que os operadores darão mais e estaremos quites”, diz Brito. O ministro tem como objetivo a criação de portos “auto-sustentáveis”, que financiem as próprias obras, mas com “contrapartidas claras”. Em maio, a Codesp assinará um contrato de R$ 167 milhões para a dragagem de aprofundamento do canal de acesso a Santos, que aumentará de 12 para 15 metros seu calado.
O programa nacional de dragagem da SEP tem orçamento de R$ 1,4 bilhão até 2010 e há investimentos previstos também em infra-estrutura de acesso viário aos portos. Só na margem direita da avenida perimetral de Santos estão sendo aplicados R$ 55 milhões. Além disso, a secretaria prepara uma base legal para o novo padrão de administração dos portos, que pode incluir até um projeto de lei para dar mandato aos gestores e definir critérios de qualificação profissional.
“O modelo de hoje é patrimonialista e reflete uma realidade operacional de dez anos atrás”, afirma o presidente da Codesp, José Roberto Serra. Por patrimonialista, Serra entende a cobrança dos arrendatários unicamente pela área que ocupam, sem levar em consideração o tipo de atividade desenvolvida dentro do terminal. Se uma década atrás a movimentação era apenas de embarque e desembarque de cargas, uma explosão de serviços surgiu nos últimos anos, como o monitoramento de contêineres frigoríficos, lembra o executivo.
Serra compara os contratos atuais ao arrendamento de uma fazenda ou de uma loja em um shopping. Os negócios feitos na área arrendada proliferaram, mas o dono do pedaço continua recebendo o mesmo aluguel. “Se é bom negócio para o arrendatário, tem que trazer um benefício também para a autoridade portuária”, diz o presidente. “O que não dá mais é que um porto como o de Santos, por onde passa 27% do comércio exterior brasileiro, tenha que pedir recursos da União para fazer qualquer obra.”
Segundo ele, o Brasil é um dos poucos países do mundo em que ainda prevalece esse tipo de relação. “Na Europa, a autoridade portuária costuma ficar diretamente com uma parte do lucro ou do faturamento”, garante Serra. Apesar de reconhecer que o resultado da megarrevisão será um aumento de receitas para as companhias docas e um desembolso maior das empresas, Serra assegura que não motivação arrecadatória na iniciativa. O objetivo é ter uma relação clara de parceria. “O porto não é mais um pedaço de terra que você cede e recebe aluguel”, diz Pedro Brito.
Todos os novos contratos já serão assinados com essas premissas. Quanto aos antigos, a revisão ocorrerá com base na Lei de Concessões, de 1995. Mas as alterações não vão mexer no objeto dos contratos, conforme ressalta o presidente da Codesp, mas os preços contratuais. “Não vamos quebrar nenhum contrato, isso é importante dizer. Mas é claro que mesmo assim não será nada fácil”, afirma Serra, já antevendo alguma possibilidade de a renegociação chegar à Justiça, caso autoridade portuária e empresas não entrem em entendimento, com a intermediação da Antaq.
O diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Wilen Mantelli, recebeu mal a proposta do governo. “É querer ganhar em cima dos outros”, protesta. Para ele, os terminais foram privatizados por valores altos e não têm motivos para transferir mais recursos à autoridade portuária.
“Antes de ir para cima dos terminais, que têm boa eficiência graças aos elevados investimentos que fizeram, o governo deveria dedicar-se a reestruturar as companhias docas”, afirma Mantelli. “Em vez de corrigir os erros, eles querem manter práticas obsoletas e cobrar mais de quem é eficiente. E se os terminais começarem a apresentar prejuízo, será vão dividir também as perdas?”.
Mantelli acredita que estatais como a Codesp teriam auto-suficiência para investir nos portos caso não tivessem excesso de funcionários e um passivo tão grande. “O problema é que toda a receita que entra está comprometida com o passivo trabalhista. O dinheiro entra e, em vez de ir para obras de infra-estrutura, paga indenizações trabalhistas.”
Para ele, a reestruturação das companhias docas deve começar pela profissionalização de seus diretores, que ainda seria apenas parcial. “Na Europa, troca o rei, troca a rainha e os gestores são mantidos. E o mais importante que eles têm autonomia administrativa e financeira”.

