Pré-Sal : descoberta exige mudança na Legislação

O presidente da Comissão de Regulamentação dos Marcos Regulatórios do Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), defendeu ontem mudanças na legislação que trata do setor de petróleo, diante da nova realidade criada pela descoberta dos campos do pré-sal.

O senador lembrou que, no modelo atual, existe um componente de risco para os investidores, o que, segundo ele, não ocorre no caso dos campos da camada do pré-sal.

Daí a necessidade de uma nova modelagem. Porque são campos com uma produtividade comprovada, garantida. Então, é preciso mudar a modelagem em função do pré-sal, dessa nova realidade, afirmou o senador, que foi diretor da área de Gás da Petrobras. Ele recomendou que as mudanças sejam feitas com cuidado e precisão para não afugentar os investidores privados que atuam no País.

A lei que está em vigência vem funcionando bem e foi responsável pelo grande salto na indústria do petróleo no País. Os contratos de concessão dentro desse conceito de risco vêm funcionando bem, e a lei não tem trazido nenhum tipo de problema. Pelo contrário, tem ajudado o País?, destacou Delcídio, ao participar, no Rio, do seminário 1º Legal Gás Fórum.

O senador manifestou preocupação com a politização das discussões sobre o modelo regulatório para exploração dos campos do pré-sal. A politização preocupa, mas, em algum momento, isso (a discussão) vai terminar em debate no Congresso Nacional. Não é possível promover uma discussão completamente isolada sobre o assunto, até porque esse é um tema de interesse nacional.

Para Delcídio, é preciso manter serenidade e equilíbrio nas discussões. ?É necessário mudar a legislação? É, mas é preciso também fazer a lição de casa, estudar todas as alternativas e as legislações disponíveis. Ver como funciona no Golfo do México, na Noruega, no Oriente Médio, na Costa Ocidental da África para se saber o que é melhor para a realidade brasileira.?

Sobre a criação de uma empresa para cuidar especialmente dos campos do pré-sal, o senador disse que a proposta precisa ser melhor discutida. Eu não diria, de forma peremptória, que é necessário fazer uma empresa agora. Podemos chegar a tal conclusão, mas não com os elementos disponíveis no momento. Senão, vai virar uma babel e a Petrosal vai acabar virando uma Petrossauro.

O ex-ministro de Minas e Energia Rodolfo Tourinho, autor da Lei do Gás, atualmente em apreciação no Senado, disse que é contra modificações no marco regulatório e contra a criação de uma empresa especificamente para gerir o pré-sal. Segundo ele, esses objetivos podem ser alcançados com uma simples mudança na questão do percentual recolhido pelo governo a título de participação especial.

Essa participação pode pular dos atuais 40% para 80%. Discutir o assunto é importante, mas já vir com soluções pré-fabricadas é muito complicado neste momento. Agora, sou contra a criação de uma nova estatal para o pré-sal. Aliás, eu sou contra a criação de qualquer nova estatal, afirmou Tourinho.

