BISA3 – Brascan aprova emissão de 100 milhões de novas ações a $2

A incorporadora Brascan anunciou nesta sexta-feira que seu conselho de administração aprovou a emissão de 100 milhões novas ações ordinárias, pelo preço de 2 reais cada uma. Segundo a empresa, todos os acionistas poderão participar da operação. A controladora da empresa, a Brookfield Asset Management, vai exercer seu direito de preferência para comprar 58,5% dos papéis e também garante a aquisição dos 200 milhões de reais em ações caso não haja interesse dos demais acionistas.Segundo o diretor-presidente da Brascan, Nicholas Reade, a decisão pelo aumento de capital aconteceu devido à crise financeira internacional, que aumentou o custo dos financiamentos. “O mercado imobiliário continuará a oferecer oportunidades, mas o atual cenário de crise internacional encurtou os prazos de financiamento, o que não é compatível com a estratégia da companhia de ter financiamentos de longo prazo com vencimentos escalonados ao longo de todo o ciclo de negócio”, disse Reade, em comunicado da empresa.No documento, a Brascan explicou que o preço da ação para a emissão foi fixado com base no valor de mercado. A empresa afirmou que considerando o valor médio negociado pelo papel (BISA3) nos últimos 30 pregões, o preço de 2 reais representa um deságio de 12% sobre a média. O objetivo do desconto é atrair o interesse dos atuais acionistas. Na manhã desta sexta-feira, a ação era negociada na BMF & Bovespa por 2,14 reais, em queda de 3,16%.“Além de fortalecer a estrutura de capital da Brascan, essa operação vai nos permitir consolidar ainda mais o nosso posicionamento como líder de mercado. Essa operação também deverá contribuir para o aumento de liquidez da nossa ação”, disse o diretor-executivo de Relações Institucionais da incorporadora, Luiz Rogélio Tolosa.De acordo com a empresa, as novas ações também terão direitos aos dividendos, juros sobre o capital próprio, bonificações e eventuais remunerações de capital que vierem a ser anunciadas após a homologação do aumento de capital pelo conselho de administração. Os atuais acionistas terão o direito de preferência para comprar os novos papéis a partir de hoje até o dia 16 de fevereiro.

GOLL4 – Gol consegue liminar que paralisa provisoriamente ação trabalhista originária contra a Varig

O presidente em exercício do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Hamilton Carvalhido, concedeu liminar que paralisa provisoriamente uma ação trabalhista contra a Gol Linhas Aéreas movida pela 13 Vara do Trabalho de Goiânia (GO). A ação era inicialmente contra a Varig, mas como a Gol venceu o leilão de compra da empresa ela foi declarada, na ação, sucessora na obrigação da dívida trabalhista. Em sua justificativa, Carvalhido explicou que como a Varig ainda está em processo de recuperação judicial na 1 Vara Empresarial do Rio de Janeiro, apenas essa Vara poderia julgar a dívida. Pela jurisprudência, o pagamento de créditos individuais promovidos contra empresas falidas ou em recuperação judicial devem ser realizados pelo juízo empresarial. A decisão preliminar ainda precisa de votação pelos ministros da Segunda Seção do STJ, que tem a primeira sessão marcada para 11 de fevereiro. A Gol alega que a transferência do patrimônio da Varig leiloado não a obrigaria a assumir o passivo trabalhista daquela empresa.

