Carteira Recomendada BB Janeiro

O BB Investimentos divulgou na sexta-feira (28) sua seleção de onze ações com boas perspectivas para janeiro de 2008. Segundo os analistas, o cenário básico para o mês denota cautela, com mais uma dose de volatilidade para o Ibovespa, que deve terminar próximo à estabilidade.

Os investidores estarão atentos aos dados referentes à saúde da economia norte-americana, de olho em pistas sobre qual será o passo adotado pelo Federal Reserve em sua próxima reunião, agendada para o dia 30 de janeiro.

“Sendo que a probabilidade implícita nos Fed Funds indica agora uma chance de corte de 68%, contra 32% de manutenção”, afirma o BB em relatório, que também destaca a possibilidade de recessão nos EUA como parcela do cenário cauteloso.

Cenário interno
No âmbito interno, a equipe do banco considera ser improvável que o Banco Central reduza a taxa Selic no primeiro semestre do ano que vem. Já sobre a não prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), a avaliação é que a intensidade dos benefícios gerados dependerá de como o governo vai trabalhar na recuperação da receita perdida.

Confira as recomendações:

Empresa Código Peso Preço justo* Upside**
Gafisa GFSA3 10% Revisão Revisão
Eternit ETER3 5% R$ 14,35 102%
Randon RAPT4 5% R$ 26,15 52%
Weg WEGE3 5% Revisão Revisão
Lojas Americanas LAME4 5% R$ 24,40 57%
Lojas Renner LREN3 5% R$ 50,65 41%
Usiminas USIM5 10% Revisão Revisão
Petrobras PETR4 20% Revisão Revisão
Fertilizantes Heringer FHER3 5% R$ 33,43 70%
Brasil Telecom BRTP3 10% Revisão Revisão
Vale do Rio Doce VALE5 20% R$ 66,40 31%

*Para dezembro de 2008
**Potencial de valorização

Carteira Recomendada HSBC Janeiro

A carteira recomendada do HSBC para janeiro apresenta apenas uma alteração em relação ao portfólio de dezembro do ano passado: os papéis preferenciais da VCP (Votorantim Celulose e Papel) substituem as ações PNA da Braskem.

De acordo com analistas, a retirada da Braskem seria justificada pela elevação dos preços do petróleo no mercado internacional, fator que tenderia a pressionar os papéis de empresas relacionadas à commodity, a despeito das perspectivas otimistas para o setor petroquímico no longo prazo.

A inserção da VCP na carteira recomendada do HSBC, por seu turno, teria sido estimulada pelos bons resultados apresentados pelo setor de celulose e papel no último ano, especialmente em face da estabilização das taxas cambiais e da expectativa de manutenção dos altos preços da celulose.

Cenário macro em 2008

Para os analistas, a crise no mercado de crédito norte-americano deve permanecer no centro das preocupações dos investidores no ano que se inicia, desta vez levantando temores em torno da liquidez do sistema bancário.

Segundo o HSBC, as medidas emergenciais realizadas por Bancos Centrais de diversos países, embora tenham sido vistas com otimismo pelo mercado financeiro, não devem ser suficientes para conter novas perdas no sistema bancário, possuindo caráter meramente paliativo.

O banco atenta também para o perigo representado pelo avanço da inflação norte-americana, que, aliada aos problemas decorrentes da crise das hipotecas subprime, pode provocar a degradação do cenário externo, diminuindo a euforia brasileira resultante do bom desempenho do Ibovespa em 2007.

Carteira premier para janeiro

Empresa Código Preço-Alvo* Upside**
Gafisa GFSA3 R$ 41,00 23,5%
Petrobras PETR4 Em revisão -
Vale do Rio Doce VALE5 Em revisão -
Banco Pine PINE4 R$ 26,50 48,9%
VCP VCPA4 Em revisão -

Carteira Recomendada Janeiro Unibanco

O Unibanco divulgou a sua carteira top pick para o mês de janeiro, com cinco recomendações de ações de empresas que, segundo os analistas, oferecem um bom potencial de valorização para o período.

