Atenção para investimentos em dólar e ouro

Diante de tanta turbulência, alguns investidores se perguntam se o momento não é de compra de dólares. Ontem, a moeda americana fechou em alta de 6,21%, a R$ 1,966, e já acumula valorização de 25,78% de agosto para cá. No ano, o ganho acumulado é de 10,64%. Mas, apesar de os economistas não enxergarem um cenário mais claro para os próximos dias, dizem que a moeda americana não é indicada como aplicação.
Na avaliação de Rodrigo Menon, sócio do escritório de aconselhamento financeiro Beta Advisors, não faz o menor sentido o investidor assumir riscos de um investimento em dólar, principalmente com a Selic em 13,75% ao ano. “Neste momento, para superar o ganho dos juros, o dólar precisaria subir para R$ 2,30, o que não se projeta, mesmo com a crise”, avalia.
A avaliação dos economistas é de que a trajetória da moeda americana tende a ser de alta, enquanto o socorro do governo americano não voltar para mais uma rodada de votação. É claro que, para o investidor mais experiente, que tem agilidade em operar no mercado, há oportunidades nos mercados de dólar, mas são poucos os que conseguem fazer isso.
A alta do ouro também enche os olhos de muitos investidores. Ontem, o metal registrou alta de 8,53%. No mês, a valorização é de 27,27% e, no ano, acumula retorno de 15,70%. Cotado em dólar no Brasil, o preço local do metal sofre a influência da moeda americana e do risco maior no mercado internacional.
Mas, após as recentes valorizações, os economistas também avaliam que o ouro não é indicado como investimento neste momento. “O ouro é muito procurado em momentos de crise, mas talvez a cotação já esteja em seu nível recorde”, diz Menon. “O investidor que pensa em sair da bolsa para ir para o ouro, por exemplo, corre o sério risco de sair de um investimento na baixa para ir para outro que está na alta”, alerta ele.

Resta a opção dos juros para os EUA

A rejeição da Câmara dos Deputados dos EUA ao plano de US$ 700 bilhões para socorrer o mercado financeiro pode levar o banco central americano e o Departamento do Tesouro a lançar mão de ferramentas que se mostraram pouco eficientes para combater a crise financeira atual. Autoridades do Fed têm relutado em usar a maior arma de seu arsenal – cortar os juros substancialmente – em parte por causa das preocupações com a inflação. Uma ação rápida pode não ser oportuna, já que outra versão do plano de socorro pode surgir.
Sem o pacote de resgate, o Fed e o Tesouro devem continuar lidando com os problemas caso a caso, à medida que eles surgirem, e inundando o mercado com crédito para ajudar firmas em dificuldade. O Fed já cortou fortemente os juros, de 5,25% para 2%, mas optou por mantê-los estáveis em meados deste mês. Na semana passada, o presidente do Fed, Ben Bernanke, disse no Congresso que, apesar da possibilidade de o cenário econômico se deteriorar bastante, ele se preocupava com a inflação, sinal de que não cortaria os juros sem pensar duas vezes. A próxima reunião do comitê de política monetária é no fim de outubro.
A rejeição do pacote teve efeito dramático nos mercados mundiais. A Bolsa de Valores de Nova York sofreu ontem a maior queda em pontos em um único dia de sua história. O índice Dow Jones caiu 6,98%. A Nasdaq, onde são negociadas ações de empresas de tecnologia, teve baixa de 9,14%. As bolsas européias também tiveram quedas. Na Bolsa de São Paulo os negócios foram interrompidos por meia hora após o Índice Bovespa ter perdido mais de 10%, para encerrar o dia com desvalorização de 9,36%.
A cotação do petróleo em Nova York encerrou o dia a US$ 96,37, com queda de US$ 10,52. Todas as principais commodities metálicas caíram, com destaque para o cobre. No mercado brasileiro, as empresas intensificaram o movimento de desmonte de posições vendidas em dólar nos mercados futuros. O resultado foi que o dólar chegou a bater R$ 2,0014 e terminou o dia em R$ 1,966. A alta foi de 6,21%, a maior desde janeiro de 1999, quando o BC teve de deixar o câmbio flutuar.

