Segundo Financial Times, Brasil corre risco de correção acentuada – Leitura altamente recomendada

Costuma-se dizer que quando os Estados Unidos pegam um resfriado, o Brasil vem abaixo com uma pneumonia. “Mas, agora, os Estados Unidos estão na UTI e nós sequer espirramos”, diz Aloízio Mercadante, membro do governista Partido dos Trabalhadores (PT) e assessor econômico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A idéia de que o Brasil, que já foi vulnerável às oscilações do mercado global, é finalmente capaz de ficar de manter-se de pé devido aos seus próprios méritos é popular dentro do governo e é confirmada pelos fatos. Mas para muitos analistas isso é confundir desejo com realidade. Eles só não sabem ainda se o Brasil terá pela frente uma correção dura e acentuada, ou se o país será capaz de planejar um pouso suave.

Não obstante, uma análise dos últimos 15 anos deixa claro que algo de fundamental de fato mudou. De 1994 a 1999, o Brasil desistiu de tentar encontrar soluções mágicas para o problema crônico da inflação galopante e abraçou a ortodoxia, introduzindo três pilares de estabilidade econômica que continuam firmemente em vigor: estipulação de meta de inflação (o que significa que o Banco Central tem liberdade para ajustar as taxas de juros para controlar a inflação), uma taxa de câmbio flutuante e superávits primários do orçamento (anteriores ao pagamento das dívidas) suficientemente volumosos para manter a relação entre a dívida pública e o produto interno bruto em uma curva descendente.

Enquanto implementava essa estrutura, o Brasil foi protegido de choques externos sucessivos – as crises mexicana, o asiática e russa ainda estão bem vivas na memória nacional – e o seu plano de estabilização esteve em vários ocasiões muito perto de perder o rumo.

Quando Lula da Silva aproximava-se da sua primeira vitória na eleição de outubro de 2002, muitos investidores temiam que um governo do PT abandonasse a ortodoxia e quebrasse o país. O valor dos ativos brasileiros despencou.

Mas, em vez disso, em uma famosa “carta ao povo brasileiro” (regida em parte por Mercadante), a equipe de Lula da Silva prometeu respeitar os contratos e não fazer nada que pudesse minar as políticas ortodoxas do governo anterior. Em vez de sair enfraquecida, a estabilidade do Brasil consolidou-se. O aumento da demanda global liderado pela China provocou uma disparada das exportações brasileiras, que baseiam-se predominantemente em commodities.

Muito dinheiro foi injetado no país. O governo brasileiro tornou-se um credor líquido nos mercados internacionais e criou uma reserva de US$ 200 bilhões (? 135 bilhões, £ 110 bilhões) em moeda estrangeira, tornando o Brasil muito menos vulnerável a crises externas. Neste ano, o país foi recompensado com status de grau de investimento pela Standard & Poor’s e a Fitch, duas das três maiores agências de classificação de crédito do mundo. O crescimento econômico, que durante duas décadas ficou em uma média de 2,5% ao ano, encontra-se agora entre 4% e 5% ao ano. Embora estes números possam ser inferiores àqueles dos outros grandes mercados emergentes, o Brasil está avançando a partir de um patamar mais elevado e, segundo os ministros, mais sustentável.

Então, o Brasil deveria sem dúvida estar bem preparado para enfrentar uma desaceleração econômica global? Walter Molano, economista do BCP Securities de Greenwich, Connecticut, acha que não. “O desacoplamento é uma história de longo prazo”, diz ele. “Cedo ou tarde a economia global será liderada pelas economias asiáticas, mas não ainda. A China ainda é relativamente pequena, se comparada aos Estados Unidos, e não é capaz de sustentar produtores de commodities como o Brasil. Tem havido muito entusiasmo e euforia, mas neste momento o Brasil está destinado a passar por uma liqüidação”.