Cesp , CSN, Inpar , Klabin Segall , Americanas, São Martinho , Alpargatas , Vigor e VCP terão de republicar balanço sobre derivativos

Por decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), 11 companhias terão de apresentar novamente os balanços do terceiro trimestre de 2008, mais especificamente, a nota explicativa que trata de derivativos e dos riscos que esses contratos representam. Esse é o saldo de uma análise que o órgão regulador promoveu, com 148 companhias, escolhidas com base em critérios de relevância e dispersão do capital no mercado. O órgão também encaminhou a 88 empresas sugestões de melhoria no tratamento desse tema nos próximos balanços.
Elizabeth Lopez Rios Machado, superintendente de relações com empresas da autarquia, explicou que o episódio dos derivativos – quando Sadia e Aracruz divulgaram enormes prejuízos e houve temores de que fosse uma situação generalizada – mostrou que havia falha na divulgação desses contratos por parte das empresas.
Foi depois destes acontecimentos que a CVM decidiu emitir uma deliberação (nº 550) detalhando como as empresas devem relatar esses contratos, de modo a deixar os riscos de perda mais claros para os investidores. Nesse documento, o regulador sugeriu, mas não obrigou, que também fosse apresentado um quadro de análise de sensibilidade, no qual seria divulgada a chance de perda ou ganho em três cenários.
Antes dessa deliberação, havia orientação da CVM sobre como tratar o tema, embora não tão detalhado como a deliberação emitida após a crise e também de forma não obrigatória.
O objetivo do estudo é contribuir com a educação do mercado sobre a regra nova e também fiscalizar a qualidade dos dados apresentados, disse Elizabeth. Segundo ela, um dos pontos comuns entre as companhias que terão de republicar os dados é a ausência de informações sobre a metodologia de cálculo do valor justo dos contratos e também sobre a política de proteção das empresas.
As companhias têm 15 dias corridos para reapresentar os dados ou recorrer da decisão ao colegiado da CVM. Os pedidos começaram a ser enviados às empresas em dezembro e alguns foram entregues ontem. Até o momento, de acordo com Elizabeth, cerca de 50% das empresas já reformularam as informações.
É o caso do frigorífico Marfrig. No balanço reapresentado, consta que a empresa contratou operações não especulativos para minimizar os efeitos das mudanças nas taxas de câmbio nos empréstimos e financiamentos, nas aplicações financeiras e dívidas com taxas de juros variáveis. No terceiro trimestre , o resultado financeiro líquido com derivativos totalizou uma despesa de R$ 11 milhões.
A Abyara, do setor de construção civil, também já reapresentou o balanço. Nas informações complementares divulgadas, a empresa diz que “usualmente não opera com instrumentos financeiros derivativos”, mas que contratou algumas operações porque “o cenário econômico se apresentava favorável”. Em um dos contratos, no valor de R$ 30 milhões, a empresa registrou uma perda de R$ 4,6 milhões no terceiro trimestre.
Também estão na lista de empresas que precisam republicar o balanço: Companhia Energética de São Paulo (Cesp), Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Inpar, Klabin Segall, Lojas Americanas, São Martinho, São Paulo Alpargatas, Vigor e Votorantim Celulose e Papel (VCP).
Da amostra avaliada pela CVM, oito empresas apresentaram notas explicativas completas, de acordo com a deliberação 550. Apesar disso, a autarquia considerou que o padrão de qualidade da apresentação dos dados foi “razoável”. Ainda dentro do universo considerado, 36 empresas trouxeram o quadro de sensibilidade que era facultativo e 39 disseram “não se utilizar de quaisquer instrumentos financeiros até aquela data”, fechamento de setembro.
A deliberação 550 foi uma antecipação de boa parte das novas regras contábeis que serão válidas já a partir do balanço anual de 2008, que será divulgado até o fim de março. No entanto, na versão final da nova regra, emitida em meados de dezembro, o quadro de sensibilidade que era facultativo no balanço do terceiro trimestre passa a ser obrigatório.
O tema levantou polêmica durante a consulta pública da regra com o Instituto Brasileiro dos Auditores Independentes (Ibracon), que se mostrou publicamente contrário ao pedido da autarquia para que sejam considerados cenários de variação do risco de 25% e 50% – como o risco da desvalorização do câmbio, por exemplo, quando se tratarem de contratos atrelados à moeda estrangeira.
A Cesp não recorrerá da decisão da CVM e pretende cumpri-la até o fim deste mês. “Não temos derivativos alavancados e não haverá mudança de resultado no novo balanço”, afirma o diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Vicente Okazaki.
O executivo disse que “faltou tempo” para a adaptação das demonstrações financeiras da empresa às recomendações feitas pela CVM no ano passado. “A deliberação que pede abertura dos dados de instrumentos financeiros é de 17 de outubro, quando nosso balanço já estava praticamente fechado. Publicamos as contas em 14 de novembro”, disse.
A VCP disse que foi notificada pela autarquia nesta semana. Segundo a empresa, a “crítica foi sobre o formato das informações divulgadas e não sobre o conteúdo”. A empresa pretende divulgar o balanço corrigido em 15 dias.

