Embraer também se explica sobre operações com derivativos

A Embraer reiterou ao mercado, por meio de fato relevante publicado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que utiliza instrumentos derivativos exclusivamente com o propósito de proteção dos riscos de variação cambial e flutuação das taxas de juros sem qualquer caráter especulativo. Segundo o comunicado, os instrumentos de proteção contratados pela companhia são NDFs (Non Deliverable Forwards) e swaps de taxas de juros, sem qualquer componente de alavancagem. Além disso, a companhia afirmou não ter contratos em vigor com duplo indexador nem de target forwards, e que os volumes contratados estão dentro dos limites estabelecidos pela política de proteção de riscos da empresa. As declarações foram publicadas, após companhias anunciarem perdas em operações de hedge, em função da volatilidade da taxa de câmbio.

Apesar de medidas para melhorar o caixa e governança, Rossi sofre com desconfiança do mercado

Depois da Even (EVEN3) conseguir atrair investidores para uma emissão privada de ações da ordem de US$ 150 milhões, foi a vez da Rossi Residencial (RSID3), uma das grandes do setor, voltar a amealhar recursos no mercado. A empresa captou R$ 40 milhões com a emissão de uma única debênture de 36 meses (três anos). Vai pagar a variação do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) mais 3,5% ao ano sobre o valor de face. O coordenador-líder foi o Banco Votorantim. Em comunicado, a Rossi afirmou que com a operação procurou “incrementar a posição de caixa”, assegurando mais “conforto durante um eventual cenário de contração de crédito”. Entre linhas corporativas e de crédito imobiliário dos bancos, a Rossi Residencial possui cerca de R$ 3 bilhões. “A companhia vai pagar caro por esses R$ 40 milhões. Mas é melhor captar pagando caro que não captar”, afirma Thiago Zancaner, analista de construção da Neo Investimentos. “Esses R$ 40 milhões não representam muito. A Rossi ainda sofre com a desconfiança do mercado, já que não possui um caixa tão confortável como Gafisa (GFSA3) e Cyrela (CYRE3)”, afirma analista de construção de um banco brasileiro, que prefere não se identificar. Após atravessar 2007 com ganhos superiores aos de Gafisa e Cyrela, as ações da Rossi apresentam desempenho inferior ao das concorrentes este ano. Além da crise externa, que prejudica todo o setor, a companhia sofre com a desconfiança dos investidores, após apresentar queda forte da margem bruta no segundo trimestre. Este ano, o papel da Rossi amarga queda de 70,66%, ao passo que Cyrela cai 17,18% e Gafisa, 26,6%. No primeiro semestre, os lançamentos da Rossi somaram Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 1,4 bilhão. O guidance de lançamentos da companhia para este ano gira entre R$ 2,350 bilhões e R$ 2,650 bilhões ou seja, a empresa tem de lançar pelo menos mais R$ 1 bilhão durante este segundo semestre. A maioria dos analistas consultados pela Agência Leia durante as últimas semanas vê grandes possibilidades de que a Rossi rebaixe o guidance deste ano e de 2009. “Dificilmente a companhia vai cumprir o guidance atual. Parece que eles estão esperando até o último minuto para ver se conseguem lançar o prometido este ano”, afirma a Planner Corretora. Um dos segredos do sucesso de um empreendimento é a escolha do momento do lançamento. Lançar apenas para cumprir o guidance, avalia a Planner, pode fazer com que o estoque de unidades atinja um volume indesejável. Fundada em 1980, a Rossi possui capacidade de execução comprovada, mas pode acabar ficando sem fôlego financeiro para entregar aos investidores a histórica de crescimento prometida. “O segundo trimestre foi mais forte que o primeiro, mas a companhia apresentou queda inesperada da margem bruta, o que assustou os investidores”, afirma a corretora. Um analista de um grande banco, que prefere não se identificar, segue a mesma linha e acredita que a Rossi pode encontrar dificuldades para cumprir o guidance tanto deste ano como para 2009. Para o analista, contudo, a redução dos lançamentos previstos é a solução mais adequada para as empresas que