Gargalos logísticos limitam exportações brasileiras

A Pesquisa “Competitividade Brasileira nas Exportações”, elaborada pelo GVcelog – Centro de Excelência em Logística e Cadeias de Abastecimento da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP), destacou hoje que custos de transporte, tarifas cobradas por administradores portuários e aeroportuários e a taxa básica de juros brasileira são os principais gargalos para as vendas ao mercado externo. Elaborada no primeiro semestre deste ano com 258 empresas exportadoras brasileiras e multinacionais, a pesquisa identificou 11 fatores que concentram os gargalos do processo de exportação. São eles os incentivos, a competitividade e a tributação, com criticidade considerada muito alta; infra-estrutura, legislação e burocracia, com criticidade alta; oferta logística, documentação, sistemas de informação e acesso a recursos financeiros, com criticidade mediana; e limitações da empresa, com criticidade baixa, segundo as próprias companhias. Foram elencados 172 gargalos que poderiam prejudicar o processo de exportação e a maior parte deles esteve associada à esfera de administração pública. Pesquisa semelhante desenvolvida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 855 empresas entre novembro e dezembro de 2007 mostrou que a taxa de câmbio foi considerada um entrave à expansão das exportações por 82,2% das companhias; os custos portuários e aeroportuários, por 41,5%; e a burocracia alfandegária, por 38,7%. O crescimento da participação do Brasil nas exportações mundiais se arrefeceu nos últimos anos e a redução dos investimentos é destacada como uma das causas para a perda de competitividade brasileira. “Com a alta de juros, há dúvidas se este processo de investimentos, retomado em 2006, se sustentará”, comentou Sandra. “A infra-estrutura é um gargalo importante. Esperamos que as reformas aumentem a oferta de sistemas de transportes e contribuam para a redução dos custos. O grande gargalo a ser enfrentado nos próximos anos pelo Brasil é o logístico”, assinalou a economista. Para o professor Manoel Reis, coordenador do Gvcelog, existe maior consciência do governo em relação aos problemas enfrentados pelos exportadores, mas é necessário que o processo seja agilizado. “Existe um progresso de consciência, mas é necessário acelerar estr processo. Nossa velocidade tem sido menor que a do resto do mundo”, ponderou. Segundo Reis, a pesquisa elaborada deverá ser entregue para empresas e governo.