Cesp , CSN, Inpar , Klabin Segall , Americanas, São Martinho , Alpargatas , Vigor e VCP terão de republicar balanço sobre derivativos

Por decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), 11 companhias terão de apresentar novamente os balanços do terceiro trimestre de 2008, mais especificamente, a nota explicativa que trata de derivativos e dos riscos que esses contratos representam. Esse é o saldo de uma análise que o órgão regulador promoveu, com 148 companhias, escolhidas com base em critérios de relevância e dispersão do capital no mercado. O órgão também encaminhou a 88 empresas sugestões de melhoria no tratamento desse tema nos próximos balanços.
Elizabeth Lopez Rios Machado, superintendente de relações com empresas da autarquia, explicou que o episódio dos derivativos – quando Sadia e Aracruz divulgaram enormes prejuízos e houve temores de que fosse uma situação generalizada – mostrou que havia falha na divulgação desses contratos por parte das empresas.
Foi depois destes acontecimentos que a CVM decidiu emitir uma deliberação (nº 550) detalhando como as empresas devem relatar esses contratos, de modo a deixar os riscos de perda mais claros para os investidores. Nesse documento, o regulador sugeriu, mas não obrigou, que também fosse apresentado um quadro de análise de sensibilidade, no qual seria divulgada a chance de perda ou ganho em três cenários.
Antes dessa deliberação, havia orientação da CVM sobre como tratar o tema, embora não tão detalhado como a deliberação emitida após a crise e também de forma não obrigatória.
O objetivo do estudo é contribuir com a educação do mercado sobre a regra nova e também fiscalizar a qualidade dos dados apresentados, disse Elizabeth. Segundo ela, um dos pontos comuns entre as companhias que terão de republicar os dados é a ausência de informações sobre a metodologia de cálculo do valor justo dos contratos e também sobre a política de proteção das empresas.
As companhias têm 15 dias corridos para reapresentar os dados ou recorrer da decisão ao colegiado da CVM. Os pedidos começaram a ser enviados às empresas em dezembro e alguns foram entregues ontem. Até o momento, de acordo com Elizabeth, cerca de 50% das empresas já reformularam as informações.
É o caso do frigorífico Marfrig. No balanço reapresentado, consta que a empresa contratou operações não especulativos para minimizar os efeitos das mudanças nas taxas de câmbio nos empréstimos e financiamentos, nas aplicações financeiras e dívidas com taxas de juros variáveis. No terceiro trimestre , o resultado financeiro líquido com derivativos totalizou uma despesa de R$ 11 milhões.
A Abyara, do setor de construção civil, também já reapresentou o balanço. Nas informações complementares divulgadas, a empresa diz que “usualmente não opera com instrumentos financeiros derivativos”, mas que contratou algumas operações porque “o cenário econômico se apresentava favorável”. Em um dos contratos, no valor de R$ 30 milhões, a empresa registrou uma perda de R$ 4,6 milhões no terceiro trimestre.
Também estão na lista de empresas que precisam republicar o balanço: Companhia Energética de São Paulo (Cesp), Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Inpar, Klabin Segall, Lojas Americanas, São Martinho, São Paulo Alpargatas, Vigor e Votorantim Celulose e Papel (VCP).
Da amostra avaliada pela CVM, oito empresas apresentaram notas explicativas completas, de acordo com a deliberação 550. Apesar disso, a autarquia considerou que o padrão de qualidade da apresentação dos dados foi “razoável”. Ainda dentro do universo considerado, 36 empresas trouxeram o quadro de sensibilidade que era facultativo e 39 disseram “não se utilizar de quaisquer instrumentos financeiros até aquela data”, fechamento de setembro.
A deliberação 550 foi uma antecipação de boa parte das novas regras contábeis que serão válidas já a partir do balanço anual de 2008, que será divulgado até o fim de março. No entanto, na versão final da nova regra, emitida em meados de dezembro, o quadro de sensibilidade que era facultativo no balanço do terceiro trimestre passa a ser obrigatório.
O tema levantou polêmica durante a consulta pública da regra com o Instituto Brasileiro dos Auditores Independentes (Ibracon), que se mostrou publicamente contrário ao pedido da autarquia para que sejam considerados cenários de variação do risco de 25% e 50% – como o risco da desvalorização do câmbio, por exemplo, quando se tratarem de contratos atrelados à moeda estrangeira.
A Cesp não recorrerá da decisão da CVM e pretende cumpri-la até o fim deste mês. “Não temos derivativos alavancados e não haverá mudança de resultado no novo balanço”, afirma o diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Vicente Okazaki.
O executivo disse que “faltou tempo” para a adaptação das demonstrações financeiras da empresa às recomendações feitas pela CVM no ano passado. “A deliberação que pede abertura dos dados de instrumentos financeiros é de 17 de outubro, quando nosso balanço já estava praticamente fechado. Publicamos as contas em 14 de novembro”, disse.
A VCP disse que foi notificada pela autarquia nesta semana. Segundo a empresa, a “crítica foi sobre o formato das informações divulgadas e não sobre o conteúdo”. A empresa pretende divulgar o balanço corrigido em 15 dias.