Na ponta da lista estão os papéis da Transmissão Paulista (TRPL4), que rendem bons dividendos para os acionistas, importante neste momento de crise, além das expectativas de um crescimento significativo para a empresa nos próximos meses, em virtude das concessões ganhas no leilão do Rio Madeira.
Ainda no lado do setor de energia, os analistas do banco recomendam os papéis da AES Tietê (GETI4), destacando também seu caráter defensivo (boa pagadora de dividendos) e os ajustes no preço da energia promovidos, valorizados devido à escala da inflação em 2008.
Riscos implícitos
Os analistas decidiram manter os papéis da Bradespar (BRAP4) em seu portfólio de mineração, devido ao amplo desconto das ações em relação aos ativos da Vale, onde detém participação direta.
Já no caso das ações do grupo Pão de Açúcar (PCAR4), o Unibanco acredita que os papéis devem se beneficiar com a retomada do setor varejista brasileiro, mas chama atenção para os níveis de preços altos das ações, que não justificam os múltiplos apurados.
Net, um caso especial
Em relação às ações da Net (NETC4), a equipe avalia que os ativos já foram demasiadamente penalizados pelo mercado devido ao caso da cobrança por ponto adicional instalado, que já perdura mais de um ano.
Os analistas consideram que ainda há possibilidade de anulação do projeto. No entanto, caso não haja abolição e as receitas advindas destes recursos sejam zeradas, a equipe vê um preço-alvo de R$ 19,00 por ação, ou seja, um upside de 46% frente ao fechamento da última sessão.
Do outro lado, o banco aposta que a Net deverá ser favorecida pela portabilidade numérica em 2009, pois oferece serviços de TV a cabo e de telefonia.

Carteira Recomendada Planner Janeiro 2009

A corretora Planner divulgou nesta sexta-feira sua carteira sugerida de ações para o mês de janeiro. No rol de sugestões da corretora destaca-se o setor financeiro, com três papéis: Bradesco PN, a “unit” do Unibanco e Redecard ON. O setor energético merece duas menções: CPFL Energia ON e Eletrobras ON.

Os setores de consumo (Pão de Açúcar PN), siderurgia (Usiminas PNA), petróleo e gás (Petrobras PN), alimentos (Perdigão ON), concessões públicas (CCR Rodovias ON) e telecomunicações (Brasil Telecom PN) tiveram uma menção.

Matt Callow – Perspectivas 2009

Resist the urge to jump into this sick market. Anyone looking at 2008’s near 40% decline will feel tempted to jump in at these bargain-basement levels. If you reference the year 1930 (one year after the start of the Great Depression), you may think twice. Despite all the fiscal and monetary stimulus being thrown at our economic mess, the US, and the world economies will look a lot like they did in 2008.

Political and Economic Predictions:

  • Oil falls into a range of $20-$30 where it settles for a short period. Be on the lookout for a complete collapse of Russian and Venezuelan economies as they cannot exist on such a low oil price. Expect military conflicts to ensue around the world, which will raise the price of oil somewhere between $45 and $85 by year end (depending on severity of conflicts).
  • Eastern Europe’s massive debt loads and Western Europe’s over consumption, and economic infighting cause massive upheaval within the EU. Expect European banks to rapidly erode, followed by the fall of the Euro, and maybe some major EU partners pulling out of the EU, or at least pulling out of the Euro.
  • Global recession continues. Talk of resisting isolationism is overcome by reality. Isolationism and protectionism accelerate global recession, causing commodities to continue the path of deflation. Talk of hyperinflation will be prevalent in 2009, but will not be seen until 2010 or later.
  • Hedge fund industry (with massive amounts of cash on hand, ready to move back into the market) cannot save the economy. Calls for new regulation, and inability to make profits under the current “2-and-20″ high watermark standard leads to massive hedge fund closings. We have only seen the tip of the iceberg on this one.
  • Gold ultimately trades higher. I expect gold to waffle around its current price in the near-term, with a possible trend to the downside (due to commodity deflation), followed by a year-end rally (flight to safety) that closes out above $1000/oz.
  • 2007 was the subprime crisis, 2008 was the credit crisis, 2009 will be the consumer crisis. Unemployment will hit double digits (maybe not until 2010), housing markets will continue to fall, consumer defaults on mortgages, credit cards, and student loans will explode. Expect retail, and automakers to continue to struggle. China’s economy will continue to falter (at a more rapid pace) due to the falling US consumer demand. Tech stocks finally take a long-overdue beating.
  • Despite attempts to lower mortgage rates to 4%, the move will fail to kick start the housing market. Refinancing will balloon, leading to a further split between the “haves and the have-nots.”