Restrições ao crédito desaquecem setor imobiliário

Os investimentos no setor imobiliário da China desaquecem desde julho de 2008, tanto em valor como na superfície de terreno, devido às fortes restrições nas concessões de empréstimos e as incertezas dos consumidores, segundo afirmaram estatísticas do governo chinês, difundidas hoje pela agência oficial de notícias Xinhua. O Escritório Nacional de Estatísticas da China informou que, entre janeiro e julho deste ano, os investimentos no setor imobiliário alcançaram 1,588 bilhão de iuanes (US$ 231,550 milhões), registrando um aumento de 30,9% em termos anuais. No entanto, a taxa de crescimento foi 2,6 pontos percentuais menor na comparação com o primeiro semestre de 2008. Os investimentos em projetos residenciais ficaram em 1,149 bilhão de iuanes entre janeiro e julho, alcançando um aumento de 33,7% em termos anuais. Por outro lado, o resultado foi 2,8 pontos percentuais inferior em relação aos primeiros seis meses deste ano. Do total, 45,900 milhões de iuanes foram direcionados a residências de baixo custo, representando um crescimento de 25,2% em termos anuais, mas 6 pontos percentuais menor em relação à primeira metade de 2008. Entre janeiro e julho deste ano, 148 milhões de metros quadrados (m²) de terra foram disponibilizados para o desenvolvimento do setor imobiliário, um aumento de 4,2% em termos anuais. No entanto, a taxa de crescimento foi inferior em 5,7 pontos percentuais em comparação ao primeiro semestre de 2008. Cerca de 2,229 milhões de m² de residências estiveram em construção durante o período janeiro-julho, o que significa um aumento de 22,5% em 12 meses. Por outro lado, a taxa anual de crescimento foi 1,6 ponto percentual menor ao observado entre janeiro e junho deste ano. Anteriormente, o Banco Central da China anunciou que os empréstimos aos promotores imobiliários e compradores de residências ficaram em 398,840 milhões de iuanes entre janeiro e julho deste ano, registrando queda de 170,660 milhões de iuanes em relação à igual período de 2007. Desde o final de setembro do ano passado, quando a China estendeu a concessão de empréstimos para as pessoas adquirirem uma residência, a demanda no mercado caiu. Mesmo assim, o recuo nos preços dos imóveis em algumas cidades gerou preocupação entre os consumidores. Os promotores venderam cerca de 260 milhões de m² em residências nos primeiros seis meses de 2008, por aproximadamente 1 bilhão de iuanes, o que supõe uma queda anual de 7,2% e de 3%, respectivamente. As autoridades também informaram que, entre janeiro e julho, 129 milhões de m² de vivendas comerciais foram construídas, o que representa um aumento de 6,1% em termos anuais. Este é um dos poucos casos em que a taxa de crescimento foi superior. Nesta ocasião, o aumento foi de 3,9 pontos percentuais em relação ao primeiro semestre de 2008.

CVM: medidas para solucionar problemas entre empresas e investidores

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e o Ibri (Instituto de Relações com Investidores) renovaram e ampliaram o convênio de cooperação científica e tecnológica iniciado entre as partes em 1999. O objetivo, segundo a Agência Brasil, seria a troca de informações e a realização de pesquisas conjuntas sobre os principais problemas nas relações entre empresas e investidores, a fim de solucioná-los.

Para o presidente executivo do Ibri, Geraldo Soares, o convênio é “muito frutífero para as duas entidades, porque nós colocamos preocupações em comum e tentamos verificar como a gente pode resolver aquele determinado assunto”, disse.

Um dos problemas identificados foi a política de divulgação das empresas, que envolve a comunicação com os acionistas e os agentes de mercado.

O Ibri integra o Comitê de Educação da CVM, cujo objetivo é levar educação financeira para os formadores de opinião, representados pelos professores universitários, apesar de ser aberta para qualquer público.

De acordo com dados fornecidos pela Superintendência de Proteção e Orientação aos Investidores da CVM, o número de atendimentos a investidores este ano soma 64.087 até agora. No ano passado, ao todo, foram 159.141.

IDEC: prestadoras não podem cobrar ponto-extra

Desde o último dia 05 de agosto, a Anatel (Agência nacional de Telecomunicações) abriu consulta pública para receber contribuições acerca da nova redação da Resolução 488/07, que trata, entre outras coisas, da cobrança ou não do ponto-extra. Diante disso, o Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) resolveu tornar públicas suas contribuições.

O instituto entende que, conforme expresso no artigo 30, a prestadora poderá cobrar apenas a instalação e os reparos feitos por evento mediante solicitação expressa do consumidor, não podendo cobrar pelo ponto adicional mais do que cobram pelo ponto principal.

Além disso, para o Idec, pela programação do ponto adicional não poderá mais ser cobrada mensalidade. Inclusive, defende o instituto, para que o consumidor saiba exatamente pelo que está pagando, a instalação deve ser cobrada somente uma vez.