RAPT4 – Para SLW, Randon será a menos afetada por crise econômica

A Randon Implementos e Participações deverá ser a empresa do setor automotivo que sofrerá menos com a crise econômica, prevê a SLW Corretora. Mesmo assim, a empresa deverá enfrentar redução de encomendas motivadas pela falta de crédito no curto prazo, “mas por fatores como a importância do transporte rodoviário no país, principalmente quando se aponta o escoamento da safra de grãos e pela característica de envelhecimento da frota brasileira de caminhões, acreditamos que a empresa retomará seus negócios de forma mais consistente já no segundo trimestre de 2009″, destaca a corretora. Nesta semana, a companhia informou que as expectativas para 2009 são de obter um faturamento bruto de R$ 4 bilhões e vendas líquidas consolidadas de R$ 2,8 bilhões. Os investimentos praticados no período devem atingir US$ 130 milhões e as exportações em US$ 240 milhões, contra US$ 70 milhões de importações. “Quanto à expectativa da empresa, julgamos adequada, já que de janeiro a outubro de 2008, seu faturamento bruto atingiu R$ 3,9 bilhões”, afirmou a corretora.

MRVE3 – MRV espera ter desempenho em 2009 igual ao de 2008

A incorporadora MRV Engenharia espera ter em 2009 desempenho semelhante ao do ano passado. Em entrevista a Daniela DAmbrosio, repórter do jornal “Valor Econômico”, o presidente da empresa, Rubens Menin, disse que ainda que haja um aumento do desemprego, não vai faltar renda para a compra do primeiro imóvel. “A manutenção da oferta de crédito ao mutuário, na opinião de Menin, ajuda o setor de imóveis econômicos a reagir melhor à crise. Os apartamentos da MRV custam, em média, R$ 100 mil”, diz o Valor. O jornal também cita que a empresa conseguiu fechar 2008 perto do que havia prometido no início do ano passado. A MRV pretendia lançar entre R$ 2,5 e R$ 2,8 bilhões em novos empreendimentos. A meta de lançamentos foi cumprida, mas próxima do valor mínimo. Os números exatos não podem ser abertos porque não foram encaminhados à Comissão de Valores Mobiliários. Segundo o Valor, serão divulgados na próxima semana.

AMBV4 – Brascan aponta preço alvo para papeis Ambev

A Brascan Corretora iniciou a cobertura das ações preferenciais da AmBev (AMBV4). A recomendação para os papéis da cervejaria é de “marketperform” (retorno esperado da ação situado no intervalo de cinco pontos percentuais acima ou abaixo do retorno projetado para o Ibovespa) a preço-alvo de R$ 140. O potencial de ganho é de 42,59%, com relação ao fechamento de ontem (R$ 98,18). Segundo a analista Denise Messer, em relatório, as avaliações se baseiam em um cenário mais adverso no curto e médio prazo para o setor de bebidas, com um menor crescimento de volumes, em virtude da crise financeira mundial. “A nova tributação do setor de bebidas no Brasil também deve afetar negativamente as margens da empresa em 2009, embora acreditemos que este efeito já tenha sido em grande parte incorporado nas expectativas de mercado”, afirmou. Messer ainda falou que projeta um bom potencial de crescimento para a companhia no longo prazo, principalmente em suas operações na América Latina, com um potencial ganho de margens por meio de maior venda de marcas Premium e redução de custos. A especialista também acredita que a formação da ABInBev pode trazer ganhos de sinergias à AmBev e ressaltou sua característica defensiva por ser uma grande geradora de caixa e distribuidora de dividendos e baixo nível de endividamento.

Estímulo à construção de imóveis até $100mil será prioridade no programa habitacional a ser divulgado pelo Governo

O estímulo à construção de imóveis de até R$ 100 mil é uma das principais apostas do governo na formulação do programa habitacional que será divulgado até o fim do mês. O objetivo é atender à demanda da população de classe média baixa, informou uma fonte à Agência Estado. Além de estudar como ampliar a oferta de crédito e desburocratizar o registro de imóveis, os técnicos querem aliviar os impostos das construtoras para reduzir os preços.

A ideia é reduzir ou eliminar, para casos específicos, o chamado Patrimônio de Afetação, instrumento criado em 2004 que permite a separação entre os custos de uma obra e o patrimônio da construtora. Esse mecanismo tem um Regime Especial de Tributação (RET) do governo federal, que taxa em 7% o imóvel em construção.