PETR4 : Estimativas levam reservas de petróleo a 55bi de barris com Pré-Sal

O pré-sal da bacia de Santos quadruplica as reservas de petróleo do Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Geólogos de Petróleo (ABGP). Com os novos campos localizados abaixo da camada de sal na bacia que vai de Santa Catarina ao norte do Rio de Janeiro, as jazidas brasileiras passam dos 13 bilhões de barris (provados) para cerca de 55 bilhões de barris, segundo as estimativas. E até 12 bilhões de barris encontram-se em áreas sem concessão, que não foram licitadas, sendo, portanto, da União. Para uma fonte da Petrobras, as projeções são conservadoras.
“Nossa expectativa em relação ao pré-sal se aproxima dos números divulgados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo)”, afirma Márcio Melo, presidente da ABGP. O diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, falou em abril que apenas o campo de Carioca teria reservas de 33 bilhões. A Petrobras já divulgou que a reserva de Tupi possui de 5 a 8 bilhões de barris de óleo.
Melo citou os maiores países produtores de petróleo e gás, o que coloca a Rússia em primeiro lugar do ranking. Por esta classificação, que inclui gás natural, o Brasil ficaria em 12º lugar, mesmo com as novas reservas do pré-sal (considerando o total de 55 bilhões de barris). “Temos grande potencial mas o Brasil não é uma Arábia Saudita”, avalia o representante dos geólogos.
Em palestra onde apresentou dados sobre o pré-sal, Melo comparou o maior campo de petróleo do país árabe com Tupi. Mostrou que o campo de Ghawar possui 250 quilômetros de extensão e produz 5 milhões de barris por dia. E Tupi tem 35 quilômetros, com possibilidades bem menores. “Não dá para passar disso com nosso cenário geológico (55 bilhões de barris)”.
Uma fonte da Petrobras avalia que as estimativas da ABGP são conservadoras demais. Ligado à área de exploração e produção da Petrobras, o executivo citou estimativas do ex-diretor Newton Monteiro, segundo as quais o País tem, sim, reservas comparáveis às da Arábia Saudita, o maior produtor de petróleo do mundo. A fonte, que não quis se identificar, avalia que há mais petróleo nas áreas que não foram concedidas do que nos blocos já licitados, ao contrário do que estima Melo.
Pelas estimativas de Melo, realizadas pela sua consultoria HRT, de 8 bilhões de barris a 12 bilhões de barris não foi licitado no pré-sal de Santos. Se o governo criar uma estatal para administrar petróleo, então, esta empresa vai ser dona deste volume. Outros cerca de 30 bilhões já estariam nas mãos da Petrobras e suas parceiras multinacionais.
O petróleo que não foi licitado motiva o governo a procurar alternativas ao modelo atual de concessão, pelo qual as empresas são detentoras do petróleo, assumem o risco exploratório e em troca da produção pagam royalties e participações especiais. Fontes ligadas aos participantes do grupo interministerial criado para decidir o futuro do pré-sal afirmam que o Planalto já optou pelo regime de partilha com a gestão de uma estatal que não será a Petrobras. Os papéis da companhia estão em plena queda e os acionistas reclamam da criação de uma nova empresa.
“E como é que ficará a Petrobras? Foi graças à Petrobras que o Brasil está descobrindo esse petróleo e agora querem tirar isso dela”, defende Melo. O especialista avalia que qualquer decisão do governo é válida, desde que seja rápida, para não afugentar investidores e não prejudicar a Petrobras. A empresa liderou perda de valor de mercado entre todas as companhias da América Latina.

CVM regulamenta divulgação de Fluxo de Caixa

Além das normas que estão em audiência pública, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM ) divulgou a regulamentação final que as companhias abertas deverão seguir na apresentação da Demonstração dos Fluxos de Caixa nos seus balanços. As regras estão contidas na Deliberação nº 457 que adota o Pronunciamento Contábil 3 emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC).

Embora já seja feita por muitas empresas, a divulgação obrigatória do fluxo de caixa foi determinada pela Lei 11.638, que atualizou a parte contábil contida na legislação original das sociedades anônimas. A regulamentação que foi publicada pela CVM deverá ser adotada a partir do balanço anual encerrado em dezembro deste ano.

Segundo o CPC, o Pronunciamento 3 teve como base a regra emitida pelo Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade para o mesmo tema (IAS 7). A minuta da norma ficou em audiência pública entre março e abril deste ano e hoje o CPC divulgou os pedidos de alteração que foram aceitos e aqueles que foram rejeitados.

Entre as mudanças em relação ao texto da minuta, destaque para a retirada da norma do trecho (no item 8) que determinava que, para ser considerada como uma aplicação de liquidez, equivalente a caixa , o investimento deveria ter vencimento inferior a três meses.

O CPC tirou da regra final ainda a recomendação para que as empresas usem o método direto para apresentar a demonstração do fluxo de caixa. Ficará a critério da empresa usar este ou o indireto, com ajustes feitos a partir do lucro líquido.

Preço Alvo IDNT3 Ideasnet a $11, segundo Prosper

O balanço da Ideiasnet referente ao segundo trimestre de 2008 agradou a Prosper Corretora. Em relatório, o analista André Segadilha aponta que os destaques foram os resultados da Officer Distribuidora, com um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de R$ 7 milhões, um crescimento de 126,5% se comparado ao segundo trimestre de 2007; e da PADTEC, que obteve um crescimento de 81% em sua receita líquida, em relação ao mesmo período do ano passado, além do forte crescimento de 36,9% do Ebitda. “Ressaltamos a nossa expectativa positiva para a empresa, com aumento do consumo de produtos de infraestrutura de redes de voz, além do crescimento da demanda por serviços de alta tecnologia em comunicação óptica”, afirma o especialista em relatório. Por conta desta perspectiva, a Prosper Recomenda a Compra do papel da empresa a um preço justo de R$ 11.