Em meio a tantas projeções, devemos acreditar nelas ?

It’s that time of year again. The time when market strategists emerge from the beleaguered investment banks to give you their best guesstimate on how high or how low the indexes will be by the end of the New Year. But should we be listening? After all they are all too happy to talk to us about the future while sidestepping the results of their previous year end forecasts in the most recent Outlook 2009 article. In an effort to justify the four foot stack of Barron’s on my living room floor, I intend to review the previous years’ prognostications given by the typical group of esteemed market strategists in Barron’s magazine.

Only five of the market strategists that participated in Barron’s Outlook 2009 participated in the Barron’s Outlook 2007 and the Barron’s Outlook 2008 printed in the corresponding December issues. The five strategists that have participated in each of the Outlooks from the past three years are from Deutsche Bank (DB), Citigroup (C), JP Morgan (JPM), Goldman Sachs (GS) and Morgan Stanley (MS). We will review the calls of only these five strategists since they are the only strategists with a history to evaluate. We will be looking at their S&P forecasts, sector picks and pans, 10 year treasury rate forecasts and fed fund target rate forecasts.

Let’s start off with their outlook for 2009 (click to enlarge some images):

On average, these five strategists see the S&P up by more than 19% by year end. Each one is predicting no change in the fed funds rate with the exception of Morgan Stanley, which is targeting a .5% fed funds rate by year end, but there is some disagreement over where the 10 year will trade by year end. Each one is recommending the health care sector and many are shunning industrials and energy.

Let’s take a look at how their forecasts have fared over the past two years.

The forecasts that were the closest to hitting their marks by year end are shaded in grey. There is not really a clear winner based on the strategists’ S&P forecasts over the past two years, but on average Morgan Stanley’s forecast comes closer than the others. One thing that I noticed, which I thought was interesting, yet it was probably just a coincidence, was that the strategist with the worst S&P forecast each year never returns. Tough break.

To judge the sector picks and pans, I assumed that the strategist went long the favored sectors and short the panned sectors. Deutsche Bank hit it out of the park in 2007, which allowed for a 20% average return over the past two years, but Morgan Stanley is the winner when the contest is based on consistent results. When it comes to forecasting interest rates, Goldman Sachs takes the cake, scoring in the top of each category over the past two years.

Judging by the results of the previous Barron’s Outlook articles, I would have to side with the rate forecasts of Goldman and the equity forecasts of Morgan Stanley. Is two years worth of data enough to make a judgment call on? I’ll leave that part up to you, but one thing is clear: none of these five market strategists saw this financial crisis coming at the end of 2007. The average S&P forecast of these five analysts was off by over 46%. With results like that should we expect any one of these strategists to warn us of the danger that lies ahead? Probably not.

Here are some quotes that really drive home just how clueless many of the twelve strategists polled for Outlook 2008 really were:

“…investors are worried that the bull market might end in 2008. But Wall Street’s top equity strategists are quick to dismiss such fears.”

“Recession likely will be avoided, due to the strength in exports and capital spending by corporations and government.” – Abby Joseph Cohen, Goldman Sachs

“Treasuries may hold less appeal next year, the street’s leading strategists say.”

