Enquanto aguardam a divulgação da situação do emprego nos Estados Unidos, em julho, os mercados futuros norte-americanos mostram volatilidade e sentidos opostos. As expectativas não são positivas. Analistas calculam que sejam eliminados 75 mil empregos, depois de queda de 62 mil em junho. Para a taxa de desemprego, a projeção é de que suba de 5,5% para 5,6%. Os números divulgados pelo Departamento do Trabalho serão conhecidos em alguns minutos, às 9h30. Na Europa, as bolsas recuam. O Ibovespa futuro, após a abertura, acompanhava a tendência negativa e cedia 0,91%, aos 59,250 pontos pontos. O índice ISM de atividade industrial referente a julho, anunciado às 11h pelo Instituto de Gerência e Oferta também será importante para definir o rumo dos mercados hoje. Economistas acreditam que o indicador caia para 49,2, depois de ter ficado em 50,2 em junho. Uma leitura acima de 50 indica expansão e uma leitura abaixo de 50 representa contração da atividade. No mesmo horário, o Departamento do Comércio norte-americano anuncia os gastos com construção em junho. As expectativas são de que o indicador caia 0,3%, depois de ter retraído 0,4% no mês anterior. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou há pouco que a produção industrial cresceu 6,6% em junho ante o mesmo período do ano passado. Comparado ao mês anterior, o indicador teve aumento de 2,7% – este avanço é o maior desde outubro de 2007, quando foi de 3,5%. No ano, a produção industrial tem crescimento de 6,3%, enquanto em 12 meses, a alta é de 6,7%. O mercado estimava que a produção industrial brasileira tivesse crescido 6,30% em junho, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo a mediana das projeções do Termômetro Leia, pesquisa feita junto a instituições financeiras com as estimativas para os principais indicadores econômicos do País. Pelo conceito de mediana, 50% das previsões estavam acima de 6,30% e 50%, abaixo. As projeções colhidas pela Agência Leia para o Termômetro variaram entre alta de 5,66% e de 7,50%. A média das expectativas do mercado apontava para expansão de 6,35%. O resultado trimestral da Embraer é destaque no cenário corporativo. A companhia informou ontem à noite que obteve lucro líquido de R$ 176,3 milhões no segundo trimestre (R$ 0,24368 por ação), crescimento de 121,2% em relação ao mesmo período de 2007 (R$ 79,7 milhões), com margem líquida de 3,6%. A receita líquida cresceu 23,1%, de R$ 2,190 bilhões para R$ 2,695 bilhões. Segundo a empresa, a alta deve-se principalmente ao maior volume de entregas no período. O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia somou R$ 199,1 milhões no segundo trimestre, crescimento de 153% em relação a 2007 (R$ 78,7 milhões). No último pregão, as ações da empresa (EMBR3) cederam 2,69%, para R$ 11,95. Já a Oi informou registrou lucro líquido de R$ 249 milhões no segundo trimestre, queda de 46,8% em relação ao mesmo período de 2007 (R$ 468 milhões). A receita líquida subiu 7,3% no trimestre, de R$ 4,358 bilhões para R$ 4,677 bilhões. O Ebitda somou R$ 1,311 bilhão no trimestre, recuo de 17,9% em relação a 2007 (R$ 1,596 bilhão) – a margem Ebitda foi de 36,6% para 28,0%. A previsão para investimentos da companhia em 2008 subiu de R$ 4 bilhões para R$ 4,5 bilhões. Deste total, R$ 1 bilhão será destinado para a construção da rede de São Paulo. Ontem, os papéis da Tele Norte Leste (TNLP4) aumentaram 2,68%, cotados a R$ 37,20, enquanto os da Telemar Participações (TMAR5) ganharam 3,08%, a R$ 93,60. Analistas do mercado ponderam que os desdobramentos em relação à aprovação do novo Plano Geral de Outorgas (PGO), que deverá permitir a compra da Brasil Telecom (BrT), são mais importantes para o desempenho dos papéis do setor que o resultado trimestral