Banco do Brasil atingirá 36% das empresas em SC com compra do BESC

As operações de crédito do Banco do Brasil devem receber incremento de 0,41% (R$ 660 milhões) e totalizar R$ 166,231 bilhões (com base no encerramento do segundo trimestre) após as incorporações do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e do Besc S/A Crédito Imobiliário (BESCRI), anunciadas hoje pela instituição. Em teleconferência para analistas, o vice-presidente de Finanças, Mercado de Capitais e Relações com Investidores, Aldo Luiz Mendes, ressaltou outros ganhos de sinergia que o Banco do Brasil deve obter com a incorporação, como ampliar o alcance comercial a aproximadamente 36% das empresas catarinenses e 60% da população economicamente ativa do Estado, já descontadas a parcela de sobreposição da base de clientes. Atualmente, o Besc tem a maior parcela de mercado em Santa Catarina (com 28,2% do total) e o Banco do Brasil, a segunda maior. O valor referencial da incorporação foi calculado em R$ 685 milhões. O montante, no entanto, não será pago em dinheiro e sim com a emissão de 23.074.306 ações do Banco do Brasil. De acordo com Banco do Brasil, não foram contabilizadas despesas com dispensa de funcionários do Besc, já que não existe a intenção de realizar demissões. Estamos falando de um banco com 3.300 empregados, ante a estrutura do BB de 83 mil funcionários. Não será difícil acomodar todos na estrutura no banco. Como nossa intenção é expandir, vamos precisar desses funcionários, comentou Mendes. Pela folha de pagamento do Besc, o BB vai pagar R$ 250 milhões, negociação que vinha correndo, paralelamente à incorporação, diretamente com o governo do Estado de Santa Catarina.

Resultado CSAN3 Cosan 1t09 (fiscal)

A Cosan S.A. registrou prejuízo líquido de R$ 58,1 milhões no primeiro trimestre fiscal de 2009, confirmando a projeção de início de safra ruim, já estimada anteriormente pela empresa. No mesmo período fiscal de 2008 (abrange os meses de maio, junho e julho), a companhia havia registrado lucro líquido de R$ 13,7 milhões. De acordo com o balanço divulgado pela companhia, o desempenho resultou da combinação de preços do etanol que reagiram ao início de safra e caíram em relação aos do fim do período fiscal de 2008 (encerrado em abril) com “a imensa concentração de chuvas nos meses de abril e maio que acabou ocasionando impactos no teor de sacarose na cana-de-açúcar, que perdeu muito rendimento comparativamente ao ano anterior, e com isso pressionou para cima os custos de produção”, afirma o documento. A receita operacional líquida da Cosan S.A no primeiro trimestre fiscal cresceu 8,09% em relação a igual período anterior e registrou R$ 639,6 milhões. O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) caiu 50,1% para R$ 24,7 milhões no mesmo período. As receitas com venda de açúcar caíram 5,21% de maio a julho e atingiu R$ 352,4 milhões, dos quais R$ 294,6 milhões foram destinados ao mercado externo. As vendas de etanol, em contrapartida, cresceram 43,16% e somaram R$ 241,8 milhões. Deste total, R$ 160 milhões foram destinados ao mercado interno.

Para Austin , turbulência só acaba em 2010

A alta expressiva nas ações da Vale e a da Petrobras ontem não significa que as turbulências no mercado já tenham sido superadas. A valorização das ações da Petrobras ontem, cujas ações ON subiram mais de 10%, ainda reflete o anúncio da avaliação do potencial do campo de Iara, na bacia de Santos, feito na quarta-feira, após o encerramento do pregão. Os papéis da Vale subiram porque a empresa negocia o reajuste no preço do minério.Segundo Alex Agostini, economista-chefe da consultoria Austin Rating, a curto prazo, os papéis ligados às empresas de mineração, petróleo e às commodities de forma geral devem registrar um comportamento volátil em razão principalmente da desaceleração da economia mundial.Agostini afirma que o mercado só deve se normalizar em 2010. “No fim do ano que vem, a crise internacional vai se estabilizar e o crescimento global será retomado.”De acordo com o economista, diante das incertezas hoje no mundo, os investidores estrangeiros devem continuar tirando dinheiro das Bolsas dos países emergentes tanto para cobrir eventuais perdas como para procurar aplicações de menor risco. A opção considerada mais segura são os títulos do tesouro americano, apesar de renderem juros reais negativos.Para Agostini, mesmo as empresas listadas na Bovespa que não têm relação com as commodities devem sofrer com a desconfiança dos investidores.No entanto, segundo ele, alguns setores podem escapar dos efeitos da queda na cotação das commodities -como as empresas de transporte e de siderurgia, que se beneficiam com a diminuição do preço dos seus insumos. Já os bancos, na opinião de Alex Agostini, também continuarão com uma boa rentabilidade.A tendência, porém, é que os papéis negociados na Bolsa brasileira não repitam o desempenho recorde obtido no ano passado e no início deste ano, quando o contexto da economia mundial era diferente.”Mesmo que as ações do índice Bovespa voltem a subir até o fim do ano, provavelmente não vão ter fôlego para repetir o desempenho que tiveram do começo do ano até junho”, diz.

