VASP – Processo ainda pode se arrastar por anos com contestação de falência por Canhedo

A falência da Vasp, decretada pela Justiça paulista no último dia 4 de setembro, ainda está longe de colocar um ponto final na derrocada da empresa de Wagner Canhedo. A decisão, de primeira instância, ainda pode ser contestada pelo empresário e, assim, se arrastar por mais alguns anos, afirma o advogado especialista em falências, Júlio Mandel, da Mandel Advogados.

De acordo com ele, com a decisão, abre-se um período de dez dias para que a empresa entre com recurso contra a falência decretada pelo juiz Alexandre Lazzarini. O recurso, então, será analisado pela Justiça, que não tem prazo para responder se o aceita ou não. Isso, porém, tem sido rápido, embora não haja prazo para que a decisão seja entregue, afirma Mandel.

Com a falência, o juiz agora terá de iniciar o processo para liquidação dos ativos da empresa, com base em opções apresentadas pelo administrador judicial da empresa, que pode orientar que os ativos sejam vendidos em bloco ou separadamente.

Mandel explica que, por se tratar de um foro especial, o de Recuperações e Falências, há apenas duas instâncias para o processo que envolve a Vasp. Apenas se ficar provado que alguma decisão do juiz infringiu uma lei federal é que o caso pode ser levado a Brasília, mas isso é muito incomum e não garante o efeito suspensivo, explica. Assim, sem o efeito suspensivo, caso a Vasp entre com recurso, perca em segunda instância e tenha direito a apelar ao Supremo Tribunal de Justiça, nessa última etapa o processo de venda de ativos já pode ser conduzido.

No caso da Vasp, explica o advogado, caso a falência seja realmente concretizada, os primeiros a receber serão aqueles que aplicaram na companhia durante o processo de recuperação judicial. Depois vêm os créditos trabalhistas até 150 salários mínimos, créditos hipotecários, tributários e credores com privilégio. Por último, vêm os sócios, explica.

Mesmo esse processo, porém, deve demorar muito, afirma Mandel. Segundo ele, para que os créditos sejam liberados, é preciso que os credores e o administrador concordem com a execução coletiva, a avaliação dos bens, assim como a forma de venda, além do quadro de credores.

Não é possível estimar por quanto tempo o processo ainda pode correr, pois há a questão do recurso, e, mesmo que haja a falência, não é fácil estimar quanto tempo a liquidação demoraria para ser finalizada. Isso depende de muitos fatores, afirma Mandel.

Analistas apostam na recuperação das commodities

Entre tormentas e incertezas, as opções dos analistas para o mês de setembro refletem apostas na recuperação de companhias ligadas a commodities com destaque para petróleo e mineração. Entre as carteiras recomendadas para o período, uma certeza: se o foco é o longo prazo, pode ser hora de aproveitar as oportunidades abertas.

Sem titubear, os analistas do Unibanco entendem que “o movimento vendedor registrado nos últimos três meses representa um bom ponto de entrada e proporciona oportunidades interessantes em sólidos casos de investimento”. Não à toa, cerca de 40% de sua carteira expõe-se a alguns dos papéis que mais sofreram no período, como os de Vale (VALE5) e Petrobras (PETR4).

Ainda que a avaliação sobre o momento e suas oportunidades seja generalizada, as estratégias de atuação no mercado são distintas, como revelam os analistas do HSBC – que mantêm expectativa neutra sobre o desempenho de papéis dos setores mencionados durante o mês de setembro, ao passo em que destaca os possíveis retornos de segmentos como energia elétrica e logística.

Pressões e oportunidades
Não são pequenos os desafios que a renda variável tem enfrentado. Como reconhecem os analistas do banco Safra, “o ambiente de curto prazo continua não sendo favorável para o mercado acionário”, que além das turbulências sofre a concorrência de investimentos em renda fixa – alavancados pela tendência de alta do juro básico no Brasil.

Neste contexto, o foco recai sobre os prazos médios e longos, em empresas com bons fundamentos – como destaca a equipe do HSBC. Embora tenha mantido a recomendação para os papéis da Petrobras, e incorporado as ações de Vale e CSN à sua carteira, a equipe do banco espera por destaque em setembro do setor de alimentos, sugerindo a aquisição dos papéis da Sadia, menos pressionada por custos com produtos básicos.

Mais que uma análise superficial das recomendações, os investidores devem ter em mente a importância de fatores como o plano de ajuda às companhias de crédito Fannie Mae e Freddie Mac, não existentes durante a elaboração das análises e potencialmente cruciais para o comportamento dos mercados.

Siderurgia, mineração e petróleo
Juntos, os três setores têm peso superior a 50% de várias das carteiras recomendadas – talvez como uma tentativa de aproximação aos pesos no Ibovespa. Como destacam os analistas da corretora Souza Barros, empresas como Petrobras e Vale – presentes em sua seleção de sugestões dentro do índice – lideram seus segmentos de atuação e possuem grande potencial de crescimento.

