Nem mesmo os balanços favoráveis de empresas têm conseguido sustentar o mercado acionário brasileiro. A queda do Ibovespa futuro – que há pouco cedia 1,08%, aos 56.408 pontos – indica uma abertura negativa para o pregão desta sexta-feira. Hoje, os investidores se focam na divulgação de índices de inflação, no Brasil, e de índices de produtividade nos Estados Unidos. “Sem a entrada e permanência de ‘dinheiro novo’, o Ibovespa termina por ser presa fácil de realizações de curtíssimo prazo, que geram volatilidade, afugentando ainda mais os investidores mais sólidos”, explica o chefe de análise da BB Investimentos, Hamilton Moreira Alves. Nos Estados Unidos, o Departamento do Trabalho norte-americano acaba de divulgar que os dados preliminares da produtividade no segundo trimestre apontam para um avanço do indicador em 2,2%, depois do crescimento de 2,6% no trimestre anterior. As previsões eram de aumento de 2,5%. Às 11h, o Departamento de Comércio norte-americano informa os estoques no atacado em junho. As estimativas são de uma alta de 0,6%, depois de o indicador ter subido 0,8% no mês anterior. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que a inflação medida pelo Indice de Preços aos Consumidos Amplo (IPCA) se desacelerou para 0,53% em julho. A inflação de alimentos e bebidas no IPCA registrou desaceleração para 1,05% em julho e representou 0,24 ponto percentual do IPCA. No ano, o índice tem alta de 4,19% e em 12 meses até julho, de 6,37% – esta última a maior desde julho de 2005, quando foi de 6,57%. O mercado previa inflação de 0,55% no mês, segundo tanto a mediana quanto a média das projeções do Termômetro Leia, pesquisa feita junto a instituições de mercado com as estimativas para os principais indicadores econômicos do País. Pelo conceito de mediana, 50% das previsões estavam acima de 0,55% e 50%, abaixo. As projeções colhidas pela Agência Leia para o Termômetro variaram entre a mínima de 0,50% e a máxima de 0,60%. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) também informou na manhã de hoje que a inflação medida pelo Indice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) registrou deflação de 0,01% no primeiro decêndio de agosto, ante variação positiva de 1,55% registrada em igual período do mês anterior. O primeiro decêndio deste mês compreende o intervalo entre dia 21 e 31 de julho. Em 12 meses, a inflação registrada pelo indicador recuou para 13,99%, ante 14,88% apurada na medição anterior. No acumulado do ano, o indicador acumula alta de 8,70%. Os resultados trimestrais continuam sendo destaque no cenário corporativo. Na noite de ontem, a B2W (Companhia Global de Varejo) anunciou que, no segundo trimestre de 2008, obteve lucro líquido de R$ 16,409 milhões, valor 47% superior. A receita líquida da B2W, na mesma base de comparação, passou de R$ 519,485 milhões para R$ 722,519 milhões, um crescimento de 39%. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cresceu 50% entre abril e junho deste ano, para R$ 104,470 milhões. No pregão de ontem, as ações da B2W (BTOW3) foram destaque de alta do Ibovespa e subiram 1,34%, para R$ 60,30 Já a rede varejista Lojas Americanas registrou, no mesmo período, um prejuízo líquido de R$ 14,5 milhões. A receita líquida atingiu R$ 835,7 milhões, alta de 12,8% em relação ao segundo trimestre de 2007, enquanto o Ebitda foi de R$ 74,1 milhões, crescimento de 16,5% em comparação ao mesmo período do ano passado. Já o balanço financeiro consolidado da LASA (que incluem os resultados de Lojas Americanas, Blockbuster, B2W e Americanas Taií) no segundo trimestre do ano mostraram um prejuízo líquido igual ao da