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Alto endividamento faz investidores apostarem em calote de países desenvolvidos

O crescente nível de endividamento do mundo industrializado está incentivando um número crescente de investidores a usar o mercado de derivativos para apostar na probabilidade de governos ricos deixarem de honrar seus títulos. O volume de atividade em swaps de risco de crédito (CDS na sigla em inglês) soberanos, que medem o custo do seguro contra inadimplência relacionada com títulos vinculados aos EUA, Reino Unido e Japão, dobraram nos últimos 12 meses, devido a preocupações sobre suas finanças públicas.

O volume de CDS envolvendo a Itália, que tem uma das mais elevadas carga de endividamento entre as economias desenvolvidas, é atualmente o mais elevado para um país individual, segundo o Depository Trust & Clearing Corporation. Em contraste, o volume de CDS negociados vinculados a emergentes países, como a Rússia, o Brasil, a Ucrânia e a Indonésia, tem se mantido inalterado ou caído nos últimos 12 meses, pois os investidores agora estão menos interessados em negociar os riscos desses países.

No passado, o mercado de CDS relacionados com países desenvolvidos era rarefeito, porque poucos investidores viam necessidade comprar ou vender proteção contra um risco de inadimplência que parecia extremamente remoto. Entretanto, níveis crescentes de endividamento e crescente incerteza política e econômica criaram um mercado mais ativo, pois mais investidores hoje buscam proteger-se. Por outro lado, muitos bancos estão dispostos a oferecer proteção em troca de uma taxa. Essa taxa, recentemente, deu um salto, pois o custo do seguro sobre a dívida de países desenvolvidos subiu desde o segundo semestre do ano passado, ao passo que o custo do seguro relacionado com dívidas de mercados emergentes caiu.

Gary Jenkins, diretor de pesquisas em renda fixa na Evolution, disse: “O maior risco individual envolvendo o mercado de títulos é o rápido crescimento da dívida pública no mundo industrializado. Se chegarmos a um ponto em que o mercado julgar que os níveis de endividamento são insustentáveis, então veremos enorme onda de vendas nos mercados de títulos de governos, acompanhada de uma disparada nos rendimentos (exigidos). Os governos precisam agir para cortar déficits e endividamento”.

A Fitch Solutions, subsidiária do Fitch Group especializada em compilação de dados, disse haver quase tanta incerteza no mercado de CDS em face das perspectivas para as economias desenvolvidas e seus mercados de títulos quanto para as emergentes. Comparações entre a Itália e o Brasil são frequentemente usadas por estrategistas como um exemplo da contrastante situação dos mundos desenvolvido e emergente. Para a Itália, a previsão é de que a relação dívida sobre PIB cresça para 127,3% em 2010. No Brasil, a relação dívida/PIB deverá estabilizar em 65,4% em 2010. Nigel Rendell, estrategista sênior para mercados emergentes na RBC Capital Markets, disse: “Não é de surpreender que os investidores estejam cada vez mais preocupados com a dívida do mundo industrializado. É difícil sustentar uma dívida sobre PIB superior a 100%”. (Valor)

Setor de logística deve passar por consolidação em 2010

O setor de logística, responsável por movimentar o equivalente a 12,8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, e capaz de gerar uma receita na casa dos R$ 400 bilhões, começa a provar dos efeitos positivos da recuperação econômica, ao retomar ganhos e garantir investimentos. O cenário, aliado à aceleração da área de infraestrutura e ao pré-sal, desencadeará um novo ciclo de fusões e aquisições na cadeia de transportes e armazenagem do País, com a busca das empresas por complementar cada vez mais sua gama de serviços.

A consolidação das companhias que compõem o segmento de logística foi um movimento que se iniciou no ano de 2007, tendo estacionado durante a turbulência econômica. Agora, dizem especialistas, essa condição começa a se restabelecer, a exemplo da recente fusão de cinco empresas de transportes que deu origem à nacional Trafti e da compra do Expresso Araçatuba pela holandesa TNT.