O que está em jogo nos EUA ?

Em meados de 2007, a direção da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA) tomou a decisão seminal de expandir o alcance da entidade, estabelecendo uma presença permanente fora do Brasil. Até então a UNICA limitava sua atuação internacional a encontros privados e apresentações formais em conferências ao redor do mundo.
Hoje, a UNICA mantém escritórios de representação em Washington e Bruxelas e, em breve, estará na Ásia. Se a missão da principal entidade representativa da indústria brasileira da cana-de-açúcar permanece a mesma, no entanto suas estratégias e táticas estão em constante evolução, para acompanhar a dinâmica de mudanças na conjuntura mundial.
Do ponto de vista de seus associados, o que está em jogo nos Estados Unidos? Os EUA continuam a ser o maior mercado automotivo do mundo, representando cerca de um terço das vendas mundiais de veículos, e respondendo por mais de 40% do consumo de gasolina do mundo. No país existem mais de 140 milhões de automóveis e 100 milhões entre caminhões e outros veículos. Só de gasolina os EUA consomem 150 bilhões de galões (565 bilhões de litros) por ano, o que os torna o maior mercado potencial para o etanol, tanto como ingrediente de mistura como substituindo a gasolina.
Com a perspectiva de queda nas vendas de carros novos, algo que já vem sendo observado no mercado americano, a demanda por gasolina vai cair, mas não de forma drástica ou a ponto de comprometer o potencial daquele mercado para os produtores de etanol. Este ano, os americanos devem comprar cerca de 14 milhões de veículos novos, o que, apesar da magnitude do número, representa o mais fraco volume de vendas em 15 anos. No atual verão do Hemisfério Norte, tradiconal período de pico do consumo de combustíveis, as vendas de gasolina estão 3% abaixo do esperado.
Ao reconhecer a forte dependência dos Estados Unidos em relação aos combustíveis fósseis e à necessidade de importar petróleo (70% das necessidades do país provêm de importação) para o setor de transportes, além do peso crescente da gasolina no orçamento dos consumidores, o Congresso dos EUA aprovou em 2007 uma legislação que lança as bases para uma alternativa à gasolina. Talvez nenhuma outra mudança recente, com a provável exceção da introdução dos modelos flex no Brasil, tem o potencial de mudar o mercado para o etanol de cana-de-açúcar de forma tão contundente nos próximos anos.
A nova Lei de Energia estabelece um padrão para os combustíveis renováveis (RFS, na sigla em inglês) e fixa o volume mínino de biocombustíveis que devem ser consumidos anualmente nos Estados Unidos. Para 2008, a norma exige que nove bilhões de galões (34 bilhões de litros) de combustíveis renováveis sejam adicionados aos combustíveis fósseis. Em 2022, o montante sobe para 36 bilhões de galões, ou 136 bilhões de litros de biocombustíveis.
A lei também divide a obrigatoriedade entre os biocombustíveis convencionais e os avançados. Para ser considerado avançado, o biocombustível tem de promover a redução de pelo menos 50% dos gases de efeito estufa, considerando-se a vida total do produto. A maior parte dos biocombustíveis convencionais, como o etanol de milho, é isenta da exigência em relação ao efeito estufa. O etanol de cana-de-açúcar feito no Brasil estaria entre os biocombustíveis avançados pelos padrões da RFS – a classificação do produto brasileiro está em processo de análise pela Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.
Outra mudança significativa que vem ocorrendo nos Estados Unidos são os fortes aumentos no preço da gasolina e seu efeito sobre as políticas públicas. Quando a gasolina ultrapassou US$ 4 por galão, o sentimento dos consumidores mudou drasticamente. Segundo pesquisas de opinião, o preço da gasolina é hoje a maior preocupação dos consumidores, acima da guerra no Iraque e freqüentemente ligado a aflições em relação à economia. Mais de 75% dos ouvidos dizem que o alto preço da gasolina está lhes causando dificuldades financeiras.
Ao mesmo tempo em que os hábitos de uso e a preferência pelo tipo do carro estão mudando, o foco dos consumidores (leia-se eleitores) americanos está voltado para a redução dos preços nas bombas. Os políticos se esforçam para corresponder, pois os EUA, diferentemente de outros países, não impõe altas taxas sobre a gasolina. A tributação é de cerca de 10%, contra aproximadamente 45% no Brasil.
Como os dois eventos – padrões mínimos para consumo de biocombustíveis e a crise energética – afetam a indústria do etanol no Brasil? O que exatamente está em jogo nos Estados Unidos? Primeiro, os americanos vão continuar a demandar etanol, provavelmente pelo menos até que a oferta atinja 14 bilhões de galões (53 bilhões de litros), montante da chamada “barreira da mistura”.