“The strategists note, as well. That bull markets rarely end when the earnings yield on stocks-now around 6%-is higher than benchmark bond yields.”

“S&P 500 earnings are expected to climb 4%, to an average of $92…”

“While some fear this year’s peak profit margins will wane, Bear Stearns’ Jonathan Golub says margins will prove sticky at a high level after years of cost cutting.”

“Profits conceivably could fall as much as 45% if the U.S. slips into a recession. But the stock market likely would fall no more than 10% to 15% from current levels even in this worst case scenario.” – Ian Scott, Lehman Brothers

“Stocks screamingly cheap relative to bonds” – Tobias Levkovich, Citigroup

“While the first half may look like death, second-half earnings will improve as the rate cuts take effect” – Thomas Lee, JP Morgan

“Lee expects the sector (financial) to lead markets higher in 2008…”

“…technology has no direct exposure to housing (buy suggestion).”

“Too much credence, Bianco says, has been given to the “domino theory,” under which a wobbly housing market supposedly knocks down the overspent U.S. consumer, who trips up the Asian export market, which triggers a commodity correction that thwarts infrastructure spending.” – David Bianco, UBS

“The consumer is not dead!” – Tobias Levkovich, Citigroup

Projeções 2009 pela UBS

O banco suíço UBS, líder mundial em Wealth Management, divulgou relatório sobre o cenário econômico global para o próximo ano, intitulado “Proceder com cautela”. A análise identifica oportunidades potenciais, mas também armadilhas à medida que a economia global pode aprofundar mais na recessão em 2009. O relatório vai além da presente crise de confiança entre empresas, investidores e consumidores, para projetar retornos das principais classes de ativos e regiões.

Recessão global

Segundo o UBS Wealth Management Research, os Estados Unidos devem passar pela pior recessão em mais de 25 anos. O impacto sobre a Europa é menos uniforme, com Reino Unido e Espanha afetados mais duramente, enquanto Suíça e Alemanha ficam melhor posicionadas para enfrentar a crise. As economias dos mercados emergentes devem, provavelmente, desacelerar acentuadamente no próximo ano, mas China, Índia, Brasil e Rússia parecem ser capazes de evitar uma clara recessão. Os autores do relatório projetam uma recuperação durante o segundo semestre de 2009 e início de 2010, mas provavelmente será branda para padrões históricos.

Pondere o potencial e avalie contra risco de recessão

Embora a projeção econômica para 2009 seja desanimadora, o UBS Wealth Management Research nota que os mercados financeiros também refletem uma grande quantidade de notícias ruins no preço. Todas as principais categorias de ativos de risco, como imóveis, ações e commodities, registraram quedas acentuadas nos preços em 2008. Os benefícios da diversificação foram limitados durante o ano em razão da queda generalizada, embora os títulos do governo tenham desempenhado seu papel para as carteiras de amortecedor contra riscos de recessão. A postura do UBS Wealth Management Research em relação à alocação de ativos para 2009 reflete uma perspectiva mais incerta e a crença de que quando a economia começar a se recuperar os investidores não devem retornar ao ponto que estavam antes. O estudo enfatiza ainda a importância de diversificar o portfólio, adotar uma postura defensiva nos investimentos e assumir riscos calculados como forma de atingir uma performance superior à do mercado em 2009.

Títulos corporativos parecem atrativos

O UBS Wealth Management Research estima que, durante 2009, os títulos corporativos produzirão alguns dos retornos mais robustos dos mercados financeiros. Embora a taxa de inadimplência entre empresas provavelmente apresente um aumento significativo em relação a níveis relativamente baixos, o relatório conclui que os retornos dos títulos corporativos mais que compensam este risco. Setores relacionados ao consumo parecem ter os riscos mais altos. Por exemplo, o setor automotivo dos Estados Unidos já arca com uma redução dos gastos discricionários e ainda enfrenta problemas estruturais profundos e não resolvidos. No lugar deste setor, o time de pesquisa prioriza títulos de setores menos expostos à diminuição dos gastos discricionários dos consumidores e o desaquecimento econômico geral, tais como Serviços Públicos, Telecomunicações e Bens de Consumo Não Discricionário.