Ele afirma que o Brasil apresentou um histórico misto no que se refere à aproveitação da disparada dos preços das commodities no decorrer dos últimos cinco anos. No setor privado, companhias como a Petrobras (petróleo), a Vale (mineração) e a CSN (aço) tornaram-se líderes globais. “Mas o governo, que sempre foi elogiado por não fazer nada, pagará agora o preço pela inação. Ele nada fez para modernizar a infra-estrutura, a qualidade da saúde e da educação ainda é terrível e a criminalidade é generalizada”.
Segundo Molano, se o Brasil acredita que não sofrerá as conseqüências de uma crise nos Estados Unidos e na Europa, o país está negando a realidade: “Não existe forma de o Brasil ocultar-se disso”.

Alexandre Lintz, economista do BNP Paribas em São Paulo, tem uma opinião semelhante. “Isso me lembra a Europa no início deste ano”, diz ele. “Todos achavam que poderiam escapar do contágio da crise das subprimes dos Estados Unidos. Mas de repente ficou óbvio que isso não seria possível”.

Ele aponta para um índice de clima econômico produzido pelo instituto Ifo de Munique e a Fundação Getúlio Vargas, uma escola brasileira de economia. O trabalho previu de maneira acertada as recessões de 1998-1999 e 2001-2002, e agora está prevendo outra.

Segundo ele, entre os fatores responsáveis por isto estão os custos crescentes de produção, causados em parte pelos preços mais elevados das commodities e também pelo aumento do custo da mão-de-obra (os salários aumentaram 10,5% em termos nominais no período de um ano até julho de 2008 e 3% após ser aplicada uma correção para a inflação no período – contra 1,7% após esta correção no período de um ano encerrado em junho). Ele também culpa uma disparada “superaquecida” de investimentos, especialmente na indústria de construção. E embora a demanda doméstica continue aumentando – impulsionada pelo acesso a um crédito mais barato – os gastos do governo também têm subido, acrescentando pressões inflacionárias.

O resultado é que o Banco Central do Brasil terá de continuar elevando as taxas de juros. A sua taxa base já aumentou neste ano de 11,25% para 13%. Ele espera que ela chegue a 15,75% até o final do ano.

Lintz acredita que o Banco Central, ao responder cedo e de forma agressiva ao aumento da inflação, será capaz de reduzir lentamente o excesso de velocidade da economia. Mas ele acha também que o crescimento brasileiro ficará paralisado no ano que vem. “Estamos apenas começando a perceber que o desacoplamento não ocorreu”.

Cresce interesse por investimentos no setor elétrico

O número de projetos habilitados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para participarem do Leilão de Energia A-3, que acontecerá no dia 17 de setembro, aumentou de 171 para 193 usinas. Esse aumento no número de projetos foi possível devido ao adiamento da licitação – prevista anteriormente para acontecer no dia 19 de agosto. Segundo a EPE, a capacidade instalada a ser leiloada soma agora 20.632,8 MW, enquanto o volume real de energia a ser colocado à venda – chamado de garantia física – representa 10.126,3 MW médios. Entre os empreendimentos habilitados estão centrais eólicas, usinas termelétricas movidas a bagaço de cana-de-açúcar e outras formas de biomassa, térmicas a gás natural, a gás natural regaseificado (proveniente de gás natural liquefeito ou GNL) e térmicas a óleo combustível.

A EPE informou que as geradoras que utilizam o bagaço de cana totalizam 49 habilitações – 18 empreendimentos que haviam sido habilitados inicialmente foram retirados por terem negociado energia no Leilão de Reserva, ocorrido no dia 14 de agosto. A maior quantidade de habilitações técnicas concedidas pela EPE foi para as usinas a óleo combustível: 86 empreendimentos, com 15.016,7 MW.

Dezesseis Estados tiveram centrais geradoras habilitadas para o leilão. São Paulo obteve um total de 35 habilitações, equivalente a 1.278,6 MW em potência instalada e 555,9 MW médios em energia. Entretanto, o Estado com maior oferta de energia habilitada para o Leilão é Pernambuco, com 22 empreendimentos representando uma capacidade de 4.121,2 MW e uma garantia física de 2.110,0 MW médios.

O Rio de Janeiro não teve projetos apresentados. O Ceará também teve elevada participação, com 22 projetos totalizando capacidade de 1.800,8 MW.