Pacote reduz a 1% impostos para projetos imobiliários à baixa renda e 6% às demais

Pacote prevê tributação menor para projeto imobiliário destinado à baixa renda. Nas demais obras, imposto cai a 6%; empreendimentos precisam ter contabilidade individualizada para que benefício seja concedido. O governo vai reduzir de 7% para 1% os impostos pagos pelas construtoras em projetos imobiliários destinados à baixa renda e para 6% nas demais obras, desde que sejam feitas por meio do sistema conhecido como patrimônio de afetação.Esse mecanismo permite individualizar a contabilidade do empreendimento e evitar que eventuais problemas financeiros da construtora contaminem a obra.Essa medida faz parte do pacote que será anunciado na próxima semana pelo presidente Lula para estimular o setor da construção civil. O objetivo do governo é evitar um desaquecimento muito grande da economia e, ao mesmo tempo, gerar empregos, já que o setor é intensivo em mão-de-obra.Ontem, o presidente se reuniu com cinco ministros e a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho, para acertar detalhes das medidas. Lula, que já havia analisado uma primeira versão das propostas, pediu aos ministros um plano de maior impacto na economia.Com isso, voltaram a ser discutidos temas que não eram consenso na equipe técnica, como a dedução dos juros pagos nos financiamentos habitacionais do IR (Imposto de Renda) das pessoas físicas e a entrega de moradias equipadas com eletrodomésticos, como fogão e geladeira -tudo já incluso no preço que será financiado.O governo espera que, com a desoneração das construtoras, consiga baixar também o preço final dos imóveis para a baixa renda e estimular a oferta. No caso dos projetos para as classes média e alta, o corte no imposto corrigirá uma distorção.Hoje, as construtoras que desenvolvem projetos com patrimônio de afetação pagam 7% sobre o valor do empreendimento. Essa alíquota substituiu o IR (Imposto de Renda), a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), o PIS e a Cofins, contribuições que financiam a seguridade social.Mas, quando os projetos não são feitos por meio do patrimônio de afetação, a construtora declara os tributos federais por meio de um sistema conhecido como lucro presumido. Esse sistema, atualmente, implica uma carga de aproximadamente 6%.Isso faz com que o patrimônio de afetação seja pouco usado, já que acaba saindo mais caro para a construtora. Com a queda no imposto, o governo espera corrigir esse problema.O pacote habitacional também trará mudanças nas regras do uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Imóveis de até R$ 500 mil poderão ser comprados com saque dos recursos do fundo. O limite atual é de R$ 350 mil.