Com as margens de refino da gasolina muito apertadas (as margens da Valero, maior refinaria dos EUA, caíram 77% em relação ao ano passado), não é estranho que a demanda por etanol esteja crescendo rapidamente. Não apenas pela exigência federal do consumo de biocombustíveis, mas também pelo forte aumento nos preços do petróleo, os distribuidores de gasolina têm um incentivo econômico (mesmo antes do crédito fiscal de US$ 0,51 por galão que recebem por misturar) para adicionar até 10% de etanol, que custa menos, à gasolina (a EPA confirmou no início de agosto que não irá reduzir o padrão de exigência da mistura, embora continuem a vigor as pressões políticas para redução da produção do etanol oriundo de matéria-prima que serve como alimento).
Segundo, a produção de etanol nos EUA pode estar atingindo seu teto. De acordo com as melhores estimativas da indústria, a capacidade total de produção de etanol hoje é de 10 bilhões de galões (38 bilhões de litros). Se todas as usinas que hoje estão em estudo e em construção entrassem em operação a plena capacidade, o total chegaria a 13,5 bilhões de galões (50 bilhões de litros). Entretanto, a alta continuada na cotação do milho tem reduzido de forma tão significativa as margens sobre a produção do etanol derivado do cereal, que muitos observadores se perguntam se a produção efetiva vai de fato atingir o total da capacidade.
Dado que 10% da demanda por gasolina correspondem a cerca de 15 bilhões de galões (57 bilhões de litros) de etanol, seria razoável estimar que haverá uma falta de 1,5 bilhões de galões (5,5 bilhões de litros) de etanol nos EUA, se não forem consideradas as importações. Evidentemente esse cálculo supõe que o consumo de gasolina não caia significativamente e que as usinas de etanol de milho continuem a operar a plena capacidade, sendo que esta premissa é mais provável que a da queda no consumo de gasolina.
Vários estudos sugerem que as margens dos produtores de etanol de milho ficam próximas de zero quando o bushel (25,4 Kg) de milho passa de US$ 5. Como aponta freqüentemente Robert Dineen, o principal lobista da indústria americana de etanol de milho e presidente da principal entidade representativa do setor nos EUA, a Renewable Fuels Association, “não se pode produzir um bushel de milho a US$ 2 com um galão de diesel a US$ 4,5”. Isto é, o preço do milho está diretamente ligado à alta do preço do petróleo, e a matéria- prima cara (leia-se milho) pode estar fixando o preço do etanol em níveis acima dos de mercado.
Para concluir, a decisão da UNICA de se mover para o front internacional, com o estabelecimento de escritórios permanente nas principais capitais, foi a primeira ação do gênero empreendida por uma grande associação de produtores no Brasil e, creio eu, uma atitude que será vista daqui para a frente como um ponto de inflexão crítico para as industrias de cana-de-açúcar e de biocombustíveis. Por enquanto, quanta diferença esse primeiro ano de trabalho fez. Nosso desafio hoje é compreender as mudanças de conjuntura e capitalizar o potencial do agronegócio brasileiro, para expandir o alcance da indústria de biocombustíveis, não apenas pelos interesses do setor, mas também pelos benefícios da redução da dependência mundial dos cada vez mais escassos combustíveis fósseis.

