As atenções dos agentes de mercado hoje se voltarão ao anúncio pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central da nova taxa básica de juros da economia (Selic), atualmente em 13% ao ano. A maioria do mercado espera uma elevação de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros, para 13,75% ao ano. De acordo com especialistas consultados pela Agência Leia, porém, o desempenho da bolsa paulista dependerá também de notícias favoráveis no mercado externo, além de uma alta nos preços das commodities, como o petróleo e os minérios, beneficiando os papéis mais representativos do índice, como Petrobras e Vale. Instantes após a sua abertura, o Ibovespa futuro registrava alta de 0,91%, aos 49.450 pontos. “Ontem, a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) anunciou o corte do teto de produção dos países membros em aproximadamente 500 mil barris por dia, o que pode segurar em alta os preços da commodity, mas não deve causar grande recuperação”, disse a SLW Corretora, em relatório. Há pouco, nos Estados Unidos, o banco Lehmann Brothers anunciou que prevê um prejuízo líquido de US$ 3,9 bilhões no terceiro trimestre. A perda por ação deve ficar em US$ 5,92. Além disso, o banco anunciou reestruturação estratégica, com a venda de parte de sua divisão de investimentos, e espera poupar US$ 450 milhões com corte de dividendos. Ainda nos Estados Unidos, os pedidos semanais de hipotecas aumentaram na semana encerrada no dia 5 de setembro. O índice divulgado pela Associação dos Bancos Hipotecários (MBA) subiu 9,5%, na comparação com a semana anterior, para 496,2, em bases ajustadas, refletindo o fortalecimento na demanda para financiamentos imobiliários. No entanto, o índice registrou queda de 24,4% na comparação com a mesma semana de 2007, em bases não ajustadas. A variante de refinanciamento registrou alta de 15,4%, para 1222,9, enquanto o subíndice de compras avançou 6,4%, para 371,5. Essas medições apontam as aplicações nas financiadoras e fornecem um panorama amplo da demanda do setor imobiliário e da economia. O Departamento de Energia norte-americano (DoE) e o Instituto Americano do Petróleo (API) divulgam, às 11h35, os relatórios semanais sobre os estoques de petróleo. Já na Zona do Euro, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean Claude Trichet, afirmou nesta quarta-feira durante discurso na Comissão da União Européia para os assuntos econômicos e monetários, em Bruxelas, que a instituição permanece comprometida com a manutenção, em médio e longo prazo, das expectativas inflacionárias bem ancoradas. “Isso irá preservar o poder de compra e também irá apoiar o crescimento sustentável e a situação do emprego na zona do euro”, declarou, acrescentando que “com base na atual avaliação, a orientação da política monetária está contribuindo para alcançar esses objetivos”. No Brasil, há pouco, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre do ano cresceu 6,1% sobre igual período de 2007. Em relação ao primeiro trimestre, a alta é de 1,6% e, no semestre, a expansão acumulada é de 6,0%. O Termômetro Leia, pesquisa da Agência Leia com instituições financeiras referente às expectativas para os principais indicadores do País, mostrou que a mediana das projeções do mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) apontava para um crescimento de 5,3% da economia brasileira durante o segundo trimestre do ano. Pelo conceito de mediana, 50% das projeções coletadas estavam abaixo de 5,3% e 50%, acima. As expectativas dos economistas consultados variavam de 4,1% a 5,7%. A média das projeções apontava para uma expansão de 5,34% na economia brasileira. Já para a nova taxa básica de juros, a ser anunciada após o término da segunda etapa da reunião do Copom, depois do fechamento do pregão da BM&FBOVESPA, a maioria do mercado espera uma elevação de 0,75 ponto percentual na meta da taxa Selic, para 13,75% ao ano. De 78 instituições pesquisadas pelo Termômetro Leia, pesquisa feita pela Agência Leia junto a instituições financeiras com as previsões para os principais indicadores do país, 67 apostam nesse aumento. Outras 11 projetam um aumento menor, de 0,50 ponto percentual, para 13,50% ao ano. Nenhuma das instituições financeiras consultadas acredita que o colegiado do BC possa manter a taxa básica de juros em 13% ao ano. Entre as notícias de empresas brasileiras, o frigorífico Minerva anunciou ontem, após o fechamento do mercado, que pretende submeter para votação em Assembléia Geral Extraordinária (AGE), a ser realizada em 1 de outubro, a proposta de incorporação de sua controlada Lord Meat – Indústria, Comércio, Importação e Exportação LTDA., com sede em Goiás. Segundo comunicado, a