controlada de R$ 14,5 milhões. No pregão de quinta-feira, os papéis das Lojas Americanas (LAME4) cederam 1,51%, a R$ 11,70. Entre as companhias do setor de construção civil, a Lopes Brasil, empresa de consultoria e intermediação imobiliária, informou que teve crescimento de 40% no lucro líquido ajustado (apurado a partir do lucro líquido contábil sem o efeito da amortização do ágio) do segundo trimestre de 2008, na comparação com igual período do ano passado, ao somar R$ 19,994 milhões. A receita líquida subiu 136% e atingiu R$ 75,8 milhões e o Ebitda ajustado somou R$ 34,2 milhões, crescimento de 88% sobre o registrado entre abril e junho de 2007. As ações da companhia (LPBS3) ontem subiram 1,32%, para R$ 26,95. Entre as empresas de energia, a Companhia de Transmissão de Energia Paulista (CTEEP) anunciou há pouco que seu lucro líquido no segundo trimestre de2008 foi de R$ 186,638 milhões, o que representa um aumento de 38,6% ante o mesmo período do ano passado. A receita operacional líquida subiu 13% para R$ 359,636 milhões e o Ebitda da companhia foi de R$ 299,363 milhões no segundo trimestre, o que representa aumento de 26,7% ante o mesmo período do ano passado. As ações PN da companhia (TRPL4) ontem aumentaram 0,36%, para R$ 55,20. E a Petrobras informou ontem que o consórcio formado pela estatal (a operadora, com 65%), BG Group (25%) e Galp Energia (10%) “comprovou a ocorrência de mais uma jazida de óleo leve, com densidade em torno de 30API, nos reservatórios do pré-sal” na bacia de Santos. O consórcio foi formado para exploração do bloco BM-S-11, em águas ultraprofundas. O bloco tem duas áreas de exploração. Na maior dessas áreas, lembra a Petrobras, foi perfurado o poço informalmente chamado de Tupi, que resultou em descoberta anunciada em 11 de julho de 2006. O novo poço, chamado de Iara, está na área menor do bloco original, a aproximadamente 230 quilômetros do litoral da cidade do Rio de Janeiro, em lâmina d água de 2.230 metros. Os papéis da Petrobras (PETR4) ontem aumentaram 1,68%, para R$ 33,86. Mercados internacionais Nos Estados Unidos, os mercados futuros operavam, há pouco, em sentidos opostos. Enquanto o futuro da Nasdaq, com vencimento em setembro de 2008, aumentava 0,05%, aos 1.887 pontos, o futuro o S&P 500, com vencimento no mesmo mês, tinha recuo de 0,18%, aos 1.265,50 pontos. Na Europa, os mercados operam em queda. Em Londres, o FTSE-100 perdia 0,53%, aos 5.448,2 pontos, enquanto o DAX 30, da Bolsa de Frankfurt, há pouco caía 0,51%, aos 6.509,92 pontos. O CAC 40, da Bolsa de Paris, registrava desvalorização de 0,07%, aos 4.453,92 pontos. No último pregão da semana, os índices asiáticos fecharam novamente com sinais contrários. O índice Xangai Composite, na China, cedeu 4,47%, aos 2.605,72 pontos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng diminuiu 0,99%, aos 21.885,21 pontos. No sentido contrário, o índice Nikkei 225, no Japão, aumentou 0,33%, para 13.168,41 pontos. O Kospi, em Seul, registrou elevação de 0,30%, para 1.568,72 pontos. O mercado de petróleo opera em queda. Em Nova York, o WTI com vencimento em setembro há pouco cedia 1,56%, cotado a US$ 118,14. Em Londres, o contrato do tipo Brent para o mesmo mês perdia 1,58%, a US$115,99. Câmbio No início das operações do mercado de câmbio, o dólar comercial registrava elevação de 1,63%, cotado a R$ 1,618. O contrato futuro, com vencimento em setembro, também aumentava 1,18 %, a R$ 1,625. Juros Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2009 operavam em queda, passando de 13,73% para 13,72%. Os com vencimento em janeiro de 2010 operavam estáveis, projetando taxa de 14,66%.