Conserve uma postura defensiva em relação à renda variável

A perspectiva do relatório em relação às ações é cautelosa, mas também destaca os fortes sinais emitidos pelas avaliações nos mercados acionários, especialmente da Europa. Nesta linha, o relatório alerta que a hipótese de mais quedas nos mercados de ações não deve ser descartada, pois a crise financeira levará a uma contração cíclica nos lucros corporativos. “Aos investidores que podem tolerar volatilidade e que têm visão de longo prazo, recomendamos que foquem nos setores onde o recuo dos lucros provavelmente será menos pronunciado, como Saúde, Bens de Consumo Básicos e Telecomunicações”, comentou Juliana Braga, Estrategista de Investimentos do UBS Pactual Wealth Management.

Ativos de mercados emergentes parecem vulneráveis

O UBS Wealth Management Research estima que a atividade econômica da China, Índia, Brasil e outros mercados emergentes desacelere acentuadamente no próximo ano. Por este motivo, a venda indiscriminada de ativos de mercados emergentes em 2008 pode se estender até 2009. Quanto às ações de mercados emergentes, o atual desconto em relação a ações globais não é particularmente tentador. Há ainda um risco considerável nos lucros futuros. Em relação aos títulos de mercados emergentes, o relatório indica evitar emissores de dívida soberana abaixo de grau de investimento e sim diversificar entre os emissores com classificações acima de grau de investimento. Diante desse cenário, Juliana destaca a tendência dos mercados em desenvolvimento ganharem cada vez mais importância no PIB Global.

Reflação implica em riscos de mais longo prazo para títulos públicos

A performance do mercado financeiro durante 2009 deve depender muito da efetividade das políticas reflacionárias visando mitigar a desaceleração econômica. Embora uma recessão profunda seja boa para títulos públicos, conceder créditos a Estados pode ser menos atraente, pois alguns países acumulam dívidas excessivas. Com taxas de curto prazo já muito baixas nos Estados Unidos e Japão, a política fiscal deverá fazer a maior parte da ginástica para estimular o crescimento. Por este motivo, a UBS Wealth Management Research considera que o maior risco está nos títulos denominados em dólares e ienes.

A depreciação do dólar e apreciação do euro está rondando

Diante de sua perspectiva cautelosa baseada em fundamentos, o UBS Wealth Management Research também alerta contra uma exposição maciça ao dólar após a significativa apreciação observada recentemente. O time de pesquisa também considera que o iene deverá depreciar no próximo ano, quando melhorar o sentimento dos mercados e o apetite por risco voltar em alguma medida. Quanto ao franco suíço, os fundamentos econômicos são menos fracos que no resto da Europa, no Japão e nos Estados Unidos. Mas a perspectiva para o setor financeiro, que representa praticamente 15% do PIB da Suíça, continua desfavorável. Isto implica uma performance irregular do franco durante 2009. “Com esse cenário, temos sugerido aos clientes que diversifiquem seus portfólios com euro e não tenham somente dólar”, explica Juliana.

Oportunidades aguardam evidências mais concretas

O relatório não descarta a possibilidade de medidas agressivas de política fiscal e monetária reativarem a economia, mas alerta que não há certezas quanto a estes esforços terem o efeito desejado no início de 2009. “Qualquer normalização de mercados de crédito e investimentos de curto prazo (money market) deverá, provavelmente, beneficiar os ativos de riscos mais alto, como o setor financeiro, investimentos em imóveis e commodities associadas à energia”, disse a Estrategista de Investimentos. Neste estágio, entretanto, o UBS Wealth Management Research recomenda esperar o surgimento de sinais mais claros de melhora das condições macroeconômicas antes de aumentar a exposição nestes ativos

Um ano para não esquecer

Um ano para não esquecer, que passou da euforia à depressão num piscar de olhos. Ou melhor, no curto espaço de tempo em que a economia norte-americana, que movimenta o planeta, passou de compradora para devedora; em que os bancos passaram dos empréstimos, que incrementavam o consumo conspícuo e irracional naquele mercado, à falência e à morte súbita.

