Enquanto a maioria dos investidores do mercado acionário está roendo as unhas de ansiedade vendo o índice Bovespa despencar, com retração de 16,21% no acumulado do ano (até 03/09), quem apostou nos papéis da Confab nos últimos sete anos está finalmente em lua-de-mel com a empresa. Com uma atividade extremamente cíclica, fornecendo tubos de aço soldados e equipamentos pesados para a indústria energética brasileira e latino-americana, a companhia chegou a assistir suas ações despencarem para R$ 0,18 nos pregões de 2000. A recuperação da ação foi gradual, assim como o avanço regional, e atualmente ronda os R$ 6 por papel preferencial, com indicações de compra de boa parte dos analistas que acompanham o desempenho do Confab.
Os papéis preferenciais da companhia mostram evolução de 3,25% no acumulado deste ano, cotados a R$ 5,83 no fechamento do pregão de ontem.
A recomendação da Confab na carteira de small caps da corretora Spinelli se deve à expansão dos investimentos para aumento da capacidade produtiva das empresas clientes e na infra-estrutura do País. Para a equipe de analistas, não só os setores de petróleo e gás devem experimentar crescimento relevante na produção decorrente da descoberta de novas fronteiras, mas a curto e médio prazos outras áreas relevantes, como a de petroquímica, de siderurgia, de energia e de papel e celulose devem passar por significativa expansão, colocando perspectivas favoráveis para o aumento do número de projetos e da carteira de encomendas da companhia.
Projeções
A Spinelli tem preço-alvo de R$ 8,50 para o papel da empresa (PN). A corretora Ágora também recomenda a compra, mas reduziu no início de agosto sua perspectiva de valorização do papel, devido a revisões para baixo da projeção do Produto Interno Bruto (PIB) nacional no próximo ano, considerando o preço-alvo de R$ 8,74 para ação da Confab até o final do ano.
Um dos principais impulsos para as recomendações é o fato de a Petrobras ser a maior cliente da Confab e ter perspectivas alavancadas de crescimento, graças às novas descobertas em áreas já licitadas na camada pré-sal. A relevância da cliente é explícita na carteira de pedidos da Confab. O volume de encomendas alcançou R$ 1,89 bilhão em junho, sendo R$ 598 milhões relativos a três projetos da petrolífera brasileira, com entrega entre setembro deste ano e agosto de 2009.
A visão do diretor-financeiro e de relações com investidores da Confab, Marcelo Barreiro, é bastante realista. “A Confab é uma companhia que, pelo segmento em que atua, tem resultados oscilantes, entre anos muito bons e outros de menor atividade. Tem a ver com a demanda e não com qualquer incapacidade da empresa.”
Commodities
O bom momento atual tem explicação no reajuste de preços conforme alta das commodities metálicas e evolução do PIB nacional. “No contexto global, os preços de commodities nos últimos anos, especialmente alimentos, petróleo e aço, têm aumentado. Um componente importante na demanda doméstica foi a decisão do governo de investir na formação da matriz energética brasileira, além do avanço industrial importante na América do Sul, com maior consumo de gás, energia elétrica e petróleo”, ressalta Barreiro.
O cenário resultou em um crescimento de 80,6% do lucro líquido da empresa no segundo trimestre deste ano, em relação ao montante apurado no mesmo período de 2007, para R$ 79,5 milhões. Já a receita mediana nos anos de 2001, 2003 e 2004 refletia o nível de atividade industrial da região e o preço baixo do aço.
Agora, ressalta o executivo, o desempenho também reflete a entrada de novos players no mercado de atuação, caso da MMX.
Mercado doméstico
O mercado doméstico responde atualmente (dados do segundo trimestre) por 62% do volume total de toneladas produzidas pela companhia, participação que, em 2001, era de 24%. A estimativa de Barreiro é que o avanço dos negócios de gasoduto e mineroduto seja relevante para este segundo semestre e próximo ano. “Mas ainda é cedo para falar em volume de participação”, afirma.
A Confab tem as ações ordinárias concentradas nas mãos do controlador, a Siderca, com 99,22% desses papéis, sem perspectivas de aumentar o volume de ações em circulação. Já as preferenciais, hoje 77,45% em circulação, são alvo de programa de recompra (máximo 5% do volume em circulação) que visa valorização dos papéis e bonificação – “que, de alguma forma, injeta os papéis no mercado.”