Aumento do interesse

Em nota à imprensa, o presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim, disse que o grande número de usinas habilitadas para o Leilão de 2011 demonstra o interesse dos empreendedores em realizar investimentos no setor elétrico brasileiro. “A capacidade instalada que foi habilitada pela EPE corresponde a mais de três vezes a potência do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, ou o equivalente a uma vez e meia a capacidade da usina hidrelétrica de Itaipu. É um volume suficiente para garantir a oferta de energia elétrica necessária para sustentar o crescimento econômico e social do país”, afirma.

O Leilão de Energia A-3/2008 será realizado via internet e terá como objetivo atender ao mercado das empresas distribuidoras de energia elétrica – que participarão como compradoras – a partir de 2011. Essas empresas firmarão Contratos de Comercialização de Energia em Ambiente Regulado (CCEAR) com os empreendedores que obtiverem êxito na negociação. Os CCEAR, válidos a partir de 2011, terão vigência de 15 anos.

Reservas devem duplicar com pré-sal

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira, em Campinas (SP), que a venda do petróleo da camada do pré-sal, localizada abaixo do leito marinho, será a base para o aumento das reservas internacionais de US$ 200 bilhões para US$ 400 bilhões. “Não haverá mais problemas de contas externas no Brasil e, além disso, poderemos usar parte desse recurso para estimular setores da economia”, afirmou.

Segundo Mantega, “o petróleo é uma grande vantagem que o Brasil terá para o futuro”. “Com a perspectiva de o Brasil tornar-se um grande produtor e exportador de petróleo significa que a economia vai melhorar. Com a entrada do petróleo do pré-sal, que se dará não imediatamente, mas a partir de 2010, 2011, o Brasil terá um robustecimento das contas externas, porque teremos mais reservas do que temos hoje”, afirmou.

“O presidente Lula já disse que quer direcionar uma parcela desse aumento de arrecadação, porque o petróleo é da União, o petróleo encontrado é de todos os brasileiros e uma parcela poderá ser investida, inclusive, na educação”, salientou o ministro, que fez palestra sobre Globalização Financeira e Padrão Monetário Internacional no ciclo de seminários do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

 

Inflação

 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira, em entrevista coletiva na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que o limite de 6,5% de meta para a inflação de 2008 será cumprido. “Ficaremos dentro do limite da nossa banda superior. A inflação prevista pela Focus estava em 12 meses em 6,34%, então acredito que poderá ficar entre 6,3% e 6,5%, o limite máximo da meta. Outros países já ultrapassaram (o limite), então significa que aqui a inflação está mais sob controle e em função disso não teremos de sacrificar o crescimento brasileiro. O crescimento brasileiro será um pouco menor, mas acima dos patamares históricos do Brasil, acima de 4%, 4,5%. Muito provavelmente cresceremos esse ano em torno de 5%”, disse.

 

Ele afirmou que as medidas fiscais como o aumento do superávit primário e a redução de tributos já foram tomadas. “Já tomamos medidas fiscais e monetárias. Monetárias como o aumento da taxa de juros, aumento da taxa de juros a longo prazo, aumento dos compulsórios. Do ponto de vista fiscal tomamos as medidas adequadas. Do ponto de vista monetário aí é o Banco Central que vai dizer se é preciso tomar mais medidas ou não. Eu não costumo comentar a estratégia do Banco Central. Eu acredito que eles tenham uma boa análise, uma boa avaliação e confio nas decisões do Banco Central em relação a isso.”

 

Setor público

 

Em relação às contas públicas, o ministro afirmou que o governo quer alcançar o superávit nominal até 2010 e, para isso, vai reduzir os gastos correntes, sobretudo os gastos com pessoal. Mantega disse ainda que, após esse ciclo inflacionário, o Banco Central deve voltar à trajetória de redução de juros.