possuem pouca disponibilidade de recursos. Ao reduzir o guidance, a companhia mantém a saúde financeira e pode realizar os lançamentos conforme o “termômetro” das vendas. O negócio de incorporação gira em torno de 24 ou 36 meses. No momento, a maioria das companhias que realizaram IPOs entre 2006 e 2007 encontra-se em período de forte desembolso de recursos. Começarão a apropriar recursos com mais força em 2009 e terão fluxo de caixa positivo em 2010. “Até lá, o mercado de capitais pode estar novamente aberto. As empresas que conseguirem sobreviver ao movimento de consolidação podem se preparar para um novo ciclo de crescimento”, afirma o analista. “A Rossi é mais candidata a consolidadora que consolidada, mas precisa atravessar essa fase turbulenta.” Para Zancaner, da Neo Investimentos, as dúvidas em torno da capacidade da Rossi de entregar do guidance para este ano e 2009 são exageradas. Em sua avaliação, a incorporadora possui um grau de endividamento pequeno e uma velocidade de vendas saudável, o que garante apropriação de contingente relevante de receitas mais a frente. “Eu tinha a impressão de que a situação de caixa era meio apertada, mas conversando com a empresa verifiquei que há condições de cumprir o guidance”, afirma Zancaner. O analista da Neo Investimentos afirma que, dos R$ 3 bilhões em linhas de crédito à construção, já foram utilizados R$ 1,2 bilhão. Há, portanto, ainda R$ 1,8 bilhão disponíveis para novos empreendimentos. O custo médio de construção equivale geralmente a 50% do VGV do empreendimento, que envolve a compra e regularização do terreno e despesas de marketing e vendas. As linhas bancárias podem ser utilizadas para financiar até 80% da fase de construção. Ou seja, a Rossi tem financiamento de 80% para metade do valor de seus projetos. Como já possui os terrenos necessários, precisa ter recursos em caixa para arcar “apenas” com os 20% restantes e as despesas de marketing e comerciais, durante o lançamento. “Com essas linhas, a empresa consegue lançar até R$ 5 bilhões. Dá para cumprir o guidance deste ano e de 2009″, afirma Zancaner. Uma parte dos 20% necessários virá da apropriação de receitas das vendas de edifícios já em fase final de construção. Zancaner avalia a velocidade de vendas das companhias comparando os lançamentos dos últimos quatro trimestres com as vendas em igual período. O objetivo é verificar não apenas as vendas dos lançamentos mais recentes, mas também do estoque de imóveis, relacionados a empreendimentos lançados em trimestres anteriores. As três primeiras colocadas, pelo quesito, são a PDG Realty (PDGR3), a Cyrela Brazil Realty (CYRE3) e a Rodobens Negócios Imobiliários (RDNI3). “A Rossi também tem uma velocidade de vendas bastante saudável, um pouco abaixo de 70%”, diz Zancaner. “Os fundamentos da Rossi são bons. O que está pesando mais para o mercado é que a empresa já tem um histórico de falha de comunicação. Os investidores já estão mais calejados”, acrescenta. A Rossi abriu capital em 1997 amealhando US$ 100 milhões na BM&FBOVESPA e na Bolsa de Nova York (Nyse). Voltou ao mercado em 2006, no início da onda dos IPOs. Não se trata, portanto, de uma novata no mundo das companhias de capital aberto. Além da emissão da debêntures de R$ 40 milhões, na semana passada a companhia também anunciou a troca do diretor financeiro e de Relações com Investidores e de dois membros independentes do conselho de administração. Segundo a companhia, a saída do diretor deveu-se a motivos pessoais. Já a troca dos conselheiros faz parte de um ” plano de ações na área de governança corporativa”. A Rossi contratou a consultoria Mesa Corporate Governance para atuar na reavaliação das práticas de governança, reestruturação do conselho de administração e do regulamento interno. “A companhia está tentando reconquistar a confiança do mercado para manter os planos de crescimento. Passada a turbulência externa e a fase de consolidação, a Rossi pode voltar a ser uma das preferidas dos investidores”, afirma o analista que prefere não se identificar.

Apesar de altas, Paranapanema é dúvida para analistas e recomendação permanece neutra