O órgão de defesa do consumidor também toca em outros pontos polêmicos, como a escolha de terceiros para a prestação de serviços de instalação e a venda de decodificadores por outras empresas e não só pela prestadora.

O instituto entende que não permitir a escolha dos consumidores nos dois casos, fere o direito de escolha previsto no Código de Defesa do Consumidor.

A Pro Teste – Associação de Consumidores têm o mesmo entendimento, além de desaprovar a questão que diz respeito à não obrigatoriedade por parte das empresas de oferecerem o serviço de ponto-extra.

Para a associação há risco das operadoras de TV paga simplesmente não oferecerem esta opção. “A Anatel mostra, mais uma vez, que está do lado das empresas”, afirma a coordenadora institucional da Pro Teste, Maria Inês Dolci.

A Anatel receberá contribuições até o dia 25 de agosto. Após esse período, o Conselho Diretor da agência irá se reunir para avaliar as propostas recebidas e editará uma nova resolução sobre os direitos dos assinantes dos serviços de TV por assinatura.

Petróleo : com menor influência, grandes produtores perdem capacidade de amentar a oferta

A produção de petróleo começou a cair em todas as grandes empresas ocidentais de petróleo, e elas estão tendo mais dificuldade que nunca para encontrar novos campos, apesar de estarem repletas de lucros e ávidas em expandir.

Parte do motivo é político. Do Mar Cáspio à América do Sul, as companhias ocidentais de petróleo estão sendo afastadas das áreas ricas em recursos. Elas estão sendo forçadas a renegociar contratos em termos menos favoráveis e estão travando batalhas perdidas contra companhias estatais de petróleo assertivas.

E grande parte de sua produção vem de regiões maduras em declínio, como o Mar do Norte e o Alasca.

A realidade, dizem os especialistas, é que as gigantes do petróleo que antes dominavam o mercado global perderam muito de sua influência -e com ela, sua capacidade de aumentar a oferta.

“Esta é uma indústria em crise”, disse Amy Myers Jaffe, a diretora associada do programa de energia da Universidade Rice, em Houston. “É uma crise de liderança, uma crise de estratégia e uma crise de como será o futuro para as ’supermajors’”, um termo freqüentemente aplicado às maiores companhias de petróleo. “Elas estão como cervos paralisados diante dos faróis do carro. Elas sabem que têm que se mover, mas não conseguem decidir para onde ir.”

O recuo acentuado em todos os preços das commodities ao longo no último mês, de cerca de 20%, reflete a desaceleração do crescimento global e, com ela, a redução da demanda por mais petróleo a curto prazo. Mas ao longo da próxima década, o mundo precisará de mais petróleo para satisfazer as economias asiáticas em desenvolvimento, como a China. As dificuldades das companhias de petróleo sugerem que esta oferta futura muito necessária dificilmente será atendida.

A produção de petróleo não tem conseguido acompanhar o aumento do consumo nos últimos anos, uma disparidade que levou os preços do petróleo a recordes neste ano. Apesar do recente declínio, o petróleo permanece acima de US$ 100 o barril, um preço inimaginável há poucos anos, causando dor por toda a economia, dos consumidores nas bombas de gasolina à prejuízos consideráveis informados por companhias aéreas e fabricantes de carros.

A amplitude do problema da oferta ficou mais claro no mais recente trimestre, quando as cinco maiores companhias de petróleo de capital aberto, incluindo a Exxon Mobil, disseram que sua produção de petróleo recuou em um total de 614 mil barris por dia, apesar de terem apresentado US$ 44 bilhões em lucros. Foi a queda mais acentuada em cinco trimestres consecutivos de declínio.

Apesar dessa queda não parecer muito em um mundo que consome 86 milhões de barris de petróleo por dia, os mercados atuais estão tão apertados que a menor queda pode provocar alta dos preços.

Além dos campos maduros, as empresas têm contratos com países produtores cujos governos alocam menos barris de petróleo à medida que sobem os preços.