 

“O resultado nominal é o que mais interessa pois é a soma dos gastos operacionais mais a conta financeira. O Brasil ficou muito tempo patinando com o desequilíbrio fiscal e tinha de olhar só para uma parte do resultado fiscal, que é o primário. Então se olhava o primário e não se olhava o resultado nominal. Aparentemente, se dizia que havia um superávit primário como se as contas estivessem equilibradas, quando na verdade, se coloca a conta de juros e há déficit nominal. Só que agora como estamos melhorando o resultado fiscal acho que chegou o momento de evoluir, valorizar, perseguir agora um superávit nominal, ter um resultado total das contas públicas positivo, incluindo também a conta de juros. Nós poderemos alcançar isso até 2010, essa é uma meta que eu tenho, uma meta da área econômica do governo e esse superávit será conseguido com o controle de aumento de gastos públicos”, disse o ministro.

 

Mantega falou que o governo trabalha pela aprovação de projeto de lei para contenção de gastos com pessoal nas esferas federal, estadual e municipal. “Temos que vigiar os gastos correntes de um modo geral. Teremos contenção no aumento de gastos de pessoal, que é o segundo maior gasto que a União possui”, afirmou. “Depois de passado esse período de inflação mais alta, o Banco Central voltará à trajetória de juros que vinha perseguindo antes. Pode-se observar que nos últimos três anos o Banco Central vinha reduzindo a taxa de juros e interrompeu essa redução a partir desse aumento inflacionário. Porém uma vez debelado esse aumento inflacionário haverá novamente redução de juros” disse.

Manter o mesmo número ao migrar para outra operadora custará $4

A partir de segunda-feira (1º), o usuário que quiser trocar de operadora de telefonia sem alterar o número terá que pagar uma taxa de R$ 4 à prestadora para a qual está mudando. O valor foi anunciado nesta sexta-feira (29) pelo presidente da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), Ronaldo Sardenberg.

A taxa paga vale, inicialmente, para as cidades de médio porte, nas quais a portabilidade será implantada primeiro. Na próxima segunda-feira o sistema começa a vigorar em oito regiões. Sardenberg explicou que o custo da portabilidade é de R$ 4,90, mas a diferença de 90 centavos será absorvida pelas empresas.

Implantação
No restante das regiões brasileiras, a portabilidade deve ser implantada até 1º de março de 2009, e, segundo o presidente da Anatel, para essas outras regiões, o valor de R$ 4 pode ser revisto.

Ele informou também que, caso seja desejo das operadoras, para atrair os clientes, o valor total da tarifa referente à transferência pode ser pago por elas.

O critério do cronograma de implantação será o DDD das localidades. O processo começará nas regiões com códigos 14 e 17 (SP), 27 (ES), 37 (MG), 43 (PR), 62 (GO) e 86 (PI).

Compromisso
O presidente disse ainda, segundo a Agência Brasil, que as 12 operadoras que apresentaram mais problemas para efetivar a portabilidade assumiram o compromisso com a Anatel de elaborar medidas internas para casos de falhas técnicas. “Isso nos dá uma tranquilidade maior e nos permite saber que existe um planejamento das empresas no caso de problemas”, afirmou Sardenberg.

Para a Anatel, a portabilidade será um estímulo à competição, à redução dos preços e à melhoria da qualidade de atendimento ao usuário.

A adoção do cronograma objetiva a implantação de forma gradativa, para garantir o funcionamento das redes e centrais de atendimento das prestadoras e minimizar os impactos do atendimento das demandas dos usuários

ANFAVEA : Investimentos de $23bi até 2011

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) anunciou, na última quarta-feira (27), que as montadoras e autopeças irão investir R$ 23 bilhões no Brasil, entre 2008 e 2011. De acordo com a Agência Brasil, o anunciou foi feito pelo presidente da Associação, Jackson Schneider, após reunião com o presidente Lula.

Schneider informou que os recursos serão destinados a pesquisas, desenvolvimento de produtos e aumento da capacidade produtiva. “A decisão de investimento é baseada no mercado brasileiro, na possibilidade de crescimento, na confiança da indústria e em relação à estabilidade dos processos regulamentares”, afirmou.

