A queda de mais de 6% nos dois últimos pregões do principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) pode ser revertida no pregão de hoje, dizem os analistas consultados pela Agência Leia. O desempenho, no entanto, dependerá da trajetória das commodities, um dos principais direcionadores do índice. Hoje, o mercado aguarda, ainda, a decisão da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), hoje às 15h15. No cenário internacional, os principais mercados operam em elevação, movimento acompanhado pelo Ibovespa futuro. Poucos minutos após a abertura, subia 0,68%, aos 56.230 pontos. Especialistas acreditam na manutenção da taxa de juros nos Estados Unidos em 2% ao ano, mas destacam que o tom comunicado do Fed terá grande relevância para os mercados. “As perspectivas não são de recuperação sólida no curto prazo, principalmente se o comunicado do Fed estiver reforçando a fragilidade da economia do país”, pondera a diretora de câmbio da AGK corretora, Miriam Tavares, em relatório. A queda dos preços das commodities pode ser positiva para a economia norte-americana e para a decisão do Fed, na opinião do economista-chefe da Liquidez Corretora, Marcelo Voss. “O esvaziamento da bolha das commodities vem em boa hora para a economia americana, que dá sinais tênues de recuperação nos indicadores prospectivos e pode permitir que o Fed mantenha uma política monetária acomodativa por mais tempo”, afirma em relatório. Ele completa, ainda, que o recuo das commodities, em especial as agrícolas, por um lado pode gerar queda adicional no Ibovespa, mas por outro, é benéfica no médio prazo, já que produzirá forte recuo nos índices de inflação. Ele diz que permitirá uma taxa de juros (Selic) inferior à expectativa do mercado, “mesmo com uma eventual valorização do dólar para o patamar de R$1,60″. Além da decisão do Fed, hoje nos Estados Unidos também é aguardada a divulgação da pesquisa semanal sobre as vendas no varejo nos Estados Unidos pelo LJR Redbook. O índice será divulgado às 9h55. Já às 11h, o Instituto de Gerência e Oferta divulga o índice ISM Serviços referente a julho. Economistas acreditam que o indicador suba para 48,7, depois de ter ficado em 48,2 em junho. Uma leitura acima de 50 indica expansão e uma leitura abaixo de 50 representa contração da atividade. No cenário corporativo brasileiro, destaque para os resultados trimestrais do Itaú, divulgados na manhã de hoje. O lucro líquido da instituição, no período, apresentou recuo de 3,4%, ao atingir R$ 2,041 bilhões. Entre abril e junho de 2007, o valor foi de R$ 2,115 bilhões. No semestre, o valor atingiu R$ 4,084 bilhões, mostrando evolução de 1,69% sobre os R$ 4,016 bilhões obtidos no mesmo período de 2007. As receitas de prestação de serviços passaram de R$ 2,501 bilhões no segundo trimestre de 2007 para R$ 2,594 bilhões no mesmo período de 2008, avanço de 1,72%. Na comparação semestral, o aumento foi de 2,49%, para R$ 5,095%. Nos seis primeiros meses de 2007, o valor foi de R$ 4,971 bilhões. No semestre, a carteira de crédito do Itaú, incluindo avais e fianças, apresentou crescimento de 41,3% em relação a igual período do ano anterior, atingindo R$ 148,1 bilhões. O banco também divulgou que seu patrimônio líquido, ao final do primeiro semestre de 2008 era de R$ 30,341 bilhões, aumento de 14,3% ante os R$ 26,545 bilhões. No pregão de ontem, as ações do Itaú (ITAU4) cederam 3,20%, para R$ 31,80. A BrasilAgro (Companhia Brasileira de Propriedades Agrícolas) informou que a receita líquida de vendas da empresa de 2008, findo em 30 de junho, atingiu R$ 45,389 milhões, 6788% a mais do que o registrado no ano passado. Já o lucro líquido da companhia no período foi de R$ 27,694 milhões, queda de 7% em comparação ao obtido em 2007. A empresa, em meados do ano passado, realizou sua oferta inicial pública de ações (IPO), e seus resultados de 2008 foram influenciados pela