Aracruz também terá prejuízo em operações de hedge

A Aracruz Celulose S.A. informou ao mercado por meio de fato relevante que as perdas da companhia com operações de câmbio futuro e derivativos podem ter excedido os limites previstos na política financeira aprovada pelo conselho de administração. Segundo o comunicado, “a exposição da Companhia a instrumentos financeiros derivativos denominados “Target Forward” foi fortemente influenciada pela recente instabilidade das cotações do dólar norte-americano, decorrente do momento de grande volatilidade dos mercados mundiais”. A Aracruz não informou valor estimado das perdas, mas informou que vem tomando medidas para reduzir a exposição da companhia e minimizar o impacto das operações de hedge. A companhia contratou uma empresa especializada para apurar o valor de mercado das posições em aberto e do valor total de perdas. A companhia informou ainda que o diretor Financeiro e de Relações com o Investidor apresentou pedido de licença do cargo. De acordo com o comunicado, o caixa da Companhia é, atualmente, de cerca de US$ 500 milhões e “não há indicação de que os ajustes potenciais nos próximos momentos afetarão significativamente o caixa da Companhia”, diz texto.

Erro de estratégia faz Sadia perder R$760mi

A empresa de alimentos Sadia informou ao mercado que destituiu o diretor de Finanças e Desenvolvimento Corporativo, Adriano Lima Ferreira de seu cargo. O diretor de controladoria e Relações com Investidores, Welson Teixeira Júnior, acumulará interinamente a função de Ferreira. A notícia veio em seguida do anúncio da empresa de realizar liquidação antecipada de operações financeiras relacionadas à variação do dólar ante o real, o que ocasionou perdas de cerca de R$ 760 milhões. A companhia não especificou quais operações financeiras foram liquidadas, mas informou que as atividades de indústria e comércio, “as quais continuam em expansão”, não foram afetadas. Às 8h, a empresa fará uma teleconferência com analistas para explicar detalhes sobre o assunto.

Complementa a notícia:

A Sadia teve prejuízo financeiro de R$ 760 milhões ao liquidar, antecipadamente, diversas operações no mercado de câmbio. As perdas são superiores ao lucro líquido obtido no ano passado, de R$ 689 milhões, e devem levar o resultado de 2008 para o negativo. A Sadia informou que decidiu liquidar antecipadamente as operações cambiais por que elas ocorreram “em valores superiores à finalidade de proteção das atividades da companhia expostas à variação cambial”. As operações cambiais expuseram ao risco o correspondente a um ano de receitas com exportação, da ordem de US$ 3 bilhões a US$ 3,5 bilhões. Pela política da empresa, o risco deve limitar-se a seis meses de exportações.