“Se tornou realmente difícil aumentar a produção”, disse Paul Horsnell, um analista da Barclays Capital. “As empresas internacionais têm um portfólio de ativos em áreas de declínio significativo e nenhuma descoberta para compensá-las.”

Em conseqüência dos apuros do setor, especialistas em energia não esperam que a oferta de petróleo crescerá neste ano em países fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A demanda global por petróleo deverá crescer em 800 mil barris por dia, em grande parte devido ao aumento da demanda na China e no Oriente Médio, apesar da queda no consumo em outros países.

Este desequilíbrio entre oferta e demanda será uma coisa que os ministros da Opep discutirão quando se encontrarem no próximo mês, para decidir se aumentam ou não sua produção. A Opep, como um todo, conta com cerca de 2 milhões de barris por dia de capacidade inexplorada de seus membros.

A nova ordem do petróleo vem surgindo há algumas décadas.

No final dos anos 70, as corporações ocidentais controlavam significativamente mais da metade da produção mundial de petróleo. Estas empresas -Exxon Mobil, BP, Royal Dutch Shell, Chevron, ConocoPhillips, Total da França e a Eni da Itália- atualmente produzem apenas 13%.

Hoje as 10 maiores detentoras de reservas de petróleo são empresas estatais, como a Gazprom da Rússia e a companhia nacional de petróleo do Irã.

A morosidade da oferta levou ao surgimento de uma indústria de previsões apocalípticas de que a produção de petróleo tinha atingido seu pico. Mas muitos especialistas em energia dizem que estas teorias de “pico do petróleo” são equivocadas. Eles dizem que o mundo não está ficando sem petróleo -em vez disso, as empresas que melhor sabem como produzir petróleo estão ficando sem lugar onde explorar.

“Ainda há muito petróleo para ser extraído, o motivo de não chamarmos isto de pico geológico do petróleo, especialmente em lugares como Venezuela, Rússia, Irã e Iraque”, disse Arjun Murti, um analista de energia da Goldman Sachs. “O que temos agora é um pico geopolítico do petróleo.”

As empresas ocidentais são muito melhores do que a maioria das companhias nacionais de petróleo, dizem os especialistas. Elas dispõem de tecnologias avançadas de exploração e podem reunir financiamento significativo para desenvolver novos campos. Mas muitos dos países exportadores desprezam a perícia delas.

Os executivos das companhias de petróleo vêem uma explicação clara: uma tendência conhecida como nacionalismo de recursos. Eles argumentam que foram afastados de regiões promissoras por uma crescente assertividade no Oriente Médio, Rússia, América do Sul e outros lugares por parte de governos determinados a manter pleno controle de seu petróleo.

Mesmo em lugares onde são autorizadas a atuar, as companhias ocidentais de petróleo enfrentam crescentes problemas. Países como Rússia, Argélia, Nigéria e Angola recentemente buscaram renegociar seus contratos com investidores estrangeiros para ficar com uma parcela maior dos lucros.

“O problema com o lado da oferta da equação é um problema de acesso aos recursos no solo, para que possam ser explorados e desenvolvidos”, disse Rex W. Tillerson, presidente da Exxon, em uma recente entrevista. “Esta é uma questão política onde os governos fizeram escolhas.”

Esta sensação de estarem confinadas ajuda a explicar por que as empresas ocidentais querem mais exploração em alto mar nos Estados Unidos. Elas a vêem como uma de suas poucas opções.

Estas empresas também tentaram diversificar. Elas se voltaram para o gás natural como uma fonte lucrativa de crescimento. Elas estão lidando com outras fontes de hidrocarbonetos, como reservas de águas profundas, petróleo pesado ou areia betuminosa. E algumas empresas, como a Shell e BP, estão investindo em combustíveis renováveis.

Sem dúvida, as companhias de petróleo podiam ter feito mais. Elas fracassaram em investir pesadamente na exploração e produção após o colapso do preço do petróleo em meados dos anos 80, que durou até os anos 90.