ETANOL: Usinas voltam a operar em plena capacidade

As condições climáticas da Região Centro-Sul, principal produtora de cana-de-açúcar do Brasil, favoreceram a colheita na segunda quinzena de agosto. Com isso, as unidades produtoras voltaram a moer cana em plena capacidade. Na segunda quinzena de agosto, a moagem diária média foi de 2,55 milhões de toneladas de cana e, no acumulado da safra 2008/09, a cana processada chegou ao patamar de 282,46 milhões de toneladas, volume 8,66% superior ao do mesmo período da safra anterior (2007/08).O mix de produção da safra atual continua concentrado em etanol. Da cana processada até o final da segunda quinzena de agosto, 40,51% do total foram para a produção de açúcar e 59,49% para a produção de etanol. No período de abril a agosto deste ano, o volume físico de etanol entregue pelas unidades distribuidoras no mercado interno foi de 8,4 bilhões de litros, 32,02% acima do obtido no mesmo período da safra passada.Quanto às exportações no mesmo período, o volume chegou a 2,4 bilhões de litros, 59,32% superior ao da safra passada. Do volume total destinado ao mercado externo, 55% foi de etanol anidro e 45% de hidratado. O principal destino do etanol brasileiro vem sendo o mercado americano, que absorveu desde o início da safra até o final de agosto 68% das exportações. Do total exportado para os Estados Unidos, 46% seguiu via Caribe e 54% diretamente do Brasil, com os encargos da tarifa de US$ 0,54 por galão imposta ao etanol importado pelo governo americano.Um dos principais comitês do Parlamento Europeu reduziu pela metade as metas do uso do etanol na UE até 2020, o que irá tirar a oportunidade do Brasil de participar com um quinto dos embarques de etanol para o bloco. Hoje, a Europa consome 20% das exportações brasileiras de 2,1 bilhões de litros em três anos. Isso no momento em que a boa safra de cana-de-açúcar sinaliza uma moagem superior à esperada. Na região centro-sul, o acumulado na moagem da safra 2008/09 foi de 282,46 milhões de toneladas, alta de 8,66%.