Pacote nos EUA ameaça não vingar com desacordo Republicano

Após a expectativa de que a lei sobre o pacote de combate à crise financeira norte-americana fosse aprovada em breve predominar na quinta-feira, hoje o foco se deslocou para os republicanos que se opõem ao plano por resistir ao uso do dinheiro dos contribuintes. Esse grupo de opositores, que teria recebido o apoio do próprio candidato do partido Republicano à presidência, John McCain, defende a adoção de um programa com flexibilização das regras, no qual haja um seguro para títulos lastreados em hipotecas e corte de impostos para que fundos possam comprar parte de instituições financeiras, segundo informações de agências internacionais. Segundo o jornal “The Wall Street Journal”, nesse cenário os democratas podem ainda decidir continuar sem o apoio dos republicanos. “Enquanto isso garante a continuação do plano, iria essencialmente ligar a responsabilidade aos democratas por um pacote de salvamento que provocou forte resistencia entre os eleitores dos partidos Democrata e Republicano, faltando poucas semanas para as eleições presidenciais”, analisa o periódico. Ontem, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, voltou a afirmar que a economia norte-americana enfrentará uma séria crise se o pacote de combate às turbulências no setor financeiro não for aprovado pelo Congresso, mas ponderou que acredita que haja um acordo em breve para a efetivação das medidas em lei. Horas antes a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, havia declarado que o Congresso dos Estados Unidos e a Casa Branca estão próximos de um acordo e o pacote deve ser aprovado nos próximos dias. Integrantes dos partidos republicanos e democratas também realizaram declarações semelhantes à imprensa do país. Segundo a rede de televisão CNBC, o democrata Paul Kanjorskic, da comissão financeira do Congresso, afirmou que a Casa fez um “grande progresso” na lei para o pacote e que “quase tudo já está feito”. Já o integrante republicano da comissão Peter King disse à rede de televisão que espera a votação do pacote até este sábado e que um grande número de republicanos deve apoiar sua aprovação. O jornal “WSJ”, por sua vez, noticiou na quinta-feira que o Senado e a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos teriam alcançado um acordo preliminar para tentar passar rapidamente a lei sobre o pacote no Congresso, sob o qual o Tesouro teria acesso imediato a US$ 250 bilhões, com possibilidade de ampliação em outros US$ 100 bilhões, se necessário. A estratégia do Congresso seria dividir os US$ 700 bilhões, requisitados pelo Tesouro para retirar os títulos lastreados em hipotecas sem liquidez do sistema, em dois blocos, podendo vetar o segundo montante em votação na Casa, se os efeitos desejados não forem alcançados. Além disso, as companhias integrantes do programa teriam limites no pagamento de seus executivos. O ponto que ainda gera dúvidas entre os legisladores, segundo o “WSJ”, é se o pacote contará ou não com alterações na lei de falência.

Gerdau tem plano de investir US$600mi no PE

A usina siderúrgica que a Gerdau planeja erguer em Pernambuco receberá investimentos de US$ 600 milhões para a produção de 1 milhão de toneladas de vergalhões por ano. As informações são de reportagem da repórter Carolina Mandl, do Rio de Janeiro, na edição de hoje do jornal Valor Econômico. De acordo com o texto, o anúncio foi feito pelo governador Eduardo Campos (PSB) ontem durante o evento de inauguração de uma indústria de uma fabricante de bebidas, em Recife. O governador afirmou que representantes da empresa estiveram no Estado neste m~es encolhendo uma área de 150 hectares para instalar a nova fábrica. O terreno é 50 hectares maior do que aquele inicialmente solicitado pela empresa que já opera no Estado com uma unidade também de aços longos a Açonorte.

Planner recomenda venda de ações da Cosan

A Planner Corretora divulgou relatório recomendando Venda para as ações da Cosan, apesar das quedas iniciadas com as incertezas sobre a operação de financiamento para a aquisição da Esso e posteriormente com o anúncio do aumento de capital. O preço-alvo da corretora está em R$ 21,87.
A companhia está tomando ainda recursos onerosos para complementar a operação da aquisição da Esso, elevando seu endividamento e penalizando o desempenho da atividade. Além disso, o início de mais uma safra ruim, com baixo rendimento se comparado com as safras anteriores e baixos preços do açúcar e do etanol, irão prejudicar suas margens, proporcionando a formação de estoques, tanto de etanol como de açúcar, pela companhia. ‘Logo, estamos revendo nossos números para a companhia’.
Nesta quinta-feira, os papéis ordinários da companhia estão sendo negociados com alta de 1,88%, a R$ 12,99. Porém, desde sexta-feira da semana passada – quando o Conselho de Administração da Cosan aprovou aumento do capital social por subscrição privada – as ações já recuaram 14,14%, com base no fechamento de ontem (R$ 12,75)