Em movimento mais tímido, a corretora Ativa aumentou as posições de sua carteira em papéis da Vale, mas continua com exposição inferior à metade de sua carteira nos setores ligados a commodities, apostando na estabilidade das receitas dos segmentos energético e bancário, recomendando a compra dos papéis de Banco do Brasil(BBAS3), Cesp (CESP6), Bradesco (BBDC4) e Transmissão Paulista (TRPL4).

O otimismo não é compartilhado pelos analistas do HSBC, que destacam a forte queda do níquel e a recuperação do dólar internacionalmente como fatores que pressionam as fontes de receitas das empresas.

A discórdia
Após desempenho destacado no início do ano, seguido por movimento corretivo muito forte, as divergências entre analistas com relação aos papéis de siderurgia são grandes. Enquanto os analistas do HSBC entendem que a demanda interna por aço continuará aquecida, gerando novos resultados fortes como os do segundo semestre, o banco Safra reduziu de 18% para 10% a participação do setor em sua carteira.

A corretora Ativa incluiu os papéis da CSN (CSNA3) entre suas recomendações, mas deixa explícita a motivação: “Incluímos os papéis (…) devido à perspectiva de bons resultados e à possibilidade da venda de parte da Namisa”.

Por sua vez, os analistas do Unibanco acreditam que a “CSN é o melhor veículo para capturar uma provável quarta rodada de reajustes durante o segundo trimestre”, mas ainda assim esperam pela possível alienação da Namisa. Já a Souza Barros destaca a influência positiva que o crescimento do setor de construção civil pode ter sobre os papéis da Gerdau (GGBR4), sua sugestão dentre as siderúrgicas.

Logística
Apostando no crescimento dos investimentos em infra-estrutura no País, bem como na manutenção do grande volume de exportações de commodities agrícolas, o setor de transportes e logística ganhou certo destaque entre as recomendações dos analistas neste mês.

Neste sentido, os analistas da corretora Ativa e do Unibanco recomendam a aquisição dos papéis da Tegma (TGMA3), enquanto o HSBC mantém sua sugestão pelos papéis da ALL (ALLL11), relacionando o setor entre os com perspectivas mais favoráveis da Bovespa. Por fim, tanto o banco Safra, quanto a corretora Souza Barros recomendam para o mês de setembro a compra das ações da CCR (CCRO3).

Juros do Brasil , independente de decisão do COPOM , é a mais alta do mundo

Apesar do consenso sobre a elevação da Selic nesta quarta-feira (10), a magnitude do aumento gera controvérsias. No entanto, independentemente de um avanço de 50 ou 75 pontos-base, a retomada definitiva do processo de aperto monetário pelo Banco Central firma o País na liderança do Ranking de Juros Reais.

De acordo com a Uptrend Consultoria Econômica, Turquia e México ocupam, respectivamente, o segundo e o terceiro lugares no ranking, levando em conta as taxas de juros atuais, já descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses.

No topo do ranking
Para o Brasil perder a primeira posição, seria necessário um corte de 350 pontos-base na taxa (ou 3,5 pontos percentuais), ou seja, se a Selic caísse para 9,5% anuais, a taxa de juros real do País ficaria em 4,1%, abaixo da Turquia, com 4,2%.

A tabela abaixo mostra os top 5 do Ranking de Juros Reais e a situação brasileira, considerando os dois cenários possíveis.

Ranking de Juros Reais
Países Taxas
Brasil 7,9%* 8,1%**
Turquia 4,2%
México 2,6%
Austrália 2,5%
Colômbia 2%

* Alta de 50 p.b. na Selic
** Alta de 75 p.b. na Selic
Fonte: Uptrend

Bovespa deixa de ser termômetro da economia brasileira e passa a ser mais uma vítima da crise

Enquanto a crise global de crédito preparava novos e extensos capítulos, a Bovespa, com seus sólidos rendimentos e fundamentos, criava uma resiliência conveniente aos investidores estrangeiros. O cenário ainda permitia a posição em um país emergente, fortemente ligado ao desempenho das commodities.

Foi bom enquanto durou. Mas depois da falência de onze bancos norte-americanos, queda dos preços das commodities, ajuda a Fannie Mae e Freddie Mac, temores em relação à solvência do Lehman Brothers, o resultado é que o Ibovespa deixou de ser um termômetro da economia brasileira. Virou mais um a sofrer os efeitos da crise.

“É uma zeragem feita às pressas. O mercado aumenta a volatilidade e as quedas são enormes”, explica Fernando Cezar Aldabalde, sócio e gestor da GS Allocation Investimentos. “O mercado brasileiro é bem caracterizado ao investidor estrangeiro como um mercado ligado às commodities e as posições são feitas sob esta ótica”, completa. O estrangeiro deu adeus ao mercado brasileiro.