Crescimento menor
No encontro com Lula, o presidente da Anfavea afirmou que o setor automotivo deve crescer menos nos próximos meses, em relação aos anteriores. Mas também ressaltou que a queda não irá assustar as montadoras, pois se trata apenas de ajustes de mercado e não de uma crise.

Em julho, o setor fechou com alta de 33%, e para agosto, a expectativa é de que o crescimento será menor. “Cresce, mas cresce menos, representando uma acomodação natural do mercado. É totalmente aceitável”, afirmou.

O encontro também teve a participação de 19 das 27 filiadas à Anfavea. As montadoras informaram os futuros investimentos um dia antes da reunião ampliada do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), quando Lula dará visibilidade aos investimentos públicos e privados em andamento.

PETR4 – Petrobras terá $53bi do Orçamento de 2009

A Petrobras é a empresa com maior previsão de gastos no Orçamento da União de 2009. Dos R$ 79,7 bilhões previstos para as estatais federais, R$ 53,7 são previsão de gastos da Petrobras. O valor é maior do que o do ano passado R$ 40,4 bilhões. Para os investimentos da empresa no exterior, estão previstos R$ 12,4 bilhões. A Eletrobrás aparece em segundo lugar, com R$ 7,2 bilhões. Para as demais empresas do setor produtivo, o orçamento estimado é de R$ 3 bilhões.
No setor financeiro, o Banco do Brasil tem previsão de R$ 1,7 bilhão, e a Caixa Econômica Federal contará com orçamento de R$ 1,1 bilhão. Para as outras instituições, o montante será de R$ 394 milhões. Na distribuição por programas das estatais, o setor de petróleo e derivados também tem a maior projeção orçamentária para o próximo ano. São R$ 65 bilhões reservados para ações como oferta de petróleo e gás natural, refino de petróleo, pesquisa e desenvolvimento, indústria petroquímica e energias alternativas.
Para os programas de energia elétrica serão destinados R$ 7,8 bilhões, dentre os quais o Luz para Todos, programas regionais e o programa de fornecimento de energia para os sistemas isolados. As estatais também são beneficiadas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com um total de R$ 50,1 bilhões, valor 84% maior que o do ano passado. Desse total, o Grupo Petrobras terá R$ 46,3 bilhões, a Eletrobrás, R$ 2,9 bilhões, a Infraero, R$ 548 milhões, a Hemobrás, R$ 136 milhões e a Companhia Docas, R$ 80 milhões.
Execução
A definição de valores para investimento inscritos na proposta de Orçamento da União é apenas uma etapa e não representa uma garantia de uso integral desses recursos para ampliação ou expansão das atividades das companhias. A execução do Orçamento de 2008 serve de exemplo. Dos R$ 62,941 bilhões reservados para investimento das estatais, apenas R$ 20 bilhões foram utilizados entre janeiro e junho, 35% do total. O Grupo Petrobras, que tradicionalmente lidera as inversões entre as estatais, gastou no primeiro semestre R$ 17 bilhões dos R$ 50,204 bilhões que possui para investimentos.
Embora possuam cronogramas anuais específicos para investimentos, feitos em quase sua totalidade com recursos próprios das companhias, as estatais têm obrigações a cumprir com a formação do superávit primário. Por isso, algumas, principalmente a Petrobras e Eletrobras, usualmente terminam o ano sem cumprir o planejamento de investimento.