Os papéis do grupo Paranapanema voltaram a subir após os bons avanços vistos no programa de reestruturação financeira implementado na companhia. A ação ON da empresa (PMAM3) chegou a R$ 5,54 na sexta-feira passada, acumulando alta de 9,98% no mês, na contramão do desempenho do Ibovespa, que tinha queda de 6,92% no período, embora o papel não faça parte do principal índice da BM&FBOVESPA. De acordo com analistas ouvidos pela Agência Leia, o papel pode atingir cerca de R$ 7,00 a R$ 8,00 no curto prazo, retornando ao nível visto em julho deste ano. Contudo, a maioria das corretoras ainda prefere manter como “neutra” a recomendação aos papéis do grupo, considerados arriscados por conta, paradoxalmente, das incertezas em relação aos próximos passos do processo de reestruturação. Ainda há muitas dúvidas se o grupo voltará a investir na operação após sanear suas dívidas, ou se todo processo de melhoria nas finanças visa a venda da empresa. No último caso, a Vale é apontada como a provável compradora, dado que a mineradora já reconheceu neste ano o interesse em adquirir a usina de catodos de cobre eletrolítico Caraíba Metais e a produtora de superfosfato simples Cibrafértil, subsidiárias da Paranapanema. Na segunda-feira passada, o grupo anunciou a venda da divisão de estanho Mineração Taboca ao grupo peruano Minsur por R$ 850 milhões, como parte do processo de saneamento do endividamento. Com a concretização do negócio, a empresa pretende usar parte do capital para dirimir a sua dívida não operacional, que chegou a ultrapassar R$ 1,3 bilhão e hoje gira ao redor de US$ 500 milhões. A transação fez a ação ordinária da Paranapanema subir 10% no dia de seu anúncio, mas fomentou antigas especulações de que toda a empresa será vendida. Para alguns analistas, boa parte das recentes altas na ação ON do grupo está ligada ao aporte de capital especulativo. “Os papéis sobem com a possibilidade de venda da empresa, o que permitiria ganhos dos acionistas minoritários em um tag along”, diz Pedro Galdi, analista da SLW Corretora. Listada no nível 1 de governança corporativa da Bovespa, a Paranapanema garantiria aos acionistas minoritários um tag along de pelo menos 80% em uma eventual venda. Edson Matos, gestor de investimentos da corretora Pax, segue a mesma linha de análise. “A reestruturação parece estar mais voltada para preparar a empresa para uma venda”, diz o analista. Caso seja concretizada, a venda pode representar bons ganhos aos acionistas da Paranapanema, mas deve causar pouco impacto em uma empresa do porte da Vale, que faturou R$ 66,4 bilhões no ano passado. A receita bruta da Paranapanema, incluindo a Taboca, foi de “apenas” R$ 4,8 bilhões em 2007. No próprio grupo, ainda permanece incerto o rumo da empresa após a liquidação da dívida. “Foi divulgado um interesse da Vale por duas operações, mas, até agora, nada há de concreto. Os acionistas devem se reunir e decidir se é necessária ou não a venda de outros ativos”, diz José Rodolfo Motemurro, analista de relações com investidores da processadora de cobre e outros minérios. A expectativa é de que as definições ocorram após um prazo de 45 dias, quando a Paranapanema deve concluir o processo de liquidação da dívida não operacional. Não obstante, o poder de decisão na empresa passou a ser bastante difuso, como resultado do programa de reestruturação, o que pode arrastar as discussões. Controladora do grupo, a Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) reduziu sua participação no capital votante da Paranapanema de 50% para 15,4%. O movimento abriu espaço para uma maior participação do BNDES, da Petros (fundo de pensão dos funcionários da Petrobras) e dos bancos privados Santander, UBS Pactual e Fator na companhia. Essa reorganização acionária se deve à conversão de debêntures em ações ordinárias prevista no programa de reestruturação financeira, permitindo que credores adquirissem fatias significativas do capital da companhia. Como resultado do processo, o mercado melhorou a avaliação sobre as finanças da Paranapanema. “A situação parece estar melhorando”, apontou relatório da Link Investimentos, que, no entanto, prefere manter como “neutra” a recomendação ao papel da empresa. A corretora calculou um ágio de R$ 250 milhões na venda da Taboca. Leonardo Alves, analista da Link, trabalha com preço-alvo de R$ 8,00 para as ações ON do grupo, o que sugere um potencial de valorização de cerca de 44% em relação ao fechamento de sexta-feira, mas prefere esperar mais para recomendar a compra do papel. Além das incertezas em relação ao futuro da empresa, Alves aponta que o papel da Paranapanema ficará ainda muito exposto à volatilidade da cotação do cobre no mercado internacional, causada pelas dúvidas sobre o crescimento na economia mundial.