“O setor de logística partirá para um ano de 2010 com fusões e aquisições de empresas. O País entrará em ebulição no quesito consolidação”, previu Antonio Wrobleski, sócio da AWRO Participações, consultoria especializada neste mercado no País.

O executivo explicou que cerca de 95% do mercado de transportes são compostos por empresas de menor porte, com faturamento de até R$ 20 milhões, e que as grandes, se contadas, “não se põem em duas mãos”, como disse. “Se você é uma empresa que fatura R$ 20 milhões não vai poder levar um projeto de R$ 40 milhões”, colocou ele, sinalizando que a tendência à consolidação vai alterar o quadro.

Wrobleski também apontou que as companhias estão gerando mais receita e Ebitda ( lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), uma situação que leva à aplicação de recursos na própria empresa ou à busca de atuação em atuação em outros segmentos com compra de corporações menores. “Já podemos ver várias empresas com resultados positivos, o que demonstra que o mercado vai crescer apesar de tantos gargalos”, disse.

Um exemplo de companhia que registrou resultados positivos é a Tegma, que, mesmo tendo um grande fluxo de trabalho voltado ao setor automotivo, viu a receita do terceiro trimestre deste ano crescer 4,1%, e chegar aos cerca de R$ 299,3 milhões, na comparação com o ano anterior.

O sócio da AWRO Participações, que foi presidente da Ryder Logística e liderou o processo de fusão que deu origem à Trafti, explicou que o aquecimento econômico que chega com os investimentos na área de infraestrutura, o pré-sal e o avanço do segmento de fármacos devem alavancar o setor de logística.

“Algumas multinacionais estao bem atentas a esse mercado e não estranharemos se um grande nome da logística anunciar alguma compra até o início do ano que vem”, previu Wrobleski.

Horizonte – Antônio Wrobleski segue confiante em que haverá aquecimento no próximo ano. Ele crê na tendência de que o PIB brasileiro deva crescer 5% em 2010, o que consequentemente pode ocasionar 15% de incremento no setor de logística. “Nossa área sempre cresce nesse patamar: três vezes o PIB do País”, analisou.

O executivo vai ainda mais longe ao revelar que, em conversa com empresários do setor, pôde perceber uma preocupação com a disponibilidade de espaços para armazenagem e frota suficiente para dar conta da demanda neste fim de ano. “O mercado das classes C e D está muito atuante”, colocou.

Em linha com a aceleração que vem se desenhando em torno do segmento de logística, Wrobleski crê que a situação pode mudar de tal forma que deve favorecer a indústria de caminhões. “O setor pode voltar a ter prazos de entrega de mais de 60 dias, como ocorria antes da crise”, finalizou.

Expansão – Com a perspectiva de triplicar sua capacidade de movimentação de cargas na cabotagem (navegação costeira), a Log-In Logística Intermodal (Log-In), de cujo capital social a Vale detém 31,3%, vê a longo prazo a perspectiva de ampliar a gama de serviços, inclusive na ponta rodoviária, seguindo a tendência de consolidação no setor. “Temos interesse em três principais classes para o desenvolvimento do nosso negócio”, afirmou Mauro Oliveira Dias, presidente da Log-In. Ele incluiu na lista de estudos de expansão o investimento em terminais de contêineres, em centros de distribuição intermodais e, como disse, “a companhia pode incluir em sua base empresas com potencial no modal rodoviário”, contou.

Dias confirmou que a empresa deve manter o plano plurianual de investimentos de R$ 1,5 bilhão até 2013 ao salientar que os resultados da empresa vem melhorando gradativamente com a recuperação da economia.