PRGA3 – CVM quer que Perdigão corrija balanços de 2008

A Perdigão terá de refazer e republicar os balanços trimestrais de 2008 para reverter a amortização integral do ágio de aquisição da Eleva, feita no balanço de junho. A decisão foi tomada pela superintendência de relações com empresas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e enviada à companhia no dia 16. A Perdigão recorrerá desta decisão.
Ricardo Menezes, diretor de relações institucionais da companhia, afirmou que recebeu o ofício do regulador e que, dentro do prazo previsto de 15 dias corridos, encaminhará o recurso à CVM. Como ainda não apresentou os documentos à autarquia, o executivo explicou que não pode comentar o tema.
 

 
No balanço do segundo trimestre, a Perdigão promoveu a amortização de um ágio de R$ 1,5 bilhão, referente à compra da Eleva, efetivada em janeiro de 2008. Em função disso, no período de abril a junho, a empresa teve prejuízo de R$ 881,8 milhões, resultado que deverá mudar caso a decisão da CVM seja mantida. A amortização do ágio traria um benefício fiscal, a ser aproveitado em dez anos, de R$ 501,3 milhões.
O ofício da CVM, embora enviado à empresa no fim da semana passada, tornou-se público apenas ontem no site da autarquia. As ações da Perdigão tiveram alta de 1,3% nesta quinta-feira, dia em que o Índice Bovespa caiu 1,68%. O papel ficou entre as dez maiores valorizações do índice no dia.
De acordo com Elizabeth Lopez Rios Machado, superintendente de relações com empresas da CVM, o assunto vem sendo tratado com a Perdigão desde a divulgação do balanço do segundo trimestre, quando houve a referida amortização do ágio. “Nossa preocupação era concluir esse trabalho antes do fim de 2008 para evitar que a empresa tenha de refazer a demonstração anual de resultados, o que é mais trabalhoso.”
Entretanto, como a empresa optou por recorrer da decisão da área técnica da CVM, não há como estimar de que forma o tema afetará o resultado acumulado de 2008.
O ofício da CVM, além de pedir a reversão da amortização integral do ágio, determina que a companhia corrija a forma como contabilizou e evidenciou o ágio da Eleva, separando o valor em duas contas diferentes – conforme instruções do regulador que tratam do tema. Como efeito prático, é possível que o ágio passível de ser amortizado para fins de economia fiscal seja reduzido.
A diferença entre o valor patrimonial de uma companhia adquirida e o preço de aquisição é costumeiramente tratado integralmente como ágio. Foi o que fez a Perdigão com a Eleva e o que boa parte das empresas faz nas aquisições.
Na contabilidade e nas regras da CVM, porém, o ágio é apenas o adicional pago em transações fruto da expectativa de rentabilidade futura. É somente esse adicional que pode ser amortizado para economia tributária.
Eventual saldo que venha da diferença entre o valor contábil e a avaliação de mercado da companhia adquirida deve ser considerada como mais-valia e registrada como ativo. Nesse caso, o ativo da companhia compradora aumenta, ampliando a valor de sua depreciação na mesma proporção.
Assim, a diferença entre o valor de livros e o preço pago numa aquisição pode – e deve – ser dividido em dois. Uma parte que reflete o saldo ante o valor de mercado, que significa apenas um aumento do ativo da companhia. E a parcela que é o ágio de fato, fruto da estimativa de lucros futuros com o negócio adquirido.
Normalmente, a amortização desse ágio ocorre ano a ano na mesma proporção que o resultado esperado é gerado. Segundo as regras, a amortização deve ser feita num intervalo de cinco a dez anos.
Somente seria justificável que fosse feita a baixa numa única parcela se o motivo da expectativa de lucro futuro deixasse de existir ou ocorresse de forma antecipada (pela venda, por exemplo). Mas não foram esses os motivos da Perdigão.
A empresa alegou, durante as conversas com a CVM, que optou por lançar tudo numa única vez porque integrou os ativos da Eleva na atividade da Perdigão de forma que, a partir de então, tornava-se inviável apurar o desenvolvimento do saldo do ágio separadamente.
Entretanto, no documento que pede à Perdigão para refazer e corrigir a contabilização do ágio, a autarquia explica que “não há previsão” nas normas de que o ágio seja amortizado integralmente por insuficiência de controles individualizados dos ágios.
A superintendência da CVM pediu que a Perdigão reapresentasse os balanços do primeiro, segundo e terceiro trimestres. De acordo com o gerente de acompanhamento de empresa do órgão, Alexandre Lopes de Almeida, a opção nas decisões é sempre levar o ajuste para trás, “o máximo possível”. No entanto, como a conclusão do negócio com a Eleva (fato que gerou o ágio) ocorreu em janeiro, não há razão para pedir ajustes nos dados de 2007.