De saída
A fotografia de 30 de junho deste ano era a seguinte (variação no ano):

  • Brasil – Ibovespa: +1,77%
  • Mercados Emergentes* – MSCI: -9,69%
  • EUA – S&P500: -12,83%
  • EUA – Nasdaq: -13,43%
  • EUA – Dow Jones: -14,43%

    Em 9 de setembro:

  • EUA – S&P500: -16,6%
  • EUA – Nasdaq: -16,6%
  • EUA – Dow Jones: -15,3%
  • Brasil – Ibovespa: -24,1%
  • Mercados Emergentes – MSCI: -29,5%

    * Argentina, Brasil, Chile, China, Colômbia, República Tcheca, Egito, Hungria, Índia, Indonésia, Israel, Jordânia, Coréia, Malásia, México, Marrocos, Paquistão, Peru, Filipinas, Polônia, Rússia, África do Sul, Taiwan, Tailândia, Turquia e Venezuela.

    Risco global
    “De fato, durante o primeiro semestre do ano o Brasil manteve-se como um dos mercados emergentes mais atraentes, o que aumentou o apelo aos investidores estrangeiros”, nota Alfredo Coutino, da Moody’s Economy.com. Agora, sem eles, os preços ajustam-se para baixo. “Hoje, por exemplo, a bolsa teve um volume de R$ 5 bilhões, alto para as últimas semanas, mas no ano passado era em torno de R$ 7 bilhões”, avalia Eduardo Souza, analista de renda variável da Mauá Investimentos.

    A declaração de Souza descreve bem o cenário da saída do investidor. No acumulado do ano, o fluxo dos investidores estrangeiros para o mercado de ações brasileiro está negativo em aproximadamente R$ 16 bilhões. Apenas no período de julho até o dia 4 de setembro, os últimos disponibilizados pela Bovespa, o saldo está negativo em quase R$ 10 bilhões. Como reflexo, o dólar comercial se recupera frente o real. Apenas em setembro, a valorização já chega a 8,3%.

    O Ibovespa, que hoje se encontra há milhares de pontos do pico dos 73.516 pontos alcançado em 20 de maio deste ano, subiu expressivamente desde 2003, sem deixar o investidor na mão um ano sequer. Em 2008, entretanto, as projeções dos analistas são constantemente revisadas, na maioria das vezes para baixo. “Os emergentes foram muito atraentes nos últimos cinco a seis anos, mas agora estou afastado”, disse recentemente o megainvestidor Jim Rogers.

    A resiliência
    Apesar da forte elevação da taxa básica de juro no ano atrapalhar o desempenho dos negócios em bolsa, também reafirma a independência (apesar de não ser oficial) do Banco Central no controle da inflação. A Selic foi elevada de 11,25% ao ano para 13% ao ano e, de acordo com os analistas, deve subir mais 75 pontos-base nesta quarta-feira.

    O movimento de alta é aplaudido por muitos economistas por mostrar o comprometimento no controle dos preços, que voltaram a incomodar. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrou em agosto uma variação de 6,37%, em doze meses. Na passagem mensal, entretanto, o índice já começa a desacelerar.

    “Enquanto o Brasil mantiver a disciplina macroeconômica, os investidores irão continuar a acreditar no País”, sugere Coutino, da Moody’s. O Brasil caminha para um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 4,8% em 2008, de acordo com estimativas do último relatório Focus. O IBGE (Insituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou hoje que a economia cresceu 1,6% no segundo trimestre em relação ao primeiro e 6,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

  • CSAN3 – Unibanco prevê prejuízo de $60,8 mi no 1t09

    Na prévia referente aos resultados da Cosan no primeiro trimestre da safra 2008/09, a Unibanco Corretora revelou que espera um prejuízo líquido de R$ 60,8 milhões, ante um lucro líquido de R$ 13,5 milhões no primeiro trimestre da safra 2007/08. “A Cosan deve apresentar resultados operacionais fracos no trimestre e prejuízo líquido, refletindo uma combinação de preços não atrativos de açúcar e álcool, em meio a uma safra dispendiosa”, comentou a corretora. Segundo o Unibanco, o Ebitda não ajustado da Cosan deve corresponder a R$ 24,5 milhões no primeiro trimestre de 2009, queda de 50,5% em relação ao primeiro trimestre fiscal de 2008, o que deve implicar numa margem de 3,7%, queda de 4,7 pontos percentuais em igual período de comparação. “A indústria sucroalcooleira brasileira está sendo pressionada pelos altos preços de fertilizantes e custos trabalhistas, e a Cosan não deve ser uma exceção. Esta colheita também foi mais custosa, como resultado de maior quantidade de chuvas na região Centro-Sul no primeiro trimestre, o que também contribuiu para um rendimento industrial menor”, observou. De acordo com a prévia do Unibanco, a receita líquida da Cosan deve chegar a R$ 653,6 milhões neste primeiro trimestre, alta de 10,5% na comparação com o mesmo intervalo da safra 2007/08, refletindo a venda de 794 milhões de toneladas de açúcar (crescimento de 0,9% em relação ao primeiro trimestre de 2008) e 321 milhões de litros de etanol (aumento de1,3% ante o primeiro trimestre de 2008). “A performance operacional da Cosan pode melhorar nos próximos meses, mas as perspectivas não são boas para a safra atual. Uma combinação de cenário mais desafiador em curto prazo, num contexto de queda dos preços do petróleo e opções de investimento menos arriscadas com maior potencial de valorização no mercado podem reduzir o apetite dos investidores pelo setor”, destacou a corretora, que reiterou a recomendação de manutenção para os papéis da empresa.

