Entrar na bolsa apenas para longo prazo, segundo WestLB

O economista Ricardo Amorim, Diretor Executivo para Mercados Emergentes do Banco WestLB, considera que o segundo semestre é favorável para a entrada de investidores de longo prazo. Segundo a análise de Amorim, a atual queda no preço de commodities, que influencia o desempenho da bolsa, é como o “estouro de uma bolha”. Para ele, depois da alta observada no primeiro semestre, os preços de commodities devem voltar para níveis próximos (mais baixos) dos praticados antes da alta. Entretanto, a perspectiva do economista é de que, “mantidos os fundamentos anteriores”, o preço deve voltar a subir. “A alta de commodities veio para ficar”, afirmou. A perspectiva para um prazo mais longo também é positiva, segundo o economista, porque a bolsa paulista, uma das poucas que subiram no primeiro semestre, está mais suscetível aos ajustes provenientes da crise internacional, pelos próximos meses.

BVMF3 BM&F Bovespa tem interesse em aquisições na América Latina

O presidente do conselho de administração da BM&F Bovespa, Gilberto Mifano, reafirmou o interesse em aquisições hoje no 20 Congresso Apimec (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais). Segundo ele, o foco internacional é buscar oportunidades na América Latina, mas ressaltou que, por enquanto, a bolsa quer investir internamente em novos produtos após a fusão. “O desafio é ir ao exterior. Não vou dizer o que vamos comprar, nem como vamos fazer”, disse Mifano. Segundo ele, com o novo cenário global, o objetivo é “comer, para não ser comido”, provocando o diretor para a América Latina da NYSE, Alexandre Ibrahim, presente na mesma mesa. Ibrahim, por sua vez, citou o número de empresas brasileiras listadas na bolsa de Nova York (33) e a média diária de volume negociado com estes papéis, de US$ 4 bilhões em 2008. “Isso demonstra o apetite dos investidores americanos por papéis brasileiros”, destacou.

PETR4 – Petrobras – Falta matéria prima para usina recém inaugurada (acredite se quiser)

O presidente Lula inaugura a Usina de Biodiesel de Quixadá, com capacidade instalada de 57 milhões de litros/ano e com investimentos de R$100 milhões. Enquanto isso, no 11º Leilão de Biodiesel promovido pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), no último dia 15, a Petrobras levou três lotes totalizando 4.000 m3 (4 milhões de litros), a um preço médio de R$ 2.603,33 por m³ (R$2,603 por litro, enquanto o preço médio do diesel vendido pelas distribuidoras aos revendedores, no Ceará, é de R$1,932 por litro), a serem produzidos na Usina de Quixadá para entrega ao mercado no último trimestre do ano. Pois bem, até aqui um “céu de brigadeiro”.Apenas um detalhe: a Usina de Quixadá inaugurada ontem não dispõe de um só quilo de matéria prima. Para atender o compromisso com a entrega dos 4.000 m³ do último trimestre muito provavelmente terá que importar soja do Estado de Tocantins. Agricultura familiar? Bem, isso é outra história.

Preço Alvo MMXM3 MMX a $33 pela Credit Suisse

Fatores como a forte demanda para o minério de ferro, a desvalorização das ações e possibilidade de ser um alvo de aquisição tornam as ações da MMX atraentes, na visão do banco de investimentos Credit Suisse. A instituição reitera sua recomendação “outperform” (expectativa de ganhos acima do mercado nos próximos 12 meses) para as ações da empresa de Eike Batista (MMXM3), com preço-alvo de R$ 33 por papel. O valor representa um potencial de valorização de 135,7% (em relação ao fechamento de ontem). Os analistas do Credit avaliam que a MMX é susceptível de ser abordada por um dos grandes “players” do setor que procuram expandir a seus ativos. Além disso, segundo o banco, uma possível aquisição da MMX pode funcionar como um movimento estratégico para garantir um ingrediente escasso. Apesar do mau humor que assombra a maioria das bolsas recentemente, o Credit destaca que o mercado do minério de ferro continua muito forte. “Além disso, acreditamos em fortes preços internacionais do aço, motivados pelos fabricantes chineses, que devem aumentar a produção no quarto trimestre, exercendo mais pressão sobre o preço do minério, próximo à data do início das negociações do reajuste”, diz o banco. O Credit Suisse destaca, ainda, que a queda das ações no mês de agosto (que já acumula 20,59%) representa uma boa oportunidade de compra. Os papéis têm valor de mercado inferior a seus pares: de 60% em relação a mina da Casa de Pedra, da CSN, e de 65% em relação a seus pares australianos. “A MMX também está operando abaixo dos múltiplos que a Usiminas pagou pela usiminas J. Mendes, de US$ 90 por tonelada”, diz o relatório da instituição.