Par a presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, a redução do tributo deixaria os imóveis mais baratos e estimularia a produção de novas unidades.

O programa, que está sendo preparado pela equipe econômica, em conjunto com a Casa Civil, tem quatro eixos: estímulo à habitação popular (voltado para classe média baixa); habitação de interesse social (para população mais pobre, com renda de até R$ 1.050); classe média alta, com eventuais alterações nas regras de uso do FGTS; e estímulo à compra de materiais de construção.

O foco na construção não é por acaso. Trata-se de um setor que, quando estimulado, responde rapidamente com a criação de empregos, com desdobramentos na indústria e no comércio de cimento, vergalhões, tintas e outros materiais de construção.

Do ponto de vista tributário, pelo menos até agora, não se trabalha com um volume elevado de desonerações. Mesmo porque o espaço fiscal é limitado pela queda de receitas e pela disposição do governo de ampliar significativamente a execução dos investimentos públicos.

Além da desoneração do RET, o governo discute uma nova rodada de redução de impostos incidentes sobre materiais de construção. Não está descartada, também, a possibilidade de novas medidas de desburocratização na contratação de empréstimos para financiar a compra de material de construção.

O plano habitacional deve contemplar também a classe média alta. A proposta em estudo é ampliar o valor do imóvel que pode ser adquirido com recursos do FGTS, de R$ 350 mil para entre R$ 500 mil e R$ 600 mil. Os técnicos estudam outras hipóteses de alteração no uso do FGTS. A alternativa de permitir o uso mensal do Fundo está praticamente descartada.

A força tarefa para garantir o crescimento econômico (a meta é 4%) considera, ainda, a ampliação dos investimentos federais, sobretudo os previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e os da Petrobrás. A equipe econômica reconhece que é um objetivo ambicioso. Mas considera a meta factível porque haverá expansão de 0,3 ponto porcentual do Produto Interno Bruto (PIB) nos investimentos orçamentários.

MAIS MORADIAS

Os eixos da discussão do governo sobre o Plano Habitacional

1. Incentivar o segmento de habitação popular, com medidas de regulação, ampliação de crédito e eventual desoneração para a aquisição de imóveis de até R$ 100 mil. Uma das
possibilidades é a redução do imposto incidente sobre o
chamado Patrimônio de Afetação, que distingue o imóvel em
construção do patrimônio da empresa construtora. Sobre
este instrumento hoje há uma taxa federal de 7%.

2. Estimular a compra de material de construção, por meio de melhora nas condições de crédito – tanto em termos de custo como de
burocracia – e eventual redução de impostos sobre os produtos.

3. Melhorar o acesso da classe média mais abastada à casa
própria, com medidas como a elevação do teto do valor do
imóvel a ser adquirido com recursos do FGTS, hoje
fixado em R$ 350 mil.

4. Estimular a chamada Habitação de Interesse Social, aquela
voltada para as camadas mais pobres da população – com renda familiar mensal de até R$ 1.050 -, com medidas na área de crédito e de regulação.

BRKM5 – Braskem volta a discutir instalação de pólo gás-químico na Bolívia

A Odebrecht voltará a discutir com o governo da Bolívia a instalação, no país, de um pólo gás-químico da Brasken, para industrializar o gás boliviano, segundo decidiram, em almoço, ontem, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Evo Morales, com o presidente da empresa, Marcelo Odebrecht. Na próxima semana, a Brasken enviará à Bolívia uma missão técnica para discutir com o governo local as condições de instalação do pólo, que depende de garantias de fornecimento regular de gás pelos bolivianos, e representa um investimento de até US$ 1,5 bilhão.