Bancos atentos ao risco operacional na hora do crédito

De certa forma, a grave crise financeira norte-americana contribuiu para o trabalho da diretora de Gestão de Risco Operacional do Barclays Capital, Catherine Cullen. Responsável pela área do banco britânico que monitora o controle de fraudes, falhas em sistemas e perdas com processos judiciais, ela considera que a preocupação com esse tipo de problema aumentou por conta das perdas bilionárias enfrentadas pelas instituições no segmento de crédito imobiliário subprime nos Estados Unidos.
Em entrevista à Gazeta Mercantil, a executiva nova-iorquina, que veio ao País participar de um evento promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), avalia que, embora a crise tenha origem fundamentalmente na avaliação de crédito, um dos erros das instituições financeiras no episódio foi tratar os diferentes riscos de forma isolada.
“Existe uma relação de causa e efeito no que vem acontecendo. Se o efeito está relacionado ao risco de crédito, por trás desse cenário existem questões operacionais envolvidas”, observa. Para ela, a crise revelou a importância de se integrar as diferentes gestões de riscos – de crédito, mercado e operacional – nas organizações.
Questionada se, antes disso, o mercado observará novos problemas entre os bancos norte-americanos, Catherine revela estar otimista: “acredito na capacidade de resistirmos à tempestade”. Ela destaca que o fato de as dificuldades dos bancos norte-americanos serem discutidas abertamente já é um avanço e representa um sinal de que o setor enfrenta a questão de forma unida.
A crise financeira não foi a única enfrentada por Catherine desde que assumiu a área de risco operacional do Barclays Capital, em setembro de 2006. A reputação dos controles internos dos bancos em geral foi colocada em xeque desde o caso do francês Jerome Kerviel, que por meio de operações fraudulentas provocou um rombo da ordem de US$ 7 bilhões ao Société Generale.
Para a diretora do Barclays, falhas no controle de risco operacional geralmente não têm uma única causa. Ela explica que os complexos modelos de gerenciamento de fraudes, em tese, são constituídos à prova de furos, mas acabam não se adequando à realidade. “É o chamado efeito ‘queijo suíço’”, compara.
Por isso mesmo, a executiva considera primordial a participação das pessoas para que a implementação dos sistemas de risco operacional funcione adequadamente. “Para que haja qualidade na informação é preciso haver qualidade no diálogo.”
De todo modo, ela afirma que nem mesmo o modelo mais avançado é 100% imune a falhas. “O gerenciamento de risco operacional não foi feito para evitar, e sim identificar e minimizar potenciais problemas”, argumenta.Para cobrir possíveis perdas relacionadas ao risco operacional, o Banco Central determinou às instituições financeiras brasileiras um reforço de capital. As novas regras seguem o acordo internacional de Basiléia II. Catherine afirma não poder avaliar os bancos brasileiros, mas diz que considera as exigências internacionais “adequadas”.
Profissionais responsáveis por apontar falhas em procedimentos internos costumam não ser tão bem vistos pelos colegas, mas Catherine afirma não sofrer esse tipo de problema. “Tem sido uma experiência muito boa”, ela diz, sorrindo, quando questionada sobre a implantação dos programas de gerenciamento de risco operacional no Barclays.
A executiva leva o otimismo nos negócios à vida pessoal, e não reclama nem mesmo da dura maratona que enfrenta todos os dias entre sua casa e a sede do banco, em Nova York, que inclui trajetos de carro, balsa e ônibus e não daria inveja a nenhum paulistano.

BNDES emite CDB s pela primeira vez

Pela primeira vez em sua história, o BNDES começou a emitir Certificados de Depósitos Bancário (CDBs), uma forma de financiamento de curto prazo pouco usual para um banco que é um dos melhores créditos do mercado. O Valor apurou que o banco já emitiu R$ 400 milhões de CDBs de seis meses, vendidos a uma taxa entre 103% a 104% ao ano do CDI. A instituição de fomento tem autorização do Banco Central para fazer este tipo de operação.

A decisão de entrar no interbancário foi tomada pelo BNDES para resolver problemas de liquidez no curto prazo, enquanto aguarda capitalização do Tesouro para cobrir suas necessidades de empréstimos este ano. Na avaliação de fontes do mercado financeiro, a entrada do banco num mercado de crédito de curto prazo bastante apertado pode vir a criar dificuldades para outros bancos aumentando a concorrência por recursos. Os bancos privados viram recentemente o custo de captação aumentar no mercado interbancário. O Itaú e o Bradesco, por exemplo, que há dois meses captavam a taxas de 98% do CDI, agora captam a 105% do CDI, pois a menor liquidez lá fora impactou com força o mercado doméstico de crédito para estas instituições.