    PETR4 – União estuda maneira de elevar capital da Petrobras

    O governo estuda uma maneira de aumentar o capital da Petrobras para permitir que a estatal eleve a sua capacidade de endividamento e investimento. Uma das idéias em estudo prevê o aumento da participação da União no seu capital. Isto seria feito mediante utilização de parte das reservas de petróleo das áreas adjacentes aos campos da camada pré-sal já licitados.Essas áreas pertencem à União, mas são separadas por linhas divisórias imaginárias dos poços já leiloados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Para explorar o produto nessas áreas, a Petrobras e seus sócios privados terão que, antes, negociar com o governo federal acordos de “individualização” para evitar que extraiam, involuntariamente, petróleo das áreas adjacentes, pertencentes à União.Em geral, nesse tipo de acordo, define-se previamente que uma quantidade de petróleo extraída num determinado local deve ser transferida ao vizinho, no caso, à União, dona das áreas da camada pré-sal ainda não-leiloadas. O plano em análise no governo é que, nos acordos de “individualização”, o Tesouro Nacional use o petróleo a que tem direito para aumentar o capital da Petrobras.A operação é complexa e depende de mudanças na legislação, em estudo no governo desde julho. Dois ministros ouvidos pelo Valor confirmaram que a medida vem sendo estudada, mas asseguraram que o plano não é fechar o capital da Petrobras, tornando-a 100% estatal – hoje, a União detém 55,7% das ações ordinárias (com direito a voto) da estatal, mas apenas 32,2% do capital total (social). Segundo os ministros, o objetivo da capitalização é aumentar a musculatura da empresa para que ela possa alavancar investimentos.O aumento de capital da Petrobras pode provocar protestos de acionistas, principalmente, dos minoritários. Os investidores individuais temem que a operação aumente em demasia a participação do governo no capital da companhia, diluindo excessivamente a fatia dos minoritários e, assim, reduzindo de forma significativa a liquidez dos papéis.Atualmente, os assalariados que possuem FGTS aplicado em ações da Petrobras detêm 2,2% do seu capital. Trata-se do grupo de investidores com menor participação. Se houver aumento de capital, eles não terão como acompanhar porque sua posição é estática (não há novos investimentos). Os outros investidores estão assim distribuídos: BNDESPar (7,6%), ADR ON (15,4%), ADR PN (14,3%), estrangeiros que investem no Brasil (7,7%) e demais pessoas físicas e jurídicas (20,6%).O aumento de capital da Petrobras não suprime a proposta de criação de uma nova estatal – ou de um escritório federal – para administrar as reservas de petróleo da camada pré-sal que ainda não foram leiloadas. O governo acredita que, mesmo que o modelo de exploração venha a ser alterado – a idéia é substituir o regime de concessão pelo de partilha -, a Petrobras não será prejudicada, já que conhece a região do pré-sal mais do que as outra empresas.

    Estudo sobre a Margem Operacional – Leitura Recomendada

    Os analistas utilizam diversos parâmetros para analisar o resultado operacional de uma companhia, como o crescimento do mesmo num determinado período, retorno sobre os ativos, desempenho das margens – bruta, operacional e líquida -, etc. O objetivo deste artigo é tecer comentários sobre como os analistas têm avaliado as margens operacionais das empresas.

    A margem operacional é um dos indicadores mais utilizados pelos investidores para analisar o desempenho de uma companhia. O cálculo compreende a divisão do lucro operacional pela receita líquida. Em regra, o nível de margem apresentado varia de setor para setor e quanto maior, mais rentável é a companhia. Contudo, para análises de prazos mais curtos, sua redução não necessariamente indica uma piora operacional.

    Durante a divulgação dos resultados trimestrais, tem-se percebido que analistas punem as companhias que apresentam margens inferiores às apresentadas anteriormente. Esta abordagem pode ser leviana, pois a queda de margem pode significar uma estratégia da companhia ou um impacto de curto prazo. A redução da margem pode ser oriunda de diversos fatores, endógenos ou exógenos, como:

    (i) expansão em segmentos de menor margem operacional;

    (ii) desenvolvimento do mercado externo em um momento de valorização cambial;

    (iii) estratégia de incremento de participação no mercado local (market share);

    (iv) descasamento momentâneo entre aumento de custos e repasse de preços.