Custo da próxima safra de soja será o mais alto em 7 anos

Produzir soja em Mato Grosso do Sul, na safra 2008/09, ficou mais caro. O custo da próxima safra é o mais elevado das últimas sete safras.

A Embrapa Agropecuária Oeste, historicamente, realiza as estimativas de custos de produção para o Mato Grosso do Sul e, neste momento, preocupada com o aumento destes custos divulga suas estimativas para produção de soja e milho para a safra 2008/09.

As estimativas de custo poderão ser diferentes daquelas obtidas pelos produtores, em função das diferenças nos sistemas de produção, nível tecnológico, gerência da propriedade, estrutura e valores dos custos de produção.

As informações de preços de insumos, serviços e máquinas foram coletadas nos municípios estudados, nos meses de junho e julho de 2008. Salienta-se que, nas estimativas de custo, foram incluídos os valores correspondentes ao seguro agrícola (PROAGRO), com taxas de 2,9% sobre o valor financiado e 2% de administração (pro-labore).

Em Dourados, a estimativa de custo, por hectare, para a soja transgênica ficou 49,1% maior que a safra passada, atingindo R$ 1.705,05 e o da soja convencional teve um aumento de 48,2%, chegando a R$ 1.657,34.

Nos demais municípios pesquisados, foram estimados apenas os custos para a soja convencional. Em Maracaju, o custo por hectare, ficou em R$ 1.767,86, um aumento de 35,5%; em Ponta Porã, R$ 1.696,95, aumento de 39,7%; em Chapadão do Sul,
R$ 1.759,07, aumento de 35,0% e em São Gabriel do Oeste, R$ 1.782,62, aumento de 41,9%.

O fertilizante é o insumo que mais exige desembolso por parte do produtor de soja. Na safra 2007/08, o produtor que gastava, em média, R$ 280,00 para adubar um hectare, na próxima safra terá de desembolsar, em média, R$ 540,00, um aumento de 92,9%.

Os herbicidas que na safra 2007/08 representavam 9,0% do custo total, na safra 2008/09 reduziram sua participação para 7,4%, apesar do aumento de alguns herbicidas. As sementes mantiveram sua participação ao redor de 6,8%.

Quanto aos fungicidas, consideraram-se duas aplicações, tendo nesta safra um impacto médio de 3,8% sobre o custo de produção. Entretanto, este impacto varia à medida que se aumentam o número de aplicações e a variedade de fungicidas.

Em relação ao milho, cultivado na safra de verão, os aumentos nos custos são semelhantes aos da soja. Em Dourados, o custo de produção por hectare, no sistema convencional, é de R$ 2.152,90 e, no sistema plantio direto, é de R$ 2.088,49. Em Chapadão do Sul, no sistema convencional, o custo é de R$ 2.525,45 e no sistema plantio direto, é de R$ 2.473,62.

Hoje, pelas estimativas apresentadas, os custos médios, por saca, estão abaixo dos preços praticados no mercado, indicando ganhos para o produtor de soja. Já os preços da saca do milho estão em baixa no mercado, podendo causar indecisões para o produtor de milho. Esta baixa está relacionada com a entrada no mercado do milho safrinha.