Caminhão a alcool ainda este ano

O empresário Luiz Biagi, acionista da SantelisaVale, o segundo maior grupo sucroalcooleiro do País, será concessionário Iveco no Brasil. “Vamos investir R$ 100 milhões em dez lojas no interior paulista, onde já temos experiência com concessionárias Fiat, Peugeot e GM”, disse Luiz Biagi a este jornal.
“A Iveco investe muito em tecnologia e vai lançar um caminhão movido a álcool, destinado às usinas sucroalcooleiras do País”, afirmou Biagi, para quem “o diesel é o calcanhar de Aquiles do setor de açúcar e álcool.” Segundo ele, não faz sentido você produzir um combustível e usar outro. “Com o novo caminhão, deixaremos de usar o diesel nas usinas, o que contribuirá para reduzir significativamente os custos do setor.”
Com o salto na produção de álcool, as usinas brasileiras vêm pleiteando há alguns anos à indústria automotiva caminhões movidos a álcool, principalmente para o transporte da cana dos canaviais às moendas, que representa mais de 20% do custo da matéria-prima. Só em cana-de-açúcar, as empresas sucroalcooleiras terão de transportar mais de 500 milhões de toneladas nesta safra, a uma distância média entre 25 e 50 quilômetros.
“Esperamos que as colheitadeiras Case, do Grupo Fiat, também tenham motores a álcool no futuro”, disse Biagi. Estima-se que o mercado cativo das usinas seja próximo de 100 mil motores movidos a álcool, incluindo os estacionários para a irrigação dos canaviais e movimentação de vinhaça.
O negócio de automóveis Fiat e caminhões Iveco de Biagi é administrado por meio da holding Cibrapar – Companhia Brasileira de Participações.
Ontem, em Hanover, na Alemanha, o presidente da Iveco para a América Latina, Marco Mazzu, disse que as primeiras concessionárias de Biagi serão inauguradas no primeiro semestre de 2009, em Araçatuba, Catanduva, Marília, Ourinhos, Presidente Prudente, São José do Rio Preto, entre outras.
Mazzu disse ainda que a rede de concessionárias Iveco no Brasi, atualmente com 67 lojas, deverá crescer em 100 unidades até 2010.
O grupo Santelisa Vale Bioenergia S/A é resultado da fusão entre a Companhia Energética Santa Elisa, de Sertãozinho (SP), e a Companhia Açucareira Vale do Rosário, de Morro Agudo (SP). Controlada pela holding Santelisa Vale S/A (que tem como sócios as famílias Biagi, Junqueira, o banco Goldman Sachs, além de minoritários), a Santelisa Vale Bioenergia S/A tem 100% das usinas paulistas Santa Elisa, Vale do Rosário, MB e Jardest. Tem ainda 65% da Usina Continental, na região de Barretos (SP), 50% da Tropical Bioenergia, em Edéia (GO) e 72,6% da Crystalsev.
FORA-DE-ESTRADA
Confiante na estabilidade econômica do Brasil, o presidente da Iveco confirmou em Hannover que mantém estrategia de lançar dois veiculos ate o final do ano no País.. Em outubro a empresa apresentara o Trakker, um caminhao pesado fora-de-estrada para aplicacao nos setores agricola, de construção, industria de madeira e de celulose. O novo caminhao Trakker será construído na fabrica de Sete Lagoas(MG) e em Cordoba, na Argentina

Biodiesel sofre com alto custo de produção

O alto custo do biodiesel ainda é um dos principais entraves brasileiros para a produção deste combutível. ´O Brasil tem clima, terra e vontade absolutamente suficientes para ser um grande produtor de bioenergia. Seu pioneirismo nesse campo é histórico e inquestionável´, defendeu o professor Luiz Augusto Horta Nogueira, do Instituto de Recursos Naturais da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), de Minas Gerais. ele foi um dos debatedores da mesa redonda As Questões Tecnológicas do Biodiesel realizada ontem, na Universidade de Fortaleza (Unifor), realizada ontem durante o 7º Congresso Internacional sobre Gestão Distribuída e Energia no Meio Rural – Agrener GD 2008.

Horta lembrou que apesar de estar funcionando no Brasil, sendo misturado a outros combustíveis, o biodiesel ainda tem um preço alto, em torno de R$ 2 bilhões por ano. ´É preciso repensar o programa do governo para que ele justifique os benefícios sociais e ambientais. Nesse sentido, a revisão que o governo pretende fazer é positiva´, afirmou o professor.

Ele acrescentou que a matéria-prima também ainda é um problema a resolver. ´A soja não traz o benefício esperado e a mamona tem um valor de mercado muito alto para ser queimada´, afirmou.