    Além disso, uma companhia com boa parte de seus custos variáveis, como empresas de serviços, tem mais dificuldades de expandir suas margens e nem por isso deixam de ser boas opções de investimento.

    Assim, o desenvolvimento em setores de menor margem pode ser uma boa alternativa, caso o retorno sobre o capital investido seja superior ao das demais alternativas e ao custo de capital da companhia, pois irá melhorar a geração de caixa e, por sua vez, o valor presente líquido da empresa. Ademais, a estratégia de agregar market share ou desenvolver-se em novos mercados pode trazer impactos negativos no curto prazo, mas benefícios perenes em prazos mais longos.

    Contudo, uma visão equivocada de que a queda de margem é sempre negativa pode provocar a desvalorização do preço das ações da companhia. A análise deve ser feita tomando por base o retorno sobre o capital e a geração de caixa que possui impacto direto na determinação do valor justo da companhia e não sobre a margem operacional percentual.

    Em decorrência desta visão apressada, ações de companhias com crescimento anual de receita líquida e Ebitda na casa dos dois dígitos têm sido punidas em decorrência de queda na margem operacional. Podemos destacar alguns pontos que explicam esta abordagem:

    1) A estagnação da economia brasileira por décadas: em uma economia que não cresce, a alternativa para aumento de resultados é obrigatoriamente redução de custos e/ou incremento de preços, trazendo, por sua vez, a melhora das margens. Em uma economia mais dinâmica, as alternativas são mais amplas, trazendo um desafio maior ao analista.

    2) O crescimento da importância de investidores com perfil mais agressivo: investidores como os “hedge funds” trouxeram maior volatilidade ao mercado tendo em vista seu perfil de curto prazo, elevando a importância das análises trimestrais.

    3) A ampliação do universo de empresas a serem cobertas: com a abertura de capitais de diversas empresas desde 2004, os analistas não têm tido tempo hábil para uma análise mais acurada. Assim, a avaliação tem sido mais distante por intermédio de indicadores de mais fácil elaboração.

    Não se está aqui criticando os investidores de curto prazo, pois o mercado possui espaço para investidores com diversos perfis. Mas, sim, simplificações que podem gerar análises errôneas.

    O desenvolvimento do mercado acionário brasileiro e uma comunicação mais eficiente dos departamentos de relações com investidores podem reverter esta tendência, administrando, de forma mais eficiente, a expectativa do mercado. Com isso, as companhias devem deixar claro para os analistas suas estratégias de crescimento, as informações sobre a rentabilidade de cada unidade de negócio, os investimentos necessários à expansão, etc. Um bom relacionamento entre analistas e companhia será benéfico para ambos.

    CGRA4 – Grazziotin estende direito a preferenciais

    A Grazziotin, varejista especializada em vestuário e utilidades domésticas com sede em Passo Fundo (RS), decidiu estender de 80% para 100% o valor a ser pago pelas ações dos minoritários (“tag along”) numa eventual venda do controle da empresa. A medida será submetida à assembléia geral extraordinária marcada para o dia 24 deste mês e servirá para alinhar a empresa às exigências do mercado, mas sem a intenção de migrar para o nível 1 de governança, disse Olanir Grazziotin, diretor financeiro.A família controladora também não tem intenção, segundo ele, de negociar a venda da rede de 249 lojas, incluindo as bandeiras Por Menos, Tottal e Franco Giorgi, no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A empresa vai ainda promover um desdobramento de ações na proporção de quatro novas para cada uma existente com a finalidade de aumentar a liquidez.A Grazziotin tem um total de 4,3 milhões de ações, sendo 1,7 milhão de ordinárias (com direito a voto) e 2,6 milhões de preferenciais. Ontem, enquanto o Ibovespa caiu 4,5%, os papéis ON da empresa fecharam cotados em R$ 89, com queda de 4,78%, enquanto os preferenciais encerraram em R$ 79,99, com recuo de 1,22%. A família Grazziotin detém 62,49% das ações com direito a voto e 33,91% do capital total. A corretora Hedging-Griffo detém participações de 16,22% e 26,01%, respectivamente, e a Mellon Serviços Financeiros, 12,51% e 14,17%.A empresa, que tem uma carteira de 400 mil clientes ativos, apurou receita líquida consolidada de R$ 60,6 milhões no segundo trimestre, com alta de 19,7% em comparação com o mesmo período de 2007. O lucro líquido cresceu 31,7%, para R$ 9,6 milhões.