Para Link, VALE e CSN são Top Pick

Fundamentando-se no aquecimento da demanda, os executivos da CSN (CSNA3) classificaram as perspectivas para o reajuste do minério em 2009 como “muito boas”. Na mesma linha de comentários recentes da Vale (VALE3,VALE5), a siderúrgica afirmou que o Brasil deve buscar um prêmio sobre o minério nacional devido a sua qualidade superior.

Conforme análise da Link Investimentos, apesar da recente desvalorização dos papéis de ambas as companhias citadas, as perspectivas favoráveis para o minério de ferro não se alteraram.

Todavia, os analistas enxergam certa limitação pelo lado da oferta, já que as novas jazidas minerais não possuem uma qualidade adequada, o que aumenta os custos de exploração e de produção de aço.

Novos reajustes
Os analistas da instituição reiteram que, mesmo que ocorra uma desaceleração mundial, com o enfraquecimento das economias da Europa, EUA e China, ainda há muita escassez do produto e novos reajustes devem continuar, principalmente no curto prazo.

Outro ponto destacado foi a estratégia das brasileiras de remunerar melhor a qualidade do minério nacional, considerada positiva e que deve ser aceita pelas siderúrgicas. Este ano, a Vale já conseguiu um reajuste para o minério de ferro de Carajás, de melhor qualidade.

Momento para comprar
Desta forma, a Link não vê motivos para a queda exagerada dos papéis de Vale e CSN, uma vez que as expectativas para o mercado de minério de ferro continuam positivas, e, nos outros mercados onde as companhias atuam, a situação não é crítica.

Assim, os analistas acreditam que o atual momento seja uma grande oportunidade de compra para os papéis das companhias, que continuam entre os top picks da instituição.

Inflação reduz consumo

O brasileiro está consumindo menos, principalmente em função da alta generalizada de preços nos últimos meses. Estudo realizado pela Latin Panel indica que houve retração de 2% no volume de compras de 67 categorias das cestas de alimentos, bebidas, higiene pessoal e limpeza doméstica de janeiro a junho deste ano, em comparação com o mesmo período no ano passado.

De acordo com o levantamento da Latin Panel, a cesta de alimentos foi a mais afetada, com queda de 3% no volume comprado nos primeiros seis meses deste ano.

O preço médio do conjunto das cestas também subiu, registrando alta de 7% nos seis primeiros meses de 2008.

Consumo menor…
O conjunto dos dados indica uma situação diferente daquela verificada no primeiro semestre de 2007. Nesse período, o consumo estava em expansão e o volume de compra das famílias havia crescido 6% em relação ao primeiro semestre de 2006.

Entre as maiores quedas no consumo de itens alimentícios, destacam-se as categorias de leite pasteurizado em saquinhos (-24%), a farinha de trigo (-15%), os sorvetes (-14%), os bolos prontos industrializados (-13%) e as polpas e purês de tomate (-12%).

Os produtos de limpeza também tiveram o consumo reduzido no semestre, com queda de 2% no volume comprado. Bebidas e produtos de higiene pessoal registraram estabilidade.

…e menos variado
Ainda conforme divulgado pelo relatório, as compras dos consumidores ficaram menos diversificadas. No primeiro semestre de 2007, na média Brasil, que inclui todas as classes e todas as faixas de renda, o consumidor levava para casa, em média, 30 categorias todos os meses.

No primeiro semestre de 2008, este número caiu para 28. A restrição foi mais forte nas classes D e E, que levavam em média 24 categorias contra 22 no primeiro semestre deste ano. Mas as classes A e B também fizeram cortes (35 para 34), bem como a classe C (33 para 32).