O problema, segundo ele, tem como maior obstáculo a desinformação. ´Falam do pinhão manso e da utilização de outras plantas na fabricação do biodiesel, mas falta informação sobre a produtividade de cada uma. Essa não só é uma questão tecnológica, mas também econômica e social. Se o objetivo é gerar renda, por que queimar a matéria-prima a qualquer custo?´, questionou.

Conhecido como o pai do biodiesel, o engenheiro químico e empresário cearense, Expedito Parente, concorda com a necessidade de reformulação do programa federal em vigor. ´O principal problema do programa é a falta de visão objetiva. O modelo é que está errado. O Brasil é heterogêneo, por isso o programa precisa ser regionalizado. Ele não pode adotar um marco regulatório geral´, explica o cientista, que lembra que o produto tem valores diferentes no Ceará, na Amazônia ou em São Paulo.

Sobre a alegação do alto custo do combustível, ele rebate. ´O biodiesel não é só sucedâneo do óleo diesel. Ele tem três missões básicas a cumprir: a primeira é ambiental, na medida que ele diminui o aquecimento global do planeta e as poluições ambientais localizadas. Em segundo lugar, vem sua missão social, com a eliminação da miséria no campo. E em terceiro, tem a questão estratégica, pois não se faz um programa de energia de última hora. Precisamos estar preparados para quando faltar petróleo´, resumiu

Críticas ao Pacote Norte-Americano ameaça recuperação

Analistas como Rogoff vêem “idiossincrasia” no preço dos títulos lastreados por hipotecas que pode dificultar negociação. Para Raghuram Rajan, da Universidade de Chicago, “adquirir ativos ao preço deprimido de mercado que existe agora não ajudará”.
Quando o secretário do Tesouro, Hank Paulson, expôs pela primeira vez a lógica de seu plano de resgate de US$ 700 bilhões, ele o fez nos seguintes termos: os títulos lastreados por hipotecas e sem liquidez estão “congestionando nosso sistema financeiro” e sufocando o fluxo de crédito. Ao remover esses ativos indesejados, o governo permitiria que os ativos dos bancos ganhassem liquidez, que as instituições limitassem seus prejuízos, levantassem capital novo e voltassem a emprestar normalmente.
O raciocínio não demorou a ser contestado por importantes economistas e figuras de Wall Street. “O verdadeiro problema é que o setor financeiro tem muito pouco capital”, disse Raghuram Rajan, da Universidade de Chicago. “Adquirir ativos ao preço deprimido de mercado que existe agora não ajudará.”
Caso isso acontecesse, as instituições talvez tivessem de promover redução ainda maior de seu capital, a depender de sua agressividade em contabilizar por valor de mercado as suas carteiras de ativos, até o momento, e isso alimentaria um ciclo vicioso de vendas forçadas que poderiam deprimir ainda mais o preço dos ativos.
O presidente do Fed, Ben Bernanke, respondeu que o objetivo do plano era adquirir ativos a valores superiores ao de seu atual preço de mercado deprimido. Ao fazê-lo, estabeleceria novo conjunto de preços de mercado, contendo a onda de prejuízos ligados à contabilização de ativos pelo valor de mercado e potencialmente permitindo a alguns bancos uma recapitalização contábil, aliviando a compressão de crédito.
Bernanke argumentou que era um erro fundamental imaginar que um ativo tenha apenas um preço de mercado. Os títulos lastreados por hipotecas indesejados têm pelo menos dois preços diferentes: um “preço de venda forçada” e um preço de “retenção até o vencimento”, baseado em caixa.
Um programa bem planejado poderia explorar a diferença entre esses dois preços para ajudar a recapitalizar os bancos a custo baixo, se algum, para o contribuinte, explorando as normas contábeis que determinam que ativos sejam contabilizados por valor de mercado para criar um ciclo virtuoso, em lugar de um ciclo vicioso.
Bernanke afirmou que o plano de US$ 700 bilhões estabeleceria o preço ao qual os vendedores que não estivessem em apuros venderiam seus ativos a um comprador que não precise se preocupar com o risco de liquidez e a aversão generalizada do mercado a riscos: o governo.
O preço seria mais alto que o atual preço de venda forçada, e isso conduziria a uma atualização nos valores dos ativos que fortaleceria o sistema mas a preços inferiores ao valor esperado dos títulos em termos de fluxo de caixa, o que garantiria proteção ao contribuinte.
Em meio às reações políticas adversas ao plano, o comandante do Fed se viu forçado a esclarecer que não estava sugerindo que o governo pagasse mais do que devia pelos papéis.
Mas isso não altera de maneira alguma a sua lógica, já que o preço de mercado que existiria quando o fundo de US$ 700 bilhões estivesse em operação seria maior que o preço de venda forçada vigente sob as condições atuais, que permitem a vendedores em dificuldades fazer transações só com compradores privados cujas ações estão restritas pela aversão a riscos e pela falta de liquidez.
Caso o plano funcione, as compras de títulos pelo governo criariam informação sobre os preços dos ativos e catalisariam compras de parte das entidades do setor privado dotadas de capital para investir, já que elas não teriam mais um incentivo para esperar por novas vendas forçadas de ativos.
Mas isso presume que as precondições impostas quanto a salários de executivos e participações acionárias governamentais não sejam proibitivas a ponto de atrair apenas os vendedores em dificuldades.
Além disso, há economistas que contestam até mesmo a versão de Bernanke para o argumento. Ken Rogoff, professor de Harvard, diz que o problema é que os títulos lastreados por hipotecas “são altamente idiossincráticos”.
Dado o fator que os economistas designam “informação assimétrica” (o vendedor conhece mais sobre os papéis do que o comprador), o governo poderia terminar pagando mais que o valor de vencimento, ou de fluxo de caixa, dos títulos que adquirir e isso causaria prejuízos aos contribuintes.
Simon Johnson, do MIT, diz que seria melhor adotar processo em dois estágios no qual o governo inicialmente adquiriria ativos sem liquidez a um preço determinado por ofertas privadas e depois recapitalizaria os bancos, como necessário, de maneira transparente.
Além disso, é discutível que o processo de formação de preço adotado nos leilões do governo gere muita informação por causa da grande diferença entre os títulos.
Para que o plano realmente funcione, o governo teria de desenvolver um novo e efetivo vocabulário para padronização dos títulos lastreados por hipotecas. Isso pode parecer simples, mas o setor privado está tentando há um ano