Commodities preocupam com rejeição do Pacote pelo Congresso dos EUA

A não-aprovação do pacote de ajuda ao mercado financeiro, pelo Congresso dos EUA, traz grande preocupação ao setor de commodities. Haverá desaquecimento econômico por todo o mundo, o que provocará procura menor pelos produtos e novas quedas nos preços.
A avaliação é de Fernando Muraro, da Agência Rural. Esse cenário já começou a se refletir nos preços das commodities, ontem. O primeiro contrato de soja registrou US$ 10,94 por bushel (27,2 quilos) -o menor preço desde dezembro de 2007

Perdas da Aracruz em derivativos reduz recomendações de suas ações

A revelação feita pela Aracruz de que as perdas com derivativos podem superar os limites propostos pela companhia levou o Goldman Sachs a reduzir sua recomendação dos ADRs da empresa para venda. Ao mesmo tempo, a recomendação dos ADRs da Votorantim Celulose e Papel (VCP), companhia que detém 28% da Aracruz, foi revista para neutra. A explicação para a nova recomendação dos papéis da VCP, segundo o relatório do Goldman Sachs, é a possibilidade de que o anúncio da Aracruz altere o calendário e os termos do processo de consolidação que resultará na unificação de VCP e Aracruz. “Não está claro se o Grupo Votorantim e a VCP estavam cientes sobre as perdas potenciais da Aracruz com os derivativos quando definiram o preço a ser pago à participação da Arapar na Aracruz e quanto chegaram a um acordo com a Arainvest para controlar a nova companhia” diz o documento. “Se isto for uma novidade para eles (como foi para nós), o processo de consolidação pode ser atrasado e os termos podem ser alterados de forma concreta”, completa o Goldman. Com isso, a projeção do Goldman para os papéis da VCP no período de seis meses foi reduzido de US$ 34 para US$ 21, enquanto que a estimativa para o papel da Aracruz no mesmo intervalo caiu de US$ 75 para US$ 34.

Mercado receoso quanto às perdas da CSN em derivativos

Apesar de ter negado exposição alavancada em câmbio e taxa de juros, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) confirmou hoje que está em vigor um contrato de swap por meio do qual ela aposta na rentabilidade de suas próprias ações. A empresa fez o comentário após relatórios do banco JP Morgan e do Bradesco terem apontado que a empresa teria perdas entre US$ 600 milhões e US$ 700 milhões com esses derivativos. Em seu comunicado, a CSN afirmou que iniciou esse tipo de contrato em abril de 2003 e que o resultado financeiro acumulado dessa operação até o dia 26 de setembro era positivo em US$ 845 milhões. A empresa não detalha, no entanto, quanto teria perdido no curto prazo com o swap, já que suas ações recuaram nas últimas semanas. Nas suas demonstrações financeiras do segundo trimestre, a CSN afirmava que tinha um saldo de ganhos não realizados de R$ 1,980 bilhão com a operação, sendo R$ 268 milhões e R$ 508 milhões referentes ao último trimestre e semestre, respectivamente.

Quase recessão pode durar dois anos

Absoluto caos, o pós-pacote-pré-eleições americanas, ontem: o formato da ajuda de US$ 700 bilhões não agradou. Governos e autoridades monetárias correm atrás do prejuízo pelo mundo, mas, pelo jeito, Nouriel Roubini – o Mr. Doom – tem razão ao afirmar que o mundo planará sobre uma “quase” recessão por, no mínimo, dois anos. “O risco de um pânico sistêmico é maior do que nunca”, escreveu ontem em seu blog.

Em 2002, o mundo viveu forte tranco ante o processo de “limpeza” da “estúpida” alavancagem das empresas americanas, deflagrado pela crise da Enron. Em 2008, estamos assistindo a outra faxina: a do exagero extremo na criatividade de produtos financeiros, resultado da liquidez mundial. Afinal, não existiam ativos suficientes para acomodar tantos recursos livres. E ainda não há.