Sobre o contrato de US$ 1 bilhão com a Alunorte, o executivo revelou que a operação está mantida e deve iniciar-se em janeiro de 2010, com a utilização de navios arrendados. A perspectiva é de que o primeiro navio que vai somar-se à nova frota, em construção pelo Estaleiro Ilha (Eisa), seja lançado no primeiro trimestre de 2010. (DCI)

Brasil atrai investimentos asiáticos

Os bancos têm notado especial interesse dos investidores asiáticos, inclusive pessoas físicas do Japão, em aplicar recursos no mercado interno brasileiro. De olho nesse mercado, executivos do Citi têm feito visitas frequentes à região para ampliar o negócio de custódia para estrangeiros no Brasil. “Hoje, a maior parte do investidor que aplica seus recursos no mercado brasileiro é das Américas, com cerca de 60% do total, seguido pelo Europeu, com 33%”, diz Pedro Guerra, executivo-chefe da área chamada de Global Transaction Services (GTS), que inclui o serviço de custódia no Citi. “O potencial claramente está na Ásia, cuja participação é de 7%”, conta.

O risco-país considerado baixo, o diferencial entre os juros internos e externos, as perspectivas de real forte e de crescimento na economia brasileira atiçam o apetite dos investidores internacionais para vir ao país. Com essa demanda crescente, o Citigroup resolveu ampliar seu time de GTS no Brasil, diz Dardo Sabarots, executivo-chefe da área na America Latina. “O Brasil virou grau de investimento e todos querem investir aqui”, disse o argentino em visita ao Brasil para participar de evento que reuniu empresas brasileiras clientes para discutir tendências na gestão de caixa.

Segundo Pedro Guerra, o aumento no total de funcionários na área de GTS no Brasil foi de 10% no último ano, para cerca de 500 funcionários. A área inclui gestão de caixa para clientes, crédito ao comércio exterior e também custódia.

O Itaú Unibanco é outro banco que está reagindo ao ingresso dos estrangeiros com mais investimentos. Há dois anos, já se preparando para um momento como o atual, o banco tirou Don Linford do JPMorgan nos Estados Unidos para cuidar do serviço. “Ele pensa com a cabeça do investidor externo”, diz Ricardo Lima Soares, o responsável por toda a área de custódia, local e internacional, do Itaú Unibanco.

O banco de capital nacional investiu US$ 15 milhões em tecnologia para melhorar os serviços ao investidor externo e segregou a área, que antes ficava junto com a custódia local. “As comissões cobradas são maiores para o investidor internacional, mas o serviço para o estrangeiro também acaba sendo diferenciado”, afirma Soares. “Só para começar, precisamos contratar funcionários que falam inglês para a área”, afirma o especialista.

A custódia internacional do Itaú conta com um time de 65 pessoas e inclui a controladoria de fundos “offshore” do banco. Luciano Magalhães, responsável pela custódia local do Itaú Unibanco, lembra das particularidades do mercado brasileiro e de como é difícil adequar os padrões internos aos internacionais. “Por exemplo, aqui trabalhamos com um calendário de 250 dias úteis e lá fora eles usam 365 corridos”, afirma.

GPCP3 GPC – Projeto contra uso do metanol é rejeitado

O senador Gilberto Goellner (DEM/MT) votou pela rejeição do Projeto de Lei (PLS 356/2009), de autoria do senador João Tenório, que prevê a proibição do uso do metanol em toda a cadeia produtiva do biodiesel. O parecer de Goellner foi aprovado pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI).

Na visão do senador, por mais que o Brasil tenha excelência na produção do etanol, este não pode substituir o metanol na produção do biodiesel sem que provoque graves complicações para o mercado nacional. “Quanto à toxidade, a questão é irrelevante, uma vez que o produto final – o biodiesel – é isento de alcoóis. Sobre os riscos de manuseio e de explosão, tanto o metanol como o etanol requer cuidados específicos de acordo com a técnica e as boas práticas de produção. Não há contato humano com o metanol e etanol durante o processo de produção do biodiesel”, argumentou.

O parlamentar também fez outras considerações de caráter técnico e econômico. Segundo Goellner, na produção de um litro de biodiesel, o metanol apresenta uma redução de 20% no tempo gasto, se comparado ao etanol. No processo de construção das plantas, com o metanol gasta-se 25% a menos de equipamentos, com a mesma qualidade e produtividade do etanol.

