Plano de Previdência vinculada à renda variável atrai investidores

A partir de 2006, com as constantes quedas da taxa básica de juro, que tornavam menos atrativas as aplicações em renda fixa, os investidores de planos de previdência passaram a optar por fundos compostos por renda variável. Com o quadro de inflação deste ano, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu aumentar os juros, o que não será suficiente para mexer com o interesse do brasileiros nos fundos compostos por ações.

“Com a diminuição da taxa de juro, as pessoas começaram a procurar o que dava maior rentabilidade no longo prazo”, contou o superintendente de negócios e varejo da Brasilprev, Arizoly Rodrigues Pinto. Com isso, os planos de previdência com renda variável, que permitem somente 49% de ações em sua composição, passaram a se popularizar no Brasil de maneira rápida, impulsionados, ainda, pelos resultados da Bovespa.

Dois fatores, que ocorreram a partir deste ano, colocam em dúvida esta popularidade: o aumento da taxa de juro, devido à inflação, e os resultados não tão positivos na Bolsa nos últimos meses. Mas, de acordo com o superintendente de investimentos da Brasilprev, Márcio Barbosa Matos, esses movimentos não devem afetar os investidores. “Se você olhar o mercado de fundos de maneira geral, tem um movimento para renda fixa. Mas, na previdência, é diferente”.

Novos investidores
Isso acontece porque, de acordo com Matos, mesmo com o aumento dos juros e os resultados da Bovespa, existe um crescimento na captação líquida – diferença entre aplicações e resgates – nos fundos com renda variável. “Embora a taxa de juros esteja aumentando, o investidor continua pensando no longo prazo. Inclusive os novos participantes estão pensando em renda variável”, explicou o superintendente.

Para se ter uma idéia, os produtos mais populares hoje em previdência privada são aqueles compostos por ações. Até 2006, a realidade era bastante diferente. Para se ter uma idéia, a captação líquida em 2006 dos fundos com renda variável dobrou em relação ao ano anterior. Este movimento é decorrente de um aumento da renda, estabilidade monetária e previsibilidade melhor do futuro.

E existem outros fatores que sustentam, ainda hoje, o apetite pela renda variável. Segundo Matos, a rentabilidade de um plano com ações chegou a 22% no ano passado, enquanto aqueles com 100% de renda fixa ficaram com rendimento de 9,9%. “Ainda que, neste ano, sofremos com a volatilidade do mercado internacional, é característica do investidor de ações a calma, para investir no longo prazo”.

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