Tudo tão rápido e tenebroso, que o mundo ainda digere o que sobrou: pouco dinheiro em caixa, poucos bancos em sólida condição financeira, montadoras que eram poderosas e que viraram reféns de suas péssimas administrações e um mercado que mudou o rumo, desviando-se de grandes SUVs e picapes, que agora vêm pela contramão de um mercado do Primeiro-Mundo que os rejeita.

Mas esses veículos eram a ‘mão única’, ao menos nos Estados Unidos, ainda no primeiro semestre de 2008. Em janeiro, no Salão de Detroit, a General Motors ainda mostrava um poder que não tinha mais. E sua única saída para o futuro resumia-se ao carro elétrico Volt, que será aceito pelo mercado a partir de 2011, ou não. O ‘não’ fica por conta da devastadora competição imposta por Honda, Toyota e Hyundai, que produzem carros econômicos híbridos ou movidos a gasolina, que os norte-americanos e o mundo gostam – vide o sucesso global dos modelos Civic e Corolla.

Na Europa, os mercados já caíram 20% e vê-se a ação dos governos nas políticas a curto e médio prazos, com fartas injeções de crédito num mercado que reluta em comprar. Mas a Europa tem mais de duas centenas de modelos pequenos e médios altamente eficientes na economia e proteção ambiental.

Somente a Fiat tem 90% de motores que despejam no meio ambiente menos de 120 gramas de dióxido de carbono por quilômetro rodado. A Fiat combina economia com beleza de design e performance superior de modelos como Bravo, Panda, Punto ou Línea – estes dois já estão no Brasil e o Bravo chega em março.

Em resumo, as montadoras europeias, ao contrário das montadoras norte-americanas, há muito aprenderam sobre o futuro, que terá consumidores cada vez mais atentos a fatores de alto risco, como a poluição ambiental e a escassez gradativa de recursos naturais, em que se enquadra o petróleo. Este cai de preço pela depressão econômica, não pela produção excessiva.

Os consumidores também não pagarão mais caro por um automóvel médio. Quando lançou o novo Astra em 2006, a Opel aumentou seu preço em 30% e justificou o aumento pela tecnologia do automóvel, um excelente produto, sem dúvida. O Astra não foi um fracasso de vendas porque aquele era um momento favorável de mercado.

Hoje, ao anunciar que o novo Civic brasileiro custará bem mais caro, a Honda comete um ‘harakiri’ mercadológico. Porque o momento é para anunciar descontos, não aumentos. Com a redução do IPI, todos esperam que os carros de 2009 sejam mais baratos em relação aos carros de 2008. Os custos de produção aumentam e, provavelmente, haverá aumentos. Mas o momento psicológico no mundo é voltado para a economia. De tudo.

Quem rejeitar essa premissa acabará ‘passando o pires’ para algum governo, como já acontece nos EUA, porque os acionistas não querem saber de empresas desconectadas da realidade. As montadoras, em 2009, serão ainda mais ‘verdes e eficientes’. Porque, em 2008, todas as montadoras que resistiram ao futuro ficaram fora do jogo. E que jogo!

Emiliano José: Nada será como antes

Balanço de ano deve ser feito? Sim, se não for apenas para cumprir tabela. Penso que cada ano deve estar inscrito num cenário bem mais amplo do que as fronteiras ditadas pelo calendário. E o balanço de 2008 necessariamente nos remete a 1929, ao crack, à crise que parecia abalar os alicerces do capitalismo. Houve quem dissesse que outros tempos se avizinhavam, que ali era o ponto terminal do mais vigoroso modo de produção da história. Não foi. 