Europa reduz meta para uso de biocombustível

Um comitê chave do Parlamento Europeu votou ontem pela redução drástica na meta de uso de biocombustíveis no transporte terrestre até 2020 na União Européia (UE), ameaçando o projeto brasileiro de transformar o etanol numa commodity global.Os líderes dos 27 países-membros da UE tinham aprovado a meta de 10% de utilização de etanol e biodiesel, no ano passado, para combater as emissões de gases de efeito-estufa.Ontem, o Comitê Industrial do Parlamento Europeu, que lidera o debate sobre clima e energia, alterou o enfoque sobre energia renovável, reduzindo o espaço para etanol e procurando introduzir eletricidade, ou uso de carro elétrico, por exemplo, como alternativas.A votação fixou uma meta intermediária de 5% no uso de energia renovável até 2015 no transporte terrestre europeu. No total, 80% viriam de biocombustíveis de primeira geração, como é o caso do etanol brasileiro, e 20% de eletricidade (carro elétrico), hidrogênio renovável ou biocombustíveis de segunda geração.Em 2020, seria alcançada a meta de 10%, dos quais 40% teriam que vir de eletricidade renovável e biocarburante de segunda geração, cortando significativamente o espaço para o etanol brasileiro e outros combustíveis derivados de produtos vegetais.Essa votação foi importante, mas não é ainda a cartada final. O projeto que será submetido ao plenário dependerá de um acordo político entre o Parlamento, a Comissão Européia (o braço executivo da UE) e o conselho de representantes dos 27 Estados membros – e os três divergem.O ponto que causa maior confronto entre o Parlamento e o Conselho Europeu, a instância mais poderosa do bloco, é sobre a redução da meta de uso de biocombustível de 10% para 6%. Alguns governos consideram que os deputados propõem algo irrealista, por ser pouco provável dispor de carro elétrico em grande escala em 2020, e biocombustível de segunda geração em quantidade suficiente. “Carro com hidrogênio, então, esquece”, diz um analista em Bruxelas.”As instituições européias têm dúvidas sobre biocarburante e por isso têm a proposta de revisão na meta em 2014 para ter melhor conhecimento científico”, acrescenta ele.A decisão de ontem do Comitê Industrial reflete a que ponto chegou a pressão da opinião pública européia, que transformou o etanol e o biodiesel em vilões, acusados de terem aumentado os custos dos alimentos, de gerarem pobreza e causarem desmatamento das florestas.As Organizações Não- Governamentais (ONGs) a princípio ficaram a favor dos biocombustíveis, mas mudaram radicalmente sua posição com a crise alimentar. Adrian Bebb, da Amigos da Terra, disse em Bruxelas que o voto “reconhece os sérios problemas com o uso em grande escala de biocombustível. Usar produto agrícola para alimentar carro é uma falsa solução para combater mudança climática e poderia tornar irreversível a perda de espécies naturais e aumentar a miséria de milhões de pessoas”.Em meio a pressões inclusive para a União Européia abandonar a meta, o Comitê Industrial manteve, em todo caso, o compromisso político europeu pela meta de uso de etanol, num contexto em que está complicado ser a favor de biocombustíveis.”Todo mundo gosta de energia renovável, mas biocombustível virou vilão, e os deputados [europeus] terão eleição no ano que vem”, observa uma analista.A votação não foi boa para o Brasil, porque se for confirmada compromete a criação de um mercado internacional para o etanol produzido no país.Tampouco está definido o debate sobre uso de etanol produzido em terra degradada, com conceitos muito estritos provocando fortes divergências entre as instituições européias.O setor privado brasileiro está tentando convencer os europeus a usar a definição de terra degradada da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). A França quer aprovar um projeto sobre a meta até dezembro, quando acaba sua presidência da EU.

EUA preparam ajuda a mais um banco

Expectativa é que venda do Lehman Brothers, em crise aguda, tenha ajuda estatal e seja anunciada no final de semana. Resgate montado pelo governo americano atrairá “interessados em bando”, diz o “WSJ’; BofA e HSBC estão entre os cogitados.O governo americano prepara o resgate do Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimento dos EUA, negociando sua venda para um consórcio formado por várias instituições privadas, disse ontem o jornal “Washington Post”.Os detalhes do acordo ainda não foram finalizados, mas a expectativa é que ele seja anunciado neste final de semana.Em março, o Departamento do Tesouro e o Fed (o BC dos EUA) montaram a venda do Bear Stearns para o JPMorgan, mas, segundo o “Wall Street Journal”, a ajuda governamental ao Lehman não seria nos mesmos moldes. No domingo passado, o governo lançou um pacote de ajuda que pode chegar a US$ 200 bilhões para resgatar Fannie Mae e Freddie Mac, as duas gigantes do mercado de hipotecas.Além da ajuda do governo, o Lehman Brothers já está negociando com várias instituições a sua venda, segundo fontes envolvidas nas negociações. O Bank of America, o HSBC e outros bancos estrangeiros estariam entre os interessados.Anteontem, o Lehman disse que desejava negociar a maior parte da sua divisão de gerenciamento de investimentos, mas a necessidade de vender toda a instituição se intensificou depois que as suas ações caíram ontem 41,79%. Apenas nesta semana, os papéis do banco se desvalorizaram em 73,95%. Segundo a agência Moody’s, ele precisa encontrar “um forte parceiro financeiro”. Bancos de investimento são instituições especializadas em operações como aquisição de títulos e não atuam no varejo.Apesar de as ações do Lehman registrarem mais um dia de forte baixa, foi a notícia do possível negócio que mudou o rumo das Bolsas americanas. Os mercados abriram o pregão com queda expressiva e se recuperaram durante o dia, mas, após a notícia, a valorização se intensificou ainda mais. O índice Dow Jones, o principal da Bolsa de Nova York, subiu 1,46%, e o S&P 500, 1,38%.Várias instituições já começaram a analisar ontem o balanço do Lehman Brothers, mas não está claro ainda quais estariam realmente interessadas. Porém, os possíveis compradores estão preocupados com os prejuízos do banco e estariam interessados no auxílio do governo para cobrir futuras perdas -como aconteceu na venda do Bear Stearns.Segundo o “Wall Street Journal”, interessados “aparecerão em bando”, caso o governo dos EUA intervenha no negócio. O jornal afirma ainda que o Bank of America (BofA) já está discutindo preliminarmente com o Lehman Brothers e que parece ser, no momento, a principal esperança para um negócio sair. Só que o BofA recentemente adquiriu a Countrywide Financial (a financiadora de hipotecas que foi uma das abatidas pela atual crise) e provavelmente precisará de ajuda federal para realizar o negócio.Além disso, as negociações ainda estão no início e por isso, diz o “Wall Street Journal”, é cedo para dizer que tipo de negócio será realizado -caso realmente um acordo seja feito.PRESSÕESMas, se as ações continuarem caindo, crescerão as pressões para que o Lehman finalize logo um acordo, dizem analistas. Uma das vantagens do banco em relação ao Bear Stearns é que, após a venda do rival, o Fed lançou um programa de crédito para bancos de investimento.Analistas afirmam que os britânicos HSBC e Barclays e o japonês Nomura podem também estar entre os interessados. Um porta-voz do HSBC disse que é “altamente improvável” que o banco entre na disputa pelo Lehman Brothers, que perdeu US$ 6,7 bilhões entre o segundo e o terceiro trimestres fiscais. O prejuízo de US$ 3,9 bilhões no terceiro trimestre foi o maior nos 158 anos do banco.Anteontem, o presidente-executivo do Lehman Brothers, Richard Fuld, não descartou a venda do banco. “Eu sempre disse que, se alguém aparecer com uma oferta atrativa, ela será levada para o conselho para ser avaliada, e isso não mudou”.