Perdigão toma iniciativa para acalmar investidores e se dissociar das operações das Sadia

A Perdigão informou há pouco que não contrata operações alavancadas em mercados derivativos e não possui aplicações lastreadas em risco ou alavancadas. Segundo comunicado da companhia, suas operações visam proteger posições de balanço e fluxo de caixa dentro de uma política de gestão de riscos financeiros monitorada pelo Comitê de Estratégias e Finanças da empresa, que foi previamente aprovada pelo Conselho de Administração. A companhia informou ainda que os efeitos da variação cambial em suas obrigações em moeda estrangeira são compensados no curto prazo com as vendas do mercado externo, que hoje correspondem a 44% das receitas. “A companhia reforça sua sólida posição financeira que sempre foi conservadora ao manter suas aplicações em instrumentos de liquidez e dívida concentrada no longo prazo, prezando sempre o foco em seus negócios de atuação”, ressalta comunicado.

Principais pontos do pacote e repercussão

Líderes do Congresso dos Estados Unidos chegaram a um acordo neste domingo sobre os pontos do pacote de resgate a Wall Street de 700 bilhões de dólares proposto pelo Tesouro. Veja detalhes do plano e repercussão de analistas.
PONTOS PRINCIPAIS: * Os 700 bilhões de dólares serão fornecidos em parcelas. Assim que a primeira de 250 bilhões de dólares for autorizada, o presidente pode requerer mais 100 bilhões de dólares. A parcela final de 350 bilhões de dólares pode ser liberada com uma nova movimentação do Congresso.
* Washington assumirá uma participação nas empresas que forem auxiliadas pelo programa, para que os contribuintes possam compartilhar os lucros das companhias se elas se recuperarem.
* Um novo painel do Congresso terá poder de supervisão sobre o plano e o secretário do Tesouro irá reportar-se regularmente aos parlamentares.
* Um limite de compensação será determinado para os chefes das empresas participantes do programa, para evitar pagamento excessivo e evitar que alguém se aproveite da ajuda do governo e depois deixe o cargo.
COMENTÁRIOS:
MICHAEL WOOLFOLK, ESTRATEGISTA SÊNIOS, BANK OF NEW YORK
MELLON, NOVA YORK:
“Estou bastante desapontado com o fato de ainda não haver uma palavra final (aprovação) sobre o acordo. Parece que Washington não tem o mesmo senso urgência que os bancos e as mesas de negociação de Nova York e eu não ficaria surpreso se tivermos que esperar por toda a semana para termos um plano final (aprovado).
Tendo dito isto, tenho que ressaltar também que é importante que o Congresso não sacrifique a eficiência em nome da urgência. Nós temos apenas uma tentativa para acertar esse plano.
Não importa o quão efetivo seja o plano de resgate, pode ser tarde demais para o país evitar uma recessão técnica. Mas ele deve ser suficiente para evitar uma deterioração maior. A verdade é que apesar das injeções coordenadas de dinheiro dos bancos centrais nas últimas semanas, os bancos não estão dando empréstimos. Não há liquidez.”
JIM AWAD, PRESIDENTE, W.P. STEWART & CO. LTD, NOVA YORK:
“É o compromisso que sabíamos que eles (parlamentares) caminhavam para.
A esperança é que o acordo estabilize os mercados financeiros por um tempo. Eu descreveria o plano como necessário, mas não suficiente por si só.
O melhor pelo que você deve esperar é que os mercados financeiros se estabilizem e que passemos os próximos dois anos lidando com os problemas reais.
Espero uma reação positiva na Ásia e na Europa durante a noite (horário local) e a estabilização dos mercados financeiros dos EUA, (mas) qualquer rali será transitório, porque agora é que o trabalho de verdade começa.
Isso (pacote) não é suficiente (para salvar os mercados de crédito). Você provavelmente verá mais ações destruídas (caindo), mais fusões, mais baixas contábeis. Entre agora e a normalidade teremos mais ações destruídas e mais dor.”
KATHY LIEN, DIRETORA DE PESQUISA CAMBIAL, GFT FOREX, NOVA
YORK:
“Neste momento, qualquer pacote de ajuda é melhor do que nada. Mas o pacote é apenas um band-aid sobre um problema muito grande. Vai ajudar Wall Street no curtíssimo prazo, mas não ajudará a economia real. A economia dos EUA enfrenta desafios em muitas frentes”

aviso

Leitores do Blog

Nosso colega Schwabb ficará afastado por mais alguns dias. Segundo ele, está virando sapo com tanta chuva. Quando de seu regresso dará atenção às perguntas dos leitores.

Boa Noite !

Sergio