A agenda de indicadores promete manter a volatilidade dos mercados nesta semana. O evento mais esperado é o anúncio da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), amanhã. As expectativas convergem para manutenção da taxa básica de juros em 2%. Além disso, dados vindos dos Estados Unidos, como o crédito ao consumidor em junho, na quinta, e a produtividade no segundo trimestre, na sexta, são destaque. No mercado doméstico, as atenções se voltam para dados de inflação de julho, como o IPC, na terça, IGP-DI, na quarta, e IPCA, na sexta-feira. Os resultados corporativos das empresas brasileiras e norte-americanas continuarão a ser monitoradas de perto pelo mercado Hoje, nos Estados Unidos, às 9h30 serão divulgados a renda e gastos pessoais em junho. Às 11h, serão conhecidos os dados referentes às encomendas às fábricas em junho. Enquanto aguardam estes resultados, os índices futuros recuam nos Estados Unidos, movimento acompanhado pelo Ibovespa futuro, que poucos minutos após sua abertura cedia 0,17%, aos 57.600 pontos. O balanço de resultados do Bradesco, divulgados na manhã de hoje, é o primeiro entre os grandes bancos brasileiros. A companhia anunciou que, no primeiro semestre de 2008, seu lucro líquido aumentou 2,4% para R$ 4,105 bilhões. No mesmo período de 2008, havia sido de R$ 4,007 bilhões. Segundo a instituição, 64% do lucro (R$ 2,636 bilhões) é originado das atividades financeiras e 36% (R$ 1,469 bilhão) das atividades do Grupo Bradesco de Seguros e Previdência. A carteira de crédito do Bradesco foi de R$ 181,602 bilhões, evolução de 38,8% em relação a igual período do ano anterior. Segundo o relatório, as operações com pessoas físicas totalizaram R$ 65,872 bilhões (crescimento de 32,2%) enquanto as operações com pessoas jurídicas atingiram R$ 115,730 bilhões (crescimento de 42,9%). Os ativos totais do banco no acumulado do ano até junho de 2008 registraram saldo de R$ 403,271 bilhões, o que representa crescimento de 38,8% em relação ao mesmo período de 2007. No pregão de sexta-feira, as ações do Bradesco (BBDC4) cederam 2,48%, sob preço de R$ 32,31. A fabricante de cigarros Souza Cruz obteve lucro líquido de R$ 491,3 milhões no primeiro semestre do ano. O valor representa queda de 15,65% com relação ao acumulado do semestre de 2007. Esse valor foi calculado com a reversão de juros sobre capital próprio no valor de R$ 28,6 milhões. Sem contar essa operação, o lucro líquido da companhia nos seis primeiros meses do ano foi de R$ 438,1 milhões. A receita líquida da Souza Cruz no acumulado de 2008 foi de R$ 2,33 bilhões, alta de 0,86% em comparação ao mesmo período de 2007, enquanto o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) sofreu depreciação de 10,4% para R$ 793,7 milhões em relação aos seis primeiros meses do ano passado, que foi de R$ 886 milhões. No último pregão, os papéis da Souza Cruz (CRUZ3) aumentaram 0,37%, para R$ 42,87. No setor de mineração, a Vale anunciou ontem a assinatura de contrato com a companhia chinesa Rongsheng Shipbuilding and Heavy Industries para a construção de doze navios VLOC (very large ore carriers). Cada um deles terá capacidade de carga de 400.000 toneladas (dwt). O primeiro deles tem entrega prevista para o início de 2011, e o restante será concluído até o final de 2012. Até lá, a mineradora investirá US$ 1,6 bilhão, valor adicional ao programa de investimento previsto para o qüinqüênio 2008-2012 (US$ 59 bilhões). Após a entrega dos projetos, a linha de transporte dedicada Brasil-Ásia terá 18 navios graneleiros (VLOC), com capacidade total de 7,1 milhões dwt. As ações ordinárias (VALE3) cederam 6,23%, a R$ 44,39 e as preferenciais classe A (VALE5) diminuíram 5,87%, a R$ 38,45, no pregão de sexta-feira. Mercados internacionais Nos Estados Unidos, os mercados futuros operavam, há pouco, em sentido negativo. Enquanto o futuro da Nasdaq, com vencimento em setembro de 2008, cedia 0,43%, aos 1.825 pontos, o futuro o S&P 500, com vencimento no mesmo mês, tinha perdas de 0,19%, aos 1.257,8 pontos. Na Europa, os mercados tinham sinais contrários. Em Londres, o FTSE-100 aumentava 0,20%, aos 5.365,5 pontos, enquanto o DAX 30, da Bolsa de Frankfurt, há pouco, diminuía 0,16 %, aos 6.386,65 pontos. O CAC 40, da Bolsa de Paris, registrava leve desvalorização de 0,02 %, aos 4.315,25 pontos. Os principais índices asiáticos registraram perdas nesta segunda-feira. A maior delas foi registrada na China, onde o índice Xangai Composite cedeu 2,14%, somando 2.741,74 pontos. Já em Seul, as perdas do Kospi foram de 1,95%, fechamento aos 1.543,05 pontos. O índice Hang Seng, em Hong Kong, recuou 1,52%, para 22.514,92 pontos, enquanto o Nikkei 225, no Japão diminuiu 1,23%, para 12.933,18 pontos. O mercado de petróleo opera em queda. Em Nova York, o WTI com vencimento em setembro há pouco diminuía 1,26%, cotado a US$ 123,52. Em Londres, o contrato do tipo Brent para o mesmo mês cedia de 0,99 %, a US$ 122,96. Câmbio No início das operações do mercado de câmbio, o dólar comercial registrava alta de 0,32%, cotado a R$ 1,564. O contrato futuro, com vencimento em setembro, também subia 0,06%, a R$ 1,574. Segundo informou o Boletim Focus, levantamento semanal feito pelo Banco Central junto a 100 instituições financeiras com as previsões para os principais indicadores do País, o mercado reduziu a projeção para a taxa de câmbio em 2008 em R$ 1,61 por dólar para R$ 1,61. A estimativa para o próximo ano também caiu de R$ 1,75 por dólar para R$ 1,72 por dólar. Juros Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2009 cediam, passando de 13,71% para 13,68%. Os com vencimento em janeiro de 2010 também operavam em queda, passando de 14,77% para 14,73%. De acordo com o Focus, o mercado diminuiu a estimativa de inflação medida pelo Indice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses de 5,44% para 5,37%, pela primeira vez depois de onze semanas consecutivas de elevação. Para 2008, o mercado reduziu a projeção de IPCA 6,58% para 6,54%. Para 2009, os analistas mantiveram, pela terceira semana seguida, a estimativa de 5%. A expectativa para a taxa Selic ao fim deste ano subiu 0,5 ponto percentual, para 4,5%. Já para 2009, se manteve em 14%. Todas as sete capitais pesquisadas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) apresentaram desaceleração na inflação pelo Indice de Preços ao Consumidor (IPC-S/Capitais), em julho, em comparação com a medição anterior. Na sexta-feira, a FGV informou que a média nacional do IPC-S desacelerou 0,24 ponto percentual para 0,53%. Segundo a FGV, Belo Horizonte passou de 0,42% para 0,41%, Brasília, de 0,71% para 0,59%, Porto Alegre, de 1,01 % para 0,74%, Rio de Janeiro, de 0,45% para 0,36% e Recife, de 0,48% para 0,27%. As capitais Salvador (de 0,77% para 0,67%) e São Paulo (de 0,88% para 0,72%) também registraram desaceleração.