Bens de capital já sofrem com crise norte-americana, e pode ser só o começo

As vendas da indústria brasileira de máquinas e equipamentos iniciaram uma desaceleração que pode se intensificar nos próximos meses conforme o rumo da política monetária brasileira e o resultado do megapacote de salvamento do setor financeiro norte-americano. O alerta foi feito ontem pelo presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), Luiz Aubert Neto.
A perda de fôlego da indústria nacional de bens de capital ocorre devido a problemas tradicionais como câmbio e importações chinesas, mas agora também devido a retração na oferta de crédito.
A Abimaq disse ontem que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) criou um problema ao setor depois de retardar o repasse de recursos devido ao esgotamento do orçamento. “O atraso na liberação dos recursos do BNDES é de 60 a 90 dias, situação que cria um problema enorme para o setor”, afirma.
Do montante de R$ 85 bilhões -valor que o banco pretende emprestar neste ano-, R$ 18 bilhões serão liberados para a compra de máquinas e equipamentos. O banco disse, por intermédio da assessoria de comunicação, que o problema já foi resolvido e não há mais atrasos nos repasses.
A Abimaq afirma que o bom resultado da indústria entre janeiro e agosto é bom, mas sustenta a tendência de declínio. As vendas de máquinas para o mercado interno aumentaram 39,2% no período de janeiro a agosto deste ano em relação ao mesmo intervalo de 2007, com cifra de R$ 37,5 bilhões. Aubert avisa que esse bom resultado esconde um fator: a base a partir da qual se compara era baixa. “A tendência a partir de agora é uma desaceleração”, diz. O crescimento anualizado (fechado em agosto) foi de 21%, mas a previsão é a de que o ano encerre ao ritmo de 15%. Não é ruim, afirma Aubert, mas, para 2009 (ante as condições de câmbio, aumento das importações, queda de exportações e o freio no crédito), a expectativa é de crescimento mais modesto: 9%.
A participação das exportações no faturamento do setor tem caído. O déficit comercial da balança de bens de capital no acumulado de oito meses resume bem o processo de inversão. De janeiro a agosto de 2007, o saldo estava negativo em US$ 3,2 bilhões. Neste ano (mesmo período), o déficit alcançou os US$ 7 bilhões, aceleração de 116% entre os períodos. “Veja, em 2006, o déficit era zero. Em 2007, foi de US$ 4,7 bilhões. E neste ano, poderá alcançar os US$ 12 bilhões, número revisado”, diz Aubert