Em 1994, as cinco maiores companhias de petróleo gastaram 3% de seu fluxo de caixa operacional em recompra de ações e 15% em exploração. Em 2007, eles gastaram 34% do fluxo de caixa operacional em recompra de ações -na prática provocando alta de suas ações- e meros 6% da exploração, segundo números compilados por uma equipe liderada por Jaffe e Ronald Soligo, da Universidade Rice. Como resultado, alguns especialistas alertam que a oferta ficará aquém da demanda projetada ao longo da próxima década, talvez levando a preços bem acima dos níveis atuais.

Em uma recente conferência em Madri, Christophe de Margerie, o executivo-chefe da companhia francesa Total, disse que o mundo seria altamente pressionado a aumentar a oferta para além de 95 milhões de barris por dia em 2020. Há apenas poucos anos, os previsores esperavam 120 milhões de barris por dia em 2030, um nível que muitos analistas agora consideram não realista.

As grandes companhias aumentaram seus gastos de capital por volta de 2005, apesar de que grande parte do aumento visava compensar a alta do custo de desenvolvimento. A Exxon, por exemplo, espera gastar cerca de US$ 25 bilhões por ano nos próximos três anos para expandir seus negócios, em comparação a US$ 15 bilhões por ano de 2002 a 2006.

“É impressionante a diferença em comparação aos anos 70, onde muito dinheiro ia para a exploração, desenvolvimento e produção de novos recursos”, disse Paul Stevens, um pesquisador da Chatham House, uma organização de pesquisa de políticas em Londres. “Está acontecendo um pouco agora, mas não será suficiente.”

À medida que rui o poder das companhias ocidentais, o mundo poderá se tornar cada vez mais dependente de companhias controladas por governos.

Apesar de algumas estarem à altura da tarefa, como a saudita Aramco e a Petrobras do Brasil, outras, como a Sonatrach da Argélia ou a Petroleos de Venezuela, sofrem com ineficiências burocráticas e interferência política.

“Nós dependeremos das companhias de petróleo venezuelana, nigeriana ou iraniana para o futuro de nossa oferta de petróleo”, disse Bruce Bullock, diretor do instituto de energia da Universidade Metodista do Sul. “Esta é uma tendência perturbadora.”

A financeirização da produção e a crise norte-americana (recomendo leitura)

Nunca havia acontecido antes. Pela primeira vez na história da economia moderna, três crises de grande amplitude – financeira, energética e alimentar – estão em conjunção, confluindo e combinando-se. Cada uma delas interage sobre as demais, agravando, de modo exponencial, a deterioração da economia real.

Por mais que as autoridades se esforcem em minimizar a gravidade do momento, o certo é que nos encontramos diante de um sismo econômico de magnitude inédita, cujos efeitos sociais, que mal começaram a se fazer sentir, explodirão nos próximos meses com toda a brutalidade. A numerologia não é uma ciência exata e o pior não costuma ser previsto, mas 2009 pode muito bem se parecer com o nefasto ano de 1929…

Como temíamos, a crise financeira continua aprofundando-se. Aos descalabros de prestigiosos bancos norte-americanos, como o Bear Stearns, o Merrill lynch e o gigante Citigroup, somou-se o recente desastre do lehman Brothers, quarto maior banco de negócios, que anunciou, em 9 de junho, um prejuízo trimestral de 2,8 bilhões de dólares. Como foi a primeira perda desde o lançamento de suas ações na Bolsa, em 1994, o resultado teve efeito de um terremoto financeiro, nos já violentamente traumatizados EUA.

A cada dia difundem-se notícias sobre novas quebras. Até agora, as entidades mais afetadas admitem prejuízos de quase 330 bilhões de dólares, e o Fundo Monetário Internacional estima que, para escapar da catástrofe, o sistema necessitará de cerca de 950 bilhões de dólares (o equivalente à metade do PIB do Brasil).

