Os agentes do mercado deverão se focar no desempenho dos preços das matérias-primas, além de notícias sobre o setor financeiro nos Estados Unidos, na falta de indicadores relevantes nesta sexta-feira, ressaltam analistas consultados pela Agência Leia. A fala do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, também poderá ser determinante para o desempenho das bolsas. O Ibovespa futuro não acompanha a elevação dos principais mercados internacionais, na manhã em que as principais matérias-primas registram perdas. Minutos após a sua abertura, o Ibovespa futuro cedia 0,17%, aos 56.800 pontos. Bernanke discursa hoje, às 11h, sobre a estabilidade financeira durante Simpósio do Fed sobre Política Econômica no estado norte-americano de Wyoming. No Brasil, as atenções se voltam para o Indice de Preços ao Consumidor -15 (IPCA-15), divulgado há pouco pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o IBGE, o IPCA-15 registrou desaceleração para 0,35% em agosto. O indicador tem alta de 4,69% no ano e de 6,2% em 12 meses. O mercado previa inflação de 0,39% pelo IPCA-15 em agosto, segundo a média e a mediana das projeções do Termômetro Leia, pesquisa feita junto a instituições de mercado para os principais indicadores econômicos do País. Pelo conceito de mediana, 50% das previsões estão acima de 0,39% e 50%, abaixo. As projeções colhidas pela Agência Leia para o Termômetro variam entre a mínima de 0,35% e a máxima de 0,45%. Entre as notícias de empresas, destaque para o setor de telecomunicações. Ontem, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), por meio de seu Departamento de Proteção e Defesa Econômica (DPDE), abriu processo administrativo contra as operadoras Tim, Vivo, Claro e Oi por por possível prática anticompetitiva. A SDE recebeu denúncia das operadoras de telefonia fixa Global Village Telecom, Intelig Telecomunicações, Transit do Brasil e Easytone Telecomunicações. O DPDE afirma em nota que “há indícios de que a liberdade de pactuar os valores da tarifa de interconexão da rede móvel (VU-M) – a interconexão possibilita aos usuários de diferentes operadoras de telefonia fixa ou móvel realizar e receber ligações – seria utilizada de forma abusiva pelas operadoras investigadas, com a imposição de preços excludentes para o término das chamadas em suas redes”. Os preços consistiriam na prática de cobrança de altos valores de interconexão e baixas tarifas de público. No pregão de ontem, as ações da Vivo (VIVO4) cederam 2,86%, a R$ 7,80, e já acumulam perda de 13,52% em agosto. As ações PN da Tele Norte Leste (TNLP4) caíram 1%, a R$ 37,46, enquanto as ON (TNLP3) diminuíram 1,93%, a R$ 41,20. As ações da Tim fecharam em rumos opostos. Enquanto as ON (TCSL3) subiram 3,74%, a R$ 5,55, as PN (TCSL4) cederam 3,01%, a R$ 3,54. O jornal “Valor Econômico” de hoje afirma que a TAM estuda ter um sócio para sua unidade de manutenção (MRO, sigla que vem do inglês para designar manutenção, reparo e revisão) de aeronaves. A reportagem assinada por Roberta Campassi diz que o negócio é pouco representativo para a companhia aérea mas deve apresentar um dos maiores crescimentos nos próximos anos. O objetivo da TAM é atender principalmente as companhias aéreas latino-americanas. Ontem, as ações da TAM (TAMM4) caíram 3,34% a R$ 31,51. Ontem, o vice-presidente de Finanças e diretor de Relações com Investidores da Gerdau, Osvaldo Schirmer, reafirmou o interesse da empresa em ter uma unidade de produção na China. Ele não informou se a entrada no mercado chinês seria necessariamente via aquisições. “Queremos ter presença local e estamos objetivando o mercado local (chinês). Não é para montar um ponto de exportação de lá”, afirmou Schirmer, durante o 20 Congresso Apimec (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais). Ele destacou que a Gerdau vem prospectando mercado na China há dois anos, mas ainda não achou a oportunidade de negócio ideal. A empresa está presente em 15 países. No pregão de ontem, as ações da Gerdau S/A (GGBR4) aumentaram 3,06%, a R$ 29,99, e as da Metalúrgica (GOAU4), 2,55%, cotadas a R$ 40,57. Mercados internacionais Nos Estados Unidos, os mercados futuros registravam elevação. O índice futuro da Nasdaq, com vencimento em setembro de 2008, subia 0,66%, aos 1.920 pontos. Já o futuro o S&P 500, com vencimento no mesmo mês, aumentava 0,76%, aos 1.285,30 pontos. Na Europa, os mercados têm alta superior a 1%. Na bolsa de Londres, o FTSE-100 operava com ganhos de 1,68%, aos 5.40,91 pontos. O DAX 30, da Bolsa de Frankfurt, aumentava 1,14% aos 6.308,39 pontos, enquanto o CAC 40, da Bolsa de Paris, registrava valorização de 1,29 %, aos 4.360,29 pontos. O Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido ficou estagnado no segundo trimestre, em relação ao trimestre anterior, registrando o pior desempenho desde 1992, de acordo com dados revisados divulgados nesta sexta-feira pelo escritório nacional de estatísticas. O mercado previa avanço de 0,1% na comparação com o período de janeiro a março, após a medição preliminar do segundo trimestre ter apontado expansão de 0,2%. Na Ásia, as principais bolsas encerraram o pregão de sexta-feira em queda. No Japão, o índice Nikkei 225 cedeu 0,68%, aos 12.666,04 pontos, enquanto na China, o Xangai Composto recuou 1,09% e alcançou 2.405,23 pontos. O índice Kospi, em Seul, diminuiu 1,04%, somando 1.496,91 pontos. Hoje a bolsa de Hong Kong não funcionou. O mercado de petróleo opera em queda. Em Nova York, o WTI com vencimento em outubro há pouco cedia 1,41%, cotado a US$ 119,46. Em Londres, o contrato do tipo Brent para o mesmo mês tinha queda de 1,45 %, a US$ 118,41. Câmbio No início das operações do mercado de câmbio, o dólar comercial operava em alta de 0,24%, cotado a R$ 1,6150. O contrato futuro, com vencimento em setembro, aumentava 0,15%, a R$ 1,617. Juros Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2009 recuavam de 13,83% para 13,80%.Os com vencimento em janeiro de 2010 passavam de 14,66% para 14,64%.