CPFE3 – Camargo Correa quer elevar fatia na CPFL

O grupo Camargo Corrêa está disposto a comprar as ações da Votorantim na CPFL e aumentar sua fatia no bloco de controle da elétrica paulista. O grupo da família Ermírio de Moraes passou a buscar compradores para os seus 14,2% das ações da CPFL depois das pesadas perdas com derivativos de câmbio registradas no ano passado. Neoenergia e Cemig manifestaram interesse.Segundo o Valor apurou, no entanto, a Camargo tem intenção de exercer o direito de preferência que tem para comprar as ações da Votorantim. Para viabilizar o negócio financeiramente, estaria negociando apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).Votorantim e Camargo entraram no controle da CPFL em 1997, em seu leilão de privatização. Ao lado do Bradesco, formaram a holding VBC Energia para o negócio. A Bradespar deixou a VBC em 2006, vendendo suas ações aos sócios, que agora dividem meio a meio os 28,4% do capital da CPFL detidos pela holding. No bloco de controle da geradora e distribuidora paulista, além da VBC, estão os fundos de pensão Previ, dono de 31,1%, e Sistel, de 12,7% das ações. A CPFL só tem capital ordinário (com direito a voto).O valor atribuído às ações do Votorantim na CPFL deve ficar abaixo dos R$ 2 bilhões, segundo uma pessoa a par das negociações. Com dois pólos de atuação – São Paulo e Sul do país – a CPFL tem participações em oito hidrelétricas, além de PCHs, e é uma das maiores companhias privadas do setor na distribuição.Procurado, o Votorantim informou que não comentaria rumores de mercado. A Camargo Corrêa também informou que não faria declaração sobre o assunto. Em relação ao apoio financeiro do BNDES, o grupo disse que não procede e que as negociações que mantém dizem respeito apenas a linhas de financiamento para atender as várias operações de suas empresas.Os prejuízos com derivativos já levaram a Votorantim a vender 49% do capital do seu banco ao Banco do Brasil. O grupo embolsou R$ 3 bilhões de pagamento, fora uma distribuição de dividendos de R$ 750 milhões.Nesta semana, o grupo dos Ermírio de Moraes anunciou novo acordo para comprar as ações da família Lorentzen na fabricante de celulose Aracruz e a subsequente fusão da empresa com a VCP. A fusão foi viabilizada pela entrada do BNDES, que vai injetar até R$ 2,4 bilhões no negócio.