Bom dia ! 21/10

O mercado financeiro norte-americano continua no foco dos agentes do mercado em todo o mundo. Voltaram à pauta novos temores de que as duas financiadoras de hipotecas norte-americanas Freddie Mac e Fannie Mae possam ter que receber um socorro financeiro do governo, fato que derruba os mercados futuros norte-americanos e a maioria das bolsas européias na manhã de hoje, segundo analistas do mercado consultados pela Agência Leia. O Ibovespa futuro, contudo, não acompanha a tendência negativa das bolsas internacionais: há pouco subia 0,26%, aos 56.450 pontos, indicando uma abertura positiva para o mercado à vista, que ontem subiu 3,24%. “A nosso ver, os riscos permanecem no mercado de ações, o que nos leva a entender que este movimento de alta de ontem tratou-se apenas de uma recuperação técnica às fortes baixas dos últimos dois meses e, portanto, não significa que estamos vivendo uma inversão de tendência”, dizem os analistas da SLW corretora, em seu relatório matinal. Na agenda de indicadores norte-americanos, as atenções se voltam para o relatório sobre o número de pedidos de seguro-desemprego na semana encerrada em 16 de agosto, divulgado há pouco pelo Departamento do Trabalho. O número de pedidos caiu 13 mil, para 432 mil. A expectativa era de que o número de novos pedidos caísse em 12 mil para 438 mil. Às 11h, o Conference Board informa o índice dos indicadores antecedentes em julho. A previsão é de estabilidade, depois do avanço de 0,1% registrado no mês anterior. No mesmo horário, o Federal Reserve Bank da Filadélfia anuncia o índice que mede a atividade industrial na região em agosto. Economistas esperam uma leitura de -13,4. Em julho o índice ficou em -16,3. O valor negativo representação contração da atividade. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que a taxa de desemprego subiu de 7,8% em junho para 8,1% em julho deste ano. O rendimento médio real soma R$ 1.224,40 em julho, estável em relação ao mês anterior e 3% maior em relação a julho de 2007. Entre as notícias de empresas, destaque para a Petrobras. Segundo comunicado enviado pela estatal à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ainda não existem dados suficientes que comprovem que a região do pré-sal na bacia de Santos – onde se localizam os campos de Tupi, Júpiter, Caramba, Carioca e outros – vá demandar unificação. A estatal destaca, ainda, que a unificação é prevista na legislação (Lei do Petróleo – Lei n 9.478, de 06.08.1997) e obrigatória quando uma jazida de petróleo ou de gás natural se estende por dois ou mais blocos contíguos, cujos direitos de exploração e produção pertencem a concessionários distintos. “Para realizar unificação há a necessidade de acordo prévio entre as concessionárias e aprovação da ANP [Agência Nacional de Petróleo]. As concessionárias devem elaborar o Plano de Desenvolvimento, estabelecer os percentuais a que cada uma tem direito em relação à jazida comum, definir qual é a empresa operadora das atividades de desenvolvimento e de produção da área unificada, entre outras condições contratuais”, afirma a Petrobras. No pregão de ontem, as ações preferenciais da companhia (PETR4) fecharam em alta de 4,84% a R$ 34,21. As ordinárias ganharam (PETR3) 4,90%, sob preço de R$ 42,00. No setor de energia, a Energias do Brasil (EDP) firmou um memorando de entendimento com a MPX Energia para o projeto da UTE Porto do Pecém II, que prevê a instalação de uma unidade de geração térmica com 360 MW de capacidade instalada, localizada em São Gonçalo do Amarante, estado do Ceará. Cada empresa terá 50% de participação no projeto. A primeira fase do projeto UTE Porto do Pecém, incluindo a instalação de duas unidades de geração de energia térmica de 360 MW cada e com base em carvão mineral, é uma parceria 50/50 entre a EDP e a MPX. A UTE Pecém I já contratou 615 MW médios no leilão de energia A-5, realizado em outubro de 2007, e encontra-se em plena implantação, com obras já iniciadas. Segundo comunicado da EDP, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente – Ceará (Semace) emitiu a licença prévia para a UTE Porto do Pecém II em julho último. A licença possibilitará a participação da unidade no próximo leilão de energia A-5, previsto para setembro. As ações da EDP (ENBR3) ontem subiram 2,01%, a R$ 29,50. As a MPX (MPXE3) encerraram as negociações estáveis, cotadas a R$ 450. No setor de telefonia, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) confirmou ontem que a Vivo segue na liderança no mercado nacional, com participação de 30,25%. A Tim aparece em segundo, com participação de 25,26%; a Claro está na terceira posição, com 24,92%. A Oi tem 15,48% do mercado e está em quarto lugar, enquanto a Brasil Telecom está em quinto, com 3,74%. A CTBC Telecom Celular tem 0,31% do mercado, e a Sercomtel Celular tem participação de 0,05%. O País chegou a 135 milhões de usuários de telefonia móvel em julho, crescimento de 1,62% em relação ao mês de junho. Na comparação com o mesmo mês de 2007, a expansão foi de 16,5%. São 109 milhões de linhas pré-pagas (81% do total) e 25,7 milhões são linhas pós-pagas (19%). Somente em julho, foram 2,16 milhões de novas habilitações. No pregão de ontem, os papéis da Vivo (VIVO4) subiram 1,01%,a R$ 8,03. Mercados internacionais Nos Estados Unidos, os mercados futuros registravam perdas. O índice futuro da Nasdaq, com vencimento em setembro de 2008, caía 0,62%, aos 1.904 pontos. Já o futuro o S&P 500, com vencimento no mesmo mês, diminuía 0,51%, aos 1.267,30 pontos. Na Europa, os mercados têm sinais contrários. Na bolsa de Londres, o FTSE-100 operava em leve alta de 0,04%, aos 5.374,3 pontos. O DAX 30, da Bolsa de Frankfurt, cedia 0,76% aos 6.269,68 pontos, enquanto o CAC 40, da Bolsa de Paris, registrava desvalorização de 1,11 %, aos 4.317,15 pontos. Na Ásia, os principais mercados fecharam em queda. A maior delas foi na China, onde o índice Xangai Composto cedeu 3,63%, aos 2.431,72 pontos. No Japão, o Nikkei 225 recuou 0,77%, aos 12.752,21 pontos, enquanto o índice Kospi, em Seul diminuiu 1,83%, somando 1.512,59 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 2,58%, aos 20.392,06 pontos. O mercado de petróleo opera em alta. Em Nova York, o WTI com vencimento em outubro há pouco subia 2%, cotado a US$ 117,89. Em Londres, o contrato do tipo Brent para o mesmo mês tinha elevação de 1,95 %, a US$ 116,80. Câmbio No início das operações do mercado de câmbio, o dólar comercial operava em queda de 0,30%, cotado a R$ 1,6150. O contrato futuro, com vencimento em setembro, cedia 0,33%, a R$ 1,618. Juros Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2009 recuavam de 13,81% para 13,80%.Os com vencimento em janeiro de 2010 passavam de 14,62% para 14,64%.