O BNDES, entretanto, pretende usar este mecanismo do CDBs para fortalecer seu caixa somente até contar com mais recursos do Tesouro. O banco está na expectativa de receber mais R$ 15 bilhões do Tesouro a juros de mercado de 12% sacramentado por meio de Medida Provisória (MP) , que será baixada em breve para cobrir o buraco de R$ 10 bilhões que precisa para fechar seu orçamento de R$ 80 bilhões este ano.

No primeiro semestre, já havia recebido um crédito de RS$ 12,5 bilhões do Tesouro corrigidos por custo de captação externa. Na terça-feira, o Conselho Curador do FGTS aprovou a liberação de R$ 6 bilhões para reforçar o caixa da instituição de fomento numa operação envolvendo os chamados CVS, títulos públicos da carteira do FGTS. Estes títulos foram originários do esqueleto do Fundo de Compensações Salariais (FCVS) dos anos 80, do antigo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que foram securitizados. Eles têm prazo de 30 anos e pagam juros de até 6,17% ao ano.

Os recursos em CVS são considerados pelo banco uma solução parcial para seus problemas financeiros e serão usados ocasionalmente para pagar dividendos de seu balanço para o Tesouro. O banco também poderia trocar CVS por debêntures de sua emissão com a Caixa, que administra o FGTS. Mas, a emissão da primeira tranche de debêntures simples do banco, de R$ 1,5 bilhão, programada para este mês foi suspensa temporariamente por causa do fechamento do mercado.

O banco não pretende desistir de contar com recursos do Fundo de Investimento em Infra-Estrutura criado por Medida Provisória com recursos do FGTS. Este FI tem hoje uma caixa de R$ 17 bilhões.

Estas operações de captação do BNDES junto ao governo, sejam do CVS, sejam do Tesouro e do FI de Infra-estrutura (remunerado com 6% ao ano) são descasadas em relação a TJLP, taxa de correção de boa parte dos empréstimos do banco, hoje em 6,25%. Mas, o fato não é visto como problema. Isto daí o banco vai resolver com a política de cesta de moedas, ou seja, cobrando de seus tomadores um custo “blend” de TJLP mais cesta de moedas (que leva em conta a desvalorização cambial).

A busca do banco por recursos não olha apenas o curto prazo. O BNDES já está tomando dinheiro para fortalecer seu caixa de 2009, quando antevê uma demanda por recursos mais aquecida ainda que a deste ano, já que a tendência é de redução da liquidez nos mercados caso deflagre a recessão americana. Até julho o banco já tinha aprovadas operações no valor de R$ 110 bilhões, que vão desembocar em desembolsos no ano que vem. Em princípio o banco cogita contar com orçamento de R$ 90 bilhões em 2009.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar hoje uma medida provisória que garante ao BNDES mais R$ 15 bilhões para reduzir a defasagem entre os recursos disponíveis para este ano e a demanda por financiamentos. A decisão, tomada na véspera, foi comunicada na tarde de ontem pelo presidente ao ministro da Coordenação Política, José Múcio Monteiro e ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Além desses R$ 15 bilhões do Tesouro, o banco já tinha conseguido, no primeiro semestre, outros R$ 12,5 bilhões em empréstimos da mesma fonte. Nesta semana, os integrantes do Conselho Curador do FGTS também aprovaram uma operação com títulos que vai dar ao BNDES mais R$ 6 bilhões. O total obtido pela instituição presidida por Luciano Coutinho, por enquanto, é de R$ 33,5 bilhões.

Outra solução identificada pelo governo é destinar parte dos recursos do Fundo Soberano do Brasil (FSB), cujo projeto está no Congresso. A orientação do presidente Lula é garantir os financiamentos essenciais para a indústria expandir-se.

Resultados econômicos impulsionam bolsas mundiais

As bolsas americanas fecharam em forte alta ontem, com o declínio dos preços do petróleo e dados mostrando que a economia se expandiu muito mais do que o esperado no segundo trimestre impulsionando as principais ações dos setores industrial e financeiro.

