Agrenco no aguardo da Recuperação Judicial

O pedido de Recuperação Judicial ainda não foi deferido pela 1ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de São Paulo, a petição inicial foi distribuída no dia 28 de agosto, e solicitava 15 dias para a apresentação de todos os documentos e informações solicitadas pela lei de Recuperação Judicial, além de algumas exigência feitas pelo juízo falencial em seu despacho do dia 01 de setembro.

Na audiência 15 dias depois do primeiro despacho, vários esclarecimentos foram prestados, porém o juízo falencial determinou ainda que houvesse manifestação da Agrenco sobre a petição da Marubene no processo de Recuperação Judicial.

A Agrenco e a Marubene possuem acordos de cooperação na construção de usinas de biodiesel, e co-geração de eletricidade, além de planos de investimento futuro em bioenergia.

A demora para o deferimento do pedido da Recuperação Inicial, deverá adiar a volta das negociações das ações na BM&F Bovespa, assim como dificultar qualquer investimento dos possíveis compradores na Agrenco.

Após o deferimento do pedido de Recuperação Judicial a Agrenco terá 60 dias para apresentar o Plano de Recuperação Judicial, que deverá detalhar: os meios de recuperação a serem empregados, dentre os que a lei permite, no  caso da Agrenco deverá incluir a alteração do controle societário; demonstrar a viabilidade econômica; e um laudo de avaliação de bens ativos do devedor.

Percepção de risco sistêmico continua elevada, segundo COPOM

A ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) divulgada hoje traz um longo parágrafo que analisa a crise internacional embora avalia os fatos antes do agravamento da situação, ocorrido nesta semana. Mesmo assim o documento afirma que a percepção de risco sistêmico permanece elevada, à medida que os problemas financeiros vêm sendo agravados por uma deterioração cíclica na qualidade do crédito, o que tende a reforçar a contração das condições financeiras e, por conseguinte, o risco de intensificação da desaceleração. “Nesse contexto, a intervenção do governo dos EUA em grandes empresas de financiamento imobiliário pode ser vista como condição necessária, mas provavelmente não suficiente, para a superação da crise”, diz o documento. A ata avalia os fatos ocorridos até a última reunião, ou seja, a intervenção do governo norte-americano havia atingido ainda apenas as administradoras de hipoteca. Ainda no texto o Copom afirma que a opinião majoritária entre os analistas parece sugerir que a atividade na Europa e no Japão deve continuar apresentando perda de dinamismo ao longo do segundo semestre. Nas economias centrais, portanto, as perspectivas para a adoção de políticas contracionistas parecem limitadas. Por outro lado, ainda que mostrando certa moderação na margem, o crescimento das economias emergentes continua forte e, até agora, aparentemente foi afetado de forma limitada pela crise hipotecária nos EUA, constituindo contraponto aos efeitos da desaceleração das economias maduras. No que se refere ao cenário externo, cabe notar que a economia mundial continua evidenciando pressões conflitantes, com sinais mais nítidos de desaceleração acompanhados por taxas de inflação ainda elevadas. A visão dominante continua apontando para a expansão, em ritmo moderado, da economia mundial em 2008 e em 2009, mas os dados divulgados nas últimas semanas apontam para um enfraquecimento mais intenso da atividade nas economias maduras, em especial a Área do Euro, o Reino Unido e o Japão, ao passo em que estímulos fiscais e monetários vinham sustentando a atividade nos Estados Unidos (EUA), que, todavia, também deu sinais de debilitação nas últimas semanas. O documento afirma ainda que há evidências de que o enfraquecimento mais pronunciado da atividade econômica na Europa e partes da Ásia deveu-se em importante medida ao choque negativo de termos de troca ocasionado pela elevação dos preços de commodities, que poderia estar sendo revertido. Os efeitos secundários da elevação dos preços de matérias-primas, e as pressões da demanda aquecida sobre a capacidade de expansão da oferta, que são particularmente evidentes nas economias emergentes, têm mantido taxas de inflação corrente em patamares elevados, com conseqüências significativas, em diversos casos, sobre as expectativas inflacionárias. A esse quadro macroeconômico difícil soma-se, no caso dos EUA e, em menor medida, da Europa, uma severa crise financeira. Nesse contexto, ainda que a existência de pressões inflacionárias seja objeto de preocupação para um número importante de autoridades monetárias, as reações de política têm sido heterogêneas, situação que tende a persistir. Especificamente, a economia dos EUA entrou em período de desaceleração desde o último trimestre de 2007 e continua sofrendo o impacto da crise no setor imobiliário, com efeitos sobre o mercado de trabalho, cujo enfraquecimento, em combinação com a elevação dos preços de derivados de petróleo, tem afetado a confiança dos consumidores, contribuindo de forma importante para deprimir o dispêndio. Ainda que a influência de estímulos monetários e fiscais tenha limitado o risco de uma contração significativa da atividade, o cenário dominante continua apontando para uma recuperação mais consistente apenas a partir de 2009. Mesmo depois de um significativo reforço da base de capital de instituições financeiras relevantes, permanece a incerteza sobre a extensão e a amplitude dos desdobramentos da crise hipotecária americana sobre o sistema bancário nos EUA e na Europa, bem como quanto ao impacto que estes terão sobre as condições de acesso ao crédito por parte de empresas e famílias nessas regiões. Diante da pressão sobre a disponibilidade de fatores de produção, a elevação da inflação apontava para a continuidade de políticas de contração monetária em diversas economias emergentes. As perspectivas para a política monetária nas economias emergentes tornaram-se ainda mais complexas nas últimas semanas, quando diversas moedas, não somente de países exportadores de commodities, sofreram expressiva depreciação frente ao dólar americano, em meio a elevação dos indicadores de volatilidade e de aversão ao risco nos mercados financeiros internacionais. Não obstante, as políticas voltadas para reduzir a vulnerabilidade externa da economia têm se mostrado bem sucedidas, contribuindo para mitigar, mas não eliminar, os efeitos das dificuldades que caracterizam o cenário externo sobre a atividade econômica no Brasil, cujo dinamismo vem sendo sustentado essencialmente pela demanda doméstica.