ACGU3 – Guarani espera etanol mais caro na próxima entressafra

A Açúcar Guarani espera preços de etanol mais altos no próximo período de entressafra, em comparação à mesma época do ano passado. Durante teleconferência com analistas realizada nesta terça-feira, 19, o presidente da empresa, Jacyr Costa Filho, disse que o patamar elevado da demanda no mercado doméstico, aliado aos problemas climáticos que estão afetando a produtividade neste início de safra, deve elevar os preços no intervalo. Apesar de prever um cenário apertado entre oferta e demanda no mercado interno, o executivo não vê risco de desabastecimento.

No primeiro trimestre do ano fiscal 2009, período que vai de abril a junho de 2008, a produção de etanol da Açúcar Guarani totalizou 128,9 milhões de litros, o que representa um crescimento de 45% am relação ao mesmo período do ano passado. A produção de açúcar, por sua vez, caiu 6,4%. Em participação no mix de produção, o álcool avançou 10 pontos porcentuais no intervalo, atingindo 43% no primeiro trimestre de 2009. A crescente demanda por etanol no mercado doméstico e a baixa remuneração no açúcar foram os principais fatores que estimularam o aumento da produção de álcool.

Para os próximos trimestres, no entanto, a Guarani também espera fortalecimento das cotações do açúcar para a safra mundial 2008/09, em razão de uma queda na produção mundial da commodity, principalmente na Índia, União Européia e Tailândia, possibilidade de restrição nas exportações indianas e aumento da demanda por parte de países emergentes.

Também durante a teleconferência, o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Açúcar Guarani, Reynaldo Benitez, disse que a empresa tem “parte substancial das exportações hedgeadas para este ano”, mas não revelou a sua posição travada no mercado futuro e nem em qual preço.