Preço Alvo BISA3 CYRE3 GFSA3 PDGR3 RDNI3 RSID3, pelo Citibank

Em comentário sobre o setor imobiliário na América Latina, os analistas do Citi ressaltaram o bom desempenho geral das empresas de seu universo de cobertura durante o segundo trimestre de 2008, bem como a forte penalidade sofrida por seus papéis.

Liderada por Cecília de Castillo, a equipe de analistas do Citi ressaltou que os múltiplos com que os papéis das empresas têm sido negociados estão muito abaixo do patamar historicamente verificado.

Caso seja comparada a média em 12 meses da razão de preço sobre lucro das ações com os valores atuais, será verificado um desconto próximo a 37% das seis empresas cobertas pela instituição no Brasil. Fenômeno semelhante ocorre em outro importante mercado da região coberto pelos analistas, o mexicano.

Resultados
Tamanho descompasso é explicado em grande parte pelos fortes resultados obtidos entre os meses de abril e junho, tendo as receitas das companhias na região crescido 114%, ao passo em que o Ebitda (geração operacional de caixa) expandiu-se 103%.

Crescimento menor foi verificado no lucro das companhias, cuja expansão média foi de 63%, resultado dos impactos sobre as margens do maior custo de crédito e de maiores despesas gerais e administrativas, revela o estudo.

Descolamento
Por outro lado, o bom desempenho operacional das companhias parece não ter reflexo nas bolsas, conforme revela o índice InfoMoney do setor Imobiliário e Construção, que aponta queda de 8,7% desde o início do mês de agosto.

De acordo com os analistas do Citi, “o mercado não apenas tem ignorado o crescimento, como também penalizado severamente qualquer queda comparativa ou desvio das metas estabelecidas”, com foco sobre pontos como a velocidade das vendas e a flexibilidade financeira das companhias.

Confira as recomendações do Citi para o setor:

Empresa Recomendação Preço-alvo Upside*
Brascan Compra R$ 19,00 185,7%
Cyrela Compra R$ 35,00 68,4%
Gafisa Compra R$ 57,00 135,6%
PDG Compra R$ 40,00 91,4%
Rodobens Compra R$ 30,00 53,9%
Rossi Compra R$ 23,00 89,9%

*Potencial de retorno estimado com base no preço das ações no pregão de 15/08/2008

Segundo Merryll , queda das commodities não tira potencial do Brasil

O banco norte-americano de investimentos Merrill Lynch divulgou hoje um relatório, afirmando que os impactos da possível queda nos preços das commodities na balança comercial do Brasil deve ser menor do que se imagina, em termos líquidos, e não ameaça os fundamentos macroeconômicos do País. Segundo o banco, a retração no superávit comercial brasileiro, associada à queda recente nos preços das commodities, gerou receio sobre a capacidade do País em manter o saldo positivo na balança comercial. Na avaliação do Merrill Lynch, este receio é baseado na crença de que o crescimento brasileiro foi apoiado no ciclo de alta das commodities e pode sofrer sérios impactos se este chegar ao fim – o que seria uma falsa premissa na análise do Merrill. O banco de investimentos explica que o Brasil continua com a economia “relativamente fechada”, sendo que o comércio exterior não tem uma participação volumosa no Produto Interno Bruto (PIB). Numa simulação, o banco projetou os resultados da balança comercial de países latino-americanos, utilizando os preços médios das commodities de 2000 a 2004, para buscar mensurar o impacto da ciclo de alta nos preços nos saldos comerciais. No caso do Brasil, o banco afirma que o impacto é “modesto”, de cerca de 1,2% o PIB, sendo “o menor entre os países da amostra”. “A contração no superávit comercial deve-se principalmente ao aumento do volume importado”, concluí o relatório. O banco espera, entretanto, que o superávit comercial do País continue encolhendo, mas como resultado de cenário um aquecimento da demanda doméstico, associado à desaceleração da economia mundial. Esta queda, assim como o déficit em conta corrente, não deve representar um risco macroeconômico, segundo o relatório. Em curto-prazo, entretanto, a queda no preço de commodities pode ter impactos nagativos no valor de ativos brasileiros, uma vez que, de acordo com o relatório, a participação das commodities no índice MSCI Brasil é aproximadamente de 60%.