    BISA3 – CPNY3 – Brascan e Company acertam incorporação

    A Brascan Residential Properties e a Company anunciaram nesta quarta-feira que os conselhos das empresas aprovaram plano para incorporação das ações da Company por uma subsidiária da Brascan, de forma que a base acionária da Company seja unificada à da Brascan posteriormente. O acordo será submetido aos acionistas das empresas em assembléias agendadas para 22 de outubro. Na transação, o conjunto de antigos acionistas da Company receberá R$ 200 milhões em dinheiro. Além disso, os acionistas da Company receberão 16 ações ordinárias e 3 ações preferenciais da subsidiária da Brascan por cada ação da empresa que possuírem.

    Bom dia ! 10/09

    As atenções dos agentes de mercado hoje se voltarão ao anúncio pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central da nova taxa básica de juros da economia (Selic), atualmente em 13% ao ano. A maioria do mercado espera uma elevação de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros, para 13,75% ao ano. De acordo com especialistas consultados pela Agência Leia, porém, o desempenho da bolsa paulista dependerá também de notícias favoráveis no mercado externo, além de uma alta nos preços das commodities, como o petróleo e os minérios, beneficiando os papéis mais representativos do índice, como Petrobras e Vale. Instantes após a sua abertura, o Ibovespa futuro registrava alta de 0,91%, aos 49.450 pontos. “Ontem, a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) anunciou o corte do teto de produção dos países membros em aproximadamente 500 mil barris por dia, o que pode segurar em alta os preços da commodity, mas não deve causar grande recuperação”, disse a SLW Corretora, em relatório. Há pouco, nos Estados Unidos, o banco Lehmann Brothers anunciou que prevê um prejuízo líquido de US$ 3,9 bilhões no terceiro trimestre. A perda por ação deve ficar em US$ 5,92. Além disso, o banco anunciou reestruturação estratégica, com a venda de parte de sua divisão de investimentos, e espera poupar US$ 450 milhões com corte de dividendos. Ainda nos Estados Unidos, os pedidos semanais de hipotecas aumentaram na semana encerrada no dia 5 de setembro. O índice divulgado pela Associação dos Bancos Hipotecários (MBA) subiu 9,5%, na comparação com a semana anterior, para 496,2, em bases ajustadas, refletindo o fortalecimento na demanda para financiamentos imobiliários. No entanto, o índice registrou queda de 24,4% na comparação com a mesma semana de 2007, em bases não ajustadas. A variante de refinanciamento registrou alta de 15,4%, para 1222,9, enquanto o subíndice de compras avançou 6,4%, para 371,5. Essas medições apontam as aplicações nas financiadoras e fornecem um panorama amplo da demanda do setor imobiliário e da economia. O Departamento de Energia norte-americano (DoE) e o Instituto Americano do Petróleo (API) divulgam, às 11h35, os relatórios semanais sobre os estoques de petróleo. Já na Zona do Euro, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean Claude Trichet, afirmou nesta quarta-feira durante discurso na Comissão da União Européia para os assuntos econômicos e monetários, em Bruxelas, que a instituição permanece comprometida com a manutenção, em médio e longo prazo, das expectativas inflacionárias bem ancoradas. “Isso irá preservar o poder de compra e também irá apoiar o crescimento sustentável e a situação do emprego na zona do euro”, declarou, acrescentando que “com base na atual avaliação, a orientação da política monetária está contribuindo para alcançar esses objetivos”. No Brasil, há pouco, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre do ano cresceu 6,1% sobre igual período de 2007. Em relação ao primeiro trimestre, a alta é de 1,6% e, no semestre, a expansão acumulada é de 6,0%. O Termômetro Leia, pesquisa da Agência Leia com instituições financeiras referente às expectativas para os principais indicadores do País, mostrou que a mediana das projeções do mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) apontava para um crescimento de 5,3% da economia brasileira durante o segundo trimestre do ano. Pelo conceito de mediana, 50% das projeções coletadas estavam abaixo de 5,3% e 50%, acima. As expectativas dos economistas consultados variavam de 4,1% a 5,7%. A média das projeções apontava para uma expansão de 5,34% na economia brasileira. Já para a nova taxa básica de juros, a ser anunciada após o término da segunda etapa da reunião do Copom, depois do fechamento do pregão da BM&FBOVESPA, a maioria do mercado espera uma elevação de 0,75 ponto percentual na meta da taxa Selic, para 13,75% ao ano. De 78 instituições pesquisadas pelo Termômetro Leia, pesquisa feita pela Agência Leia junto a instituições financeiras com as previsões para os principais indicadores do país, 67 apostam nesse aumento. Outras 11 projetam um aumento menor, de 0,50 ponto percentual, para 13,50% ao ano. Nenhuma das instituições financeiras consultadas acredita que o colegiado do BC possa manter a taxa básica de juros em 13% ao ano. Entre as notícias