Garlalo logístico ainda assusta empresas

Para especialistas, bons resultados do setor agrícola podem ser limitados pela infra-estrutura deficiente do País.O forte crescimento do produto interno bruto (PIB) agropecuário, divulgado na quarta-feira, confirma o bom desempenho do agronegócio brasileiro, mesmo enfrentando obstáculos como a alta nos custos de produção, a valorização do real, que torna as exportações menos competitivas, e a crescente instabilidade dos preços das commodities, decorrente de movimentos especulativos financeiros. Entretanto, os gargalos decorrentes da falta de investimentos do governo em infra-estrutura e defesa sanitária podem comprometer a continuidade do processo de expansão acelerada do agronegócio, segundo especialistas.“O setor industrial, que produz máquinas e equipamentos para colheita, para construção de usinas de açúcar e álcool e mesmo para a produção de contêineres, fez o seu dever de casa e está investindo na ampliação de sua capacidade instalada. Já os problemas de ordem logística e sanitária continuam ameaçando uma arrancada maior do agronegócio por falta de maior empenho do governo”, diz Amaryllis Romano, analista da Tendências Consultoria.O crescimento das exportações de carnes, por exemplo, levou os frigoríficos a enfrentar um problema pitoresco. O transporte de carnes para os portos era limitado pela falta de tomadas elétricas em número suficiente para que os contêineres refrigerados fossem conectados à rede elétrica a fim de manter a temperatura da carne em níveis adequados para sua conservação. O frigorífico Marfrig é obrigado a armazenar seus contêineres em outras áreas em função desse gargalo. “O problema de falta de tomadas já foi maior. A situação só não se agravou porque o volume exportado este ano será menor”, diz José Vicente Ferraz, diretor-técnico da AgraFNP.Investimentos privados já estão, contudo, minimizando este problema. O frigorífico Independência investe desde 2002 no aumento do número de tomadas no Porto de Santos. De acordo com Fernanda Flauzino, gerente de relações com investidor do Independência, a empresa possui hoje uma capacidade de armazenamento refrigerado de 8 mil toneladas, volume equivalente a 60% da capacidade total do porto.A Dedini, empresa de equipamentos agrícolas voltados para o setor sucroalcooleiro, também decidiu investir no aumento de sua capacidade de produção para evitar gargalos na entrega de equipamentos. Diante da maior demanda por caldeiras de alta pressão para produção de energia elétrica com bagaço de cana, a Dedini elevou sua capacidade instalada de 12 para 36 caldeiras por ano, de acordo com o vice-presidente da empresa, Sérgio Leme dos Santos.A indústria de máquinas agrícolas também se preparou para o aquecimento do setor, de acordo com o vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Milton Rego. Segundo ele, a capacidade instalada da indústria é suficiente para produção de mais de 105 mil máquinas no ano. A Anfavea projeta vendas de 85 mil máquinas neste ano, cerca de 40% acima do que foi registrado no ano anterior. “Não há gargalo na indústria. Trata-se apenas de planejamento”, afirma.