“Tenho a esperança de que se Deus ajudar, ainda este ano, se a Brasken, a Petrobras e a YPFB se colocarem de acordo, nós poderemos estar aqui lançando o extraordinário projeto gás-químico entre Corumbá e Puerto Suárez, para dar à Bolívia um potencial industrial”, comentou Lula, ao falar à imprensa sobre o encontro. “Em torno de uma indústria gás-química, dezenas de outras pequenas empresas se juntarão e possivelmente a gente possa viver algum tempo para ver tanto a região da Bolívia como essa região do Brasil se desenvolverem de forma extraordinária”, disse.

Tomada discretamente durante o encontro dos dois presidentes, ontem, a decisão de retomada das negociações para o pólo gás-químico, com possível financiamento do BNDES, foi acompanhada de outros sinais de reatamento das relações entre os dois governos, que enfrentaram atritos em 2008 devido a ameaças a imigrantes brasileiros na fronteira e queixas contra a frustração de investimentos da Petrobras. Lula deu apoio explícito a Morales, em defesa da polêmica Constituição boliviana que será submetida a referendo no dia 25.
Ajudou a criar um bom clima no encontro a decisão do ministro da Energia, Edison Lobão, na semana passada, de manter a compra de 24 milhões de metros cúbicos de gás boliviano, mesmo após a recomendação do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico para cortar a demanda, para 19 milhões. Durante reunião com três ministros enviados por Morales, na sexta-feira, Lobão recebeu um ofício do Operador Nacional de Sistema indicando a religação de três usinas termelétricas, o que, segundo o ministro, permitiu elevar as compras do gás para o patamar reivindicado pelos bolivianos.
Morales, segundo Lula, prometeu ao governo brasileiro que “não faltará gás” ao Brasil. Lula garantiu que a Petrobras manterá o programa de investimentos de US$ 1,1 bilhão. “Espero que daqui para a frente a gente não tenha mais tormentas nessa questão do gás”, disse Lula. Nas conversas reservadas dos dois, Lula chegou a cobrar de Morales o fim de um imbroglio jurídico que dificulta a doação de tratores brasileiros ao país. A doação depende de que a Bolívia quite uma pequena dívida com o Brasil que, por um acordo já firmado, seria abatida com a doação de terrenos para a representação diplomática brasileira. O negócio está parado pela burocracia e Morales prometeu resolver.
No encontro, marcado para inaugurar o trecho de estrada binacional que servirá ao futuro corredor interoceânico, de São Paulo a Iquique, no Chile, Lula acertou ainda com Morales maior cooperação no combate ao narcotráfico e anunciou o empréstimo de helicópteros brasileiros para a tarefa.

Banco Central quer novo modelo para liquidações bancárias

O Banco Central aprovou projeto apresentado pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para levantar a liquidação extraordinária do Banco BMD, que se arrasta por mais de uma década. O FGC está tendo papel ativo em outros dois casos, do Bamerindus e do Banorte, iniciando um novo modelo para solucionar liquidações bancárias no país.
O FGC está fazendo seus cálculos finais para, dentro de duas semanas, apresentar uma oferta para comprar os créditos dos 4.158 clientes do BMD e de duas empresas ligadas. Com isso, o FGC, o principal credor do banco, poderia assumir a administração do BMD, num regime de liquidação ordinária. Nessa condição, terá mais agilidade e liberdade para recuperar os ativos dos BMD, negociando diretamente com os devedores.
 