SMTO3 – São Martinho espera por melhora dos preços de anidro e hidratado

Depois de apurar prejuízo líquido de R$ 26,2 milhões no primeiro trimestre do ano fiscal 2009, o que representou aumento de 126,3% em relação a igual período de 2008, a São Martinho está contando com a melhora de preços do açúcar e do etanol ao longo da safra para ter um desempenho mais favorável no período. “Esperamos que os preços de anidro e hidratado continuem a se recuperar nos próximos meses, contribuindo para a melhora de nossos resultados. Também acreditamos numa reação dos preços de açúcar, com a expectativa de preço médios de 12,5 centavos de dólar por libra peso para a safra atual”, comentou o diretor financeiro e de Relações com Investidores da São Martinho, João Carvalho do Val. O desempenho da companhia foi, de acordo com o executivo, fortemente impactado no primeiro trimestre pela queda do volume de venda, o que resultou em um montante praticamente nulo de negociação no mês de abril. Devido ao desligamento da Copersucar, a maioria de seu estoque proveniente da safra 07/08 foi comercializado até março de 08, ou seja, no exercício fiscal de 2008. Desta forma, com menores vendas no primeiro trimestre, a São Martinho considera-se posicionada para aproveitar a retomada nos preços, por meio da aceleração das vendas nos próximos trimestres. “Vamos nos beneficiar de preços mais elevados”, pontuou o diretor. A companhia também espera uma redução dos custos unitários por Açúcar Total Recuperável (ATR) vendido, que deve passar de R$ 285 no primeiro trimestre da safra 2008/09, para R$ 247 por tonelada de ATR vendido. Com expectativa de investir US$ 2,420 bilhões da safra 2006/07 até a safra 2020/21, a São Martinho destacou que buscará mercados de maior valor agregado, como o álcool-químico e o de geração elétrica. O guidance para a safra 2008/09 foi mantido pela São Martinho, que prevê moagem de 11,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, com 631 mil metros cúbicos de etanol e 578 mil toneladas de açúcar produzidos.

TUPY3 – Tupy aposta na nacionalização do portfolio

A Fundição Tupy, com sede em Joinville (SC), pretende aumentar a carteira de clientes no mercado nacional. O movimento faz sentido diante da desaceleração americana e de um cenário de fortes vendas de caminhões no Brasil, cuja fila de espera, dependendo da marca, pode levar quase um ano.

“A Tupy é um transatlântico e não um jet ski, por isso não se muda a carteira de forma muito rápida”, diz Luiz Tarquínio Sardinha Ferro, presidente da empresa.
No resultado do segundo trimestre, divulgado na semana passada, as exportações ainda responderam pela maior fatia das vendas físicas: 56%, mas já demonstram um leve recuo. No mesmo período do ano anterior, elas respondiam por 59%. A intenção é que até o fim do ano elas representem 54%.
O mercado interno chama a atenção pela forte demanda vista até agora e prevista para continuar. O presidente da Tupy também acredita que a conjuntura econômica, com aumento da inflação ao longo do primeiro semestre, será diferente nos próximos meses. “Acho que a inflação vai desacelerar um pouco mais pelas medidas tomadas pelo governo. Acho que vai sossegar, e isso será muito bem-vindo.”
A Tupy vem sofrendo com a desaceleração da economia americana (Estados Unidos são o seu principal mercado), com queda da produção de automóveis de passeio. Por outro lado, há clientes americanos que não reduziram compras porque vendem dos Estados Unidos para outros países. “Mas, de toda forma, queremos nacionalizar mais a nossa carteira porque existe um cenário menos exuberante lá fora.”
A empresa aumentou o lucro líquido para R$ 32 milhões no segundo trimestre, comparado a R$ 10 milhões no mesmo período do ano passado, diante da conjuntura mais complicada por meio da redução dos custos de produção, principalmente, com mudanças de matérias-primas, e por repasse de parte dos aumentos sofridos nos insumos para os preços. Tarquínio não revela o reajuste de preços aos clientes, mas diz que ele ocorreu tanto no mercado nacional quanto em dólar para compensar a pressão vinda do coque metalúrgico, que dobrou de preço no semestre, e do ferro gusa, que subiu 125%. “Não repassamos tudo para os clientes porque a briga seria maior do que ela já foi”, diz.
A receita líquida somou R$ 463 milhões, 13% acima da receita do segundo trimestre de 2007.