Medidas sobre ponto adicional pela NET

Devido as muitas dúvidas entre investidores e analistas sobre a regulamentação da proibição da cobrança do ponto adicional, a Net Serviços de Comunicação informou ao mercado que acredita na possibilidade de agregar valor à sua atual oferta de serviços, para compensar uma eventual perda dessa receita. De acordo com o comunicado, a Net solicitou à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) um período de transição antes de proibição da cobrança da taxa. Se o pedido for atendido, a companhia pretende criar novos pacotes que incluam o ponto adicional, dar incentivos para que os atuais assinantes migrem para estes novos produtos e se preparar operacionalmente para cumprir a nova regra. Assim que a regulamentação for finalizada, a Net comunicará quais medidas serão tomadas para que o valor atribuído ao seu modelo de negócio não seja prejudicado.

Para COPOM inflação ainda não apresentou melhora convincente

A ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) evidencia as divergências entre os membros do Comitê que levaram a decisão não unânime. De um lado estão os três que enxergam o arrefecimento das pressões inflacionárias e desaceleração do crescimento econômico. Do outro os cinco que acham que as pressões inflacionárias ainda não se disciparam o suficiente. No último dia dez o Copom decidiu elevar a taxa Selic para 13,75% ao ano, sem viés, por cinco votos a favor e três pela elevação da taxa Selic em 0,5 ponto porcentual. De acordo com o documento, Copom considera que a persistência de descompasso importante entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta agregadas continua representando risco para a dinâmica inflacionária. “A política monetária deve continuar atuando enquanto o balanço dos riscos para a dinâmica inflacionária assim o requerer, por meio do ajuste da taxa básica de juros, para, por um lado, reduzir tal descompasso e, por outro, evitar que pressões originalmente isoladas sobre os índices de preços levem à deterioração persistente das expectativas e do cenário prospectivo para a inflação”, diz o texto. A ata segue afirmando que parte do Comitê avalia que, desde a última reunião, acumularam-se sinais de acentuada deterioração da atividade nas economias centrais, acarretando certa melhora nas perspectivas inflacionárias globais, em parte em função da queda dos preços de commodities. Esse cenário teria possíveis impactos contracionistas, inclusive por meio dos desdobramentos da desalavancagem financeira sobre as condições creditícias, que se somariam aos efeitos defasados da política monetária sobre a atividade econômica no país, com implicações para o cenário inflacionário prospectivo. Essa é a opinião dos três membros do Comitê que optaram pela elevação dos juros em 0,5 ponto. A maioria, porém, considera neste momento que, em que pese a deterioração das perspectivas para o crescimento econômico mundial, os riscos para a materialização de um cenário inflacionário benigno no país não apresentaram ainda melhora suficientemente convincente. “Esses membros do comitê avaliam que não se acumularam até o momento sinais consistentes de redução do descompasso entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta, como evidencia o uso intenso dos fatores produtivos, e que a ancoragem das expectativas à trajetória de metas precisaria ser reforçada”, reforça o documento. O documento afirma ainda que a despeito da desaceleração da economia mundial, consequencia da crise nos mercados internacionais, o Comitê acredita, com as informações disponíveis até o momento, que o balanço de pagamentos não deve apresentar risco significativo para o cenário inflacionário. “Em linhas gerais, a influência do cenário externo sobre a trajetória prospectiva da inflação brasileira continua sujeita a efeitos contraditórios e envolta em considerável incerteza”, afirma o texto. Por um lado, a perspectiva, que está aparentemente se consolidando, de desaceleração mais generalizada da atividade ao longo dos próximos meses, aponta para uma acomodação tanto dos preços de commodities quanto da demanda externa, podendo