 
O BC acompanha com interesse a iniciativa do FGC porque estuda propor uma nova lei de liquidações bancárias. Em outros países, dois modelos são muito comuns. Nos Estados Unidos e Canadá, os supervisores decretam a intervenção de bancos problemáticos, mas as agências de seguro depósito, muito parecidas com o FGC, tocam a liquidação. Na Europa, é comum o Judiciário tomar a frente da liquidação, em processo semelhante ao de falências de empresas.
No Brasil, o BC responde pelas liquidações bancárias. Mas, na prática, tem havido uma aproximação desses dois modelos usados internacionalmente. No caso do Banco Santos, foi usada a nova Lei de Falências, e o Judiciário está tocando a liquidação. O papel mais ativo do FGC lembra o modelo nos Estados Unidos.
O diretor de liquidações do BC, Antonio Gustavo Matos do Vale, diz que o modelo brasileiro está ultrapassado. “A lei de liquidações bancárias é de 1974, do regime autoritário, em que o BC tinha poderes enormes e seus atos não eram questionados”, afirma. “Hoje, o BC é em tese o juiz da liquidação, mas todos os seus atos são questionados no Judiciário.”
Levantamento preliminar do FGC aponta que os ativos do BMD são suficientes para cobrir cerca de 42% dos créditos dos clientes. A tendência é que, para quem quiser receber seus créditos imediatamente, o FGC ofereça pagar apenas metade do crédito. Quem quiser receber tudo terá que esperar 84 meses. No caso caso dos clientes da corretora e de uma empresa não financeira do BMD, a oferta tende a ser um pouco melhor, porque há mais ativos de boa qualidade.
“Precisamos da adesão de 80% em uma assembléia de credores para levar a proposta adiante”, explica o diretor-executivo do FGC, Antonio Carlos Bueno de Camargo Silva. “Se formos bem-sucedidos, a expectativa é que em 90 dias o problema esteja completamente resolvido.”
O caso do Bamerindus também está bastante adiantado. O FGC e os controladores do banco apresentaram um projeto ao BC, o qual foi aprovado pela área técnica e, agora, está sendo analisado pela área jurídica. O Bamerindus já quitou o empréstimo que recebeu do Proer, mas o balanço do BC de junho de 2008 ainda registra uma dívida de R$ 2,827 bilhões a ser recuperada. A proposta do FGC, principal credor do Bamerindus, é levantar a liquidação extraordinária e, em seguida, leiloar o banco. A expectativa é que instituições financeiras se interessem pelos créditos tributários do Bamerindus.
No caso do Banorte, o processo está no início. O balanço do BC de junho registra crédito de R$ 706 milhões junto ao Banorte, do Proes e de saldo negativo nas reservas bancárias. O modelo é semelhante: o FGC ajuda a levantar a liquidação extraordinária, e provavelmente o banco será vendido diretamente ao Unibanco. Em 1996, a parte boa do Banorte foi vendida ao Bandeirantes, cujo controle foi assumido em seguida pela Caixa Geral de Depósitos e, depois, pelo Unibanco, que teria interesse na solução do caso Banorte . De 2003 para cá, o BC reduziu de 106 para 56 o número de instituições financeiras submetidas a regimes de liquidação extraordinária. Ajudou muito o fato de que, no período, foram decretadas relativamente poucas intervenções: 30, dois quais apenas dois bancos. Tudo considerado, o BC encerrou 80 liquidações.
Desse total, 55 casos foram resolvidos pela decretação de falência, quando a administração da instituição financeira é transferida ao Judiciário. Um caso emblemático é o do Banco Santos, cuja intervenção foi decretada em novembro de 2004. No ano seguinte, depois de um curto período de liquidação extrajudicial no BC, foi decretada a falência.
Dos bancos que foram resgatados com recursos do Proer, restam ainda outros três no BC: Nacional, Econômico e Mercantil de Pernambuco. O Unibanco, que comprou a parte boa do Nacional, está avaliando os ativos e passivos do banco para apresentar ao BC uma proposta para o levantamento da liquidação extrajudicial.
O Econômico e o Mercantil questionam na Justiça os critérios adotados pelo BC para corrigir os valores dos empréstimos do Proer. “Esses casos só serão resolvidos quando a Justiça der sua palavra final”, afirma Gustavo do Vale.