Etanol , Fome e Colonialismo

O governo brasileiro repudiou, corretamente, a proposta de regulação internacional da produção e do comércio de biocombustíveis, apresentada em Genebra pelo relator das Nações Unidas para Alimentação, o advogado e professor belga Olivier de Schutter. “Se o modelo de produção de etanol continuar, violações aos direitos à alimentação vão proliferar”, disse o relator. Autor de numerosos livros e artigos sobre direitos humanos, o professor De Schutter escorrega ao tratar de questões de economia, de agricultura e de comércio, além de esquecer a responsabilidade histórica pela pobreza nos países mais afetados pela fome. Em seus comentários sobre o etanol, o relator da ONU foi mais severo com os Estados Unidos e a Europa do que com o Brasil, mas isso não torna sua proposta menos alheia aos princípios do comércio internacional e do respeito à política interna de cada país.O professor De Schutter defende o congelamento da produção de etanol, por meio de regras para controle de novos investimentos. É preciso, segundo ele, avaliar cada nova aplicação de capital no setor, levando em conta seus efeitos ambientais, seu impacto na concentração de terras e nas condições de trabalho e sua influência nos preços dos alimentos. A Organização Mundial do Comércio (OMC) deveria, de acordo com suas idéias, disciplinar o acesso ao mercado internacional com base nesses critérios.Os comentários do professor De Schutter seriam até engraçados, por sua aparente ingenuidade, se não fossem também perigosos. Brasil e Estados Unidos são grandes exportadores de alimentos e por isso as decisões de plantio de seus agricultores afetam o mercado internacional. Mas nenhum desses países – e isso vale também para Argentina e Austrália – tem a obrigação de alimentar o mundo. Nenhum deles viola nenhum direito ao mudar, de um ano para outro, a composição de suas safras. Só se tornam merecedores de reprimendas quando quebram regras do comércio internacional ou qualquer outro acordo em vigor. Pode-se discutir se Estados Unidos e países da Europa violam suas obrigações internacionais quando concedem aos produtores de etanol subsídios proibidos pelas normas da OMC ou quando os protegem com barreiras ilegais. De resto, não se pode obrigar nenhum país a plantar ou a deixar de plantar qualquer tipo de produto. O professor De Schutter daria uma contribuição efetiva ao combate contra a fome se defendesse o fim dos subsídios e das barreiras comerciais e uma conclusão razoável para a Rodada Doha de negociações comerciais.Já havia fome em vários países da África e noutras áreas pobres muito antes de se expandir a produção de etanol nas grandes economias agrícolas. A produção de alimentos foi prejudicada nesses países pobres por vários fatores. Um dos mais importantes foram as políticas agrícolas das grandes potências, causadoras de enormes distorções no sistema internacional de preços. Além disso, as políticas de apoio ao desenvolvimento da agricultura nas áreas mais pobres foram um fracasso. Isso foi reconhecido num relatório do Banco Mundial. Seus economistas, no entanto, parecem haver esquecido esse fato, quando resolveram responsabilizar os produtores de etanol pela fome no mundo.Além do mais, nunca houve de fato escassez de comida, no mercado internacional, nos últimos anos. Houve redução de estoques, mas não falta de alimentos. Os produtos encareceram pressionados por vários fatores, incluídos o crescimento econômico de vários emergentes e a especulação realizada por grandes fundos financeiros do mundo rico. Com a alta de preços, a comida tornou-se inacessível aos muito pobres. Mas sua pobreza era um fato anterior à valorização das matérias-primas.Muitas dessas populações têm vivido imersas em guerras civis, que as impedem de produzir. Em muitos casos, a instabilidade política e social, especialmente na África, é parte da herança deixada pelas potências coloniais européias. Se o professor Olivier de Schutter, um belga, desse maior atenção a esses detalhes históricos, seria menos propenso, provavelmente, a responsabilizar os produtores de biocombustíveis pela pobreza nas ex-colônias.É preciso, sim, elevar a disciplina no comércio internacional, mas pela redução de subsídios e barreiras, não pela ingerência nas legítimas decisões econômicas de cada país.

Período de Férias

Prezados,

A partir de hoje 12/09 , estarei afastado por 15/20 dias. As atualizações serão feitas por um parceiro do blog, 1x por dia, sempre que possível. Emails , comentários serão respondidos após meu regresso.

Bons negócios a todos !
Schwabb