também influenciar as condições financeiras locais. Por outro lado, essa tendência de desaquecimento tem ocasionado aumento da aversão ao risco, afetando a demanda por ativos brasileiros e ocasionando depreciação de seus preços. “Nesse cenário, pode ocorrer redução adicional das exportações líquidas, com efeito similar sobre o comportamento dos preços de certos ativos brasileiros. Note-se, também, que a trajetória dos índices de preços ainda evidencia a presença de descompassos entre o crescimento da oferta e da demanda, e, conseqüentemente, de riscos inflacionários significativos, em diversas economias, mesmo que com intensidade possivelmente menor do que em meados do ano. Diante da deterioração ocorrida nos últimos meses nas perspectivas para a inflação, em ambiente de maior incerteza, o Comitê avalia que o risco de materialização de um cenário inflacionário menos benigno segue elevado”, aponta o documento. O Copom considerou ainda que embora haja certo arrefecimento nos preços, o aquecimento da demanda doméstica pode desencadear pressões inflacionárias mais intensas no setor de não transacionáveis, por exemplo, nos preços dos serviços. Assim, o Banco Central “irá acompanhar atentamente a evolução da inflação e das diferentes medidas do seu núcleo, assim como das expectativas de inflação dentro do horizonte de projeção, estando pronto a ajustar a postura de política monetária de forma a evitar a consolidação de um cenário no qual reajustes pontuais se transformem em reajustes persistentes ou generalizados de preços”. O Copom avalia ainda que mesmo mais diante de uma perspectiva de desaquecimento do crédito, ao longo dos próximos meses sua expansão, ainda que moderada, ocasionada pela elevação dos custos de captação, e a expansão da massa salarial real devem continuar impulsionando a atividade econômica. A esses fatores de sustentação da demanda devem ser acrescidos os efeitos das transferências governamentais esperadas para este e para os próximos trimestres. Essas considerações se tornam ainda mais relevantes quando se levam em conta os nítidos sinais de demanda doméstica aquecida, a disseminação de pressões derivadas de ajustes de preços relativos, inclusive sobre o mercado de trabalho, e o fato de que as decisões de política monetária terão impactos concentrados em 2009. Por fim os membros do Copom reforçaram que a persistência de uma atuação cautelosa e tempestiva da política monetária tem sido fundamental para aumentar a probabilidade de que, mesmo diante de pressões inflacionárias em escala global, a inflação no Brasil volte a evoluir segundo a trajetória de metas já em 2009.

Brmalls adquire 1,9% do shopping Piracicaba

A BR Malls Participações informou a aquisição, por meio de uma de suas controladas, de 1,9% de participação do Shopping Piracicaba. Com isso, a companhia passa a deter 13,4% do shopping em área bruta locável (ABL). Após a aquisição, a BR Malls ampliou o ABL próprio de 413,0 mil metros quadrados para 413,5 mil metros quadrados, com participações em 32 shopping centers, mantendo seu ABL total em 941,5 mil metros quadrados.

Lloyds confirma aquisição da HBOS

O banco do Reino Unido Lloyds TSB Group anunciou que fechou acordo para a aquisição da financiadora de hipotecas Halifax Bank Of Scotland (HBOS) por 12,2 bilhões de libras. O mercado especula ainda que está fusão pode gerar polêmica, uma vez que prejudicaria a concorrência no mercado. Entretanto, as autoridades britânicas receberam bem o comunicado. O ministro da Economia do reino Unido, Alastair Darling, e o Banco de Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) manifestaram publicamente apoio à fusão, dizendo que a consolidação desse setor é necessária para garantir a estabilidade do mercado. Em comunicado, o Lloyds afirmou que as reservas líquidas combinadas do grupo serão de 80 bilhões de libras. As duas companhias terão quase um terço das hipotecas do Reino Unido e um quarto do total do crédito imobiliário. O Lloyds não especificou a quantidade de empregados que devem perder seus trabalhos, dizendo apenas que a prioridade do grupo será manter os empregos na Escócia.

