Os preços das commodities são a maior dúvida para o desempenho da Bolsa brasileira”, afirma Takahashi da FATOR que não vê, ao menos tão cedo, uma definição do comportamento instável das cotações de produtos como petróleo e metais, que em franca ascensão até meados desse ano, passaram nas últimas semanas a acumular desempenhos negativos. Como bem explica Takahashi, tal recuo lá fora é benéfico à renda variável, uma vez que reduz as tensões em torno da inflação e melhora as expectativas de resultados às principais empresas. Todavia, efeito diametralmente oposto ocorre ao mercado brasileiro, de alta exposição à Petrobras (PETR4, PETR3) e Vale (VALE5, VALE3), que tendem a sofrer com a derrocada nos preços das commodities. “Se os preços voltarem a subir, será bom aos carros-chefe da Bolsa, mas as margens de alguns setores, como o de alimentos, continuarão sob pressão. Se caírem, haverá queda da inflação, mas também menor crescimento e efeito negativo para a nossa Bolsa. Nas duas alternativas, o crescimento dos lucros das empresas tende a cair, o que não conspira a favor da continuidade da expansão dos múltiplos que já não são baratos”, explica Takahashi. Se a Bolsa brasileira não pode mais contar com o “colchão de segurança” antes formado pelo mercado de commodities, a política monetária também não favorece uma possível recuperação do bom humor entre os investidores. Como afirma a estrategista da Fator, à medida que as perspectivas do juro básico do País são acrescidas, a pontuação do Ibovespa é decrescida. Com isso, Lika Takahashi reduziu suas expectativas para o principal índice de ações do País ao final de 2008 de 75 mil pontos para 67 mil pontos. Entretanto, a despeito do corte, a estrategista ressalta que tal visão ainda oferece um potencial de valorização atraente para o final do ano, dadas as fortes derrocadas apresentadas nos últimos pregões.