A crise começou nos Estados unidos, em agosto de 2007, com a desconfiança nas hipotecas de má qualidade (subprime) e propagou-se por todo o mundo. Sua capacidade de se transformar e se espraiar por meio da contaminação de complexos mecanismos financeiros faz com que se assemelhe a uma epidemia fulminante, impossível de controlar. As instituições bancárias já não emprestam dinheiro entre si. Todas desconfiam da saúde financeira de suas rivais.

Ao fugir dos mercados de ações e imóveis, os especuladores fazem apostas gigantescas em contratos para entrega futura de petróleo e alimentos. É a financeirização generalizada da produção capitalista

Apesar das injeções maciças de liquidez efetuadas pelos grandes bancos centrais, nunca se vira uma seca tão severa de dinheiro nos mercados. E agora o maior temor de alguns é uma crise sistêmica — ou seja, que o conjunto do sistema econômico mundial entre em colapso.

Da esfera financeira, o problema passou para o conjunto da atividade econômica. De um momento para outro, as economias dos países desenvolvidos sofreram um desaquecimento. A Europa encontra-se em franca desaceleração e os Estados Unidos estão à beira da recessão.

O setor imobiliário é onde melhor aparece a dureza desse ajuste. Durante o primeiro trimestre de 2008, o número de vendas de moradias na Espanha caiu 29%! Cerca de dois milhões de apartamentos e casas estão sem compradores. O preço das propriedades continua a desmoronar. O aumento dos juros hipotecários e os temores de uma recessão lançaram o setor numa espiral infernal, com ferozes efeitos em todas as frentes da imensa indústria da construção. Todas as empresas desses setores estão agora no olho do furacão. E assistem, impotentes, à destruição de dezenas de milhares de empregos.

Da crise financeira passamos à crise social. E políticas autoritárias voltaram a surgir. O Parlamento Europeu aprovou, em 18 de junho passado, a infame “diretiva retorno” . Imediatamente, as autoridades espanholas declararam sua disposição em favorecer a saída da Espanha de um milhão de trabalhadores estrangeiros…

Em meio a essa situação de espanto, ocorre o terceiro choque do petróleo, com o preço do barril em torno de US$ 140. Um aumento irracional (há dez anos o barril custava menos de US$ 10) devido não apenas a uma demanda despropositada mas, especialmente, à ação de muitos especuladores, que apostam no aumento contínuo de um combustível em vias de extinção. Retirando-se da bolha imobiliária, que desinfla, os investidores alocam somas colossais em contratos para entrega futura de petróleo, o que pode levar o preço do barril a algo em torno de US$ 200. Ou seja: está ocorrendo uma “financeirizacão” do petróleo, com conseqüências como formidáveis aumentos de preços da gasolina, em muitos países, e a ira de pescadores, caminhoneiros, agricultores, taxistas e todos os profissionais mais afetados. Em muitos casos, eles exigem de seus governos ajudas, subsídios ou reduções dos impostos, com grandes manifestações e enfrentamentos.

Como se todo esse contexto não fosse bastante sombrio, a crise alimentar agravou-se repentinamente e chega para nos lembrar que o espectro da fome continua ameaçando quase um bilhão de pessoas. Em cerca de 40 países, a carência de alimentos provocou levantes e revoltas populares. A reunião de cúpula da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), foi incapaz, em 5 de junho, em Roma, de chegar a um consenso para retomar a produção de alimentos no mundo. Aqui também os especuladores, fugindo do desastre financeiro, têm parte de responsabilidade — porque apostam num preço elevado das futuras colheitas. Até mesmo a agricultura está se “financeirizando”.