Pelo fim do monopólio nuclear

No governo, área de Ciência e Tecnologia é contrária à abertura do setor para exploração de empresas privadas. Área técnica vê a energia gerada por usinas nucleares privadas como mais barata do que a produzida pela estatal Eletronuclear.

O Ministério de Minas e Energia é a favor da quebra do monopólio da União na construção e na operação de reatores nucleares. O monopólio foi estabelecido na Constituição, mas há proposta de emenda em tramitação na Câmara dos Deputados, alterando o texto legal para permitir que empresas privadas atuem na geração de energia nuclear.
Mas não há consenso no governo sobre o assunto. O Ministério da Ciência e Tecnologia defende que a atividade continue a ser exercida exclusivamente pela União.
Em nota técnica, a Secretaria de Planejamento do Ministério de Minas e Energia avaliou que “a possibilidade de participação de investimentos privados traz benefícios para a economia, uma vez que a concessão para a construção e a exploração de uma usina termonuclear será resultado de processo concorrencial, na modalidade leilão, que proporcionará eficiência econômica à formação de preços”.
Ou seja, para o ministério, a energia gerada por usinas nucleares construídas pela iniciativa privada ficará mais barata do que a produzida pela Eletronuclear, estatal do setor.
Ainda segundo o texto da nota, “o monopólio da União na construção e na exploração de reatores nucleares para geração de energia elétrica implica a definição de tarifas por meio de mecanismos que incorporam ineficiência econômica”.
A nota foi encaminha pelo Ministério de Minas e Energia ao gabinete do deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB-PR), autor da proposta de emenda constitucional que quebra o monopólio da União no setor. No texto, o ministério ressalta que não analisou a questão do ponto de vista da segurança nacional.

“ASSUNTO SENSÍVEL”
Já o Ministério da Ciência e Tecnologia informou, por meio da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), ser, “a princípio”, contrário ao fim do monopólio.
“O assunto é sensível por envolver assunto nuclear e também de definição da matriz elétrica brasileira e, portanto, deve ser tratado sob o ponto de vista estratégico e mantido sob o controle do Estado”, informa o nota enviada pelo órgão à reportagem da Folha.
A CNEN alega ainda que não existe segurança sobre se o programa nuclear brasileiro será auto-sustentável sem a participação do Estado.
De acordo com o texto da nota, no entanto, a geração de energia nuclear poderia ser passada à iniciativa privada no futuro.
“Acreditamos que é papel do Estado a produção da energia elétrica a partir da nuclear, para que a mesma possa adquirir dimensão que permita a transferência da área para a iniciativa privada”, informou a CNEN.
De acordo com o deputado Alfredo Kaefer, não há necessidade de o governo investir em um setor da economia que poderia estar sendo explorado pela iniciativa privada.
“O dinheiro do governo deve ir para áreas como saúde e educação”, afirma o deputado.
“Por que o governo tem que investir se a iniciativa privada poderia?”, questiona. Ainda segundo Kaefer, o controle do combustível usado nas usinas (urânio) e do lixo nuclear continuaria nas mãos do governo.
Procurada por meio de sua assessoria de imprensa para saber da posição em relação à quebra do monopólio nuclear, a Casa Civil informou apenas que está “acompanhando” a tramitação da proposta de emenda constitucional no Congresso Nacional