Se me remeto a 1929, o faço por conta da crise econômica atual, que fez o mundo tremer, de Norte a Sul, e que atinge de fato a todos que habitam a face dessa terra. Não há hipótese de fazer balanço de 2008 sem que tratemos da crise, conseqüências e perspectivas. Sei que muitos já se referiram a 1929. Eu volto àquela data apenas para situar uma posição: novamente não estamos às portas do embate final. O céu não parece estar perto. Ou, se quiserem, o Apocalipse ainda não tocou as suas trombetas. 

Claro que diante da crise há uma direita obrigada a rever conceitos. Sobretudo porque até há pouco tempo, não poucos intelectuais que bebem nas fontes do pensamento neoliberal, proclamavam que o mercado continuava de vento em popa, que o capitalismo financeiro gozava de perfeita saúde, e que o mundo continuaria a prosperar sob a lógica implacável da economia privada. Hoje, muitos deles, inclusive muitos jornalistas embevecidos com pensamento neoliberal, começam a ensaiar mudanças, mesmo que tímidas. 

Que a crise é grave, besteira reiterar. Está aí para quem quiser ver. As conseqüências já batem à porta, e dos mais pobres de modo particular. O desemprego vai crescer em escala assustadora em todo mundo. Já está crescendo. Essa crise marca 2008 para sempre. Há quem diga que o mundo tem que ser repensado. E creio que tem mesmo. Só que nada é simples, muito menos o é se falamos do capitalismo e suas manhas e artimanhas. Esta não é a primeira e não será a última crise econômica grave sob o capitalismo, já se viu. 

Parece quase obviedade dizer que o capitalismo enfrenta as crises, alimentando-se delas. Penso que há uma quase ingenuidade naqueles que celebram o fato de os países desenvolvidos recorrerem agora ao Estado para salvar a economia. Ou que ironizam essa nova postura. E a celebração desse aparente novo tipo de postura advém, sobretudo, do pensamento de esquerda. A comemoração aparece como uma espécie de vingança. 

Ora, o mercado recorre ao Estado no momento da crise, e nunca preocupado em salvar empregos ou proteger os trabalhadores. O Estado é acionado para proteger o capital, e principalmente o grande capital, como se viu nos EUA. Ah, mas antes, sob o neoliberalismo, o Estado era demonizado… Sim, sim, mas mudou a conjuntura, adota-se outra política. Em favor da salvação do capital. 

Claro que no meio da crise, havendo força e criatividade da classe trabalhadora, da sociedade civil organizada, dos partidos políticos de esquerda, podem surgir propostas inovadoras, progressistas, capazes de situar novos paradigmas, que não se limitem apenas à lógica do capital. Mas, não sei se há força política suficiente entre os de baixo para que se afirmem propostas capazes de fazer a crise reverter a favor dos trabalhadores, dos oprimidos de modo geral. A esquerda, no mundo, está numa fase de transição. 

Até hoje, creio, desde a queda do Muro de Berlim e do fim da URSS, a esquerda não conseguiu criar um novo paradigma, um novo modelo. Não estou dizendo que aquele modelo era bom. Não era. E nem estou dizendo que devamos seguir os passos anteriores. Nada de uma Internacional nova. Nada de uma central política mundial que controle tudo. Mas, seguramente, há a procura de bases teóricas novas que orientem essa fase em que vive o mundo, bastante carente de um pensamento inovador de esquerda, capaz de situar-se como elemento polarizador. Não sei se é possível dizer, como Eduardo Galeano o fazia no início dos anos 90, que parecemos um menino perdido no meio da tempestade. Mas, a imagem é boa. 