Os três principais índices acionários subiram mais de 1% após o governo afirmar que um forte crescimento de exportações ajudou a elevar o crescimento econômico a uma taxa anual de 3,3% entre abril e junho, acima da estimativa preliminar de 1,9%.

O índice Dow Jones teve alta de 1,85%, a 11.715 pontos. O Standard & Poor’s 500 subiu 1,48%, a 1.300 pontos. O Nasdaq avançou 1,22%, a 2.411 pontos.

A divulgação do dado elevou o valor de importantes companhias industriais. As ações da Caterpillar, freqüentemente considerada um medidor econômico, subiram 3%.

A melhora da perspectiva econômica se juntou à mudança na alta diretoria da concessora de hipotecas Fannie Mae, o que impulsionou as ações financeiras, dando mais força ao mercado.

“Os dados de hoje do PIB foram encorajadores e isso é o que o investidor realmente quer ver: uma melhora na economia”, disse Bruce Zaro, estrategista chefe da Delta Global Advisors.

Renda fixa volta a ganhar destaque

Com a instabilidade no mercado acionário, os investimentos em renda fixa voltam a se destacar como os que ofereceram melhor rendimento no mês agosto.

Com a queda da Bolsa de valores de São Paulo (Bovespa), o seu principal índice (Ibovespa) acumula o pior desempenho no mês, até o dia 28, registrando recuo de 5,24% e baixa de 11,74% no acumulado no ano.

A saída de recursos estrangeiros pressionou o dólar (Ptax, referente à média das cotações apurada pelo Banco Central), que encerrou o mês com alta de 3,80%, acumulando no ano, no entanto, desvalorização de 8,19%. Já o dólar paralelo fechou em alta de 2,86% no mês, acumulando queda de 10% no ano.

Com a alta da taxa Selic para 13% ao ano, os investimentos atrelados às taxas de juros estiveram entre os mais rentáveis no mês. A taxa de juros dada pelo Certificado de Depósito Interbancário (CDI) apresentou, até o dia 28, alta de 1,01%, e de 7,59% no acumulado do ano. O Certificado de Depósito Bancário (CDB) Pré 30, apresentaram avanço de 0,78% no mês, somando alta de 5,76% no ano.

Por outro lado, o IGP- M (Índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) encerrou o mês em queda de 0,32%, acumulando, no entanto, no ano alta de 8,35%.Já o ouro negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F), encerrou o mês com desvalorização de 3,23%, enquanto que no ano acumula queda de 7,02%.

Os ganhos com a poupança, por sua vez, somados até o dia 28, fecharam o mês com alta de 0,66% e alta de 4,90% no ano.

Preço Alvo BEEF3 Minerva a $10.60 pela Coin

Devido ao grande potencial de crescimento da Minerva (BEEF3), além da expansão de seu setor de atuação nos últimos anos, a Coin inicia a cobertura dos papéis da companhia recomendando a compra e introduzindo um preço-alvo de R$ 10,60 para agosto de 2009. O aumento da renda no Brasil, e o movimento de urbanização de países em desenvolvimento, principalmente da China, tem ampliado substancialmente o mercado consumidor dos produtos de carne bovina, impulsionando o crescimento do setor durante os últimos anos.

TEND3 – Tenda justifica queda dos papéis

A desvalorização acentuada de papéis da Construtora Tenda (TEND3) nos últimos dois dias motivou a manifestação da companhia por meio de fato relevante, no qual esclareceu sua situação operacional. De acordo com o comunicado, a Tenda dispunha de R$109,0 milhões em caixa em 27 de agosto de 2008. Com estes recursos acrescidos aos ingressos e despesas programadas, no curso normal de seus negócios, a companhia afirma ter sua necessidade de caixa suprida até o primeiro trimestre de 2009. O documento afirma ainda que a companhia está avaliando alternativas de captação de recursos, através de diversos mecanismos, de maneira a equacionar as necessidades de recursos no médio e longo prazo para implementar o seu plano de crescimento. Em relação ao nível de alavancagem financeira, a Tenda esclarece que este se mantém baixo e deve manter uma abordagem conservadora quanto ao endividamento corporativo.