incorporação será realizada por meio da absorção pelo Minerva do acervo da Lord Meat, por seu valor contábil, que por sua vez se extinguirá. O Minerva terá todos os bens da incorporada, participações societárias, direitos e obrigações, sem qualquer solução de continuidade. Atualmente, o Minerva detém 99,99% do capital da Lord Meat. Na data da incorporação, passará a deter 100% de sua subsidiária. Ontem ,as ações ordinárias da companhia (BEEF3) encerraram o pregão da BM&FBOVESPA em queda de 4,17%, a R$ 6,90. As mineradoras brasileiras revisaram as estimativas de investimento de US$ 42 bilhões para US$ 57 bilhões até 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). A informação, de uma reportagem na edição de hoje do jornal O Estado de S.Paulo ainda informa que, segundo o presidente do Ibram, Paulo Camillo, o aumento do capex reflete a confiança das empresas na manutenção do ciclo de altos preços para os minérios, puxado pelo crescimento da China, apesar do nervosismo dos mercados nos últimos meses. Os US$ 57 bilhões serão divididos entre 48 projetos, tanto em expansão quanto em novos negócios. O setor de minério de ferro mantém a liderança, com cerca de 65% do total previsto algo em torno de US$ 37 bilhões. Em seguida, vem o níquel com US$ 6,2 bilhões. Camillo disse ainda que a forte demanda externa por minério de ferro está justificando a exploração de reservas que eram consideradas de baixo valor econômico. E a locadora de automóveis Localiza Rent a Car anunciou hoje a captação de R$ 300 milhões através do lançamento de uma única debênture simples, não conversível em ações. O prazo de vencimento do papel é de três anos contados a partir de 1 de setembro deste ano. O coordenador da ação foi o banco Bradesco BBI. Ontem, as ações ordinárias da empresa (RENT3) encerraram o pregão da BM&FBOVESPA em queda de 6,25% a R$ 15,01. Mercados internacionais Nos Estados Unidos, os mercados futuros operam em rumos opostos. O índice futuro da Nasdaq, com vencimento em setembro de 2008, subia 0,43%, aos 1.736,25 pontos. Já o futuro o S&P 500, com vencimento no mesmo mês, perdia 0,08%, aos 1.225,50 pontos. Na Europa, os mercados têm sentido negativo. Em Londres, o índice FTSE tinha queda de 1,11%, aos 5.355,3 pontos. O DAX 30, da Bolsa de Frankfurt tinha queda de 0,74%, aos 6.187,13 pontos, enquanto o CAC 40, da Bolsa de Paris, registrava desvalorização de 0,76%, aos 4.260,47 pontos. Na Ásia, o índice Nikkei 225, no Japão, registrou queda de 0,44% e atingiu 12.346,63 pontos, enquanto o Kospi, em Seul, teve alta de 0,72%. O índice atingiu 1.464,98 pontos. Já em Hong Kong, o índice Hang Seng cedeu 2,40%, para 19.999,78 pontos. No sentido oposto, o índice Xangai Composto fechou em alta de 0,23%, para 2.150,76 pontos. O mercado de petróleo opera em rumos opostos. Em Nova York, o WTI com vencimento em outubro há pouco perdia 0,14%, cotado a US$ 103,11. Em Londres, o contrato do tipo Brent para o mesmo mês subia de 0,12%, a US$ 100,47. Câmbio No início das operações do mercado de câmbio, o dólar comercial operava em alta de 1,07%, cotado a R$ 1,7910. O contrato futuro, com vencimento em outubro, subia 0,87%, a R$ 1,796. Juros Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2009 passavam de 13,95% para 13,97%. Os contratos com vencimento em janeiro de 2010 avançavam de 14,82% para 14,88%. A inflação medida pelo Indice de Preços ao Consumidor – São Paulo (IPC-SP) acelerou de 0,38% para 0,47% na primeira quadrissemana de setembro, divulgou hoje a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Responsável por 82% da inflação registrada (ou 0,38 ponto percentual), o principal grupo que influenciou a aceleração do índice foi Habitação, cuja inflação passou de 1,03% para 1,18%. Também contribuiu com o avanço o grupo Despesas Pessoais – segunda maior contribuição positiva individual, 26,23% – ao acelerar de 0,75% para 1%. Os grupos Transporte (0,29% para 0,31%), Saúde (0,44% para 0,56%) e Vestuário (-0,38% para -0,10) mantiveram pressionado o IPC-SP. O Indice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) se manteve estável no primeiro decêndio de setembro, ante a deflação de 0,01% registrada em igual período de agosto, informou a Fundação Getúlio Vargas. O primeiro decêndio deste mês compreende o intervalo entre os dias 21 e 31 de agosto. Em 12 meses, a inflação registrada pelo indicador recuou para 12,19%, ante 13,99% apurada na medição anterior. No acumulado do ano, o indicador tem alta de 8,35%. O Indice de Preços por Atacado (IPA), responsável por 60% do IGP-M, e principal influência para a quase estabilidade do indicador também desacelerou em 12 meses, de 17,56% para 14,69%, e, no ano, acumula avanço de 9,42%.