A engenharia de produção, segundo Tarquínio, foi fundamental para a redução de custos. A empresa aumentou o uso de materiais mais baratos em algumas composições metálicas. “Houve um mix mais econômico de matérias-primas”, afirma.

AGEN11 – Agrenco – Comunicado Oficial sobre o atraso na entrega dos resultados

Agrenco Limited, sociedade constituida e organizada sob as leis de Bermuda,
sediada em Clarendon House, 2 Church Street, Hamilton, HM11, Bermudas, inscrita
no CNPJ//MF sob o n  08.943.312/0001-40, registrada perante a Comissao de
Valores Mobiliarios (“CVM”) sob o n. 08008-0 (“Agrenco” ou “Companhia”), com
sociedade controlada sediada no Brasil, denominada Agrenco do Brasil S.A.,
sociedade por acoes, com sede na Cidade de Sao Paulo, Estado de Sao Paulo, na
Avenida Juscelino Kubitschek, n. 1400, 7o andar, CEP 04543-000, inscrita no
CNPJ/MF sob o n. 01.806.966/0015-89 (“Agrenco Brasil”), vem, respeitosamente,
pela presente, prestar os esclarecimentos abaixo quanto as razoes para o atraso
na divulgacao ao mercado de seu relatorio, contendo informacoes periodicas e
trimestrais, relevantes ao mercado em geral.

1. Consideracoes Iniciais

Conforme estipulado na Instrucao expedida pela Comissao de Valores Mobiliarios
(“CVM”), n  331 de 04 de abril de 2000 e alteracoes posteriores (“ICVM 331”), em
seu artigo 12, inciso VI, a Companhia devera apresentar um relatorio de
informacoes trimestrais (“ITR”), contendo as informacoes societarias, comerciais
e financeiras trimestrais relevantes, juntamente com um relatorio de revisao
emitido por auditores independentes, devidamente registrados na CVM, dentro de
45 dias do final de cada trimestre (exceto pelo ultimo trimestre de cada ano) ou
mediante divulgacao de tais informacoes na jurisdicao da Companhia ou em
qualquer outro mercado.

A partir do termino do segundo trimestre do presente ano, somados os 45 dias do
encerramento do segundo trimestre e mencionado na ICVM 331, a obrigacao
referente a divulgacao ao mercado do ITR da Companhia, ocorreu em 14 de agosto
de 2008.

2. Motivos do atraso na divulgacao do ITR, referentes ao 2  trimestre do ano de
2008

Conforme e de conhecimento do mercado, a situacao economico-financeira da
Agrenco e os acontecimentos ocorridos em 20 de junho de 2008 trouxeram a
necessidade de uma capitalizacao da Agrenco no curto prazo. Desta forma, a
Companhia e sua Administracao se encontram diligentemente buscando um investidor
para tal, sendo que ate o presente momento, as seguintes propostas foram
formuladas por: (i) Louis Dreyfus Commodities Group (“LDC”); (ii) Noble Brasil
Ltda. (“Noble”); e (iii) Glencore Importadora e Exportadora S.A. (“Glencore”).
Desta forma, a Companhia informa que, atualmente, esta envolvida em uma
criteriosa auditoria contabil e legal de modo a prover todas as informacoes
relevantes e adequar-se as condicoes propostas pelas Companhias, acima
elencadas, com o intuito de viabilizar a capitalizacao da Agrenco. A Companhia
informa ainda que tal auditoria tem demandado tempo e o envolvimento direto da
Administracao e de funcionarios da Companhia.