BMEF3 BOVH3 BVMF3 : Não há razões para alta das ações, segundo Planner

O analista Rodney Melhados, da Planner Corretora, não vê razões para a disparada das ações da Bovespa Holding (BOVH3) e da BM&F (BMEF3) hoje. Há pouco, o papel BOVH3 subia 9,19%, a 15,56, enquanto a ação BMEF3 avançava 10,95%, a R$ 10,49. Já o Ibovespa subia 1,11%, aos 53.920 pontos. Hoje, é o último dia de negociação dos papéis BOVH3 e BMEF3. A partir de amanhã, passa a ser negociada a ação unificada da BM&F Bovespa (BVMF3), companhia resultante da fusão entre BM&F e Bovespa. Os acionistas da BM&F receberão 1 ação ordinária da BM&F Bovespa. Já os acionistas da Bovespa Holding vão receber 1,42485643 papéis da nova bolsa. A BM&F BOVESPA obteve no último dia 12 registro de companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “A troca das ações não tem influência nenhuma sobre o desempenho dos papéis. Não há nenhuma notícia que explique essa alta de hoje”, afirma Melhados, que classificou o resultado da BM&F Bovespa no segundo trimestre como “neutro” para os papéis ou seja, incapaz de estimular uma desvalorização ou apreciação mais forte. Até ontem, os papéis das bolsas enfrentavam forte desvalorização no acumulado do mês. A ação da Bovespa Holding registrava perdas de 28,03%, enquanto a ação da BM&F descia 28,19%.

Dados dos EUA preocupam, tendo inflação como centro das atenções

Os dados divulgados nesta manhã sobre a economia dos Estados Unidos “acenderam a luz amarela” no Federal Reserve (Fed, o banco centtral norte-americano), na avaliação da Gradual Corretora. Em relório divulgado nesta terça-feira, a corretora assinala que o Indice de Preços ao Consumidor (PPI, na sigla em inglês) nos Estados Unidos “acelerou fortemente e trouxe de novo a inflação para o centro do debate, agora com uma preocupação adicional”. O PPI subiu mais que o esperado no mês passado, impulsionado pela alta no setor de energia e alimentos, enquanto o núcleo também acelerou num ritmo maior do que o previsto pelo mercado. O indicador avançou 1,2% em julho e acumula uma alta de 9,8% nos últimos 12 meses, enquanto o núcleo registra ganho de 0,7% e de 3,5%, respectivamente. Economistas esperavam que o PPI subisse 0,6% e o núcleo aumentasse 0,2% no mês passado. A corretora explica que o PPI é encarado como um índice antecedente de inflação. “Se há inflação na produção, em breve esse aumento irá ser sentido pelo consumidor final”, embora esse repasse não seja imediato sublinha o relatório. “Não bastasse isso, o mercado imobiliário continua desacelerando fortemente, prossegue a Gradual. Nesta manhã, o Departamento do Comércio informou que o índice de construção de imóveis nos Estados Unidos caiu em julho em um ritmo maior do que o previsto pelo mercado. O indicador conhecido como “housing starts” desceu para uma taxa anualizada de 965 mil residências, valor 11% inferior ao número revisado de 1,084 milhão do mês anterior, divulgou há pouco. O índice acumula uma queda de 29,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. Economistas esperavam que as construções de imóveis diminuíssem 9,9% para 960 mil unidades, diante da leitura original de 1,066 milhão de junho. Na avaliação da corretora, para resolver os problemas colocados por essas duas situações, o Fed dispõe, “como qualquer banco central”, do controle da taxa básica de juros. “No começo deste ano, o BC norte-americano priorizou o crescimento, e fez uma política monetária frouxa, baixando os juros de forma acentuada. Com isso ganhou tempo para por a casa em ordem e sanar o sistema financeiro”. No entanto, a instituição norte-americana “comprou tempo” ao baixar de forma abrupta a taxa básica de juros no início do ano e fornecer liquidez ao sistema bancário, ao passo que deveria ter resolvido o problema nos mercados de crédito, segundo a Gradual, que acredita que o Fed não irá elevar a taxa básica de juros em curto-prazo.