Sei que há esforços. Sei que nada será como antes. Sei, por exemplo, que a América Latina e o Caribe têm muito a ensinar ao mundo nos dias de hoje. Vivem hoje o seu melhor momento da história. Com governos de diferentes extrações políticas, mas grande parte deles situada à esquerda do espectro político. E essa conjuntura só foi possível depois que as armas foram depostas. Literalmente depostas. Os grupos guerrilheiros passaram à luta política institucional e ocuparam espaços decisivos, chegaram a governos em vários países. 

Diria que deixaram Sierra Maestra, Regis Debray e Lênin, e passaram a Gramsci. Guerra de posição, não guerra de movimento. Aderiram à democracia. Não se trata mais do assalto ao Palácio de Inverno. É a disputa de corações e mentes. Luta cultural. Mudança de mentalidades. Conquista dos povos para as mudanças. Consciência de que pode haver alternância de poder. Sem milagres. Proposta contínua de participação popular. 

A América Latina e Caribe servem de exemplo para os povos de todo o mundo atualmente com sua capacidade de fazer transformações pela via democrática. E quando falamos em democracia, não imaginamos nenhum baile de valsa. Há conflitos, e duros. É só olhar para a Bolívia, para o Equador, para a Venezuela, para a Argentina, para o Brasil mesmo, para ver que nada é simples. As nossas classes dominantes não se conformam em perder privilégios, mesmo que em escala reduzida. Querem manter tudo como dantes. Mas, como se vê, isso não é mais possível. 

Espera-se que esses países saibam enfrentar essa crise, minimizando os inescapáveis efeitos dela sobre os trabalhadores. Que saibam desenvolver políticas ousadas contra a crise, promover financiamentos voltados não só para o grande capital, do qual não se pode escapar nessa quadra da história mundial, mas também para promover atividades que beneficiem os trabalhadores, os excluídos. Que pensem em programas geradores de emprego e renda, sobretudo. E creio que têm caminhado nessa direção. 

No caso brasileiro, penso que o enfrentamento da crise tem já vários pontos positivos. O governo Lula tem reafirmado a manutenção dos investimentos do PAC, fala num amplo programa de habitação popular, desenvolve projetos de proteção do emprego. Há preocupações com a economia popular. São aspectos de uma agenda anti-crise, mas ainda insuficientes. 

Há o desafio dos juros. O Brasil corre na contramão do resto do mundo, e mantém juros estratosféricos. E nós vamos continuar a dar o mesmo tratamento ao capital financeiro? Não podemos endurecer as regras? Mais: é essencial que o País pense a necessidade de caminhar celeremente para uma revolução científico-tecnológica, sem a qual será difícil dar, vamos usar a expressão, um salto de qualidade no desenvolvimento nacional. 

O mundo está mudando. Esse registro é fundamental nesse balanço. Barack Obama foi eleito, e essa eleição tem um simbolismo extraordinário, para além do que venha fazer o novo presidente americano. A China ocupa atualmente um papel essencial, e esse protagonismo vai crescer. Brasil e Índia são também protagonistas fundamentais do mundo de hoje. O neoliberalismo perdeu força. Uma espécie de keynesianismo vem se impondo. Já disse do novo papel da América Latina e do Caribe, que agora acabam de acolher Cuba como parceira, na última reunião de cúpula em Salvador, meados de dezembro de 2008. 

Volto ao ponto de partida: não há crise terminal do capitalismo. Se quisermos volver aos clássicos, poderíamos lembrar Marx, que afirmou que um modo de produção só termina quando se esgotam todas as suas possibilidades, quando suas forças produtivas não têm mais para onde ir. Não é o caso do capitalismo. Aos que propugnam mudanças, melhorias nas condições de vida dos povos, não há outro caminho senão o da guerra de posição. Desenvolver o reformismo revolucionário, que me parece foi expressão cunhada há algum tempo por Carlos Nelson Coutinho, esse extraordinário intelectual brasileiro. Enfrentar a crise ocupando trincheira por trincheira, continuar a ganhar espaço político, econômico, cultural, ideológico. Mudar corações e mentes. Sem qualquer dose de ironia, um feliz 2009.