A equação caminha para um reequilíbrio sofrido

Votos contrários ao Pacote norte-americano foi surpreendente

Apesar da persistência da rejeição de grupos de republicanos rebeldes e alguns democratas ao plano de resgate de Wall Street, os números finais dos votos “não” surpreenderam especialistas. As análises, ainda sob o choque da queda da lei, divergem entre culpar o apego à ideologia antiintervencionista da Câmara e as ambições políticas dos deputados, que enfrentam eleições em novembro e estariam fazendo um “show” para os seus eleitores.
“Não acho que foi a palavra final”, afirmou à Folha David Epstein, diretor do Centro de Economia Política da Universidade Columbia. “Os que votarão “não” acham que não precisam ceder agora, que esperando aumentam seu poder de barganha e limitam a irritação de seus eleitores.”
Mas, para ele, o jogo é arriscado. “Se o sistema econômico colapsar ainda mais, o peso político será muito maior. Estou surpreso que esses deputados queiram arriscar tanto.”
Até a semana passada, estimava-se que havia entre 100 e 120 republicanos rebeldes. A expectativa era a de que o número caísse depois de anteontem, quando os líderes do partido na Câmara, inclusive os opositores ao plano, decidiram pressionar por sua aprovação. Mas não foi o que aconteceu.
Os deputados continuam pressionados pela opinião pública. Pesquisa do “USA Today” e do instituto Gallup afirma que apenas 22% do eleitorado quer que o Congresso aprove um plano similar ao proposto pelo governo. Outras pesquisas mostraram aprovação de até 46% ao plano, mas a rejeição ainda impõe risco muito alto para os deputados.

IDEOLOGIA EXTREMA
Ainda assim, para Michael McDonald, analista político do Instituto Brookings, a eleição não pode ser responsabilizada sozinha pela rejeição ao pacote. “Ideologia esteve muito presente. A maioria dos deputados contrários é muito conservadora e vem de distritos de direita”, afirma. “Muitos inclusive não enfrentam risco de perder suas vagas em novembro.”
Para os conservadores, o pacote de resgate a instituições falidas em Wall Street é uma perversão imperdoável ao capitalismo de mercado.
Apesar da derrota, ele e Epstein concordam que o governo não teve alternativa a não ser apresentar a lei ontem. E que a única coisa que podem fazer agora é seguir negociando. Mas estará nas mãos dos democratas, afirma Epstein, aprovar o pacote. “Se querem muito o pacote, vão ter que assumir o risco de aprová-lo com até 70% da legenda votando a favor e sem grande apoio republicano”

Mais US$630 bi são injetados no mercado pelo FED para aliviar crise

O Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) vai injetar mais US$ 630 bilhões no sistema financeiro mundial, em uma ação coordenada com outros bancos centrais para promover maior liquidez nos mercados.
A instituição aumentou seus “swaps” cambiais junto aos bancos centrais estrangeiros para US$ 620 bilhões, para disponibilizar mais dólares no mundo inteiro.
A chamada Linha de Crédito por Leilão a Termo, o programa de empréstimos emergenciais do Fed, vai aumentar de US$ 150 bilhões para US$ 450 bilhões. O BCE (Banco Central Europeu), o Banco da Inglaterra (o BC britânico) e o Banco do Japão, seu congênere japonês, estão entre os participantes.
A expansão de liquidez promovida pelo Fed é a maior desde o início da crise dos mercados de crédito, no ano passado.
“”A explosão de liquidez promovida hoje [ontem] vai acalmar os mercados de financiamento e permitir que se restabeleça lentamente a confiança entre os tomadores e os concessores de crédito”, disse Chris Rupkey, economista financeiro chefe do Bank of Tokyo-Mitsubishi, de Nova York.
“”As medidas estão sendo tomadas para aliviar as pressões evidentes que incidem sobre os mercados de crédito a termo nos EUA e no exterior”, disse o Fed em nota divulgada no site de seu conselho de diretores

Clientes do Brasil cancelam pedidos frente à desaceleração econômica

Medo da desaceleração da demanda faz clientes do Brasil frearem consumo, diz exportador.
O crédito para exportação, que estava escasso na semana passada, secou de vez ontem para as empresas, após a rejeição, pelo Congresso americano, do pacote de ajuda de US$ 700 bilhões às instituições financeiras em crise. Para contornar a restrição de financiamentos, as companhias – e não apenas as exportadoras – já estudam alternativas de emergência para obter recursos financeiros.