operação financeira. No ano, Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou negativo em R$ 2,102 milhões, com uma depreciação de 82% em relação ao obtido em 2007 (R$ 11,570 milhões). De acordo com a empresa, esse montante inclui o ganho obtido com a venda da Fazenda Engenho de R$ 11,3 milhões. As despesas com o IPO foram de R$ 165 mil. Os papéis da companhia (AGRO3) ontem recuaram 4,96%, para R$ 11,31. Já o lucro líquido da Bematech S/A foi de R$ 4,369 milhões no segundo trimestre, revertendo prejuízo de R$ 14,366 milhões no mesmo período do ano passado. A receita líquida de vendas e serviços cresceu 33%, de R$ 59,109 milhões para R$ 78,623 milhões, no trimestre. O Ebitda ajustado cresceu 64% no segundo trimestre sobre o mesmo período de 2007, de R$ 10,754 milhões para R$ 17,620 milhões. Com recuo de 1,38%, as ações da empresa (BEMA3) encerraram o pregão de ontem sob preço de R$ 7,13. Ontem, o conselho de administração da Comgás (Companhia de Gás de São Paulo) aprovou hoje, além da revisão do Plano de Financiamento 2008 – 2012 (mas não divulgou detalhes), a operação da segunda de emissão de debêntures da companhia, no valor de R$ 100 milhões. A emissão será feita em série única, não conversível em ações e com início em 5 de agosto. O prazo de vencimento será de 6 anos, previsto para 5 de agosto de 2014. O título corporativo será distribuído com garantia firme, intermediado pelo Banco Bradesco de Investimentos (BBI). As ações da companhia (CGAS5) ontem perderam 1,29%, para R$ 44,22. Mercados internacionais Nos Estados Unidos, os mercados futuros operavam, há pouco, em sentido positivo. Enquanto o futuro da Nasdaq, com vencimento em setembro de 2008, aumentava 0,77%, aos 1.825,75 pontos, o futuro o S&P 500, com vencimento no mesmo mês, tinha elevação de 0,71%, aos 1.257,7 pontos. Na Europa, os mercados também operam em alta. Em Londres, o FTSE-100 aumentava 1,79%, aos 5.415,51 pontos, enquanto o DAX 30, da Bolsa de Frankfurt, há pouco, subia 2,21%, aos 6.490,38 pontos. O CAC 40, da Bolsa de Paris, registrava valorização de 1,56%, aos 4.347,73 pontos. Os índices asiáticos registraram novo dia de queda. A bolsa de Hong Kong registrou as maiores perdas da região, após a depreciação de 2,51% do índice Hang Seng, que atingiu 21.949,75 pontos. Na China, o Xangai Composite cedeu 1,86%, para 2.690,75 pontos, enquanto o Kospi, em Seul, diminuiu 0,49%, aos 1.535.54 pontos. O índice Nikkei 225, no Japão, recuou 0,14%, aos 12.914,66 pontos. O mercado de petróleo opera em queda. Em Nova York, o WTI com vencimento em setembro há pouco diminuía 1,76%, cotado a US$ 119,27. Em Londres, o contrato do tipo Brent para o mesmo mês cedia de 1,79 %, a US$ 118,51. Câmbio No início das operações do mercado de câmbio, o dólar comercial registrava alta de 0,51%, cotado a R$ 1,5700. O contrato futuro, com vencimento em setembro, também subia 0,54%, a R$ 1,579. Juros Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2009 operavam estáveis, projetando taxa de 13,74%. Os com vencimento em janeiro de 2010 operavam em queda, passando de 14,78% para 14,72%. A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) anunciou na manhã de hoje que a inflação medida pelo Indice de Preços ao Consumidor – São Paulo (IPC-SP) se desacelerou para 0,45% no fechamento de julho, ante 0,96%, apurada no encerramento de junho. Na comparação com a quadrissemana anterior, o indicador também apresenta desaceleração de 0,11 ponto percentual. É a menor inflação desde a segunda semana de abril, quando atingiu 0,43% O resultado veio abaixo da mediana das projeções das instituições financeiras ouvidas pelo Termômetro Leia, que previam inflação de 0,52% para o IPC em julho. As projeções dos economistas consultados pela agência Leia variavam entre 0,31% e 0,59%. Pelo conceito de mediana, 50% das projeções estão acima de 0,52% e 50% abaixo. A média das estimativas ficou em 0,49%.