Preço Alvo BRTP3a $51,60 pela UBS

O UBS Pactual reiterou a recomendação de compra para as ações ON da Brasil Telecom Participações no curto prazo, tendo em vista o fato de que o preço ajustado da oferta apresentada pela Oi (antiga Telemar) está em R$ 58,50 por ação, o que indica potencial de alta de 13% frente à cotação atual. Ontem, o papel da BrT fechou a R$ 51,60. “Consideramos que 13% mais Selic é um valor atrativo”, apontaram os analistas Carlos Sequeira e Antonio Junqueira em relatório nesta terça-feira. Os analistas afirmaram ainda que seguem acreditando que a compra da BrT pela Oi deverá ser concluída até o final do ano, na esteira da aprovação do novo Plano Geral de Outorgas (PGO), entre meados de setembro e outubro, conforme expectativa do governo.

Preço Alvo VIVO3 a $14,80 e VIVO4 a $12 pela Ativa

A Ativa Corretora revisou suas estimativas para as ações da Vivo (VIVO3;VIVO4) recomendando a compra dos papéis e introduzindo um novo preço-alvo de R$ 14,80 para as ações ON e de R$ 12,00 para as ações PN tendo em vista junho de 2009. De acordo com os analistas, apesar da deterioração do ambiente competitivo, as ações da companhia estão sendo negociadas com desconto em relação ao seu valor justo, sendo esse um dos principais fatores responsáveis pela recomendação.

Preço Alvo GETI4 AES Tietê a $20,50 pela HSBC

A corretora HSBC acredita que os papéis da AES Tietê (GETI4) têm chance de se valorizarem 23%, com o preço alvo em R$ 20,50 para os próximos 12 meses. Ontem, essas ações encerram o dia em R$ 16,10. Apesar de classficar a AES Tietê como “overweight”, o HSBC ressalva que a empresa é bastante conservadora em termos de crscimento. “Acreditamos que a ausência de crescimento significativo na estratégia da companhia, combinada com sua baixa alavancagem explica, parcialmente, o desconto pelo qual o papel é negociado vis-à-vis a média do setor. Além disso, o fato de que a GETI4 não possui qualquer direito de tag-along implica que a governança corporativa da companhia poderia ser melhor”, diz o relatório. Ainda de acordo com a corretora, a companhia leva vantagem por ter toda a sua energia contratada junto à Eletropaulo até 2015 com preço superior àqueles praticados no mercado cativo.

Preço Alvo CESP6 CESP a $37,40 pela HSBC – Carteira Recomendada

Os papéis da Cesp (CESP6) receberam a classificação “neutra” da corretora HSBC, que, ainda assim, estima uma valorização de 19% nos próximos 12 meses, preço alvo de R$ 37,40. Ontem, as ações encerraram em R$ 27,89. O HSBC aponta uma série de incertezas em relação aos negócios da Cesp, principalmente diante da suspensão do processo de privatização, ainda que essa continue sendo a intenção do governo do estado de São Paulo. “Se por um lado a empresa possui toda a sua energia contratada até 2012, por outro há o risco da não renovação das concessões de grande parte de suas usinas, que representam 70% de sua capacidade instalada, que vencem em 2015. Em nosso cenário de referência, adotamos a premissa de que as concessões serão renovadas, porém, com algumas imposições quanto à comercialização desta energia preferencialmente no mercado cativo”, afirma o relatório. A corretora traçou três cenários para a Cesp. No primeiro, as concessões seriam renovadas mas a privatização não ocorreria. Neste caso, o preço alvo das ações seria de R$ 37,40. Num segundo cenário, ocorreria a privatização e a renovação das concessões. Esta seria a melhor das hipóteses, segundo o HSBC, com preço alvo dos papéis CESP6 em R$ 49,92. A terceira hipótese levantada é a não renovação das concessões e a não privatização. Este seria o pior cenário, e o papéis poderiam chegar a R$ 28,80. O documento do HSBC destaca ainda que a estatal paulista possui uma dívida “extremamente alta”, sendo 34% dela em moeda estrangeira.