AGEN11 – Agrenco – Relacionada – Dreyfus irá produzir e vender fertilizantes no Brasil

Dreyfus fará parcerias e aquisições e pretende ter 8% do mercado em até três anos. Insumo, usado como moeda de troca na compra de safras, é considerado estratégico; mercado deve crescer 5,5% neste ano.
A Louis Dreyfus, uma das maiores empresas de commodities agrícolas do país, vai entrar no mercado brasileiro de fertilizantes, setor que movimentou R$ 17 bilhões no ano passado e deve crescer 5,5%, em volume, neste ano.
De origem francesa, a Dreyfus quer produzir 2 milhões de toneladas anuais de fertilizantes no Brasil em dois a três anos, o que significaria participar hoje com 8% do mercado brasileiro, estimado em 26 milhões de toneladas em 2008.
“A entrada no mercado de fertilizantes é essencial para a nossa cadeia de negócios”, diz Kenneth Geld, presidente da Louis Dreyfus no país. O grupo, que atua nos mercados de soja, suco de laranja, açúcar e álcool, algodão, café e milho, consome 140 mil toneladas por ano de fertilizantes, volume que deve subir para 200 mil toneladas anuais até 2010.
Para entrar na produção e na comercialização de fertilizantes, a Dreyfus, que estima faturar US$ 4,3 bilhões no país neste ano, está formando parcerias com as chamadas misturadoras nacionais, as empresas que misturam nitrogênio, fosfato e potássio para produzir fertilizantes ou adubos.
A idéia é ainda adquirir misturadora já existente no mercado brasileiro, “que pode estar em áreas que vão do Rio Grande do Sul ao sul da Bahia”. Cerca de 120 empresas misturam e comercializam fertilizantes no país -a maioria é formada por misturadoras regionais.
O fertilizante é um insumo importante e usado pelo setor de commodities como moeda de troca com safras futuras. “Vemos esse mercado de escambo com grande potencial e atuaremos com importação, mistura e distribuição. Um terço da soja e do algodão é comercializado para os nossos concorrentes na base de troca.”
O Brasil é mais importador do que produtor dos três insumos usados para produção de fertilizantes, segundo a Anda, associação das empresas produtoras e comercializadoras de fertilizantes. No caso do nitrogênio, a importação equivale a 70% do consumo brasileiro; no do fosfato, a 50%; e, no do potássio, a 90%, diz a associação.

MERCADO INTERNO
Geld diz que o que mais motivou a Dreyfus a entrar no ramo de fertilizantes foi a expansão do mercado interno, provocada pela alta do consumo de commodities, e a necessidade comercial de contar com esse instrumento para ajudar na compra de soja e de algodão. “Nossos concorrentes já fazem isso.”
O presidente do grupo diz que os preços dos fertilizantes triplicaram nos últimos dois anos e esse é um insumo “que se tornou absolutamente crítico em termos de como ele é adquirido. Na medida em que o produtor compra o insumo em um momento, dada a grande alta de preço, ele fica entre o lucro e o prejuízo”, afirma. A Dreyfus quer que o Brasil e a Argentina concentrem a produção de fertilizantes.
O Brasil, segundo a Anda, é o quarto maior consumidor mundial de fertilizantes, atrás da China, Índia e Estados Unidos. Depois de enfrentar queda de consumo em 2005 e em 2006 por conta da taxa de câmbio, ferrugem na soja e seca no Rio Grande do Sul, o setor voltou a se recuperar em 2007 e neste ano. Segundo a Anda, de janeiro a julho deste ano, as entregas de fertilizantes somaram 13,9 milhões de toneladas, um crescimento de 20% sobre igual período do ano passado.
“A expectativa do setor é um crescimento entre 5% e 5,5% neste ano”, afirma Eduardo Daher, diretor-executivo da associação. Com a expansão do consumo de fertilizantes no país, o governo cogita definir políticas para reduzir a dependência de importação de insumos usados na produção de fertilizantes.
“Até recentemente, quando os preços dos fertilizantes estavam confortáveis, em 2005 e 2006, ninguém se comovia e não investia no setor. Agora, a situação é outra, por causa do crescimento do agronegócio. O Brasil quer desenvolver a produção dos três insumos usados na produção de fertilizantes, mas essa é política de mais longo prazo”.