de empresas brasileiras, o frigorífico Minerva anunciou ontem, após o fechamento do mercado, que pretende submeter para votação em Assembléia Geral Extraordinária (AGE), a ser realizada em 1 de outubro, a proposta de incorporação de sua controlada Lord Meat – Indústria, Comércio, Importação e Exportação LTDA., com sede em Goiás. Segundo comunicado, a incorporação será realizada por meio da absorção pelo Minerva do acervo da Lord Meat, por seu valor contábil, que por sua vez se extinguirá. O Minerva terá todos os bens da incorporada, participações societárias, direitos e obrigações, sem qualquer solução de continuidade. Atualmente, o Minerva detém 99,99% do capital da Lord Meat. Na data da incorporação, passará a deter 100% de sua subsidiária. Ontem ,as ações ordinárias da companhia (BEEF3) encerraram o pregão da BM&FBOVESPA em queda de 4,17%, a R$ 6,90. As mineradoras brasileiras revisaram as estimativas de investimento de US$ 42 bilhões para US$ 57 bilhões até 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). A informação, de uma reportagem na edição de hoje do jornal O Estado de S.Paulo ainda informa que, segundo o presidente do Ibram, Paulo Camillo, o aumento do capex reflete a confiança das empresas na manutenção do ciclo de altos preços para os minérios, puxado pelo crescimento da China, apesar do nervosismo dos mercados nos últimos meses. Os US$ 57 bilhões serão divididos entre 48 projetos, tanto em expansão quanto em novos negócios. O setor de minério de ferro mantém a liderança, com cerca de 65% do total previsto algo em torno de US$ 37 bilhões. Em seguida, vem o níquel com US$ 6,2 bilhões. Camillo disse ainda que a forte demanda externa por minério de ferro está justificando a exploração de reservas que eram consideradas de baixo valor econômico. E a locadora de automóveis Localiza Rent a Car anunciou hoje a captação de R$ 300 milhões através do lançamento de uma única debênture simples, não conversível em ações. O prazo de vencimento do papel é de três anos contados a partir de 1 de setembro deste ano. O coordenador da ação foi o banco Bradesco BBI. Ontem, as ações ordinárias da empresa (RENT3) encerraram o pregão da BM&FBOVESPA em queda de 6,25% a R$ 15,01. Mercados internacionais Nos Estados Unidos, os mercados futuros operam em rumos opostos. O índice futuro da Nasdaq, com vencimento em setembro de 2008, subia 0,43%, aos 1.736,25 pontos. Já o futuro o S&P 500, com vencimento no mesmo mês, perdia 0,08%, aos 1.225,50 pontos. Na Europa, os mercados têm sentido negativo. Em Londres, o índice FTSE tinha queda de 1,11%, aos 5.355,3 pontos. O DAX 30, da Bolsa de Frankfurt tinha queda de 0,74%, aos 6.187,13 pontos, enquanto o CAC 40, da Bolsa de Paris, registrava desvalorização de 0,76%, aos 4.260,47 pontos. Na Ásia, o índice Nikkei 225, no Japão, registrou queda de 0,44% e atingiu 12.346,63 pontos, enquanto o Kospi, em Seul, teve alta de 0,72%. O índice atingiu 1.464,98 pontos. Já em Hong Kong, o índice Hang Seng cedeu 2,40%, para 19.999,78 pontos. No sentido oposto, o índice Xangai Composto fechou em alta de 0,23%, para 2.150,76 pontos. O mercado de petróleo opera em rumos opostos. Em Nova York, o WTI com vencimento em outubro há pouco perdia 0,14%, cotado a US$ 103,11. Em Londres, o contrato do tipo Brent para o mesmo mês subia de 0,12%, a US$ 100,47. Câmbio No início das operações do mercado de câmbio, o dólar comercial operava em alta de 1,07%, cotado a R$ 1,7910. O contrato futuro, com vencimento em outubro, subia 0,87%, a R$ 1,796. Juros Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2009 passavam de 13,95% para 13,97%. Os contratos com vencimento em janeiro de 2010 avançavam de 14,82% para 14,88%. A inflação medida pelo Indice de Preços ao Consumidor – São Paulo (IPC-SP) acelerou de 0,38% para 0,47% na primeira quadrissemana de setembro, divulgou hoje a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Responsável por 82% da inflação registrada (ou 0,38 ponto percentual), o principal grupo que influenciou a aceleração do índice foi Habitação, cuja inflação passou de 1,03% para 1,18%. Também contribuiu com o avanço o grupo Despesas Pessoais – segunda maior contribuição positiva individual, 26,23% – ao acelerar de 0,75% para 1%. Os grupos Transporte (0,29% para 0,31%), Saúde (0,44% para 0,56%) e Vestuário (-0,38% para -0,10) mantiveram pressionado o IPC-SP. O Indice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) se manteve estável no primeiro decêndio de setembro, ante a deflação de 0,01% registrada em igual período de agosto, informou a Fundação Getúlio Vargas. O primeiro decêndio deste mês compreende o intervalo entre os dias 21 e 31 de agosto. Em 12 meses, a inflação registrada pelo indicador recuou para 12,19%, ante 13,99% apurada na medição anterior. No acumulado do ano, o indicador tem alta de 8,35%. O Indice de Preços por Atacado (IPA), responsável por 60% do IGP-M, e principal influência para a quase estabilidade do indicador também desacelerou em 12 meses, de 17,56% para 14,69%, e, no ano, acumula avanço de 9,42%.