das companhias. Ontem, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu não conceder novo adiamento para a consulta pública do Plano Geral de Outorgas (PGO) da telefonia fixa, que será encerrado hoje. O conselho diretor da agência entendeu que houve prazo suficiente, de 45 dias, para a discussão com a sociedade. A expectativa é de que sejam necessários outros 45 a 60 dias para uma decisão final da agência sobre o assunto. E no setor sucroalcooleiro, o grupo paulista São Martinho anunciou novo plano estratégico, com previsão de investimentos de US$ 2 bilhões. A empresa tem como objetivo alcançar a moagem de 30 milhões de toneladas até safra 20/21. “Além da presença nos mercados de açúcar e etanol, a São Martinho focará novos nichos de mercado como alcoolquímica e energia elétrica”, diz o documento. Além disso, o executivo Fábio Venturelli, atual diretor vice-presidente, foi indicado diretor – presidente da companhia (CEO). As ações da companhia (SMTO3) ontem subiram 2,71%, a R$ 26,50. Já a Petrobras anunciou que iniciou no dia 29 de julho a produção de óleo no Campo de Agbami, na Nigéria. A companhia possui 13% de participação no negócio, que conta ainda com outras duas sócias, a StatoilHydro e a operadora Chevron. As concessionárias Nigerian National Petroleum Corporation e Famfa Oil Limited também são parceiras no campo. Segundo comunicado, “o pico de produção deve acontecer no segundo semestre de 2009, sendo cerca de 33 mil barris de petróleo por dia a participação da Petrobras na produção do óleo, leve, com densidade entre 45 e 48 graus API”, o que irá representar 13% do volume produzido pela Petrobras no exterior. Com recuo de 1,64%, as ações da estatal (PETR4) encerraram o pregão de quinta-feira cotados a R$ 35,90. Mercados internacionais Nos Estados Unidos, os mercados futuros operavam, há pouco, em sentidos opostos. Enquanto o futuro da Nasdaq, com vencimento em setembro de 2008, cedia 0,06%, aos 1.852,50 pontos, o futuro o S&P 500, com vencimento no mesmo mês, tinha leve ganho de 0,03%, aos 1.267,50 pontos. Na Europa, os mercados tinham baixas. Em Londres, o FTSE-100 recuava de 0,45%, aos 5.387,1 pontos, enquanto o DAX 30, da Bolsa de Frankfurt, há pouco, diminuía 0,71 %, aos 6.433,32 pontos. O CAC 40, da Bolsa de Paris, registrava desvalorização de 0,72 %, aos 4.460,55 pontos. Os mercados asiáticos encerraram o último pregão da semana em rumos contrários. Com recuo de 1,31%, o índice Kospi, em Seul, fechou aos 1.573,77 pontos. No Japão, as perdas do índice Nikkei 225 foram de 2,11%, atingindo 13.094,59 pontos. No sentido oposto, o Xangai Composto, na China subiu 0,94%, para 2.801,82 pontos. E o índice Hang Seng, o principal da bolsa de valores de Hong Kong, encerrou o dia em alta de 0,58%, aos 22.862,60 pontos. O mercado de petróleo opera em queda. Em Nova York, o WTI com vencimento em setembro há pouco diminuía 0,74%, cotado a US$ 123,16. Em Londres, o contrato do tipo Brent para o mesmo mês cedia de 0,87%, a US$ 122,90. Câmbio No início das operações do mercado de câmbio, o dólar comercial registrava alta de 0,19%, cotado a R$ 1,566. O contrato futuro, com vencimento em agosto, operava em queda de 0,12%, a R$ 1,576. Juros Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2010 operavam em queda, passando de 14,88% para 14,87%. A inflação medida pelo Indice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) desacelerou para 0,53% no fechamento de julho, 0,24 ponto percentual abaixo da taxa apurada em junho (0,77%), informou nesta manhã a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O indicador é o menor desde a quarta quadrissemana de março, quando apresentou 0,45% de alta. Em relação à terceira medição de julho, o indicador também desacelerou, de 0,67%.