PETR4 – Petrobras -Tensão pré-sal preocupa investidores internacionais

As discussões envolvendo o pré-sal e a criação de uma estatal de petróleo já começam a preocupar os grandes investidores internacionais. O problema são as indefinições do governo em relação ao modelo a ser adotado para a exploração do petróleo na camada do pré-sal da bacia de Santos.
Um dos entusiastas do país e investidor da Petrobras, o megainvestidor americano Mark Mobius, especialista em mercados emergentes, foi um dos primeiros a manifestar uma certa inquietação com essa falta de clareza do governo. Em entrevista ontem à Bloomberg, Mobius disse que “o Brasil é muito volátil e não é raro encontrar surpresas causadas por mudanças políticas”.
Há poucos dias, o mesmo Mobius, bem menos cauteloso, tinha dito, em entrevista sobre emergentes para a revista “BusinessWeek”: “O Brasil é o meu número um. O país tem feito tudo direito e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem feito escolhas certas nas políticas econômica e fiscal”.
O maior receio por parte de especialistas e da diretoria da Petrobras é que toda essa discussão em torno do pré-sal acabe assustando os investidores, e eles serão fundamentais para a exploração do petróleo na área do pré-sal.
Para extrair o petróleo na área do pré-sal na bacia de Santos, será necessário um significativo volume de recursos, e a Petrobras sozinha não terá condições de arcar com essa massa de investimentos.
Segundo estimativas do banco suíço UBS, para extrair 50 bilhões de barris de petróleo do pré-sal, serão necessários investimentos da ordem de US$ 600 bilhões, uma montanha de dinheiro que exigirá a participação de outros investidores, além da Petrobras.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirma, no entanto, que os investidores não têm o que se preocupar. O mais importante, a seu ver, é que os contratos assinados até agora serão respeitados.
“Não há razão para os empresários ficarem irrequietos”, diz Lobão.

PETR4 : Discutindo uma nova Lei do Petróleo

Com a publicação no dia 17 de julho do decreto presidencial criando uma Comissão Interministerial, o debate sobre as possíveis alterações na Lei 9.748, de 1997, a chamada Lei do Petróleo está inaugurado oficialmente. A Comissão será coordenada pelo ministro de Minas e Energia, e composta pela ministra da Casa Civil, Ministro de Planejamento, ministro da Fazenda e o ministro de Desenvolvimento. Além desses, também são membros da Comissão o presidente do BNDES, o Diretor Geral da ANP e o presidente da Petrobrás. O grupo poderá ainda “convidar especialistas ou representantes de outros órgãos e entidades, públicas ou privadas, bem como cidadãos de reconhecido conhecimento na área, para participar das reuniões e prestar assessoramento sobre temas específicos”. A princípio a Comissão deverá entregar uma proposta em até 60 dias.
A discussão sobre as alterações na atual legislação do setor de petróleo tem como base um princípio político – qual deve ser o grau de controle do Estado sobre a produção de petróleo – e um de ordem econômica – se as arrecadações do governo, em termos de royalties e participações especiais são adequadas à nova conjuntura do mercado do petróleo.
No caso do pré-sal, o argumento é que, devido à magnitude dos campos e ao baixo risco de exploração, o governo deveria ter maior controle da produção. Nos contratos de concessão utilizados hoje, a empresa que detém a concessão é proprietária do petróleo e faz a gestão da operação – decide quando e quanto vai ser produzido. Uma alternativa defendida por alguns membros do governo e da própria Petrobras seriam os contratos de partilha da produção.
Nesse caso, segundo os defensores deste modelo, o governo, representado por uma nova estatal, teria maior controle e seria proprietário de parte da produção do petróleo.
Aí surge uma outra discussão: qual deve ser essa estatal. À primeira vista, a Petrobrás seria a mais indicada. Primeiro por ter um conhecimento ímpar do setor e segundo por já ter uma estrutura e tecnologia destinada para a atividade. No entanto, a Petrobras possui seu capital aberto e dar esse tipo de controle seria beneficiar sobremaneira seus acionistas. O governo teria, portanto, duas opções: comprar as ações que estão no mercado ou criar outra estatal para a finalidade.
O ministro de Minas e Energia tem defendido a criação de uma nova estatal e o presidente da Petrobras critica essa proposta. Na realidade, essa divergência de opiniões mostra um certo desconhecimento do ministro e do presidente da Petrobras sobre os contratos de partilha da produção.
Em primeiro lugar, os contratos de partilha não são os mais utilizados nos países de baixo risco exploratório, como defende o ministro e o presidente da Petrobras. Países de baixo risco exploratório adotam contratos de serviço e constituem empresas 100% nacionais, como é caso da maioria dos localizados no Oriente Médio. Por outro lado, não dá para ter contratos de partilha sem criar uma empresa 100% nacional e isso desagrada o presidente da Petrobras.
Muitos afirmam que o que está por trás dessa discussão confusa é a necessidade da Petrobras adiar qualquer definição sobre o pré-sal neste momento. Isso porque a empresa atualmente não teria capacidade financeira, disponibilidade de equipamentos e mão de obra especializada para enfrentar as grandes petroleiras em leilões.
Portanto, o objetivo seria postergar as definições sobre a exploração de petróleo no pré-sal.
Tanto a mudança dos tipos de contratos, quanto a criação de uma nova estatal seriam objetos de alterações em lei e sabe-se que essas mudanças são morosas e burocráticas. Sendo assim, poderiam ocorrer atrasos consideráveis na licitação desses novos blocos do pré-sal, o que agradaria a Petrobras.
O princípio de ordem econômica é igualmente importante e poderia ser tratado de forma independente do principio político. Se não vejamos, com a descoberta do pré-sal o governo poderia exigir de imediato uma maior participação na chamada renda petrolífera.
Para isso, bastaria o presidente Lula revogar o atual decreto das participações especiais e publicar um outro aumentando os seus valores. Além do mais, se as áreas do pré-sal forem colocadas em leilões os bônus de assinatura cresceriam enormemente. Tudo isso pode ser feito sem alteração na atual legislação.
Uma outra discussão seria a de alterar a atual sistemática de distribuição da chamada participação governamental que inclui dentre outros os royalties e as participações especiais. Esse assunto já está sendo discutido no Congresso Nacional onde já existem projetos de lei de alguns senadores como Aloizio Mercadante e Tasso Jereissati. Esse assunto é tratado de duas formas. Os senadores propõem alterar a atual sistemática de distribuição das participações governamentais independente das descobertas do pré-sal. Em relação ao pré-sal a idéia defendida por muitos é de que deveria ser criado um fundo destinado à educação com os recursos oriundos das novas descobertas. Acho que o mais correto seria manter a atual sistemática de distribuição das participações governamentais para a produção de petróleo existente e se estabelecer uma discussão criteriosa sobre o que fazer com a riqueza do pré-sal. As autoridades do Estado do Rio de Janeiro devem ficar muito atentas a toda essa discussão. Afinal hoje é o Estado que mais se beneficia da arrecadação das participações governamentais.
Essa não é uma discussão simples, pois envolve diferentes interesses. O mais importante, independente da solução que venha a ser encontrada, é manter a transparência que existe na atual legislação. É isso que dá credibilidade, atrai novos investimentos e garante a estabilidade do setor. Caso isso seja prejudicado em função de outros objetivos, principalmente os de caráter político, estaríamos adotando um modelo mais intervencionista, o que seria o pior caminho para o país.