    PIB cresce 6,1% no 2t08 em comparação com 2007

    O Produto Interno Bruto (PIB), conjunto de todas as riquezas produzidas no País, cresceu 6,1% no segundo trimestre na comparação com igual período de 2007, informou há pouco o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação ao primeiro trimestre do ano (série com ajuste sazonal), o crescimento foi de 1,6%. No semestre, o PIB acumula expansão de 6,0% e nos últimos quatro trimestres, também aumentou 6,0%. O resultado ficou acima do esperado pelo mercado, segundo apurou o Termômetro Leia, pesquisa da Agência Leia com instituições financeiras referente às expectativas para os principais indicadores do País. A mediana de projeções apontava para um crescimento de 5,3% da economia brasileira durante o segundo trimestre do ano. Pelo conceito de mediana, 50% das projeções coletadas estão abaixo de 5,3% e 50%, acima. As expectativas dos economistas consultados variavam de 4,1% a 5,7%. A média das projeções apontava para uma expansão de 5,34% na economia brasileira No setor agropecuário, o crescimento do PIB no segundo trimestre, comparado a igual período do ano anterior, foi de 7,1%. O conjunto de riquezas produzidas pela indústria aumentou 5,7% e o do setor de serviços cresceu 5,5%, sob a mesma base de comparação. Na série com ajuste sazonal, os setores apresentaram expansão, com relação ao primeiro trimestre, de 3,8% para o PIB agropecuário; 1,3% de crescimento para os serviços; e 0,9% para a indústria. Em relação aos componentes da demanda, a formação bruta de capital fixo cresceu 16,2% no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado. Já a despesa com consumo das famílias cresceu 6,7% e a despesa com consumo da administração pública aumentou 5,3%. As exportações de bens e serviços cresceram 5,1% no período e as importações 25,8%. Na comparação com o primeiro trimestre do ano, com ajuste sazonal, a formação bruta de capital fixo aumentou 5,4%, enquanto a despesa com consumo das famílias cresceu 1% e a despesa com consumo da administração pública expandiu 0,3%. Em relação à demanda externa, as exportações de bens e serviços cresceram 8,5% e as importações 8,4%, na mesma base de comparação. O IBGE revisou ainda o crescimento do PIB no primeiro trimestre do ano de 5,8% para 5,9%. Entre os setores, apenas a expansão de agropecuário foi revisada de 2,4% para 3% nos primeiros três meses do ano.

    Queda recorde pode abrir nova fase para Bovespa

    O nervosismo em torno do desaquecimento da economia mundial e de problemas no sistema financeiro americano voltou a tomar conta dos mercados ontem. Em Nova York, o índice Dow Jones caiu 2,43%. No Brasil, o Índice Bovespa recuou 4,50%, fechando aos 48.435 pontos, o menor nível desde 16 de agosto do ano passado, quando a crise das hipotecas americanas espalhou pela primeira vez o pânico nos mercados globais.Será que o mundo acabou para a renda variável? Tudo ficou mais difícil, sim, mas depois de cair abaixo do nível psicológico dos 50 mil pontos, e de uma queda de 13% apenas nos sete dias úteis deste mês, o Ibovespa começa a exibir papéis de boas empresas a preços convidativos, segundo os analistas. A avaliação é que, num intervalo de 12 a 24 meses, a bolsa brasileira vai proporcionar ganhos acima da renda fixa, mas ainda com muita volatilidade no meio dessa trajetória.O otimismo de parte dos analistas se deve ao fato de que a queda de ontem, a maior desde 19 de março deste ano, teve um componente irracional forte, de ajuste de carteiras de investidores internacionais. Muitos fundos hedge internacionais estão enfrentando seguidos pedidos de resgate e precisam vender ações a qualquer preço. Já outros investidores, com a queda da bolsa, precisam respeitar seus limites de perdas e vendem mais. A expectativa é que, quando esse ajuste terminar, o mercado volte a refletir pelo menos em parte os fundamentos da economia brasileira e das empresas. Para os polêmicos grafistas, os 48 mil pontos podem ser um limite para a baixa, com o mercado podendo se recuperar nos próximos meses até atingir os 54 mil pontos.Parte dessa queda reflete a redução nos preços das commodities, em especial do petróleo, que ontem fechou a US$ 100,34 o barril, em Londres, para entrega em outubro. O enfraquecimento das matérias-primas acompanha a valorização do dólar, que tem reflexos no Brasil, onde a moeda subiu 2,07% ontem, para R$ 1,772. No mês, o dólar já acumula alta de 8,38%.