Aos que pensaram que a alta volatilidade da bolsa fosse conter o crescimento da demanda por clubes de investimento, os dados recém-divulgados pela Bovespa foram surpreendentes. Embora abaixo do ritmo médio de crescimento visto no primeiro semestre, a categoria apresentou 79 novos registros em julho.
Com esse desempenho, cresce para 617 o número de novos registros realizados neste ano, sendo que a quantidade de clubes de investimento da bolsa subiu para 2.650. Em comunicado ao mercado, a Bovespa anunciou que “o patrimônio líquido [dos clubes] soma R$ 17,6 bilhões e o número de cotistas, 153.434, segundo os últimos dados disponíveis, de junho de 2008″.
No Banco Fator, que possui atualmente 84 clubes e um patrimônio líquido de aproximadamente R$ 350 milhões, a percepção segue o mesmo caminho. Walter Ferreira, gerente de Private Banking da instituição, afirmou que, embora recentemente tenha apresentado desaquecimento, a procura continua alta.
Novos investidores pedem passagem
Apesar dos clubes de investimento serem utilizados também por investidores já experientes e até profissionais, eles são vistos como uma das melhores maneiras de se ingressar no mercado de capitais e entender as nuances do mercado. “É a porta de entrada na bolsa”, como resume Pérsio Freitas, gestor do Clube de Investimento Inquilinveste, da Gradual Corretora.
Porém, Ferreira ressalta que é importante avaliar os custos para ver se vale a pena entrar em um clube de investimento ou se é melhor atuar como investidor independente. “Às vezes é um pouco oneroso, dependendo do patrimônio”. Ele explica que um patrimônio médio que possa ser vantajoso tanto para os cotistas quanto para o administrador fica acima de R$ 500 mil.
Crescimento da procura
Se antes a perspectiva de um ano positivo para os mercados domésticos impulsionava a nova leva de investidores que adentravam o mercado de renda variável, agora esse papel parece ser desempenhado pela visão de que a bolsa está barata. Afinal, o Ibovespa caiu de um pico de 73.516 pontos, em maio, para 57 mil pontos.
“Eu entendo – não tenho nenhum dado que comprove isso – que as pessoas estão vendo um bom momento para comprar”, afirmou em entrevista à InfoMoney o assessor de Relações Institucionais da Bovespa, José Roberto Mubarack.
Outro ponto abordado por Mubarack é o trabalho de popularização feito pela bolsa, principalmente com o programa Bovespa Vai até Você. Conforme explicado por ele, a quantidade de clubes de investimento vem crescendo em bom ritmo já há cerca de seis anos, também em função desses projetos.
O programa já atendeu mais de 495 mil pessoas, promovendo palestras e visitas em 236 fábricas e empresas e aproximadamente 6 mil instituições de ensino em grande parte dos estados brasileiros .
Por que um clube e não um fundo de investimento?
Os motivos para se investir através de um clube de investimento não são poucos. A começar por geralmente ter custos mais baixos – o que vem junto com menores exigências de controle – passando por uma participação mais ativa dos investidores na gestão da carteira de ações e dos recursos.
“É um produto personalizado”, conforme classifica o gerente de Private Banking do Fator. É essa a grande diferença na comparação com os fundos de investimento, nos quais a gestão é distante do cotista. Essa democracia é ressaltada por uma das características principais da categoria: o fato de ser destinado a pessoas que possuem alguma afinidade ou objetivos em comum.
Outras vantagens
Aos investidores iniciantes ainda conta como benefício o fato de que, quando o clube se forma, o grupo e a corretora definem o estatuto, que pode conter restrições em relação às aplicações, principalmente as mais complexas, como o mercado de futuros. “A gente entende isso como uma vantagem, já que, para os iniciantes, mercados futuros não devem ser acionados”, comenta Mubarack.
Persio Freitas destaca ainda outras vantagens, que entram no campo da quantidade de recursos disponíveis: como são mais pessoas, o capital a ser investido aumenta, assim como a quantidade de ações da carteira. Dessa forma, há a diluição dos riscos e possibilidades como a entrada em ofertas de ações que possuem valor mínimo de aplicação.
Vantagens fiscais?
Por fim, há a grande vantagem de não pagar impostos enquanto estiver “comprando e vendendo ações dentro do condomínio”, segundo o assessor de Relações Institucionais da Bovespa. Os 15% de imposto de renda sobre o rendimento dos cotistas são pagos somente no resgate das cotas.