Confab vence licitação por tubos para Tupi

A TenarisConfab, lide r na produção e venda de tubos soldados para o Brasil, ganhou parte da licitação aberta pela Petrobras para o fornecimento dos tubos de açço que serão usados na construção do gasoduto submarino ligando o projeto-piloto de Tupi, na área do pré-sal, à plataforma de Mexilhão, que está em construção e deve ser instalada em 2009, na Bacia de Santos. As informações são do repórter Chico Góis, da sucursal do Rio, em matéria na edição de hoje do jornal Valor Econômico. De acordo com o texto, o gasoduto terá 228 quilômteros e capacidade de escoar 10 milhões de metros cúbicos por dia. A TenarisConfab irá fornecer tubos para o trecho de 90 quilômetros, em contrato no valor de US$ 114 milhões. A diferença, de 138 km, deve ser suprida pela siderúrgica inglesa Corus.

Controlador Grendene construirá siderurgica no MS

O controlador da fabricante de calçados Grendene, Alexandre Grendene Bartelle, vai investir cerca de US$ 450 milhões na construção de uma usina siderúrgica na cidade de Três lagoas, em Mato Grosso do Sul. As informações são da repórter Natália Gomez, em matéria na edição de hoje do jornal O Estado de S. Paulo. De acordo com a reportagem, o projeto foi apresentado na terça-feira, por representantes da empresa, ás autoridades do município. A prefeitura local informou que serão investidos uS$ 450 milhões na usina, que inicialmente terá capacidade para produzir 550 mil toneladas por ano em 2011. Na segunda etapa, a produção pode chegar a um milhão de toneladas ao ao. A unidade produzirá ferro-gusa, vergalhões de aço e fio-máquina.

Crise é 1930 à conta gotas , segundo Conceição Tavares

Para economista, crise assemelha-se “no tamanho e no estrago”, mas governos estão agindo.
A crise atual é comparável à de 1930 “no tamanho e no estrago”, mas os bancos centrais e os Tesouros, acertadamente, estão atuando para evitar uma recessão, ao contrário do comportamento dessas autoridades nos Estados Unidos naquela época, disse ao Estado a economista Maria da Conceição Tavares, ex-deputada federal pelo PT do Rio. “Esta é uma crise de 30 a conta-gotas”, afirmou. “Estoura um, o Tesouro americano socorre. Estoura outro, o Fed socorre. Todos os bancos centrais estão injetando dinheiro.”

Para ela, o Brasil “está blindado para essa crise”, com as características que ela apresenta até agora, “basicamente financeira” e de “perda de trilhões de dólares em ativos”. Conceição destaca, porém, que “ninguém sabe o que vai acontecer” – se a crise vai assumir outras características e levar o mundo à recessão. “A economia real não foi atingida ainda nem nos Estados Unidos. Foi no Japão e na Europa, mas ainda não teve queda de consumo nos EUA.”

Ela está tranqüila com a situação do País. “Nunca estivemos tão bem. Em todas as crises externas sempre levamos uma pancada feia, mas desta vez não”. Comenta que o Brasil está com bons indicadores externos, recursos fiscais do esforço extra ao superávit primário, reservas internacionais altas e os bancos brasileiros não tinham investido no tipo de ativo que provocou o início da crise.

“Derivativo é uma invenção do demo. Evidente que efeito dominó de todos que se meteram nessa brincadeira já está tendo, mas nós não nos metemos”, afirmou. Para ela, “esta é uma crise de crédito e por esse lado pode bater no Brasil”. Ela concordou com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o governo pode colocar recursos para dar liquidez caso necessário e observou que isso já esta acontecendo. “O BNDES vai precisar de dinheiro, porque a demanda para recursos para investimento está grande, e já estão dando”, comentou, referindo-se à capitalização de R$ 15 bilhões que o Tesouro Nacional está fazendo na instituição federal.

A queda das commodities pode até ser benéfica para o controle da inflação, segundo Conceição. Ela considera possível que, por causa da crise, o Banco Central venha a reduzir a magnitude dos aumentos da taxa Selic, de 0,75 para 0,5 ponto percentual