Resultado mostra estabilização do mercado após um ano de euforia. Fiat segue na liderança entre as montadoras, com avanço da Volkswagen.
Com queda em todos os segmentos, o mês de agosto mostra a estabilização do mercado de veículos. No mês foram vendidos 231.063 unidades de automóveis e comerciais leves. A redução foi de 15,34% em relação a julho, que registrou 272.926 unidades. Contando veículos em geral, que incluem também ônibus, caminhões, motos e implementos rodoviários, foram comercializadas 427.696 unidades, uma queda de 14% em relação a julho, quando foram vendidos 497.311 veículos.
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (3) pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Para o presidente da Fenabrave, Sérgio Reze, o que aconteceu no mês de agosto foi o início da acomodação do mercado. Segundo ele, isto não significa queda no fechamento do ano, já que a previsão é de que a indústria automobilística feche o ano com patamar acima de 3 milhões de veículos comercializados.
“Este patamar não vai cair como aconteceu no ‘boom’ de 1997, quando logo em seguida veio a crise no setor”, disse Reze. De acordo com ele, o potencial do Brasil é de venda de 10 milhões de veículos por ano.
A redução da demanda já era esperada pelas montadoras. Nesta semana, o presidente da General Motors do Brasil e Mercosul, Jaime Ardila, havia declarado que o mês de agosto seria de queda. Mas os números da Fenabrave mostraram que a queda foi mais forte do que o esperado pelos executivos.
A desaceleração não é justificada pelo aumento da taxa de juros, já que as taxas para financiamento de automóveis são um dos componentes de menor peso para o mercado financeiro. “O que acontece hoje é que você não consegue repor dois milhões de clientes a mais todo ano”, justificou Reze. “Essa acomodação é boa. É bom que não haja mais excesso de demanda para não gerar distorções no mercado. No caso da distribuição de veículos, por exemplo, é muito difícil formar vendedores para atender com qualidade os clientes”, observa Reze sobre o estresse causado em toda a cadeia automotiva pelos seguidos recordes de vendas.
AUMENTO DE 3,2% SOBRE AGOSTO DE 2007
Apesar dos resultados do mês, na comparação com agosto de 2007, quando começou o forte aquecimento da procura por veículos no Brasil, houve um aumento de 3,2% para automóveis e comerciais leves e na comparação de janeiro a agosto deste ano em relação aos oito primeiros meses do ano passado, o crescimento foi de 26,3%, com 1.842.062 unidades comercializadas.
Já no mercado total de veículos, o crescimento foi de 7,6% na comparação de agosto deste ano com agosto de 2007.
E o acumulado de janeiro a agosto deste ano em relação aos oito primeiros meses do ano passado, o crescimento foi de 25,4%, de 2.653.956 unidades para 3.330.219 unidades de veículos.
FIAT E VOLKSWAGEN ACIRRAM DISPUTA
Entre as montadoras, a Fiat segue na liderança do mercado de automóveis e comerciais leves com 24,9% de participação de mercado, contra 21,8% da Volkswagen no acumulado de janeiro a agosto. No mês de agosto, a Fiat teve 25,1% do mercado e a Volkswagen teve 24,9%, encostando na líder.
Tal mudança no cenário se deve, principalmente, ao lançamento da nova geração do Gol, em julho, e aos preços promocionais praticados para a versão anterior – que continua a ser vendida como modelo de entrada, a partir de R$ 25,20 mil.
A Fiat adotou o mesmo procedimento, ao lançar a linha 2009 do Mille com preços cerca de R$ 500 mais baixos que os modelos anteriores. A disputa entre os dois fabricantes deve ficar ainda mais acirrada com os lançamentos este mês dos sedãs Linea, da Fiat, e do sedã do Gol, que deverá se chamar Voyage.