Anatel abre processo contra Telefonica e Oi por descumprimento de meta

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) abriu processo contra a Telefônica e a Oi por descumprirem a meta de levar internet em alta velocidade a escolas públicas. As duas empresas só atingiram 70% da meta prevista para 2008, em compromisso assumido com o governo em abril passado. A Oi também responderá a processo administrativo na Anatel por ter deixado de instalar infraestrutura de banda larga em metade dos municípios que deveriam ter sido atendidos por ela.Pelo acordo feito com o governo, a Telefônica deveria ter levado o serviço gratuito de internet banda larga a 3.665 escolas no Estado de São Paulo até 31 de dezembro de 2008. Mas 1.117 escolas ficaram de fora. A Oi, que opera em 16 Estados, tinha meta de beneficiar 12.680 escolas, mas deixou 3.856 de fora do programa. A Sercomtel, da região de Londrina, cumpriu apenas 86,7% da meta. Já a Brasil Telecom e a CTBC atenderam a todas as escolas previstas.No total, as empresas deveriam ter levado banda larga a 22.693 escolas, mas 5.134 ficaram sem o serviço. O gerente geral de Serviços Privados de Telecomunicações da agência, Dirceu Baraviera, disse que Oi e a Telefônica terão até abril para atualizar o programa. Além disso, elas terão de cumprir as metas previstas para 2009, que prevê mais 22 mil escolas.Segundo Baraviera, as empresas disseram à Anatel, em reunião realizada ontem, que tiveram problemas na implantação do programa e apresentaram como uma das justificativas o fato de que as escolas estiveram fechadas em boa parte do mês de dezembro. Ele revelou, no entanto que as empresas deixaram muitas escolas para o último momento. A multa às empresas poderá chegar a R$ 25 milhões no caso das escolas e a até R$ 50 milhões no caso da infraestrutura.Apesar dos problemas, o assessor especial da Casa Civil, André Barbosa, disse que o número de escolas atendidas – de 17.861 – é positivo. “Não posso dizer que é um número que não nos agradou”, afirmou.

BICB4 BBDC4 – Bradesco negocia com Bicbanco

Resolvida a sucessão no comando do banco, o Bradesco busca agora formas de reduzir a distância do líder Itaú-Unibanco e deverá analisar a compra de outras instituições, entre elas o BicBanco, com quem já manteve conversas. Segundo uma fonte próxima ao banco ouvida pela Agência Estado, a proposta foi feita, mas até agora não houve acordo em relação ao preço.Segundo essa fonte, as duas instituições conversam há alguns meses, mas não há avanço porque o Bradesco quer pagar o valor de mercado do BicBanco, o que não foi aceito pelos controladores. O valor de mercado do BicBanco gira em torno de R$ 1,28 bilhão com as valorizações dos últimos pregões, quando o assunto da possível sondagem do Bradesco já era comentado entre operadores. Ontem, o papel ON avançou 22,65%.Em outubro, mês em que as empresas da Bovespa sofreram desvalorização por causa da crise externa, o preço de mercado da instituição financeira chegou a R$ 693,262 milhões, bem distante dos R$ 3,319 bilhões do mês em que fez a Oferta Pública Inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), um ano antes em outubro de 2007. O BicBanco apresentava no fim do terceiro trimestre de 2008 um patrimônio líquido de R$ 1,714 bilhão.As negociações devem ser retomadas, segundo a fonte, agora que o Bradesco definiu quem vai suceder ao atual presidente, Márcio Cypriano, que deixará o cargo em março, após dez anos. Seu substituto será Luiz Carlos Trabuco Cappi, vice-presidente executivo e diretor-presidente da Bradesco Seguros. Segundo a fonte, a cúpula do banco estava concentrada primeiro em definir a permanência de Cypriano, com a alteração do estatuto social, e depois em decidir quem o substituiria. Agora, os esforços ficarão concentrados no crescimento do banco.Procurado, o Bradesco afirmou por sua assessoria de imprensa que não comenta rumores de mercado. Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o BicBanco informou que “não existem negociações, propostas ou fatos quaisquer que configurem possíveis desdobramentos envolvendo a alienação da totalidade ou de parcela do capital do banco por parte dos seus controladores”.O BicBanco tinha no fim do terceiro trimestre do ano passado R$ 13,186 bilhões em ativos. Ou seja, mesmo com essa compra o Bradesco ficaria distante da liderança, já que pelos dados de setembro a diferença com Itaú-Unibanco era de R$ 152,4 bilhões