A Companhia informa, outrossim, que verificou perda de funcionarios das areas
contabil e financeira, o que, em face das demandas relatadas ao processo de
capitalizacao da Agrenco e da diminuicao de seu pessoal, enfrentaram
dificuldades e atraso na elaboracao de suas demonstracoes financeiras,
referentes ao segundo trimestre de 2008.

3. Conclusao

Diante do motivo acima exposto, a Agrenco informa que, apesar do empenho e da
diligencia de seus administradores, nao conseguiu cumprir com o prazo de
divulgacao do ITR, em 14 de agosto de 2008, no entanto, compromete-se com os
seus acionistas e com o mercado em geral em prover a divulgacao do ITR no menor
prazo possivel.

ECOD3 – Ecodiesel e o retrato da crise no setor

Os resultados da Brasil Ecodiesel no segundo trimestre são o retrato das dificuldades enfrentadas pela companhia. O prejuízo aumentou 495%, para R$ 82,5 milhões. O número é fruto da combinação de queda nas vendas, custo de ociosidade das usinas e provisões para diversas perdas.

A companhia teve receita líquida de R$ 45,8 milhões, entre abril e junho, equivalente a queda de 14% sobre 2007. O valor arrecadado com as vendas não cobriu nem mesmo o custo de produção do período, que somou R$ 58,9 milhões. A disparada no preço da soja, principal matéria-prima da empresa, levou à forte pressão nos custos.

Esse cenário, somado às perdas financeiras, fez com que o prejuízo operacional disparasse 452%, para R$ 76,2 milhões. O resultado negativo inclui ainda uma provisão de R$ 35,7 milhões, que foi lançada como “outras despesas operacionais”. As perdas extraordinárias combinam a expectativa de ajuste a valor de mercado do estoque de grãos e ainda multas com a Petrobras.

Para completar um cenário de custos já repleto de desafios, a Brasil Ecodiesel ainda sofreu com as menores retiradas de combustível pela Petrobras, questão que levou-a a iniciar uma batalha judicial com a estatal. O volume de biodiesel vendido no segundo trimestre caiu 45% no comparativo anual e 78% frente o primeiro trimestre.

A capacidade de armazenagem do setor é limitada. Por isso, os atrasos ou cancelamentos nas retiradas do biodiesel prejudicam o ciclo operacional, uma vez que a empresa não tem onde armazenar novas produções. A questão também afetou os custos de produção, pela baixa utilização da capacidade.

Ao apresentar o balanço, o relatório da administração traz algumas explicações para a situação do negócio. A empresa sofreu com a dependência da soja para produção de biodiesel. Quando listou suas ações na bolsa, apresentou como projeto o uso de matérias-primas alternativas, como mamona, girassol e, no longo prazo, pinhão manso. No entanto, ainda não conseguiu concretizar seus projetos. Sobre isso, alega que “a implementação das novas cadeias agrícolas no país não ocorreu no ritmo planejado”.

Antes de anunciar o resultado, a companhia divulgou uma reestruturação de suas dívidas. Conforme noticiado, estendeu o prazo de 82% dos vencimentos detidos e obteve novos recursos para capital de giro. A medida ajudará a avaliar as contas financeiras do futuro. No segundo trimestre, antes dessas iniciativas, teve despesa financeira líquida de R$ 12,8 milhões, ante R$ 49 mil em igual período do ano passado. Em junho, estava com caixa de R$ 4,6 milhões para uma dívida total de R$ 272 milhões — 16% maior que a posição de março.