“A mudança do metanol para o etanol iria representar um aumento de 100% nos custos diretamente relacionados com o álcool utilizado. Isto traria sérias complicações para o equilíbrio econômico do setor, que vem investindo fortemente para atender o Programa Nacional do Biodiesel”, concluiu.

VASP – TRT confirma direito de propriedade sobre a Fazenda Piratininga

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo confirmou ontem o direito de propriedade dos ex-empregados da Vasp sobre a Fazenda Piratininga, um complexo agropecuário que engloba uma área de 135 mil hectares no extremo norte do Estado de Goiás. O tribunal confirmou a adjudicação do bem em favor dos trabalhadores, que já possuíam a posse da fazenda – avaliada em R$ 500 milhões. Na prática, isso significa que eles passam a ser donos das terras e agora podem vendê-las. O dinheiro arrecadado será revertido em favor dos trabalhadores que têm créditos a receber da Vasp, avaliados em R$ 1,6 bilhão.

A empresa de aviação sofreu intervenção em 2005, mesmo ano em que entrou em recuperação judicial. Três anos mais tarde, foi decretada a sua falência. Apesar disso, os ex-empregados da companhia terão a possibilidade de receber parte do que tem direito antes de qualquer credor da massa falida. O que se explica por uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Trabalho, Sindicato Nacional dos Aeronautas e pelo Sindicato Estadual dos Aeroviários, em 2005. Na época, o empresário Wagner Canhedo assinou um acordo perante a Justiça do Trabalho por meio do qual se comprometia a quitar todos os débitos trabalhistas. Pelo mesmo acordo, o empresário teria reconhecido a responsabilidade solidária do seu grupo econômico – que engloba mais três empresas – pelo pagamento das dívidas existentes, caso a Vasp não as quitasse. Por esse motivo, os trabalhadores conseguiram que as fazendas da Agropecuária Vale do Araguaia fossem bloqueadas e agora obtiveram a propriedade de uma delas.

A juíza coordenadora do Juízo Auxiliar de Execução da Justiça do Trabalho de São Paulo, Elisa Maria Secco Andreoni, afirma que a pedido do Ministério Público e dos sindicatos envolvidos na ação, a fazenda deverá ser vendida e não administrada pelas entidades, o que seria possível se os sindicatos fizessem essa opção. Quando a venda acontecer, será pública, devendo ocorrer por meio de leilão organizado pela própria Justiça do Trabalho. Com a comercialização do bem, é aberto o concurso de credores. A partir dai, aqueles que tiverem valores a receber – fixados por decisões judiciais das quais não cabem mais recursos – devem procurar a Justiça para obtê-los. A juíza afirma que vai ser estudado com o Ministério Público a possibilidade de criar uma reserva desses valores destinada aos trabalhadores que não tenham ações judiciais finalizadas.

Apesar de especialistas avaliarem que, por questões processuais, dificilmente a decisão do TRT seria revertida no Tribunal Superior do Trabalho (TST), os advogados da Araguaia, Cristina Pires Furtado e Everson Ricardo Arraes Mendes, do escritório Pires Furtado e Advogados Associados afirmam que vão recorrer tanto para o TST quanto para o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo eles, o foco das defesas nunca foi o TRT e que a intenção deles é tirar o processo da seara de São Paulo. Nos recursos, eles pretendem questionar inúmeras pontos dos processos, assim como a suspeição do juiz que na primeira instância concedeu a adjudicação. Eles alegam que o magistrado deveria ter se declarado suspeito para julgar o processo, pois deu entrevista à imprensa sobre o caso, o que seria vedado pelo Estatuto da Magistratura. A alegação, no entanto, não foi aceita pelo TRT. Por isso, os advogados tentarão as instâncias superiores e, com isso, mantêm as esperanças de cancelar o julgamento que gerou a adjudicação da fazenda.