Pré-Sal PETR4 : Bandeira não considera ideal a criação de nova estatal

O presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de investimento do Mercado de Capitais (Apimec), Álvaro Bandeira afirmou há pouco que considera ruim a hipótese da criação de uma nova empresa estatal para a exploração da camada pré-sal. Segundo o executivo, a nova companhia seria desnecessária, uma vez que já existe a Petrobras. “Não é o caminho ideal, inclusive porque a descoberta da camada pré-sal só foi possível pelo trabalho e pela tecnologia de 37 empresas privadas com o apoio da Petrobras, que trabalham na prospecção de novas áreas”, afirmou. Para Bandeira, o argumento de que os recursos provenientes da exploração da área devem ser revertidos para a União (para ser aplicado em educação e saúde, por exemplo) e não para acionistas privados, não é o suficiente para justificar uma nova empresa. O executivo sugeriu que um meio de minimizar o impacto negativo sobre os investidores da Petrobras seria uma modelagem que considerasse a participação dos mesmos nessa possível nova empresa. “A idéia é ruim, mas se for feito um modelo que não prejudique o acionistas, será menos ruim”, afirmou. Uma das hipóteses alternativas à criação de uma nova estatal, para Bandeira, seria a negociação do aumento de participação do governo nos ganhos da Petrobras. A opção poderia tranquilizar o investidor que, segundo o executivo, enquanto não se sente seguro tenderá a retirar recursos da Petrobras. Como a criação de uma possível nova estatal ainda não foi definida, Bandeira ressaltou que é precipitado para os acionistas minoritários da Petrobras a hipótese de questionar juridicamente qualquer decisão. “É precipitado falar nisso, vai depender do modelo [de exploração do pré-sal] a ser adotado”, afirmou Bandeira.