Contudo, Walter Ferreira faz uma última ressalva: há diferença nas regras para a constituição dos clubes de investimento e para a tributação. Conforme estabelecido pela Bovespa, pelo menos 51% do dinheiro deve ser alocado em ações.
Porém, para a Receita Federal, o clube só é tributado em 15% se no mínimo 67% dos recursos forem investidores em ações. “Se em 12 meses o clube for desenquadrado mais de três vezes, ele passa a ser tributado como produto de renda fixa”, conclui Ferreira.





Agosto 10, 2008 às 6:08 pm
‘Gostaria de saber se pequenos investidores podem participar do clube de investimentos.Se a resposta for positiva, quais são os primeiros passos.
Obrigado
Agosto 11, 2008 às 2:54 pm
Caro Adalberto,
Com toda certeza ! O primeiro passo é você procurar por um clube de investimento ou montar um com seus amigos. Precisa saber qual o valor que cada um deve investir e como será o gerenciamento.
Segue nota da Spinelli Corretora para mais informações.
Abraço !
Se você está pensando em investir em ações, que tal convidar alguns amigos para criar um clube de investimento? Essa é a maneira pela qual muitas pessoas estão descobrindo os segredos do mercado de ações, afinal, desde que surgiram no Brasil, em 1996, os clubes de investimento não param de aumentar.
Até setembro, cerca de 150 mil pessoas participavam de 2.022 clubes em todo o país, segundo dados da Bovespa. “Um clube é uma escola de investidores”, resume Giácomo Oliveira, que coordena 130 clubes pela Corretora Spinelli.Enquanto num fundo de ações o investidor apenas se limita a fazer aportes de dinheiro sem se preocupar com a gestão, num clube, o cotista pode participar ativamente da política de investimentos, decidindo quanto e em qual ação irá investir. “É um ambiente propício à proliferação de informações a respeito deste mercado”, avalia Oliveira.
E se engana quem pensa que montar um clube de investimento é um bicho-de-sete-cabeças. Pelo contrário. O primeiro passo é reunir um grupo de no mínimo três pessoas e de no máximo 150 participantes.
O ideal é que tenham interesses em comum, como um grupo de amigos ou de colegas de trabalho que queiram guardar dinheiro para a aposentadoria. Com um objetivo assim, fica mais fácil chegar a um consenso na hora de decidir que tipo de papel comprar ou quanto investir em determinada empresa.
O segundo passo é procurar uma administradora, que poderá ser uma corretora, uma distribuidora de títulos ou um banco. O administrador cuida da parte burocrática do investimento, como manter o cadastro dos participantes, receber e conciliar os aportes de dinheiro ou custodiar os ativos.
Quando o grupo decidir em que papel investir, será a administradora que irá concretizar o negócio.
Feita a escolha, a próxima etapa será a preparação do estatuto social, que é o conjunto de normas que deverão ser seguidas para o funcionamento do clube.
Nele constarão, por exemplo, a quantidade e o valor de cada cota do clube, a taxa de administração, a política de investimentos e a composição da carteira do clube.
Vale lembrar que, pela lei, nenhum participante pode deter mais de 40% das cotas e o clube deve, obrigatoriamente, investir pelo menos 51% do seu patrimônio em ações. Se tudo estiver certo com o estatuto, o clube poderá ser registrado na Bovespa e na Receita Federal e, a partir daí, começar a operar.
Setembro 23, 2008 às 2:22 am
Boa noite!
Queria saber se vale a pena em dois clubes investimentos diferentes em duas corretoras ? Tem diferença ou seja operar individual na carteira é a melhor vantagem operar ou dois clubes de investimentos? quero a sua dica ter um bom futuro.
Aguardo.
Setembro 24, 2008 às 9:56 pm
Boa tarde,
Um amigo que opera via homebroker comentou que o valor mínimo para criação de um clube de investimento é de R$ 150.000,00. Mas não encontrei nenhuma referência no site da Bovespa a tal valor.
Gostaria de saber se existe realmente um valor mínimo para a criação de um clube de investimento. E em caso positivo qual é esse valor mínimo?
Atenciosamente
Caio Barba Andrade
Outubro 1, 2008 às 8:13 pm
Caro Thiago,
Vai depender da estratégia de cada clube. Para vc ter maior proteção, pode diluir em diferentes clubes e ainda operar individualmente .
Abraço !
Outubro 9, 2008 às 4:14 pm
Boa tarde, Caio !
Desculpe, mas seu comentário caiu em SPAM.
O valor mínimo vai depender da instituição que escolher. A melhor coisa é contactar as corretoras de seu interesse e pesquisar tb quais os custos cobrados por elas.
Abraço !