Corretoras acusam redução de até 25% nas ordens

As corretoras já falam em uma redução de até 25% no número de ordens processadas dos pequenos investidores, o suficiente para “queimar a gordura” que o segmento conseguiu desde a onda de IPOs [aberturas de capital] de 2007.
“O número de ordens caiu 25%, mas não tivemos muitos resgates. Hoje, a gente consegue dividir dois tipos de investidor. Um é o especulador, o cara que entrava e saía do mercado e que se machucou. O que aplica a longo prazo continua”, disse Roberto Lee, da Win, o homebroker da corretora Alpes.
Gabriel Leal, sócio da XP Educacional, uma escola para investidores ligada à corretora XP, afirma que a procura por cursos de dez horas de introdução ao mercado também desacelerou. “Essa crise assusta as pessoas físicas, que ficam mais afastadas. A procura [por cursos] deu uma esfriada. Continuo crescendo, mas com uma velocidade menor”, disse.
Para o matemático Marcos Crivelaro, professor da Fiap-Fatec, que também aplica na Bolsa com alguns de seus alunos, o pior dos mundos é se desesperar e vender na baixa.
“O mundo não vai acabar para quem não precisa agora daquele dinheiro. A crise serviu de lição para o investidor ver se tem perfil para assumir riscos.”
Cristiano Aparecido Leite, aluno de Crivelaro na Fatec, começou a investir na Bolsa há um ano. Hoje, divide metade do capital em um fundo conservador e a outra metade na Bolsa. Pediu reserva das ações da BM&F, mas só levou R$ 1.820.
“Só que fui ganancioso e comprei mais. Depois, caiu. Quanto mais você ganha, mais quer ganhar. Estou sendo persistente. Se você vender agora, assume o prejuízo. Não entro em desespero porque foi um dinheiro a mais que ganhei.”
Para Otto Nogami, economista do Ibmec-SP, muitos dos jovens investidores atuais não têm idade nem memória para se lembrar das crises anteriores no mercado, como a de 2001.
“A crise foi um susto que fez com que muita gente deixasse a euforia de lado e passasse a ser racional. A memória curta e a avareza acalentam o sonho de ganhar tudo. A perspectiva de ganho faz com que se assumam riscos maiores. A Bolsa tem alto risco, por isso não se deve deixar mais de 20% do capital.”

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