Inadimplência dos consumidores cresce 8% em 2008

A inadimplência dos consumidores teve um crescimento de 8% em 2008 na comparação com o ano anterior, segundo a Serasa. Em dezembro, o acréscimo foi de 2,5% em relação a novembro e de 12,8% ante o mesmo mês de 2007.No ano, as dívidas com os bancos lideraram o ranking, com uma participação de 43,2% no indicador, seguidas de cartões de crédito e financeiras (33,7%) e cheques devolvidos (21%).Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa, lembra que, no acumulado até setembro, já havia um crescimento de 7,6% no comparativo com igual período de 2007. “Havia consumidor que fazia dívida para pagar outra dívida, como usar cheque especial para pagar cartão de crédito.”O crescimento na inadimplência, destaca, “indica que o risco para emprestar está aumentando e isso se traduz em juros mais altos”.Bruno Rocha, economista da Tendências Consultoria, ressalta que a crise só agravou o que já estava acontecendo devido à elevação da taxa Selic desde abril e à crescente oferta de crédito.Apesar do cenário não ser favorável, ele sugere que os consumidores tentem renegociar suas dívidas, com melhores condições de pagamento: juros menores e prazos mais longos.Os últimos dados do Banco Central são referentes a novembro e apontam que a inadimplência nas operações de pessoas físicas atingiu 7,8% do volume de crédito concedido, a maior taxa desde agosto de 2003, considerando atrasos acima de 90 dias.Para o primeiro trimestre deste ano, Rocha projeta que esse número passe dos 8%, mas se estabilize no segundo trimestre e recue no decorrer do segundo semestre

Brasil de frente com a sétima recessão em 20 anos

A economia brasileira sofreu no quarto trimestre de 2008 um dos maiores choques da história. A desaceleração foi tão intensa que irá levar o país à sétima recessão em 20 anos ou à décima em 28 anos.A conclusão consta do comentário quinzenal de conjuntura da MB Associados, ao analisar os dados mais recentes da economia. Segundo o relatório, essa brusca desaceleração deverá ser sentida com mais força em dezembro, quando a indústria deve ter caído 9,8% em relação ao mesmo mês de 2007 e 5% ante novembro.Segundo Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, além da indústria, outros setores, como intermediação financeira e varejo, também encerraram o ano com sinais de uma desaceleração forte, o que vai fazer com que o crescimento do PIB seja negativo no quarto trimestre e no primeiro deste ano.Suas previsões são de uma queda de 1,9% no PIB do quarto trimestre em relação ao anterior e de 0,5% no primeiro trimestre deste ano, o que significa que o país estará tecnicamente em recessão (dois trimestres seguidos de retração).Diante desse quadro, a MB reviu sua previsão para o crescimento do PIB de 2,3% para 2% para 2009 e de 5,6% para 5,3% em 2008.”Nós estamos em uma recessão, tecnicamente falando”, afirma Vale.Para Sergio Vale, essa brusca desaceleração na atividade e mais a queda da inflação devem levar o Banco Central a cortar 0,75 ponto percentual da taxa básica de juros. O juro cairia de 13,75% para 13%.O economista acha que vai ser importante nessa decisão do Banco Central o resultado divulgado ontem do IGP-10, que registrou uma deflação de 0,5% em janeiro. A preocupação do Banco Central é maior com a inflação do que com a atividade econômica.E o que se vem observando, na opinião da MB, é que a queda na demanda e nos preços mundiais mais do que está compensando a valorização recente do dólar.”Apesar do cenário de atividade não ter mudado radicalmente de dezembro até agora, o de inflação mudou e é isso que poderá pesar na decisão do BC”, diz Vale