“O mercado parou”, afirmou Sérgio Amoroso, presidente do Grupo Orsa, um dos maiores grupos do setor de embalagem de papelão e celulose do País, que fatura US$ 800 milhões, dos quais US$ 300 milhões são provenientes de exportações. “Não sei o que vamos fazer”, disse. Segundo ele, uma das alternativas é o desconto de duplicatas. “Mas estamos estudando.”

Além da restrição do crédito à exportação, Amoroso conta que muitos importadores da China e da Europa decidiram cancelar parte dos pedidos, temendo a desaceleração da demanda em seus países. “O momento é preocupante”, resumiu o executivo, que optou por segurar os R$ 30 milhões restantes que investiria no aumento da capacidade de produção das fábricas, programado para até dezembro deste ano.

Além do setor exportador, Ricardo Hingel, diretor do Banrisul, lembrou que outros começam a sentir o impacto da crise de oferta de crédito no dia-a-dia. Nesse rol, ele aponta as lojas de varejo, que têm boa parte das vendas financiadas. “A taxa de juros já subiu e a tendência é encurtamento de prazos de pagamento. Estamos avaliando as políticas de redução”, disse.

Também as construtoras, que recentemente abriram o capital e compraram inúmeros terrenos na expectativa de conseguirem facilmente recursos de crédito imobiliário dos bancos para erguer os empreendimentos, começam a recorrer novamente ao mercado para se capitalizarem. Na sexta-feira, por exemplo, a Rossi Residencial distribuiu um comunicado informando que seu conselho de administração tinha aprovado a emissão de debêntures no valor de R$ 40 milhões, com garantia do Banco Votorantim. Segundo o comunicado, a decisão foi tomada para “incrementar a posição positiva de caixa, assegurando maior conforto durante um eventual cenário de contração de crédito”.

A construtora Even decidiu no dia 18 aumentar em R$ 150 milhões o seu capital social, por meio de emissão de ações. “As medidas contribuem para a manutenção da sua robustez financeira”, disse nota da empresa

Lista dos 100 maiores desmatadores da Amazônia

Ranking é encabeçado pelo Incra, ligado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário.
O Ministério do Meio Ambiente divulgou agora à tarde a lista dos cem maiores desmatadores do país, entre pessoas físicas e jurídicas, e as respectivas multas – aplicadas sem prejuízo de futuros processos judiciais por crime ambiental.

Curiosamente, o ranking é encabeçado pelo Incra (Instituto de Colonização e Reforma Agrária), ligado do Ministério do Desenvolvimento Agrário. O órgão, que aparece oito vezes na lista, teria desmatado cerca de 230 mil hectares entre 2006 e 2008. As multas somam mais de R$ 5 milhões

Lista dos 100 maiores desmatadores de floresta do País

Embraer também se explica sobre operações com derivativos

A Embraer reiterou ao mercado, por meio de fato relevante publicado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que utiliza instrumentos derivativos exclusivamente com o propósito de proteção dos riscos de variação cambial e flutuação das taxas de juros sem qualquer caráter especulativo. Segundo o comunicado, os instrumentos de proteção contratados pela companhia são NDFs (Non Deliverable Forwards) e swaps de taxas de juros, sem qualquer componente de alavancagem. Além disso, a companhia afirmou não ter contratos em vigor com duplo indexador nem de target forwards, e que os volumes contratados estão dentro dos limites estabelecidos pela política de proteção de riscos da empresa. As declarações foram publicadas, após companhias anunciarem perdas em operações de hedge, em função da volatilidade da taxa de câmbio.